Muito além do ‘chip do boi’: os chips de defesa que a Ceitec poderia fabricar

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Chip militar

Documento do projeto original previa levar a fábrica gaúcha até 0,18 µm, faixa em que os EUA ainda produzem os chips de seu arsenal estratégico. Na prática, a estatal parou em 0,6 µm e hoje aposta no carbeto de silício, material que está no centro da eletrificação militar

A promessa da campanha de Flávio Bolsonaro de extinguir a Ceitec recolocou em debate uma pergunta pouco discutida: o que a única fábrica de semicondutores do Brasil poderia entregar às Forças Armadas? Um slide de apresentação do projeto original da fábrica ajuda a responder e mostra que a ambição inicial era bem maior do que o “chip do boi” que tornou a estatal conhecida.

O plano de 2004

O slide, intitulado “Evolução Tecnológica do Projeto da Fábrica”, traz no logotipo a denominação Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada, nome fantasia da associação civil criada em 2002 que recebeu os equipamentos para montar uma fábrica de semicondutores no Rio Grande do Sul, antes da transformação em empresa pública. Segundo o documento, o projeto original previa iniciar a produção com tecnologia de 0,8 micrômetro (µm) e evoluir até 0,5 µm. Em 2004, o plano foi atualizado para começar em 0,5 µm, passar a 0,35 µm e chegar a 0,18 µm.

A ilustração mostra o mesmo circuito encolhendo a cada geração: 60 mm² em 0,5 µm, 30 mm² em 0,35 µm, 15 mm² em 0,25 µm e apenas 8 mm² em 0,18 µm. Com isso, o número de chips por lâmina de silício dobraria a cada etapa, de 300 para 2.400. O próprio documento compara as gerações aos processadores da Intel: o nó de 0,5 µm e o de 0,35 µm seriam similares ao Pentium; o de 0,25 µm, ao Pentium II; e o de 0,18 µm, ao Pentium III. Como referência, o processo de 350 nanômetros foi introduzido pela Intel em 1994.

O que foi de fato construído

A fábrica que saiu do papel ficou aquém desse roteiro. A Motorola doou ao Rio Grande do Sul equipamentos de “front end” de uma fábrica com tecnologia CMOS de 600 nm que havia fechado em Austin, nos EUA, e a transferência do processo CMOS XC06 da alemã X-FAB, compatível com esses equipamentos, ocorreu entre 2011 e o segundo semestre de 2016. A linha é equipada para circuitos integrados de radiofrequência, analógicos/digitais e de sinal misto, com capacidade de integrar memória não volátil, numa sala limpa de cerca de 200 m². Na inauguração, a direção estimou uma capacidade de 50 a 100 milhões de chips RFID por ano, a partir de lâminas de seis polegadas.

Ou seja: a Ceitec opera hoje num nó de 0,6 µm, mais antigo do que o ponto de partida do plano de 2004. As etapas de 0,35 µm e 0,18 µm nunca foram implantadas.

Por que tecnologia “antiga” interessa aos militares

Seria um erro concluir que chips desse porte não têm valor militar. O exemplo mais eloquente vem dos Estados Unidos. A fábrica MESA, do Laboratório Nacional Sandia, produz os chips resistentes à radiação do arsenal nuclear americano usando um processo de 350 nanômetros, sobre lâminas de 150 milímetros, o mesmo diâmetro das lâminas de seis polegadas da Ceitec. Em 2014, a MESA começou a produzir lâminas base para ASICs dos programas B61-12, W88 Alteração 370 e da substituição da espoleta do W87 Mk21.

A escolha não é descuido. Segundo a Sandia, a geometria de 0,35 µm otimiza o desempenho de circuitos analógicos, e dispositivos maiores tendem a continuar funcionando em ambientes extremos de temperatura, choque e radiação. O laboratório agora prepara a migração para um processo de 180 nm resistente à radiação, o que praticamente dobrará a densidade de transistores. De forma mais ampla, as fundições do próprio governo americano, como a MESA e a do MIT Lincoln Lab, atendem às aplicações mais críticas em nós de 350 nm a 90 nm.

Coincidência ou não, os nós de 0,35 µm e 0,18 µm do plano de 2004 da Ceitec correspondem exatamente à faixa que Washington considera adequada para seus chips mais sensíveis. No caso brasileiro, cabe a ressalva óbvia: a Constituição só admite atividade nuclear para fins pacíficos, e o paralelo relevante está nos sistemas espaciais e nos equipamentos de longo ciclo de vida, não em ogivas.

Há ainda o problema da obsolescência. Sistemas militares ficam em serviço por décadas, e seus componentes saem de linha muito antes. A Marinha dos EUA, por exemplo, contratou a Northrop Grumman por US$ 10,8 milhões para uma compra de estoque vitalício de lâminas de transistores de carbeto de silício de 4 polegadas, necessárias à fonte de alimentação do radar AN/APY-9 do E-2D Advanced Hawkeye. Ter uma fábrica nacional capaz de reproduzir componentes descontinuados é uma forma de reduzir esse risco.

Cinco famílias de chips com emprego militar

As aplicações a seguir são uma avaliação editorial com base na capacidade instalada e no histórico da Ceitec:

Chips tolerantes à radiação para satélites. O Brasil já tentou desenvolver essa competência. O projeto CITAR foi criado em 2013 no âmbito do MCTI para desenvolver circuitos integrados tolerantes à radiação para satélites científicos, justamente porque, segundo pesquisadores envolvidos, governos detentores da tecnologia às vezes impõem barreiras à venda desses componentes ao Brasil, o que compromete a fabricação de satélites nacionais. A Ceitec participou: os blocos do circuito de controle do ASIC Chave de Potência foram fabricados na tecnologia de 0,6 µm da empresa, enquanto outros ASICs do projeto foram feitos na tecnologia CMOS de 180 nm da UMC, uma fundição taiwanesa. Se o plano de 2004 tivesse chegado a 0,18 µm, esses circuitos poderiam ter sido produzidos em Porto Alegre. A mesma lógica vale para satélites de comunicações e de sensoriamento de uso militar.

RFID para logística militar. A etiqueta de radiofrequência é a especialidade da Ceitec e tem uso militar consolidado. O Departamento de Defesa dos EUA tornou obrigatórias etiquetas RFID em contratos a partir de outubro de 2004, com etiquetas passivas UHF operando entre 860 MHz e 960 MHz, e passou a aceitar apenas etiquetas compatíveis com o padrão EPC UHF Class 1 Gen 2 após outubro de 2006. É exatamente o padrão dominado pela estatal gaúcha: o CTC13001 atende ao EPCglobal Class 1 Gen 2, opera na faixa de 860 a 960 MHz e vendeu cerca de seis milhões de unidades em 2013, e o CTC13002 foi o primeiro chip do Hemisfério Sul a receber essa certificação. O rastreamento de munições, sobressalentes e suprimentos das Forças Armadas com chip nacional é uma aplicação direta, sem necessidade de nova tecnologia.

Identificação segura. O chip do passaporte da Ceitec recebeu em 2017 a certificação internacional de segurança Common Criteria, após convênio firmado com a Casa da Moeda em 2012. A mesma base poderia sustentar identidades militares e controle de acesso a instalações. Processadores criptográficos de alto desempenho, por outro lado, exigem nós bem mais avançados do que 0,6 µm.

ASICs de controle e sinal misto. Interfaces de sensores, gerenciamento de energia e circuitos de controle para eletrônica embarcada não precisam de litografia de ponta. É o modelo da própria Sandia, que se apresenta como fornecedora credenciada de serviços confiáveis de projeto e fundição, otimizados para ASICs personalizados em alta variedade e baixo volume. Para a indústria de defesa brasileira, o valor estaria menos no desempenho e mais na garantia de origem e de fornecimento.

Carbeto de silício: a fronteira real. A nova rota tecnológica da Ceitec é a que tem maior afinidade com as tendências militares. Segundo especialistas, o SiC já demonstrou mais que o dobro da densidade de potência dos dispositivos de silício, com maior eficiência. No destróier americano USS Zumwalt, o Sistema Integrado de Potência usa inversores de SiC para alimentar dois motores de indução de 35 MW que acionam os eixos, e a tecnologia também sustenta armas de energia dirigida e radares sofisticados. Em terra, o Exército dos EUA contratou a GE Aviation para desenvolver eletrônica de potência em SiC para a arquitetura elétrica de alta tensão de futuros veículos terrestres. A fábrica gaúcha, porém, está voltada a dispositivos de potência. O SiC também serve de substrato para a eletrônica de radiofrequência em nitreto de gálio usada em radares, mas essa é outra tecnologia, que a Ceitec não domina. A chegada de novos equipamentos no mês passado levou a implantação da linha de SiC a cerca de 50% de execução física.

Chips de Carbeto de silício da Bosch

Os limites

A modernização custa caro: especialistas estimam que renovar a Ceitec exigiria entre US$ 200 milhões e US$ 400 milhões, e técnicos da própria estatal avaliam que uma expansão mais ambiciosa demandaria bem mais que os R$ 220 milhões já aprovados.

Há também a questão das parcerias. Para acelerar a rota de SiC, a Ceitec firmou memorandos de entendimento com as chinesas Sanan e GPT, com foco em transferência tecnológica. Uma tecnologia obtida desse modo pode ser adequada ao mercado civil, mas levanta dúvidas sobre sua aceitação em cadeias de suprimento militares sensíveis, sobretudo em programas com parceiros ocidentais. É uma questão que o Ministério da Defesa ainda não discutiu publicamente.

O problema mais antigo, contudo, é a demanda. A estatal foi montada para fabricar também chips para passaportes, carteiras de identidade e eletrônicos em geral, mas o governo federal não comprou os produtos. Chips militares são produzidos em pequenos volumes e só se sustentam com o Estado como cliente. Sem compras governamentais, a vocação de defesa da Ceitec continuará sendo hipotética, exista ou não a estatal.■

Forças Terrestres / Poder Naval · Tecnologia de defesa

Chips de 500 a 180 nm em aplicações aeroespaciais e de defesa

Exemplos de componentes com processo de fabricação informado pelo fabricante. Os empregos indicados como possíveis descrevem funções compatíveis, sem comprovar sua instalação em armamentos ou plataformas específicas.

Processo Chip / fabricante Função Emprego e grau de evidência
0,5 µm
500 nm
MG2RT
Atmel / Microchip
Ficha técnica ↗
ASIC configurado para uma função específica Oferecido em graus de qualidade militar e espacial. Aplicação possível: controle e interfaces de sistemas embarcados. Histórico: não disponível para novos projetos.
0,5 µm
500 nm
AT7912F
Atmel / Microchip
Descrição da ESA ↗
Controlador de comunicação SpaceWire Destinação documentada: conexão de subsistemas de satélites, com interfaces para conversores, memória e outros equipamentos de bordo.
0,35 µm
350 nm
AT7910E
Atmel / Microchip
Descrição da ESA ↗
Roteador de dados SpaceWire Destinação documentada: distribuição de dados entre equipamentos de bordo de espaçonaves.
0,35 µm
350 nm
AT65609E
Atmel / Microchip
Catálogo da Microchip ↗
Memória SRAM resistente à radiação Aplicação prevista: armazenamento temporário em eletrônica espacial. O catálogo informa organização de 128 K × 8 bits.
0,25 µm
250 nm
RTSX32SU
Microchip
Página do fabricante ↗
FPGA: lógica programável tolerante à radiação Destinação documentada: aplicações espaciais. Aplicação possível: lógica de interface e controle em outros equipamentos militares, conforme a qualificação exigida.
0,25 µm
250 nm
AT60142H
Atmel / Microchip
Ficha técnica ↗
Memória SRAM resistente à radiação Destinação indicada pelo fabricante: eletrônica aeroespacial e sistemas embarcados de alta confiabilidade.
0,25 µm
250 nm
RAD750, versão de 0,25 µm
BAE Systems
Ficha ↗ · GPS III ↗
Microprocessador tolerante à radiação Destinação documentada: computação de bordo de satélites. A família RAD750 equipa satélites GPS III; a BAE não identifica qual variante foi instalada neles. A versão resistente à radiação da ficha usa 0,15 µm, fora desta tabela.
0,18 µm
180 nm
SMJ320VC33
Texas Instruments
Página do fabricante ↗
DSP: processador digital de sinais de grau militar Aplicação possível: processamento de sinais de sensores, radares e sonares em aeronaves, drones ou embarcações. A ficha não comprova instalação em uma plataforma específica.
0,18 µm
180 nm
AT697F
Atmel / Microchip
Ficha técnica ↗
Microprocessador resistente à radiação Destinação indicada pelo fabricante: computadores de bordo para aplicações espaciais em tempo real.
0,18 µm
180 nm
ATF280F
Atmel / Microchip
Ficha técnica ↗
FPGA reprogramável resistente à radiação Destinação indicada pelo fabricante: lógica configurável para sistemas espaciais de alta confiabilidade. Outros usos exigem qualificação específica.

Leitura da tabela: 0,5 / 0,35 / 0,25 / 0,18 µm equivalem a 500 / 350 / 250 / 180 nm. Os links em cada linha levam a fichas técnicas ou páginas dos fabricantes e da Agência Espacial Europeia. Um processo de fabricação, por si só, não assegura resistência à radiação nem qualificação militar.

Ceitec: segundo documento do MCTI, a infraestrutura fabril descrita operava em 600 nm, enquanto projetos em 180 nm recorriam a fábricas externas. A presença de um chip nesta tabela não significa que a Ceitec o produza.



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Underground
Underground
11 dias atrás

Do poderia à realidade tem muito chão.
Brasil tem todo tipo de plano, muitos baseados em idealismo ou desconhecimento, pensados por pessoas sem qualquer conhecimento da coisa.
Brasil está em 134° lugar em liberdade econômica, sofrendo com processos regulatórios complexos e lentos, barreiras as importações de componentes e ou máquinas e um sistema tributário em cascata e complexo.

Nilo
Nilo
Responder para  Underground
11 dias atrás

Com o mundo em conflito, com os embargos, já se mostrou a necessidade da produção interna de Chips para uso militar e industrial, e não estamos falando de tecnologia de ponta.
Contudo mesmo com esse artigo, o deficiência cognitiva e sua rigidez dificulta a patriotada de mudar pensamentos, hábitos ou novas formas de se lidar com os desafios. A necessidade de controle, a insegurança latente, prefere a subserviência morna.
Este país é maior, não cabe na porcaria do quintal de um mafioso, a Argentina cabe, a Venezuela, cabe.
Bananas e Bananinhas.

Underground
Underground
Responder para  Nilo
11 dias atrás

Conspiradores nao estão lá fora, estão aqui dentro. Vide a exploração da margem equatorial pela Petrobras. Enquanto o país vizinho retira bilhões de toneladas de petróleo de alta qualidade, aqui inventam todo tipo de firula, tipo os corais mágicos que afloram nas profundezas abissais, sem que ninguém tenha visto. Enquanto isso começa a faltar diesel, com a Petrobras, mesmo com subsídio, tendo prejuízos diários por vender o produto abaixo do custo.

Nilo
Nilo
Responder para  Underground
11 dias atrás

A Europa está errada sobre política de preservação de meio ambiente, o Brasil está errado. Abre a porteira. Compra o Brasil com Guiana e Suriname onde a ExxonMobi, nem tem nenhuma responsabilidade com respeito as regras ambientais, a ser com planilha e custo e o dispêndio que é gasto para ter os governos no Bolso.
👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Nilo
10 dias atrás

Temos mais problemas com burocracia e ideologia ambiental do que com política ambiental. Você conhece a política ambiental brasileira?

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Palpiteiro
9 dias atrás

conheço de perto, é presevar ao custo do subdesenvolvimento do país

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Underground
10 dias atrás

Não sei se são conspiradores. A maioria tem uma baixa capacidade cognitiva mesmo. O qi médio no Brasil é 85. Tem que estudar mercados. Quem aqui entende de mercado de chips? Tecnologia é meio.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Nilo
10 dias atrás

E quem compra chips aqui no Brasil. Nossa indústria consome produtos já integrados

ZZZ
ZZZ
Responder para  Underground
11 dias atrás

“liberdade econômica”, descontando os nanicos:
 22º lugar (3º em população) — Estados Unidos
 60º lugar (4º em população) — Indonésia
 92º lugar (10º em população) — México
119º lugar (6º em população) — Nigéria
132º lugar (1º em população) — Índia
134º lugar (7º em população) — Brasil
136º lugar (8º em população) — Bangladesh
145º lugar (9º em população) — Rússia
152º lugar (5º em população) — Paquistão
154º lugar (2º em população) — China

É exatamente o mesmo tipo de “liberdade econômica” que dita que deve se vender tudo que é estatal.

Última edição 11 dias atrás por ZZZ
Underground
Underground
Responder para  ZZZ
11 dias atrás

Creio que vc desconhece o princípio de liberdade econômica.

Nilo
Nilo
Responder para  Underground
11 dias atrás

O princípio da liberdade termina meu caro, quando fere os interesses do Trump e seus iguais.

Rodolfo
Rodolfo
Responder para  Underground
11 dias atrás

Nao existe dinheiro pra investir em semicondutores no GF sozinho, as cifras desse tipo de empresa estão na casa de bilhoes de dolares. O Brasil precisaria olhar o modelo da JASM que é uma fabrica de semicondutores no Japao com nodes um pouco defasados criada por uma joint venture da TSMC com o governo japones e varias empresas de autos e eletronicos japoneses como Toyota e Sony. Empresas de autos no Brasil bem como do setor aeronáutico, defesa e agro poderiam ser parceiras de uma joint venture dessa.
A Ceitec sozinha vai seguir só torrando dinheiro a banho Maria sem entregar nada… talvez ela deveria ser contratada pela MB pra fornecer chips pro Alvaro Alberto, outro projeto que se arrasta há mais de 4 decadas… como aquela música “era uma casa muito engraçada…”

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Rodolfo
10 dias atrás

Antes de investir em qualquer coisa, é preciso entender o mercado e a viabilidade. Tem mais coisas que não valem a pena investir do que as que valem. Se der retorno dinheiro não falta.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Underground
10 dias atrás

Tecnologia é meio não finalistica. O texto trata como finalistica. Primeiro é necessário entender a demanda e o mercado. Comparar com laboratórios Sandia e mercado de defesa americano é uma piada. Traria algum letramento artigos sobre análise de mercado desses componentes, do resto é viajar na maionese

naval762
naval762
11 dias atrás

Desde 1808 que vivemos sonhando com o que poderíamos fazer e até hj muito pouco foi feito, mas concordo que essa fábrica de chips não pode ser vendida.

Nilo
Nilo
Responder para  naval762
11 dias atrás

A vida guarda surpresa e revela na mesma trincheira, dois diferentes na luta por um país que é de todos nós.
Não deve, não pode ser vendida, nada que seja pela definição, estratégica para a soberania do Brasil,nada que intervenha ou nós submeta a uma submissão vergonhosa, só admissível e aceitável em quadrúpedes.
Saudações.

Última edição 11 dias atrás por Nilo
Rodolfo
Rodolfo
Responder para  naval762
11 dias atrás

Nao existe comprador. O governo Bolsonaro liquidou e o governo Lula reverteu, o Flavio quer retomar a liquidação.
Queira ou nao, até hoje a Ceitec já gastou mais de 500 milhoes e nao entregou muito. Fica dificil um programa estratégico de estado mal custeado, como quase tudo no Brasil. Se seguir em frente a banho maria só vai aumentar o rombo, se fechar vem os que dizem que a soberania nacional foi mais uma vez sabotada… nada muda muito nesse país.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Rodolfo
9 dias atrás

Vende para a Samsung, Toshiba, Huawei, alguém deve queree,

Rodolfo
Rodolfo
Responder para  Carlos Campos
9 dias atrás

Nao vale nada lá. Só o capital humano que poderia ser recrutado sem necessidade de aquisição.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  naval762
10 dias atrás

Analisou a demanda e o mercado? Fazer chip não quer dizer que o produto está qualificado pelo cliente.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  naval762
9 dias atrás

Ela deve ser vendida, mas para alguém que reforme ela, e faça um chip para o mercado civil, claro de uso dual

Willian
Willian
11 dias atrás

Olha, eu sou contra fechar ela, mas na pratica ela é inutil atualmente, pense o seguinte, primeiro tem que demitir todo pessoal não tecnico, depois tem que gastar pelo menos 2 bilhão de dólares para proteger ela das muitas crises de um pais chamado brasil, depois tem que impedir de forma absoluta a entrada de apadrinhados políticos (o que é impossível num pais que nem a lei nem os tribunais tem a minima decência) então assim, eu acho que compesa fazer essas alterações se existir demanda real por essas areas específicas de chips de “maior tamanho”, porque contra as gigantes do mercado nem se gastarmos 50 bilhoes de dolares e 50 anos de desenvolvimento vamos conseguir chegar perto delas simplesmente porque elas sempre tem muita demanda e consegue avançar muitos anos em pouco tempo, e quanto mais elas avançam, mais longe e mais avancados ficam, é um ciclo de aceleração limitado so pela fisica e pelo bolso.

Nilo
Nilo
Responder para  Willian
11 dias atrás

Leia o artigo novamente e novamente, ele faz um diagnóstico e mostra a direção do necessário para superar a viabilidade econômica e de produção. O artigo é cabal em mostrar a necessidade, então, o toupeira, em uma diarréia provocada por pensar diZ: ” …na prática é inútil…” E no limite da capacidade de não saber o que diZ salta outra pérola, ” … não vamos conseguir, nunca…”.
Isso é culpa dos editores rsrsr estou sendo irônico tá legal.

Última edição 11 dias atrás por Nilo
Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Willian
10 dias atrás

Esqueceu do plano de negócio viável

deadeye
deadeye
11 dias atrás

É como eu disse na outra postagem, nem todo processo industrial precisa da melhor litografia. Nem todo processo precisa de 5nm… ou 3nm, se a CEITEC fabricar semicondutores de 600nm, 350nm, 180nm e até mesmo 150nm, diversos setores militares e civis como o automotivo vão ter resiliencia.

Rodolfo
Rodolfo
Responder para  deadeye
11 dias atrás

O setor automotivo usa nodes já bem menores que esses, estão na faixa de 40 nm a grande maioria.
E esses nodes mais velhos hoje sao mais caros que nodes de 40 nm por conta da economia de escala. Conforme a tecnologia avança, o ponto na curva de custo muda também. Esses nodes mais antigos tem mercado bem limitado, muitas vezes usados na manutenção de equipamentos antigos como misseis balisticos produzidos nos anos 70 ainda em operação. Mas a grande parte dos novos sistemas americanis, ainda mais com a evolução de IA no campo de batalha, jamais usariam nodes tao antigos.
A JASM no Japao (joint venture da TSMC, governo japones, Toyota, Sony) produz chips de 40 nm ou menores, se houvesse demanda da industria auto japonesa por nodes maiores eles provavelmente estariam fabricando esses também.

deadeye
deadeye
Responder para  Rodolfo
11 dias atrás

O setor automotivo ainda usa maiores, em algumas aplicações chegando a 150nm (exemplo ECUs), e o setor de maquinas agricolas também usa principalmente na fabricação de injeção eletrônica, freios ABS, sensores de pressão e gerenciamento de bateria e outros.

Além disso, de 350nm a 600nm são utilizados em infraestrutura para internet das coisas, como por exemplo infraestrutura de servidores.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  deadeye
10 dias atrás

A questão não é o chip, é fazer o front edge loading FEL 1,2,3. Antes de tomar a decisão de investimento.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  deadeye
10 dias atrás

Negócio sem viabilidade irá falir. Cliente quer componentes e fornecedor qualificado. Fez o FEL1, 2 e 3?

André Macedo
André Macedo
11 dias atrás

Taiwan levou 40 anos para se consolidar com a TSMC, o que não falta no mundo são exemplos de projetos de Estado que duraram décadas. Mas o brasileiro acha que justifica fechar a CEITEC porque ela não tem a tecnologia de ponta em tão pouco tempo e em tantas tentativas de rifar a propriedade estatal a preço de banana…

A CEITEC já mostra seu processo de modernização depois da retomada, ainda mais se a parceria com a China se concretizar

Última edição 11 dias atrás por André Macedo
Rodolfo
Rodolfo
Responder para  André Macedo
11 dias atrás

A TSMC foi um projeto de estado de Taiwan mas que contou com capital privado e transferência de tecnologia da Phillips inicialmente. Fundada em 1987 pelo Morris Chang, em 30 anos passaram a Intel em tecnologia. Mas o governo em Taipei focou no seu objetivo, investiu em inovação e educação e nao mudou de rumos conforme os governos se sucederam. Pouco provável que algo assim ocorra no Brasil.

737-800RJ
737-800RJ
11 dias atrás

Eu bem que poderia vender minha Kawasaki 400 cc e comprar uma MV Agusta Brutale 1000 RR com 208 cavalos de potência.

Só faltariam 450 mil reais pra dar de diferença, algumas dezenas de milhares por ano pra pagar seguro, IPVA e equipamentos de segurança, a habilidade pra conduzir um veículo super esportivo…

Tirando tudo isso, é molezinha!

ln(0)
ln(0)
11 dias atrás

No Brasil as coisas só deram certo porque alguns visionários lutaram contra a ideia do lucro imediato. Vide Embraer, Embrapa, Petrobrás, etc. Para a CEITEC virar um caso de sucesso, alguém com essa visão tem que administra-la, mas parece que não há ninguém com esse perfil a frente dela.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  ln(0)
10 dias atrás

Ozires antes de ter Visão estudou mercado e demanda de aviões e os gaps de infraestrutura. Tem que estudar o mercado todo primeiro.

Edu
Edu
11 dias atrás

O futuro do pretérito jamais se tornará presente.

Guacamole
Guacamole
11 dias atrás

Tem algumas faculdades brasileiras se unindo para trazer os chips RISC V como padrão.

Quem sabe não daria para as faculdades projetarem e a CEITEC fazer eles?

Mas recomeçar tudo do zero é pica. 200 milhões de dólares é dinheiro demais.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Guacamole
10 dias atrás

Primeiro tem que estudar o mercado. Tecnologia é meio.

ALTAIR IGNEZ DE SOUZA
ALTAIR IGNEZ DE SOUZA
11 dias atrás

Não adianta ter uma empresa dessa, se o próprio dono, que é governo não compra produtos desta, empresa que depende de compra governamental neste país, está fadada ao fracasso e a falir, do ver as empresas do setor militar.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  ALTAIR IGNEZ DE SOUZA
10 dias atrás

O duro é ter uma empresa e não conhecer o mercado e achar que terá sucesso

Andromeda1016
Andromeda1016
11 dias atrás

O governo de esquerda que não é da “equipe de Flavio Bolsonaro” teve mais de uma década para fazer este projeto tão importante dar certo, mas resolveu não fazer isso. Deixou o projeto morrer por falta de interesse e agora que o projeto falhou a culpa é de quem não tinha nada a ver com o assunto.

Nilo
Nilo
Responder para  Andromeda1016
11 dias atrás

Tá então você descobriu que a água do banho do bebê está suja, pega a bacia e joga a água fora com o bebê dentro. Agora sim, leu o artigo, e não entendeu nada culpa do editor rsrs

Última edição 11 dias atrás por Nilo
Andromeda 1016
Andromeda 1016
Responder para  Nilo
11 dias atrás

Se não tivessem sujado a água não precisaria jogar a água não? Tinha alguém responsável para cuidar da “água”, mas não o fez, e agora o culpado disso é quem vai ter de jogar a água?

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Nilo
9 dias atrás

deixaram tão sujo, que o Bebê morreu já, tá vivendo por aparelhos

André Luiz Nobre Cunha
André Luiz Nobre Cunha
11 dias atrás

Recentemente assisti uma palestra em Campinas, de um simposio de IA no Instituto Eudorado onde se falou que atualmente o Brasil tem avançado naquilo que tem valor e rentabilidade na engenharia de circuitos eletrônicos: os projetos eletrônicos. A fabricação dos mesmos tem sido terceirizada, mas esse tipo de conhecimento também é estratégico.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  André Luiz Nobre Cunha
10 dias atrás

Como seria se não fosse assim? Que lugar as coisas avançam sem valor e rentabilidade? Estou insistindo que primeiro tem que entender o negócio.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
11 dias atrás

O investimento anual da CEITEC varia entre R$ 46 milhões e R$ 101 milhões em recursos diretos e “aportes estratégicos” para a sua reestruturação operacional.
Após ter o seu processo de liquidação revertido pelo governo federal, a estatal recebeu um aporte robusto de R$ 220 milhões, distribuído de forma plurianual da seguinte maneira:

  • 2024: R$ 96,5 milhões
  • 2025: R$ 101,5 milhões
  • 2026: R$ 22,36 milhões

Esses valores (provenientes do FNDCT) são focados em modernização de maquinário e na implantação da linha de chips de carbeto de silício (SiC).
Paralelamente, o orçamento anual recorrente da empresa aprovado pelo governo (destinado a despesas operacionais, pessoal e manutenção técnica) ficou na casa de R$ 46,2 milhões e escalou para cerca de R$ 60,3 milhões.

Investimento Ideal:

No setor de semicondutores, o investimento anual ideal para uma fábrica de chips comum (Foundry) operar na fronteira tecnológica global exige bilhões de dólares anuais, patamar muito distante da realidade orçamentária do Brasil.
Para fins de comparação com os investimentos internacionais no mesmo setor:

Iniciativas Globais: Os pacotes de incentivo dos EUA e da União Europeia ultrapassam US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões. Países em desenvolvimento que buscam relevância global, como a Índia, aportaram cerca de US$ 18 bilhões em seus programas nacionais

De acordo com a própria diretoria da CEITEC, os valores atuais de custeio são limitantes.
Para que a estatal consiga não apenas manter a infraestrutura de “sala limpa”, mas também expandir comercialmente, recuperar clientes históricos e atualizar suas patentes de forma competitiva, o ideal estimado pelo setor seria um fluxo contínuo e previsível superior a R$ 300 milhões a R$ 500 milhões anuais em pesquisa, desenvolvimento e atração de talentos de engenharia.

Nem botando os Royalties do petróleo, da camada Pré-Sal, da margem equatorial, da mineração tradicional e da mineração de terras raras, teria como bancar um aporte tão robusto…

Se o Brasil quer ver a CEITEC funcionar como ela deveria ser,no mínimo deveria agregar países amigos e tentar uma joint-Venture.

Apesar que recentemente o Brasil assinou entendimentos estratégicos com a Coreia do Sul abrangendo a cooperação em tecnologias digitais, semicondutores e a cadeia de minerais críticos.

Em Outubro de 2025, Brasil e Malásia, assinaram acordo para criar uma empresa conjunta para produção de chips

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que está em construção a criação de uma joint venture entre a empresa brasileira Tellescom e uma parceira malasiana para produção de semicondutores.
A informação foi dada durante a visita da comitiva brasileira a Kuala Lumpur, na Malásia, onde o presidente Lula assinou uma série de acordos com o país asiático.
Segundo a ministra, a parceria deve fortalecer a retomada da indústria nacional de chips e abrir caminho para que o Brasil participe de forma mais ativa dessa cadeia global considerada estratégica.

Mas isso ainda é pouco, tem que ser uma parceria transnacional abrangente.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Adriano Madureira
10 dias atrás

Me diz qual o capex, o opex e o ROI. Sem isso, tudo o resto é piada.

Jaguar
Jaguar
11 dias atrás

Senhores.

É assustador como este lado prega a destruição do patrimônio brasileiro. Não é mais sobre quem roubou ou não, é sobre soberania. Brasil tem que ter investimentos para n se tornar quintal gringo.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Jaguar
10 dias atrás

Faz 500 anos que é quintal de gringo. Para reverter precisa ter grana. Não vai ter grana se não tiver plano de negócio e investir no que pode dar resultado. Sair fazendo as coisas no achismo não é nem amadorismo. Antes de ir na China aprender fazer chip, tem que ir na China aprender a fazer planejamento.

jagder
jagder
10 dias atrás

Eu não ia falar nada mas…
Eu fui na CEITEC, entrei na sala limpa, conversei com as pessoas.
Eles demoram 6 meses para conseguir comprar uma caixa de canetas.
Não preciso falar mais nada.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  jagder
10 dias atrás

E o pessoal achando que o problema está no chip.

Rodolfo
Rodolfo
Responder para  jagder
10 dias atrás

Imagina entao comprar uma maquina de DUV (nem EUV de última geração) da ASML… seria autorizada em 2050.

Carlos Campos
Carlos Campos
9 dias atrás

Lembro que a Russia fazia seus chips em Taiwan, agora tá fazendo um Chip em casa maior, pq é o que da para fazer. …. 20 bilhoes para times de futrbol, pq acabou as bets legalizadas (as ilegais continuam), mas 200 milhões para Ceitec não tem, 16 bi de Rouanet, mas não para Ceitec