Aproximação de Flávio Bolsonaro com Trump preocupa militares sobre defesa e indústria nacional

Astros 2020 lança MTC-300

Oficiais ouvidos pelo ICL Notícias temem que uma eventual mudança na política externa afete as prioridades das Forças Armadas e a autonomia da indústria brasileira de defesa

Uma eventual aproximação estratégica do Brasil com os Estados Unidos sob a presidência de Flávio Bolsonaro preocupa integrantes das Forças Armadas ouvidos pelo ICL Notícias. Segundo reportagem de Jamil Chade publicada em 28 de setembro, oficiais receiam impactos sobre a doutrina de defesa, o tratamento de informações sensíveis e os projetos da indústria militar brasileira. Os militares citados não foram identificados; suas avaliações não constituem uma posição institucional das Forças Armadas.

Combate ao crime entra no debate sobre defesa

Um dos pontos de preocupação é a promessa de Flávio de incluir o Brasil no Escudo das Américas, iniciativa de segurança liderada pelos Estados Unidos. O candidato afirmou em 23 de setembro que, se eleito, levará o país ao grupo para cooperar no combate ao narcotráfico. Para os oficiais citados pelo ICL, o risco é que essa agenda passe a disputar recursos e atenção com as missões de defesa do território.

A reportagem também relata receios sobre o compartilhamento de informações e o possível acesso norte-americano a áreas estratégicas. São hipóteses levantadas pelas fontes, não medidas anunciadas. Em entrevista concedida em agosto, Flávio disse que não permitiria uma intervenção dos EUA no Brasil e defendeu acordos de cooperação em inteligência e troca de informações contra o crime organizado.

Indústria nacional e equipe de transição

Na indústria de defesa, os militares ouvidos pelo ICL temem que um alinhamento com Washington influencie compras de equipamentos e reduza o espaço para a produção nacional. A preocupação envolve um objetivo expresso da Estratégia Nacional de Defesa: atender às necessidades das Forças Armadas com apoio em tecnologias sob domínio brasileiro. A reportagem não apresenta, contudo, uma decisão ou proposta concreta para substituir fornecedores nacionais por norte-americanos.

Também entrou na discussão uma carta enviada por Flávio ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em junho. O senador escreveu que, caso fosse eleito, colocaria sua equipe de transição à disposição de Rubio para negociar um acordo de comércio e investimentos. O texto da carta não oferece cargos na equipe brasileira a representantes dos EUA. Pela lei brasileira, cabe ao candidato eleito instituir a equipe, cuja função é preparar a passagem entre governos.

O alcance de uma eventual cooperação com Washington dependerá das condições negociadas e das prioridades que um novo governo estabelecer para as Forças Armadas e a indústria nacional. Até lá, os efeitos apontados pelos militares permanecem como riscos avaliados pelas fontes da reportagem.■



Redes Sociais

A Trilogia Forças de Defesa também está presente nas redes sociais. Para comentar e discutir as matérias com os editores e outros leitores, entre no nosso grupo no WhatsApp e no Facebook. Para correções, críticas e sugestões de pauta, contate os editores: redacao@fordefesa.com.br.
4 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
naval762
naval762
8 dias atrás

Os supostos oficiais não estão preocupados com o narcoterrorismo, estão perocupados é com a própria carreira, se é que tais oficiais existem de fato. É muito estranho ver como eles se incomodam quando o assunto é combater esse câncer do tráfico de drogas, não somente os militares das forças, principalmente do EB, mas também os politicos, policiais e o alto judiciário; isso levanta sérias questões a cerca da honestidade e do comprometimento daqueles que compõem as assim chamadas “instituições” tão endeusadas por essas pessoas. Não seria o escudo das américas o mais um prego no caixão dessas vergonhosas e incompetentes “instituições”? É algo a se pensar.

deadeye
deadeye
Responder para  naval762
8 dias atrás

Outro que caiu na mentira de que o “narcoterrorismo” é para combater o crime, mas não vê o apito do cachorro de que é apenas pretexto para intervenção.

Alexandre Costa
Alexandre Costa
Responder para  deadeye
8 dias atrás

Nem desenhando eles entendem…