Coreia do Sul apresenta veículo blindado equipado com arma laser Cheongwang Block 2
Seul também revelou um laser rebocado de 100 kW destinado à interceptação de foguetes, projéteis de artilharia e granadas de morteiro
A Coreia do Sul apresentou pela primeira vez dois novos protótipos de armas de energia dirigida da família Cheongwang durante as comemorações do 78º Dia das Forças Armadas, realizadas em 1º de outubro no complexo militar de Gyeryongdae.
A principal novidade foi o Cheongwang Block 2, um veículo de combate equipado com uma arma laser e construído sobre um chassi blindado 8×8. Também foi mostrado um protótipo rebocado com potência de 100 quilowatts, projetado para enfrentar ameaças mais resistentes e velozes.
Os novos sistemas foram exibidos ao lado de cerca de 70 equipamentos militares, incluindo o caça KF-21 Boramae, o míssil balístico Hyunmoo-5, o sistema antiaéreo Cheongung-II, o carro de combate K2 e o obuseiro autopropulsado K9. Aproximadamente 3.600 militares participaram da cerimônia.
Cheongwang Block 2 ganha mobilidade
Instalado sobre um veículo blindado de rodas, o Cheongwang Block 2 representa uma mudança em relação ao Block 1, atualmente empregado em posições fixas para proteger instalações estratégicas contra pequenos drones.
A configuração móvel permitirá, em princípio, que o sistema acompanhe unidades mecanizadas, seja deslocado rapidamente entre diferentes pontos de defesa e opere mais próximo das forças em campanha. Imagens divulgadas durante o evento mostram o conjunto óptico e o emissor laser instalados na parte superior do veículo.
As autoridades sul-coreanas ainda não informaram a potência, o alcance ou a capacidade de geração elétrica do protótipo. Também não foram divulgados o estágio do programa, o cronograma de testes ou uma possível data para sua entrada em serviço.
A Administração do Programa de Aquisição de Defesa da Coreia do Sul (DAPA) havia informado anteriormente que o desenvolvimento do Block 2 buscaria aumentar a potência e a precisão do laser, ao mesmo tempo em que reduziria o tamanho e o peso dos componentes.
Laser de 100 kW terá função antimunição
O segundo protótipo apresentado é um sistema rebocado de laser de alta energia com potência declarada de 100 kW. Diferentemente do Cheongwang Block 1, concebido prioritariamente para neutralizar pequenos drones, a nova arma deverá enfrentar foguetes, projéteis de artilharia e granadas de morteiro durante o voo.
Esse tipo de missão, conhecido pela sigla C-RAM — defesa contra foguetes, artilharia e morteiros — exige maior potência, precisão e velocidade de acompanhamento. O laser precisa concentrar energia durante tempo suficiente em uma pequena área do projétil para provocar falha estrutural ou detonar componentes antes que a ameaça alcance o alvo.
O salto para a classe de 100 kW amplia as possibilidades de emprego, mas também aumenta as exigências relacionadas à geração de eletricidade, refrigeração, controle do feixe e estabilidade da plataforma. Seul não revelou quando o sistema rebocado deverá iniciar testes militares ou se já existe um programa de aquisição definido.
Demonstração derruba dois drones, mas enfrenta problemas
Durante a cerimônia, os militares realizaram uma demonstração com o Cheongwang Block 1, versão fixa de aproximadamente 20 kW que entrou em serviço no final de 2024. Quatro drones controlados por cabos de fibra óptica deveriam servir como alvos.
Na primeira sequência, um dos dois drones perdeu estabilidade e caiu durante a decolagem. Segundo o Ministério da Defesa, rajadas de vento danificaram o fino cabo de fibra óptica utilizado para controlar o aparelho. O Cheongwang conseguiu acompanhar e destruir o segundo alvo.
A segunda sequência deveria demonstrar a capacidade de engajar dois drones simultaneamente. O laser derrubou um dos aparelhos, mas o outro foi desviado para fora da área prevista pelas condições meteorológicas. Por segurança, os operadores cortaram manualmente sua alimentação elétrica, provocando a queda.
Assim, dois drones foram efetivamente destruídos pelo laser, enquanto os outros dois caíram por problemas relacionados ao voo e ao controle dos alvos. Não houve indicação de falha técnica no próprio Cheongwang durante os engajamentos concluídos.
Block 1 está em serviço desde 2024
O Cheongwang Block 1 emprega um laser de fibra óptica para aquecer partes sensíveis do alvo, como motores, baterias, sensores e superfícies estruturais. Como utiliza eletricidade em vez de munição convencional, cada disparo custa cerca de 2.000 won — aproximadamente US$ 1,30.
O sistema foi desenvolvido pela Agência para o Desenvolvimento da Defesa, com participação da Hanwha Aerospace. O programa começou em 2019 e recebeu investimento de 87,1 bilhões de won. Nos testes realizados antes da produção, a DAPA informou uma taxa de 100% de acertos contra os alvos empregados.
A produção foi contratada em junho de 2024 e o sistema entrou em serviço em dezembro daquele ano. Cerca de cinco unidades já teriam sido posicionadas para proteger instalações importantes, incluindo o Ministério da Defesa, enquanto aproximadamente dez equipamentos adicionais estão previstos.
Em maio de 2026, a Coreia do Sul concluiu o desenvolvimento de um oscilador laser nacional para substituir o componente importado utilizado nas primeiras unidades. O trabalho foi conduzido pela Agência para o Desenvolvimento da Defesa com participação da Hanwha Systems.
Segundo a DAPA, o novo oscilador aumentou em mais de 50% indicadores como a potência do sistema. Em avaliações adicionais, o tempo necessário para neutralizar drones FPV caiu de dois a quatro segundos para aproximadamente um a dois segundos. A participação de componentes nacionais aumentou de 76% para 90%.
Defesa de baixo custo contra ameaças numerosas
O desenvolvimento do Cheongwang responde principalmente à ameaça representada pelos drones norte-coreanos e à disseminação de aeronaves não tripuladas de baixo custo. Em dezembro de 2022, cinco drones da Coreia do Norte atravessaram a fronteira, expondo dificuldades da defesa sul-coreana para interceptar alvos pequenos com armas convencionais.
Na cerimônia, o presidente Lee Jae Myung afirmou que o país acelerará o desenvolvimento de interceptadores laser de alta energia, sistemas de comando e controle baseados em inteligência artificial e novas armas de grande potência.
A transição de uma arma fixa de 20 kW para plataformas móveis e sistemas da classe de 100 kW indica que Seul pretende levar os lasers além da defesa pontual contra drones. O desafio será transformar os protótipos em equipamentos capazes de operar continuamente sob chuva, neblina, poeira e turbulência atmosférica — condições que ainda limitam o emprego prático das armas de energia dirigida.■


Tenho a curiosidade em saber , qual a quantidade de disparos possíveis dessas armas de energia, porque em um ataque volumoso de drones, ela vai precisar disparar bem rápido , para acabar com a ofensiva.
Você está achando que é como Star Wars amigo?!
Disparos e disparos em sequência?
Meu caro para um enxame de drones, ou será assim ou será um disperdicio de energia e equipamentos.
Ou fica como um sabre de luz, sem disparar, apenas um facho luminoso contínuo rasgando os dronezinhos.
O disparo até onde sei é como você falou…
facho luminoso contínuo!
Depende do objetivo.
Este equipamento, principalmente devido ao porte, tem como função principal o ataque a drones (inclusive de ataque), pequenas aeronaves e mísseis.
Como todo arma laser, o ataque é na velocidade da luz e trabalha com feixes concentrados.
O Cheongwang Block 2 consegue aplicar uma temperatura de até 1.000 Cº em um único ponto.
Normalmente os sistemas de gerenciamento e controle são programados para identificar partes mais vulneráveis como compartimento de motor, eletrônica, asas ou reservatórios de combustível.
Com o travamento do alvo e local, o feixe é acionado levando de menos de 1 à 5 segundos para destruição do equipamento.
Referente a questão de múltiplos alvos, os mesmos sistemas de controle avaliam os alvos selecionados e definem prioridades.
Os disparos são imediatos e unitários, alternando logo após a destruição do alvo atual.
Não existe rearme. Tudo depende da geração elétrica.
No caso do veículo coreano, que é um sistema elétrico acoplado ao motor do veículo, o equipamento pode ser disparado de centenas de vezes, dependo do tempo para a destruição ou desativação das aeronaves ou artefados.