Presidente do Irã acusa EUA e Israel de ataques ‘à margem da lei’ e rejeita limitações ao programa nuclear

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Masoud Pezeshkian

Masoud Pezeshkian afirmou na Assembleia Geral da ONU que Teerã continua aberto à diplomacia, mas não negociará sob ameaças nem abrirá mão do desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins civis

NOVA YORK — O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos e Israel de conduzirem ataques sem respaldo jurídico contra seu país e afirmou que Teerã não se renderá à pressão militar. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 23 de setembro, durante discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Em uma intervenção de tom desafiador, Pezeshkian rejeitou a caracterização do Irã como patrocinador do terrorismo e apresentou seu país como vítima de agressões externas. A delegação norte-americana deixou o plenário no início do pronunciamento, segundo a Reuters.

“Nós apenas nos defendemos. Não somos terroristas”, declarou o presidente iraniano. Pezeshkian responsabilizou diretamente Washington e Tel Aviv pelos ataques e acrescentou que o Irã foi atingido, mas “não se ajoelhou” diante de seus adversários.

Fotografias das vítimas no plenário

Durante o discurso, Pezeshkian exibiu fotografias do falecido líder supremo Ali Khamenei e de crianças mortas no ataque à escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no primeiro dia da guerra. O presidente afirmou que os bombardeios atingiram escolas, áreas residenciais, instalações econômicas e outros alvos civis.

Uma missão internacional independente das Nações Unidas concluiu recentemente que existem fundamentos razoáveis para atribuir às forças norte-americanas o ataque à escola. Os investigadores classificaram o bombardeio como indiscriminado e afirmaram que ele provocou mortes de civis e danos a uma estrutura claramente identificável como civil, podendo configurar crime de guerra.

A mesma investigação, entretanto, também acusou as autoridades iranianas de cometer crimes contra a humanidade durante a repressão às manifestações antigovernamentais iniciadas no final de 2025. O relatório mencionou mortes ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e restrições à liberdade de expressão.

Pezeshkian também afirmou que as forças iranianas não atacaram populações civis. A declaração foi contestada pela Associated Press, que lembrou que marinheiros, trabalhadores migrantes e outros civis estão entre os mortos em ataques realizados pelo Irã desde o início da guerra.

Diplomacia sem “linguagem da força”

Apesar das críticas aos Estados Unidos, o presidente iraniano declarou que Teerã permanece disposto a negociar uma saída para o conflito. Segundo ele, qualquer diálogo deve ocorrer sem ameaças militares, bloqueios econômicos ou condições apresentadas como ultimatos.

“Estamos prontos para o diálogo, a diplomacia e as negociações, sem aceitar a linguagem da força”, disse Pezeshkian, dirigindo-se diretamente ao presidente norte-americano, Donald Trump.

O discurso ocorreu um dia depois de Trump defender, no mesmo plenário, a campanha militar contra o Irã e advertir que poderia “aniquilar” a República Islâmica caso não fosse alcançado um acordo. O presidente dos Estados Unidos também pediu o isolamento econômico completo de Teerã e reiterou que não permitirá que o país obtenha uma arma nuclear.

Nos bastidores da Assembleia Geral, representantes norte-americanos e iranianos retomaram contatos indiretos com a mediação do Catar. Trump afirmou que seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner mantiveram uma reunião de aproximadamente três horas com integrantes da delegação iraniana, mas Teerã minimizou o encontro e declarou que sua posição negociadora permanece inalterada.

Irã rejeita restrições à tecnologia nuclear civil

Pezeshkian reiterou que o Irã não pretende fabricar uma bomba atômica, mas advertiu que o país não aceitará ser privado do direito de desenvolver tecnologia nuclear para geração de energia, medicina, produção industrial e segurança alimentar.

“O Irã precisa de energia nuclear, não de uma bomba nuclear”, afirmou. Na avaliação do presidente, centrífugas, instalações de enriquecimento e pesquisas nucleares passaram a ser tratadas como ameaças por razões políticas, embora façam parte do desenvolvimento científico e econômico iraniano.

A posição entra em choque com as exigências dos Estados Unidos e de seus aliados, que defendem limitações verificáveis ao enriquecimento de urânio e o restabelecimento do acesso dos inspetores internacionais. Antes da guerra, a Agência Internacional de Energia Atômica estimava que o Irã possuía 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60%, nível muito acima daquele normalmente utilizado em usinas nucleares civis.

A AIEA também informou que, devido à falta de acesso às instalações, não conseguia verificar o tamanho, a composição ou a localização atual do estoque de urânio enriquecido iraniano. O órgão declarou ainda não ter condições de assegurar que todo o programa nuclear do país permanecia exclusivamente pacífico.

Estreito de Ormuz continua no centro da crise

Pezeshkian vinculou uma possível solução diplomática à situação no Estreito de Ormuz, rota utilizada, antes da guerra, para o transporte de aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.

O presidente afirmou que não é aceitável que outros países utilizem livremente a passagem enquanto o Irã enfrenta bloqueios e restrições à sua própria navegação. Segundo ele, a presença permanente de forças navais hostis e a ampliação das operações militares não produzirão paz.

Teerã sinalizou que poderia normalizar o tráfego pelo estreito em até sete dias caso Washington reduza a pressão militar e suspenda o bloqueio aos portos iranianos. A proposta cria uma possível abertura diplomática, mas as divergências sobre inspeções nucleares, sanções, liberdade de navegação e garantias de segurança continuam separando os dois governos.■



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Sergio Machado
Sergio Machado
18 dias atrás

Pezeshkian está bem longe de ser figura decisiva no atual Irã.
A IRGC o mantém para dar ares de “aberto a negociações”, quando sabe que não há possibilidade de negociações com EUA e Israel.
O Irã é a pedra no sapato para os interesses desses dois e o pau vai voltar a quebrar tão logo os estoques de SAM sejam repostos.

Augusto Cesar
Augusto Cesar
Responder para  Sergio Machado
17 dias atrás

Ou depois das eleições de meio mandato…..

Nilo
Nilo
18 dias atrás

AIEA idealiza por EUA, em discurso de Eisenhower em 1953, na ONU propunha o uso pacífico da tecnologia atômica. Rsrs tempos.
Hoje A Agência diz não ter acesso.
Deve ser para informar depois o nível de destruição e orientar os americanos a destruir o que sobrou Rsrsr

Leandro Costa
Leandro Costa
Responder para  Nilo
17 dias atrás

A idéia da criação da Agência pode ter sido de quem quer que fosse. Foi aprovada em Assembléia Geral da ONU, ou seja, contou com a concordância dos países membros da ONU.

A agência inspeciona e fiscaliza, todos os pontos nos quais os países signatários concordaram que deveriam ser inspecionados e fiscalizados. Com as devidas punições sendo aplicadas àqueles nas quais foi constatada alguma não-conformidade. Novamente, tudo aprovado pelos países membros e signatários dos tratados.

De todos os diretores da AIEA, apenas o primeiro foi Americano. Todos os outros foram de países que não tem armamento nuclear e pelo menos um deles sequer tem uma usina de energia nuclear em operação (Egito). O Atual diretor é Argentino.

Isso é multilateralismo em ação. É como a coisa deveria funcionar e como precisamos que volte à funcionar para que a bagunça atual pare e assim o meu custo de vida (e consequentemente o seu) volte à baixar.

A Liga das Nações foi idealizada por Woodrow Wilson e os EUA nem fizeram parte. A agência perdeu credibilidade e efetividade e… deu no que deu…

Bosco
Bosco
18 dias atrás

Uma ditadura alegar que está sendo atacada de maneira ilegal é literalmente o poste mijando no cachorro.
É igual o ditador Saddam que matou inocentes com armas químicas durante duas décadas e assassinando seus desafetos alegar que foi sacaneado por conta da mentira americana das armas químicas.
Se brincar vamos ainda ver o PCC reclamando no STF que está sendo perseguido pela polícia.

bruno
bruno
Responder para  Bosco
2 dias atrás

E o Trump com seus discursos autoritários, estatuas em GAZA, A caraça na nota de dólar, é o que? Será quer ele no comando da nação mais poderosa do mundo governando por Decretos, diga-se de passsagem, a maioria sustado depois pela Suprema Corte, (no maior pago para ver) é o que? Resposta. Um pseudo ditador. Vamos ver como ficará depois das eleições legislativas que virão agora em novembro.

bruno
bruno
Responder para  Bosco
2 dias atrás

Depois que o Flavio Bolsonaro, como anda bradando para todos os cantos alterar a legislação constitucional e nomear todos os ministros como ele quer e esta falando, ou seja, fazer uma limpa e só botar gente de confiança dele, e depois que fizer os expurgos nas forças armadas, o que vamos ver, é o povo mesmo, inclusive muitos eleitores dele, reclamando ao STF que está sendo perseguido pela polícia, como nos tempos do regime de exceção por qual passou este pais. O que estamos vendo é muito sério. a bandalheira no supremo somente pode ser vista porque vivemos e estamos em uma democracia. Será que se todos os Ministros fosse iguais ao Nunes Marques e principalmente ao André Mendonça, que seguram informações e processos de uns e liberam o de outros que lhe dão a graça de salvador da pátria, saberíamos disso tudo esta acontecendo? Fica para reflexão.

Leandro Costa
Leandro Costa
17 dias atrás

Se ele continuar bloqueando o estreito de Ormuz, zero simpatia com ele.

Se ele liberar a navegação por lá, meu nível de tolerância com o Irã volta à exisitr.

YUFERFLLO
YUFERFLLO
Responder para  Leandro Costa
17 dias atrás

Se os EUA pararem de ficar repetindo ataques até daria, mas quem começou a atacar foi os EUA e Israel, e eles continuam a atacar o Irã, seu nível de tolerância com os EUA e Israel deve ser o mesmo que o seu com o Irã, certo?

Bosco
Bosco
Responder para  YUFERFLLO
17 dias atrás

Errado!
Não deve haver tolerância a regimes terroristas e ditaduras como a do Irã.
Claramente deve haver dois pesos e duas medidas nesse caso.

Última edição 17 dias atrás por Bosco Jr
Bosco
Bosco
Responder para  Bosco
17 dias atrás

Vou desenhar:
Desenho 1: Um bandido para roubar um celular dá um tiro na testa de uma garota humilde, esperando o ônibus às 5 horas da manhã para ir trabalhar: o bandido deve ser condenado à pena de morte, ainda que tenha cometido o latrocínio só para tomar uma cervejinha.
Uma garota para se defender de um bandido que queria roubar seu celular dá um tiro na testa dele: a garota é completamente inocente e deve receber uma medalha e ter seu nome inscrito no mural dos heróis da Pátria.
Desenho 2: A Rússia atinge propositadamente escolas ucranianas e mata inocentes em um ataque de mísseis balísticos: O Putin , seus generais e os comandados que obedeceram à ordem de assassinar civis cometeram crime de guerra e crime contra a humanidade e devem ser condenados de acordo.
A Ucrânia atinge uma escola russa com mísseis balísticos e no processo há baixa entre civis: A Ucrânia cometeu um erro de inteligência ou o míssil falhou e atingiu onde não deveria ou o míssil foi interceptado e caiu na escola. Danos colaterais acontecem em guerra.
E ainda que tenha sido proposital, é justificada tal ação por conta de que a retaliação na mesma moeda é uma ação legítima ao lado agredido.

francisco
francisco
17 dias atrás

E as mortes de inocentes, causadas pelo Irã e seus vassalos palestinos?

Maurício.
Maurício.
17 dias atrás

Que nunca falte mísseis ao Irã, e que ele continue bloqueando o estreito de Ormuz, EUA e Israel atacaram o Irã, que sofram as consequências.

Bosco
Bosco
Responder para  Maurício.
17 dias atrás

Por mais que a imprensa esquerdopata queira amenizar as consequências do ataque americano/israelense ao Irã e ampliar os danos que o irã causou aos EUA e a Israel , qualquer um que tenha pelo menos um tico e um teco dando liga e entender o mínimo do tema “militaria” , logicamente, apesar das narrativas, deverá supor com uma boa base de certeza que o Irã está a beira da completa ruína.

Última edição 17 dias atrás por Bosco Jr
TukhMD
TukhMD
Responder para  Bosco
17 dias atrás

Você falou que o Irã sucumbiria em ruínas um mês depois do início dos ataques americanos. Já estamos há mais de seis meses e nada do debacle anunciado. Quer que eu mostre o print?

Última edição 17 dias atrás por TukhMD
Bosco
Bosco
Responder para  TukhMD
17 dias atrás

Realmente sou péssimo para prever o futuro mas isso não faz eu gostar mais de ditaduras e de tertoristas ou faz esses regimes serem melhores.
Do meu ponto de vista se o “regime” sangrar mais por mais tempo é até melhor enquanto o que podem fazer é jogar uns traques aqui e alí, sem nenhum efeito prático.

Eromaster
Eromaster
16 dias atrás

Irã não é terrorista, nunca foi. Os terroristas são os que estão querendo derrubar o governo Iraniano pra colocar um fantoche no poder e apoderar de suas riquezas.

Os países invasores e colonizadores de que riquezas de outras nações adoram rotular outras nações de terroristas, sendo que na verdade eles são os piores terroristas.

Democracia só existe pra eles quando eles conseguem botar mão na riqueza de outras nações. A Venezuela é um exemplo disso.

Bosco
Bosco
Responder para  Eromaster
16 dias atrás

Todo ditador usa esse discurso de tomar medidas “excepcionais” (sendo a mais comum cuidar de se manter ad aeternum no poder junto com sua gangue, não poupando meios para isso) para defender a soberania e a democracia e manter o país livre das garras dos capitalistas.
No processo o ser iluminado e sua gangue de facínoras causam mais mal do que se o dito país estivesse sendo espoliado por uma potência estrangeira e para o “cidadão” comum o que vale é o prato de comida que chega aos seus filhos todo dia e não o conceito de justiça de um grupo de iluminados que usurparam o poder de forma ilegítima e se mantém agarrado a ele e considera esse mesmo “cidadão” apenas uma peça da engrenagem do Estado e um peão que pode ser facilmente descartado.