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França: Lei de Programação Militar 2019-2025: ‘Renovando as Forças Armadas’

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MBT Leclerc

PARIS — O projeto de “Loi de Programmation Militaire” (LPM, ou Lei de Programação Militar) foi apresentado em 8 de fevereiro ao Conselho de Ministros. Abrangendo o período 2019-2025, este projeto foi preparado em tempo recorde e mobilizou todos os serviços do Ministério das Forças Armadas. Deve ser aprovado pelo Parlamento neste verão.

Este projeto de lei inclui um aumento no orçamento de defesa que rompe com as tendências negativas de gastos negativos no esforço de defesa.

Esta lei plurianual do programa:

  • confirma o compromisso do Presidente da República de aumentar o orçamento da defesa para 2% do PIB até 2025;
  • prevê um esforço financeiro de € 198 bilhões no período 2019-2023, e solicita uma despesa total de € 295 bilhões no período 2019-2025. Isso representa um orçamento médio de 39,6 bilhões de euros (159,5 bilhões de reais) por ano nos próximos cinco anos (o orçamento de 2018 é de 34,2 bilhões de euros e já se beneficia de um aumento de 1,8 bilhões de euros);
  • responde às apostas feitas pela revisão estratégica apresentada em outubro passado. Em um ambiente estratégico instável e incerto, em uma era de turbulência importante marcada pela persistência da ameaça terrorista, estratégias de poder mais assertivas, conflitos mais duros, adversários melhor equipados e o surgimento de novos desafios, incluindo o digital, que modelo de exército faz a França precisa estar no nível de suas ambições?

Este LPM, portanto, propõe um modelo de exército completo e equilibrado, capaz de cumprir suas missões de forma sustentável e, a longo prazo, através de uma dupla ambição:

  • O que é essencial hoje: devolver agora aos nossos militares e em prioridade aos homens e mulheres o que os fazem viver e agir, as ferramentas para realizar de forma duradoura suas missões.
  • O que será necessário amanhã: preparar o futuro da defesa da França até 2030 e ajudar a construir uma defesa europeia.

Isso se traduz em 4 eixos principais que estruturam o LPM:

1. Um LPM feito pelo homem
O LPM está localizado na “altura do homem”, prestando especial atenção aos soldados, marinheiros, aviadores, pessoal civil que servem nossos exércitos e suas famílias: treinamento, preparação operacional, equipamento pessoal, pacote, treinamento e suporte imediato.

Exemplos:

  • 100% do pessoal militar implantado em operações no exterior será equipado com o novo uniforme de combate à prova de fogo a partir de 2020 (os primeiros 23.000 serão entregues este ano). Todas as forças terão sido reequipadas até 2025.
  • 55.000 coletes à prova de bala do último padrão, dos quais 25.000 serão entregues no próximo ano; 100% dos soldados da Guarda Nacional estarão equipados até 2019.
  • 32.000 conjuntos de vestuário de proteção CBRN (Química, nuclear, bacteriológica e nuclear) serão entregues em 2020, e cerca de 165.000 conjuntos serão entregues durante todo o período 2019-2025.
  • Cerca de 43 mil novos capacetes serão entregues no período 2019-2025.
  • 530 milhões de euros serão destinados ao financiamento do Plano Familiar para o período 2019-2025.

2. Renovar as capacidades operacionais
O LPM prevê a modernização de nossas capacidades operacionais, preencher lacunas de capacidade existentes e se preparar para o futuro.

Exemplos:

  • Exército: Como parte da aceleração do programa Scorpion, 50% dos novos veículos blindados médios (Griffon, Jaguar e VBMR-light) serão entregues até 2025.
  • Marinha: os primeiros quatro submarinos de ataque nuclear de classe Barracuda, as três últimas fragatas multimissão FREMM e as duas primeiras Fragatas Intermediárias FTI serão entregues. Três fragatas leves stealth Lafayette também serão atualizadas.
  • Força Aérea: seis drones de ataque Reaper, o primeiro sistema europeu de drone Male, 83 aviões de combate (28 novos caças Rafale e 55 Mirage 2000D modernizados), e 12 aeronaves Multi Role Tanker-Transport (MRTT) serão entregues até 2023.
  • Esta LPM também lança a renovação dos dois componentes, oceânicos e aéreos, das forças de dissuasão nuclear.

3. Garantir a nossa autonomia estratégica e apoiar o surgimento da Europa
O LPM é um compromisso com a nossa autonomia estratégica com o aumento dos meios de inteligência ou luta no ciberespaço. Segue o caminho da cooperação e da Europa.

Exemplos:

  • Ciberespaço: 1,6 bilhões de euros gastos na luta no ciberespaço e mais 1.000 investigadores de crimes cibernéticos até 2025.
  • Inteligência: 1.500 novos postos, bem como 4,6 bilhões de euros de investimento para seus equipamentos (satélites, drones, aviões de guerra eletrônicos, etc.).
  • Espaço: entregas de novas instalações de vigilância e telecomunicações (2 satélites de observação, 2 satélites de telecomunicações, 1 satélite de escuta).
  • Cooperação internacional: aumentar o número de militares de 20.000 a 30.000 treinados pelas forças armadas francesas nos países aliados e propor aos parceiros europeus participar nessas ações de treinamento, agir de forma coletiva antes de possíveis crises.
4. Inovar para enfrentar os desafios futuros
Este LPM prepara o caminho para exércitos resolutamente modernos e inovadores, com mais recursos para pesquisa, inovação, para a renovação e aceleração de nossos principais programas de armas. Também prevê um importante programa de transformação e modernização do Ministério, para garantir que todo euro seja investido de forma mais efetiva ao serviço de nossas forças armadas.
Exemplos:
  • Investigação e desenvolvimento: o orçamento para estudos e inovação passa de 730 milhões de euros para 1 bilhão até 2022.
  • Uma média de 1,8 mil milhões de euros serão gastos anualmente na preparação de futuros programas de armas (estudos de projeto sobre futuras aeronaves de combate, o futuro tanque de batalha, o sucessor do porta-aviões Charles de Gaulle).
  • Modernização do ministério: 14 projetos de modernização do departamento, incluindo a realização de programas de equipamentos, manutenção em condições operacionais, inovação, digitalização, organização central e territorial do ministério, apoio às forças.

Com sinceridade e realismo, o projeto de lei de programação militar 2019-2025 estabelece e mobiliza os recursos para combinar as ambições e questões que afetam diretamente a segurança dos franceses, hoje e amanhã.

Este projeto de lei abre o caminho para forças armadas modernas, ágeis, persistentes e protetoras que se beneficiam plenamente de seu avivamento.

FONTE: Ministério das Forças Armadas Francesas

35 COMMENTS

  1. Esse trabalho reflete a insegurança atual (ameaças ambiguas, voláteis, incertas e complexas), a capacidade de suprir necessidades futuras, a percepção q os EUA não vão adotar a OTAN como tem feito e crescente importância do ciberespaço.
    Outro ponto interessante é a preocupação com ameaças QBRN.
    Sds

  2. E que tal o brasil também investir em Defesa ao invés de cortar o valor repassado todos os anos.
    Nah, melhor mesmo é deixar venezuelano entrar aqui e pagar bolsa familha pra eles pra aumentar a base eleitoral.

  3. Guacamole a Franca investe em defesa( material e intelectualmente) o Brasil gasta com defesa( viagens premiadas,excesso de oficiais, cerimoniais nababescos, quase 40 anos de gasto com projeto de submarino nuclear etc)
    A turquia gasta muito menos e nos supera largamente em dedesa, se a desculpa e por serem eles memebros da OTAN, e terem velhas pendengas com os gregos,; o Brasil tem um terrotorio praticamente dez vezes maior, dez nacoes diferentes em uma imensa fronteira, que volta e meia estao em rebulico, fora 200 milhoes de cidadaos, enfim tudo o que e necessario pra termos uma defesa nacional seria.

  4. A França realmente é um pais serio, merece parabéns sua segurança e de seus cidadãos em 1 lugar.

    Se não fosse o lema maldito e os milhões de cortadores de cabeça que vivem lá eu até lutaria pela França.

  5. “Três fragatas leves stealth Lafayette também serão atualizadas.”

    Por entrelinhas, isso significa que duas fragatas dessa classe poderão ser disponibilizadas; isso certamente antes de 2025.

    Para o Brasil, não sei se vale. Mas para países latino americanos como Argentina, Colômbia e Equador, certamente é boa pedida.

  6. Olá RR. A Marinha Francesa possui 5 frangatas LaFayette. O plano é atualizar 3 delas no período de 2019 até 2023. Portanto, isso pode significar que as outras duas serão atualizadas depois de 2023, não necessariamente que não irão atualizar as outras duas ou que pretendem disponibiliza-las.

  7. Caro camargoer,

    Grato pelo link.

    Se considerarmos apenas o número de 15 escoltas pretendidas, então não haverá razão em princípio para modernizar mais que as três originalmente pretendidas… Seja como for, essa hipótese deve ser sim considerada, caso alguma FTI ou FREMM atrase ou seja cancelada.

    Saudações.

  8. Trump foi lá e deu uma bronca na OTAN.
    Exigiu que todos gastassem 2% do PIB em defesa.
    Todos reclamaram.
    Mas funcionou…

    Off Topic
    Acho esse Leclerc o MBT mais bonito de todos.
    E olha que a briga é feia. Ultimamente os caras andam caprichando no design dos Tanks.

  9. Quando o país é serio e o povo idem, tais orçamentos funcionam muito bem: planejado, detalhado, bem conceituado. Este é um país sério… diferentemente de um certo país em que carnaval, BBB, futebol, briga de esquerda x direita, quase fanatismo religioso, imperam e, para completar, com um sistema de governo que prova a cada dia ser incompetente. E olha que lá o é socialista – para desespero de muita gente de direita.

  10. Nos faltam bolas, aqui é o país da farra, nada é levado a sério, vamos apenas sobrevivendo com o mínimo de lazer (futebol, carnaval e BBB).

  11. “Spider: E pensar que o socialismo reina por aquelas bandas…”

    O famoso “Socialismo Fabiano”.
    Socialismo para o povo, capitalismo para as elites. O tal “liberalismo gerenciado”.
    O PSDB estaria em casa na França de Macron.

    A França merecia coisa melhor. Se bem que os Franceses historicamente gostam de cavar suas próprias sepulturas….

  12. Após De Gaulle a França praticamente só teve governos socialistas, e a esquerda francesa sofreu sua pior derrota desde 1969 com a vitória de Macron. Ele pois em curso reformas econômicas de cunho liberal, entre elas um plano de 50 bilhões de euros para treinamento profissional, o incentivo a energias renováveis, infraestrutura e modernização, a redução do desemprego de 9,7% para 7% e a proibição do uso de celulares nas escolas por menores de 15 anos. Macron é um centrista liberal, pró-mercado e forte defensor da União Europeia, por isso imagino que a LPM não se deve só ao fato de Trump reduzir recursos americanos na OTAN, mas também como uma forma de induzir o crescimento econômico francês e fortalecer a União Europeia.

  13. A França há muito deixou de ser um país exemplo de gestão…investir em forças armadas até a Rússia e China fazem. O país em 2018 tem problemas muito sérios que outros europeus não tem. Tão verdade que a descrença política é enorme na França, o francês visivelmente se afastou do Estado e a desordem interna é imensa.
    Como o Agnelo salientou, alguns investimentos franceses deixam claro alguns “medos” da França.
    Na faculdade que me formei tínhamos convênio com o governo francês, muitos foram estudar lá, mas nenhum ficou na França, todos voltaram falando mal do país.

  14. Macron é um banqueiro de esquerda, desde criança era membro de grupos de esquerda na França. Centro é uma forma amistosa de dizer que o sujeito tem os dois pés dentro do Estado e que não vai exitar em mudar o discurso para continuar comandando o Estado. Tao verdade que macron era de um partido de esquerda até meses próximo a eleição, mudou a embalagem e foi eleito com votos de toda a esquerda francesa.
    Foi mais inteligente que aquela esquerdista da La Pen (que a globo insiste em chama-la de extrema-direita, sendo que o discurso da mulher é inteiramente de esquerda). Como a França não tem partido conservador e nem de direita a classe política juntamente com a mídia dão um jeito de criar uma figura de “” direita “”, assim mata qualquer princípio de surgir uma oposição genuína.
    Macron é tão de direita quanto o João Doria (ZERO).

  15. Espero que , caso o vencedor a presidente do Brasil seja um patriota Mato, se faça o mesmo tipo de programa de capacitação , modernização e reequipamento de nossas forças armadas.

  16. Editores,

    Mídias russas estão reportando que o grande ataque que os americanos fizeram na Síria no dia 7 de Fevereiro mataram soldados/mercenários russos.

  17. Ivan, para você, quem é de direita hoje em dia? Já que, ao seu modo de ver, os neoliberais não são. E nem quem vocifera bravatas nacionalistas e radicais, como a Le Pen.

  18. Eu ja morei na França, há alguns anos atrás. País sério, que de fato, nutre uma ideologia de igualdade entre todos, por óbvias razões históricas. Isso tem o lado ruim, com a crescente cultura islâmica no país, porém eu não queria voltar, tive de fazê-lo. De lá pra cá, tive oportunidade de voltar ao país diversas vezes, por conta do trabalho

  19. Eles são tão bons que tomaram dos alemães na segunda guerra.Vexame histórico.Os alemães se tivessem se bastado com o que conseguiram, estariam lá por aquelas bandas até hoje.Prefiro meu Brasil de merda.

  20. Este planejamento é muito interessante, pois normalmente o pensamento sobre forças armadas é direcionado aos meios: navios, aviões, helicópteros, carros de combate, armas pesadas e leves. Neste, o princípio é o homem! Fardas, coletes, capacetes, proteção CBRN, verba de apoio à família.
    E as quantidades envolvidas impressionam. Um plano assim, além da grande melhoria qualitativa para os militares proporciona um plano de produção para a indústria de defesa deles.
    É, seriedade com as coisas importantes é de impressionar. Ao mesmo tempo fico assustado de perceber o quão longe desta realidade nossos políticos se encontra (ou se perdem).
    Lembrei-me de uma musiquinha que meus amigos do Tiro de Guerra (1976) cantavam: “E se a pátria amada precisar da ma…… (hoje o politicamente correto não permite nem a menção), putamerdaquecagada!”. Parece tão atual ainda.

  21. A França pretende não ficar muito atrás da Inglaterra,mas também está aquem do que foi no passado.Tem projetos bons , mas para o Brasil não é interressante seu material de segunda mão é só lembrar do São paulo, e dos miragem 2000 que adquirimos eu acho que eles usam até o osso.Quanto a seus scorpene parece-me que está em estado de arte,e as expecificações do Brasil garantem espaços para reformas.

  22. José Lemos filho 12 de Fevereiro de 2018 at 23:37

    A meu ver faltam: obstinação, determinação e honestidade em cumprir planejamentos, especialmente aqueles referentes aos planos nacionais de desenvolvimento. Mas o pior de tudo é que os governos já não fazem planos nacionais de desenvolvimento! Parece-me que nas últimas décadas há somente planos de partidos e não de Nação. Creio que esta seja a diferença entre um país sério e nosso país.

    Saudações

  23. Em um futuro próximo a França será o pilar mais importante da OTAN, depois dos Estados Unidos é claro.
    São um país sério e comprometido com sua defesa e presença em zonas de conflito pelo mundo todo.
    O Brasil poderia se aproveitar desta renovação militar francesa e adquirir alguns helis, rafales e quem sabe até leclercs.

  24. Renato Machado, esse seu raciocínio é falho. Realmente é muito comum ler esse tipo de coisa, “que os alemães deram uma surra na 2GM”. De fato, isso ocorreu, mas da mesma forma que a França Napoleônica infringiu diversas derrotas aos prussianos. Se for puxar a “ficha corrida” das 2 nações, são histórias de vitórias e derrotas para ambos os lados;

    E atualmente, meu caro, o poderio bélico francês é o mais poderoso da Europa Ocidental

  25. Se Le pem eh de esquerda tio adolf era comunista cada viajem a França faz seu dever de casa, é obrigação do estado ter esse analise e proposta para os desafios na esfera de segurança nacional

  26. Os franceses não gostam dos norte americanos e procuram independência. Muitos na Europa duvidam da OTAN, e o próprio Trump já afirmou que pretende investir menos lá, cobrando a dívida dos próprios europeus. Acho que todos sabem.
    Na operação contra a Líbia, coordenada pelos franceses (se estiver errado, corrijam, por favor), os mesmos, em seu relatório final, afirmaram que há uma deficiência (por parte dos europeus) na inteligência operacional (imagens, sinais). São muito dependentes dos EUA nesse quesito.
    Operei algumas vezes com a Força Aérea Francesa. São muito competentes. Fiquei impressionado. A FAB aprendeu com eles como realizar operações aéreas combinadas no padrão OTAN. Depois replicamos os cursos aqui, no GITE, em Natal, onde tive a oportunidade de cursar em 2004. No 2°/6° GAV tínhamos um intercâmbio anual com o 36° EDCA (E-3F), na Base Aérea de Avord. Nos ensinaram como controlar combate BVR, e o 1° GDA como combater BVR. Graças aos ensinamentos sobre operações combinadas, conseguir enfiar goela abaixo das outras Forças a doutrina, hoje implementada no MD. Antes disso, estávamos na Segunda Guerra Mundial. Com muito esforço, no Vietnã. Se tivéssemos participado dessa operação na Líbia, não teríamos passado vergonha.

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