Analista vê possibilidade de saída do Brasil do BRICS em eventual governo Flávio Bolsonaro
Professor da UFRGS avalia que uma aproximação com os Estados Unidos poderia levar o país a rever sua participação no grupo. Não há exigência americana anunciada nesse sentido
O Brasil poderia deixar o BRICS em um eventual governo Flávio Bolsonaro, caso a permanência no grupo se tornasse um ponto de pressão dos Estados Unidos. A hipótese foi levantada pelo cientista político Fabiano Mielniczuk, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em entrevista à Sputnik Brasil durante a reunião anual do Clube Valdai, realizada de 28 de setembro a 1º de outubro na região de Moscou. Trata-se de uma projeção do pesquisador, e não de uma condição publicamente apresentada por Washington.
Ao discutir os possíveis efeitos da eleição brasileira sobre a política externa, Mielniczuk apontou o alinhamento de Flávio Bolsonaro com os EUA como um fator que poderia mudar a posição do Brasil no BRICS. O professor também é presidente da Associação Brasileira de Acadêmicos em Defesa dos BRICS (ABRABRICS).
O que Flávio Bolsonaro já disse
A possibilidade de rever a participação brasileira no grupo foi mencionada pelo próprio candidato. Em entrevista publicada em junho, Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, avaliaria a permanência do Brasil no BRICS e consideraria sua saída. A declaração não constitui, porém, um compromisso definitivo de retirar o país nem confirma que os Estados Unidos tenham feito essa exigência.
A previsão de Mielniczuk tampouco é consensual entre analistas ligados ao Clube Valdai. Em avaliação publicada pelo centro de debates em setembro, o pesquisador Valdir da Silva Bezerra considerou improvável uma saída do Brasil mesmo sob Flávio Bolsonaro, embora previsse menor entusiasmo do país com o grupo.
O Brasil é um dos integrantes fundadores do BRICS, foro de cooperação política e econômica que também reúne China, Índia, Rússia, África do Sul e países admitidos mais recentemente. Uma decisão de deixá-lo alteraria a participação brasileira em suas iniciativas diplomáticas e econômicas, entre elas as discussões sobre governança internacional. Por enquanto, o alcance de uma eventual mudança depende tanto do resultado eleitoral quanto das decisões que o próximo governo venha a tomar.■


