Países Baixos e EOS avançam no desenvolvimento de laser antidrones com produção local
Carta de intenções prevê transformar a tecnologia em um sistema militar plenamente operacional e instalar nos Países Baixos a sede europeia da empresa australiana
O Ministério da Defesa dos Países Baixos assinou uma carta de intenções com a empresa australiana Electro Optic Systems (EOS) para ampliar o desenvolvimento de uma arma laser destinada à defesa contra drones. O acordo também prevê estudos para instalar no país uma unidade de produção apoiada por uma cadeia europeia de fornecedores sob liderança neerlandesa.
O documento foi assinado pelo secretário de Estado da Defesa, Derk Boswijk. Segundo o governo neerlandês, o objetivo é transformar a tecnologia de laser de alta energia — High Energy Laser, ou HEL — em um sistema de armas plenamente operacional e adequado ao emprego pelas Forças Armadas.
Arma complementar à defesa antiaérea
Os sistemas de laser de alta energia convertem eletricidade em um feixe concentrado, mantido sobre o alvo pelo tempo necessário para danificar sua estrutura, sensores ou componentes eletrônicos. Como não dependem de munições convencionais, podem realizar sucessivos engajamentos enquanto houver energia disponível e os equipamentos permanecerem dentro das condições de funcionamento.
Para o Ministério da Defesa, essa característica pode tornar o laser mais econômico e facilitar a sustentação logística em comparação com o emprego de mísseis contra drones relativamente baratos. A arma deverá atuar como complemento — e não como substituta — dos sistemas cinéticos de defesa antiaérea.
Essa combinação permite reservar mísseis e canhões para alvos que estejam fora das condições ideais de emprego do laser ou que representem ameaças de maior complexidade. O conceito também procura responder ao problema econômico provocado por ataques com numerosos drones de baixo custo, capazes de consumir estoques de interceptadores muito mais caros.
Sistema Apollo de 100 kW
A cooperação dá continuidade a um programa iniciado em agosto de 2025, quando a EOS recebeu uma encomenda de € 71,4 milhões para fornecer a um país europeu da OTAN um sistema laser de 100 quilowatts. A empresa confirmou posteriormente que o cliente era o governo dos Países Baixos.
O contrato inicial inclui o desenvolvimento e a entrega do sistema, peças sobressalentes, treinamento e documentação. O equipamento é móvel, pode ser transportado por caminhão e reúne recursos de detecção, aquisição de alvos, acompanhamento e estabilização do feixe. O cronograma original estabeleceu a execução do programa entre 2025 e 2028, com atividades industriais inicialmente realizadas pela EOS em Singapura.
Posteriormente batizada de Apollo, a arma foi desenvolvida para enfrentar drones dos grupos 1 a 3 e interferir em sensores a maiores distâncias. Segundo a EOS, o sistema oferece cobertura de 360 graus, inclusive contra ameaças que se aproximem verticalmente, e pode ser integrado às redes de comando e controle e de defesa aérea utilizadas pela OTAN. A potência básica de 100 kW pode ser ampliada para até 150 kW.
A empresa afirma que a configuração de 100 kW pode neutralizar vários drones em rápida sucessão, com um custo marginal por disparo muito inferior ao de um míssil. O desempenho real, entretanto, dependerá da identificação dos alvos, da capacidade de acompanhamento e das condições operacionais em que o equipamento for empregado.
Sede europeia e cadeia de fornecedores
A nova carta de intenções amplia o alcance industrial da parceria. O Ministério da Defesa e a EOS estudarão a criação de uma fábrica nos Países Baixos, acompanhada por uma cadeia europeia de fornecimento liderada por empresas neerlandesas.
A EOS pretende realizar no país parte do desenvolvimento e da produção dos futuros sistemas, transformando os Países Baixos em sua sede europeia. A medida poderá reduzir a dependência de fornecedores externos, facilitar a manutenção dos equipamentos e garantir maior controle nacional sobre uma tecnologia considerada estratégica.
Caso o desenvolvimento seja concluído com sucesso, o governo neerlandês pretende adquirir vários sistemas laser. O Ministério da Defesa ainda não informou a quantidade pretendida, o valor de uma eventual encomenda adicional ou o cronograma para o estabelecimento da unidade industrial.
A iniciativa posiciona os Países Baixos não apenas como operador inicial do Apollo, mas como possível centro europeu de desenvolvimento, fabricação e sustentação de armas de energia dirigida — uma capacidade cuja procura cresce à medida que os drones assumem papel cada vez mais importante nos conflitos modernos.■

Infelizmente o projeto do Brasil ainda está engatinhando…
Começaremos certamente com um Laser de baixa intensidade para criar a famosa e clássica doutrina operacional, caso não tenhamos sucesso, iremos criar um tradicional grupo de estudo para nossos militares ficarem inteligentes e aprenderem a pegar um avião sozinhos e ver a viabilidade de aquisição no exterior.