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Restrições ao comércio de terras raras, cobalto e outros insumos expõem a dependência de cadeias produtivas concentradas em poucos países

Uma reunião entre autoridades dos Estados Unidos e do Japão, convocada em setembro para discutir o abastecimento de ítrio, mostrou como um mineral pouco conhecido pode se tornar um problema para setores estratégicos. Usado em revestimentos que protegem turbinas aeronáuticas de temperaturas extremas, o elemento também tem aplicações na fabricação de semicondutores. Segundo a Reuters, empresas dos dois países relataram dificuldades para obter o material após a adoção de controles de exportação pela China.

O episódio ocorre em meio às negociações comerciais entre Washington e Pequim. Na véspera do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, em 24 de setembro, o secretário do Tesouro americano anunciou a prorrogação da trégua comercial até janeiro de 2027. A disputa pelos minerais críticos, porém, envolve cadeias de produção que não podem ser reorganizadas no prazo de uma negociação diplomática.

O gargalo do ítrio

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Em abril de 2025, a China passou a exigir licenças para exportar ítrio e outras terras raras. A medida não equivale a uma proibição total, mas deu a Pequim maior controle sobre o destino e o ritmo dos embarques. Segundo levantamento do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), as exportações chinesas de ítrio para os Estados Unidos caíram de 333 toneladas nos oito meses anteriores às restrições para 17 toneladas nos oito meses seguintes. O fluxo voltou a crescer em 2026, embora permanecesse abaixo do nível observado em 2024.

A dificuldade vai além de encontrar novas jazidas. O minério precisa passar por separação química, refino e qualificação para uso industrial. Em algumas cadeias de terras raras empregadas na fabricação de ímãs permanentes, a China respondeu, em 2024, por 91% do material refinado e 94% da produção de ímãs, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Esses números se referem especificamente às terras raras usadas em ímãs, mas ilustram o peso do processamento na disputa por insumos estratégicos.

Restrições com objetivos diferentes

A China não é o único país a usar o acesso a minerais como instrumento de política econômica. O Zimbábue suspendeu exportações de antimônio e tungstênio em 2026. A República Democrática do Congo substituiu a suspensão temporária das exportações de cobalto, adotada em 2025, por um sistema de cotas. Na Indonésia, a proibição de exportar minério bruto de níquel busca estimular o processamento dentro do país e deu origem a uma disputa na Organização Mundial do Comércio.

As medidas têm alcances distintos: uma licença pode atrasar ou condicionar uma venda; uma cota limita volumes; uma proibição interrompe determinada modalidade de exportação. Também variam os objetivos declarados pelos governos. Em comum, elas mostram que compradores dependentes de poucos fornecedores ficam expostos a decisões tomadas fora de suas fronteiras.

A posição do Brasil

Para o Brasil, a disputa oferece uma oportunidade industrial e um alerta. O país possui recursos minerais relevantes, mas transformar reservas em componentes exige investimento contínuo em processamento, pesquisa e capacidade de fabricação. Em setembro de 2026, o governo federal sancionou uma política para minerais críticos e estratégicos que prevê incentivos ao beneficiamento e um fundo garantidor de R$ 2 bilhões.

O valor estratégico de um mineral, portanto, não está apenas em sua presença no subsolo. Ele depende da capacidade de refiná-lo, incorporá-lo a produtos e manter o fornecimento quando surgem restrições comerciais. É nessa etapa da cadeia que decisões sobre ítrio, cobalto ou níquel passam a afetar fábricas, projetos de defesa e negociações entre governos.■



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João Bosco
João Bosco
11 dias atrás

Esse é o tipo de situação que, se o governo brasileiro – independente de ideologia politica – usar a cabeça e souber negociar, incentivar toda a cadeira de produção desses minerais e não fornecer a outros países – EUA, China e União Europeia – mas negociar de igual para igual e até fazer uso aqui mesmo, se dará muito bem no futuro. Basta ter uma politica séria para o setor e fazer ela ser obedecida, sem restrições. Já passou da hora do Brasil se impor nesse jogo e encarar a situação: temos uma das maiores reservas desses minerais críticos e de outros recursos naturais que poderíamos estar lucrando com isso tranquilamente.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  João Bosco
10 dias atrás

O mercado de componentes tecnológicos são de alto valor, mas o mercado de óxido de terras raras é bem baixo. A produção tende a ser deficitária e ambientalmente complexa. Não produzimos componentes de motores aeronáutico ou de radares e sensores. Isso demanda mercado e alto capital e temos participação de mercado zero nestes setores e temos o maior custo de capital do mundo, o que torna o investimento inviável. Quem investe nisso é o capital privado que se não der retorno não vai investir. Uma estatal daria prejuízo e ninguém estaria a fim de bancar, ver o caso correios. mas ajudaria muito quem precisa desses produtos no exterior.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  João Bosco
10 dias atrás

Primeiro é preciso entender que não temos poder industrial ou militar.. Ao ler o título já se sabe que não é possível fazer analogia com o Brasil

Wagner
Wagner
11 dias atrás

Se observamos, somente a China tem capacidade de refino em grande escala.
Minerais de qualquer lugar do planeta depende da China para refino.
A China garantiu o monopolismo absoluto.

Última edição 11 dias atrás por Wagner
Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Wagner
10 dias atrás

Sim, o mundo foi esperto e passou os negócios que tem a pior margem e ambientalmente problemático para a China, que aceitou ficar com o osso. Agora que estão usando a concentração dessa produção restringindo o fornecimento, complicou, pois para reverter, quem foi esperto terá que entrar em negócios de baixa margem, intensivo em capital e assumir passivos ambientais.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Wagner
10 dias atrás

Foi o resto do mundo que investiu para a China assumir o que era o problema.