64 anos da Tomada de Montese pela FEB

64 anos da Tomada de Montese pela FEB

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Há 64 anos, a Força Expedicionária Brasileira, enfrentaria o que ficou conhecido como a sua “batalha mais sangrenta” e sua principal vitória durante a Segunda Guerra Mundial.

A batalha

3º Pelotão da 2ª Companhia do 11º Regimento de Infantaria, ocupava, desde 10 de março de 1945, a posição defensiva da Região de Biccochi, Cota 930, quando, às 5h do dia 12 de abril, recebeu ordem, por via telefônica, para organizar uma patrulha de reconhecimento, que, sob o comando de um sargento, teria por missão reconhecer a elevação de Montaurigula e, caso não encontrasse resistência, chegar até Montese.
A patrulha, fortemente armada, com 21 homens, sendo três especialistas em minas, partiu às 9h da sua posição de combate (Biccochi), alcançando Montaurigula sem resistência. Galgou essa elevação e progrediu na encosta sul, rumo geral leste-oeste. Após atingir a metade da elevação, que possuía a forma de uma colina alongada, encontrou um campo de minas antipessoal; o esclarecedor da patrulha já havia caminhado alguns passos dentro do campo, quando percebeu, por sorte e felicidade, as minas, pois algumas achavam-se expostas. Passou, então, a atuar a equipe de minas, retirando 82 minas antipessoal.

“Na jomada de ontem, só os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações; com o brilho de seu feito e seu espírito ofensivo, a Divisão Brasileira está em condições de ensinar às outras como se conquista uma cidade”.
Gen Crittenberger – Cmt IV Corpo de Exército

Após cerca de 2 horas de espera, a patrulha transpôs o campo minado, prosseguindo na missão.
O moral da tropa atacante era alto; havia gana por parte de alguns soldados, o que levou o comandante do pelotão a conter aqueles que se expunham inutilmente.
Quando o comandante do pelotão realizava os reconhecimentos para assaltar algumas casas “suspeitas” no flanco direito do inimigo, recebeu ordem do comandante da companhia para se desengajar e afastar-se das casas, posto que o Batalhão iria bombardear as resistências inimigas com morteiros 81mm, visando facilitar a conquista do objetivo.
Ao ultimar o reconhecimento de outro flanco, o comandante da patrulha recebeu ordem para retrair, porque a Artilharia Divisionária iria atirar na região e a patrulha já havia ultrapassado, em muito, o tempo programado.

Fases do ataque

A conquista da cidade de Montese, que era a missão principal da 2ª Companhia, foi planejada para ser realizada em duas fases bem distintas:

1ª Fase: Missão secundária, às 9h – ataque com dois pelotões a dois postos avançados do inimigo.
2ª Fase: Missão principal, às 12h – ataque à cidade de Montese, também com dois pelotões.
Campo minado em Montese

Na hora prevista, para a 1ª fase, os dois pelotões atacaram seus objetivos. O primeiro teve, inicialmente, o seu avanço prejudicado pela reação do inimigo, que conseguiu mantê­lo à distância, pelos fogos. Assim, só conquistou o objetivo algumas horas depois.
Conquista de Montese – II Guerra Mundial – Tela de A. Martins
O 2º Pelotão ficou detido em frente a um campo minado, batido por fogos da Infantaria. Nessa oportunidade, seu bravo comandante foi mortalmente ferido com um tiro na cabeça. Esse pelotão sofreu mais baixas e não atingiu o objetivo.
Às 11:45h, o comandante da companhia confirmou a “hora H” do ataque principal como sendo a prevista – 12h.
Na hora aprazada, o pelotão do 1º escalão transpôs, em linha, a crista, sob o espocar de foguetes de estrelas vermelhas, anunciando o ataque. A tropa ultrapassou os pontos mais elevados com grande rapidez, apesar do terreno íngreme. Após o pelotão ter vencido um terço do percurso, sua retaguarda foi batida por densa e compacta barragem de artilharia, que cortou o fio telefônico em vários pontos e colocou fora de combate um soldado da equipe de minas e outro de Saúde.
O grupo ponta, após pequeno deslocamento, parou e assinalou a existência de minas. O comandante do pelotão, ao chegar ao ponto assinalado pelo sargento, constatou, com satisfação, que não se tratava de um campo minado e sim de armadilhas, feitas com fios de arame ligados a minas antipessoal.
Ao chegar ao topo das elevações de Montese, o pelotão tinha perdido o contato com a companhia; o telefone não funcionava por terem os cabos sido rompidos pelos tiros da artilharia inimiga; o rádio deixou de captar e transmitir mensagens, por causa da distância e ondulações do terreno.
O segundo grupo empregado teve o seu avanço sustado por fogos vindos do flanco direito, tendo de permeio um terreno limpo.
Quando se preparava para tomar o dispositivo de assalto, foi surpreendido por inesperado e denso bombardeio da nossa Artilharia, que o envolveu e ao inimigo. Em seguida, atingiu as posições inimigas, quando não havia ainda se dissipado a fumaça das granadas. Os alemães permaneciam no fundo de seus abrigos, e já os nossos ultrapassavam suas posições, perfeitamente camufladas. Os alemães tentaram, então, reagir, mas foram postos fora de combate.

Rompidas as defesas, os grupos foram levados para a frente e empregados na consolidação da posição conquistada e nos ataques aos flancos inimigos.
O 2° Grupo de Combate, logo após juntar-se ao 1°, foi empregado para dominar resistências que hostilizavam nosso flanco direito. Postado em situação favorável e atirando de curta distância sobre um abrigo onde havia sido localizada uma metralhadora inimiga, fez com que os seus ocupantes levantassem um lenço, para logo em seguida se entregarem e as resistências silenciarem.
Depois de demorada luta, em que se conquistou o terreno palmo a palmo, conseguiu-se, no final do dia, dominar as resistências inimigas, fazendo-as retrair após sofrerem algumas baixas.
Ao cair da noite de 14 de abril, estavam dominadas as encostas sudoeste da cidade e quebrada a capacidade defensiva da infantaria alemã, que, desnorteada, abandonou suas posições, deixando no campo de luta alguns mortos e oito prisioneiros. Do nosso lado, houve quatro baixas, sendo um morto e três feridos.
Na noite de 14 para 15 de abril, Montese, não obstante encontrar-se sob domínio das tropas brasileiras, abrigava ainda elevado número de soldados inimigos, o que não impediu a artilharia alemã de desencadear sobre a cidade, naquela noite, cerca de 2.800 tiros.
Na manhã do dia 15, ainda debaixo de maciço fogo da artilharia alemã, a tropa brasileira ultimou a limpeza da cidade.
A conquista de Montese repercutiu favoravelmente nos altos escalões e mereceu dos generais americanos os mais efusivos elogios. Essa batalha ficará marcada para sempre na memória dos soldados brasileiros, pelas lições de bravura e competência operacional dos “pracinhas”.

FONTE: Exército Brasileiro – Adaptação do texto de autoria do Cel Iporan Nunes de Oliveira

17 COMMENTS

  1. Orgulho-me de nossos soldados na segunda guerra, foram, lutaram e ajudaram a vencer, pouco me importo com os que procuram desmerecer a nossa participação na guerra ou minimizá-la. Na terra dos sem memória, parece ser errado louvar nossos sacrifícios!!! Brasil acima de tudo!

  2. A LAAD ofuscou um pouco o aniversário deste episódio de nossa história, mas a muito justa e merecida recordação dos colegas do Blog não deixa apagar a verdade dos fatos.
    triste saber que estes feitos não são contados em nossos livros de história, preferem falar dos escandalos de corrupção que culminaram na queda de presidentes do que nos feitos históricos que colaboraram para mudança da história da humanidade.
    parabéns ao Blog mais uma vez e mais do que nunca aos nossos homens e mulheres que participaram diretamente desta e de outras batalhas.
    parabéns ao soldado brasileiro e a FEB.

  3. Mesmo o Brasil tendo uma indole pacifista, e com meios inferiores, o soldado brasileiro sempre faz bonito, de Montese ao Haiti. Parabéns

  4. Bravo!

    É só o que posso dizer ao pessoal do Blog a respeito desta matéria. Continuem postando nossos feitos militares ok? Precisamos honrar aqueles que se antecederam aos seus contemporâneos com bravura e coragem.

    Muitos acham que foi fácil a atuação brasileira. Estes – com toda a certeza – desconhecem a verdadeiras história.

    Até mesmo os americanos sofreram – E MUITO – nos anos finais da guerra. Para estes incautos indico uma série em 10 capítulos chamado BAND OF BROTHERS. Aí sim, irão saber como foi a guerra para os americanos desde o dia “D” até o fim da guerra.

    Não foi fácil…

  5. Bravos heróis brasileiros. Combateram os porcos alemães e os mandaram para o devido lugar, na escuridão absoluta do inferno.
    Parabéns a esses homens que contra tudo e todos, mostraram o significado da palavra A Cobra vai Fumar.

    Hoje, os milicos se deixam humilhar pelos integrantes de milícias criminosas e traficantes de drogas, e permitem o absurdo de se deixar roubar a própria ferramenta de trabalho, e de combate.
    Se fosse na época desses bravos homens, a galera da erva e do pó ia sim COMER CHUMBO.

  6. Como sempre digo, valorizo muito a História, especialmente 2ª Guerra. Gostaria de dar uma pequena colaboração :

    1-Sobre a participação do Brasil na Guerra :

    grandesguerras.com.br/artigos/text01.php?art_id=225

    grandesguerras.com.br/artigos/text01.php?art_id=226

    Aliás este site é bem amplo e engloba a 1ª Guerra também e também os diversos países envolvidos, não apenas o Brasil.

    2-Site c/ fotos do conflito :

    ww2incolor.com/

    3-Blog que já citei em comentários anteriores, que apresenta entrevistas c/ veteranos ( de todos os lados do conflito ), encontros destes e tem um campo de busca no próprio blog que é muito interessante :

    saladeguerra.blogspot.com/

    Espero que alguém aproveite as dicas, pois ultimamente não percebo muito interesse em assuntos históricos, o que me deixa muito triste, uma vez que parece que os que sofreram, inclusive até à morte, o fizeram em vão. É realmente triste.

  7. Luciano,

    Eu tb acesso o Grandes Guerras, principalmente a “cronologias”. As matérias destacadas em vermelho são bem detalhadas, sempre.

    Mas ele não é atualizado desde 30/12/08. O editor poderia rever esse quesito.

    Nesse quesito, o Galante e cia ganham de 10X0. E são sempre matérias e informações fresquinhas.

    abraços.

  8. Vassili Zaitsev,

    concordo c/ os elogios aos editores destes 3 blogs ( Terrestre, Aéreo e Naval ). O Sala de Guerra é atualizado quase todos os dias. Há alguns dias, tinha o indicado e reforço a sugestão, coloque no campo de pesquisa : JERICHO. É uma história muito interessante c/ os Mosquitos – tenho gravado do History Channel um documentário sobre este fantástico avião e lá também conta esta história, talvez o encontre no YOU TUBE.
    Abraços.

  9. Achei interessante a 1ª foto, onde um veículo 6×6 é mostrado com valorosos soldados brasileiros; parece uma homenagem ao novo 6×6 da empresa italiana Iveco !!! Sds.

  10. Mabill,

    O veículo da primeira foto é um blindado de reconhecimento M-8. A Engesa baseou-se neste carro para desenvolver a dupla EE-9 Cascavel and EE-11 Urutu.

    Se vc observar bem, percebe que ambos são parecidos com o veiculo da foto.

    abraços.

  11. Senhores.
    Quando jovem, tive a oportniddade de “servir” ao Exército no batalhão de infantaria Sampaio, de onde saíram vários destes verdadeiros Heróis.
    Lá pude ver símbolos (capacetes, estilhaços, bandeiras perfuradas, etc) trazidos das campanhas militares, e pude lêr alguns relatórios emitidos após as patrulhas realizadas.
    São muitos os feitos de soldados, não só do Exército mas também da Aeronáutica e da Marinha.
    Hoje, fico indignado com o descaso com os ex-combatentes (os praçinhas).
    Não há divulgação, não há reconhecimento, como deveriam ter.
    E o sr “Bial” e seus pares, só têm olhos para os “heróis” do BBB.
    O Brasil, não mereçe os filhos que perdeu em solo estrangeiro.
    Deus abençoe os ex-combatentes.

  12. Está é uma história de bravura e de total competência de nossos combatentes, legítimos heróis da nossa história e mundial também. Infelizmente nós só presenciamos filmes, mini-séries que contam histórias de cantores, cantoras, ou seja, artistas que em algums casos, não contribuiram e nem contribuem em nada para a nossa formação e que não são exemplos para a nossa juventude. Estar na hora de aparecer alguém que conte essa história e a tomada de monte castelo, pois esses homems que lutaram pela liberdade do Brasil e do mundo, contra a tirania vergonhosa dos nazistas, nos enchem de orgulho e satisfação. Para aqueles que sobreviveram e ainda estão vivos, um forte abraço, e para aqueles que tombaram em campo de batalha ou que pela idade já nos deixou, eu também deixo os meus sinceros agradecimentos e admiração a todos. Eu sou um oficial da reserva do exército brasileito, no posto de 2º tenente de infantaria, e tive o grande privilégio de ter participado da festa do cinquentenário da primeira turma do NPOR ( Núcleo Preparatório do Oficiais da Reserva ), está festa foi em 1994, quando contamos com a presença de algums integrantes da turma de 1944, todos nós pertecentes ao 15 batalhão de infantaria motorizado – regimento Vidal de Negreiros em João Pessoa – PB. Foi um dia inesquecível para mim, e com certeza para os meus companheiros e irmãos de caserna. Finalizo mais uma vez agradeçendo a todos da força expedicionária brasileira, que são realmente, os heróis brasileiros. A cobra nunca vai deixar de fumar. Selva Brasil.
    Brasil Acima de Tudo, abaixo só de Deus!
    Atenciosamente:
    Audálio da Silva Monteiro

  13. Estou triste e ao mesmo tempo feliz pois meu pai era pracinha faleceu em agosto 2001 feliz por saber que existem vocês caros leitores resido em uma associação dos ex-combatentes que precisa de ser lembrada por aqueles que lutaram pela nossa liberdade,e isso foi dito por esse blog que emocionado pude ler com esperança de ainda existirem pessoas que respeitam a história do brasil.

  14. “Na jomada de ontem, só os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações; com o brilho de seu feito e seu espírito ofensivo, a Divisão Brasileira está em condições de ensinar às outras como se conquista uma cidade”.
    Gen Crittenberger – Cmt IV Corpo de Exército

    -Tenho muito orgulho dos nossos pracinhas!

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