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Uso do RBS 70 pode trazer oportunidades para as camuflagens Saab Barracuda no EB

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O motivo, segundo a empresa, é que o sistema antiaéreo RBS 70, adquirido pelo Exército Brasileiro, inclui sistema de proteção de assinatura multiespectral fornecido pela Saab Barracuda

Finalizamos a matéria anterior, a respeito do evento realizado na última segunda-feira (20/2/2017) pela Saab Barracuda para promover seus sistemas de camuflagem multiespectral, falando em “casualidades”.

Foi justamente essa a palavra que o coronel da reserva Virgílio Veiga Jr, diretor de vendas da empresa, usou para se referir às oportunidades de aquisição de sistemas de camuflagem da empresa pelo Exército Brasileiro (EB). Veiga considera uma “casualidade útil” o fato de que a recente aquisição dos mísseis de defesa antiaérea RBS 70 da Saab, pelo EB, incluir um sistema de proteção de assinatura fornecido pela Barracuda.

Segundo o coronel Veiga, a empresa já vem promovendo seus produtos de gerenciamento de assinatura, junto ao Exército Brasileiro, há cerca de cinco anos, mas a oportunidade da Força realmente experimentar o produto mais longamente vem agora, a partir do emprego do sistema antiaéreo RBS 70.

A ilustração da Saab Barracuda mostra um exemplo de uso de camuflagem do tipo “camosphere” para proteção de assinatura do RBS 70. A camuflagem permite a visão para fora da esfera que circunda o lançador, e a esfera se abre apenas no momento do disparo. Para ver a cena completa, veja o vídeo ao final da reportagem

 

É uma oportunidade que ele considera importante por se dar “de dentro para fora”. Ou seja, o próprio EB, em seus exercícios com o RBS 70, poderá conferir a partir das impressões dos soldados que guarnecem o sistema (que estariam com um grau maior de proteção contra a detecção, mas também contra o sol) e tripulações de helicópteros (que fazem o  papel de atacantes em exercícios e precisam detectar os sistemas antiaéreos), a eficiência ou não da camuflagem de tecnologia multiespectral.

Quebra de paradigmas

O diretor de vendas, ao longo do tempo em que vem trabalhando para promover esses sistemas de gerenciamento de assinatura para o EB, percebeu uma necessidade de se quebrar paradigmas. O paradigma da necessidade de detecção já vem sendo quebrado pela Força há um bom tempo, com investimentos na compra de sensores diversos. Mas, ao mesmo tempo, a proteção contra essa detecção ainda estaria presa, em boa parte, ao paradigma da assinatura visual, e não nos diversos espectros (radar, infravermelho etc).

Virgílio Veiga Jr, diretor de vendas da empresa, durante a apresentação realizada pela Saab Barracuda na última segunda-feira, 20 de fevereiro

 

Assim, ao mesmo tempo em que o Exército adquire capacidade tecnológica de detectar alvos inimigos numa abordagem multiespectral, ainda protege seus próprios alvos numa abordagem apenas visual, cobrindo-os com redes convencionais, galhos de árvores etc. Desta forma, a “casualidade útil” da aquisição do RBS 70, em conjunto com sistemas de proteção da Saab Barracuda, representa para a empresa uma oportunidade de quebrar esse paradigma e conseguir, em caso de avaliação positiva de seus produtos, eventuais aquisições por parte do EB para a proteção de outros equipamentos (blindados, instalações, soldados etc).

Interesse no Brasil e o Guarani

Os representantes da Saab Barracuda disseram esperar, um dia, instalar uma unidade de produção de seus sistemas de assinatura no Brasil (veja matéria anterior para saber mais sobre as três categorias de produtos: integrados à plataforma, ao soldado e à força). Evidentemente, encomendas locais e na América Latina fariam a diferença para uma decisão do tipo.

Aproveitando a oportunidade do diretor de Marketing e Vendas da Saab Barracuda para a América Latina, Joakin Schackenborg, referir-se ao blindado Guarani como um equipamento que se beneficiaria da utilização de sistemas modulares de camuflagem, perguntei sobre o tempo que se levaria para instalar esses módulos neste novo blindado brasileiro. Em especial, como se daria isso em condições de campo, e não apenas dentro das comodidades de uma base.

Acima e abaixo, exemplos ilustrativos de módulos de camuflagem que são instados sobre um carro de combate

Joakin respondeu que, normalmente, os módulos da Saab Barracuda são instalados dentro da base. Nessas condições, uma equipe com treinamento básico levaria cerca de 2 horas para realizar a tarefa, pela primeira vez. A partir do momento em que ganha experiência, esse tempo pode cair pela metade.

Insisti com Joakin sobre uma realidade difícil de fugir, seja no caso do Brasil, seja no de outros países da América Latina: em geral, adquirem-se muito menos sistemas adicionais para viaturas (como seria o caso dos módulos da camuflagem) em relação ao total da frota do que costuma ser a porcentagem no caso de potências militares. Além disso, questões de mobilidade e logística podem fazer com que a necessidade de instalação dos módulos de camuflagem em, nas viaturas blindadas, não seja uma ocorrência incomum. O executivo respondeu que é possível a instalação em condições de campo, ainda que o recomendável seja na base, e calculou que o tempo de instalação, nessa situação, pode subir para aproximadamente 3 horas.

Economias locais,  incertezas mundiais e o caso do avestruz

Tanto Joakin quanto Virgílio reforçaram o que consideram grandes vantagens dos produtos para o cenário brasileiro, que é de condições de forte calor nos treinamentos e operações reais, para as quais a proteção térmica que os sistemas proporcionam internamente (além da proteção externa à detecção), trariam melhor desempenho das tropas, guarnições das viaturas, sistemas eletrônicos e armamentos, além da economia de combustível gasto em controle ambiental. A customização de produtos segue as necessidades do cliente e os ambientes operacionais em que se vai operar (vegetação e sua coloração, seja no espectro visual ou infravermelho).

 

As possibilidades (e necessidades) de se empregar sistemas de camuflagem de tecnologia multiespectral tendem a crescer, segundo a empresa, juntamente com as incertezas no cenário mundial, caso dos conflitos assimétricos, mudanças nos alinhamentos de nações até pouco tempo consideradas aliadas próximas, crimes transfronteiriços e outros, em que mais e mais combatentes têm acesso a tecnologias de detecção.

Para Veiga, possuir a melhor arma é só um dos fatores para se impor a um inimigo: seja esse adversário uma tropa regular bem equipada ou um contrabandista na fronteira, é grande a possibilidade dele estar empregando sensores térmicos (acessíveis até para compra pela Internet), e uma força que não gerenciar suas assinaturas frente a essas ameaças estará tão vulnerável quanto um avestruz que apenas esconde a cabeça na terra.

Esse quadro de incertezas mundiais será tema da última parte desta série, que abordará palestra realizada no início do evento da última segunda-feira pelo especialista Oliver Stuenkel, do CPDOC / FGV.

 

Reportagem e fotos: Fernando “Nunão” De Martini (o editor compareceu ao evento a convite da Saab)

Imagens adicionais e vídeo: Saab

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