sexta-feira, dezembro 3, 2021

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Brasil segue em 37º em competitividade

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

A nota do Brasil em termos de competitividade subiu 0,5 ponto de 2009 para 2010, de acordo com o Índice Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de Competitividade das Nações, mas essa elevação não foi suficiente para fazer com que o País ganhasse posições no ranking de 43 países, no qual o Brasil segue em 37º lugar desde 2008. Essa é a avaliação do diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho. Ele afirmou que boa parte dos países que compõem o índice teve avanços de forma mais rápida que o Brasil nos últimos anos.

Foi o caso de Coreia do Sul, atualmente em sexto lugar, Rússia (25º) e China (28º), por exemplo. Por outro lado, países que entraram em crise recentemente, como Grécia (33º), Itália (24º) e Portugal (29º), ainda ocupam colocações à frente do Brasil, em razão de um estoque de anos de indicadores econômicos e sociais bem avaliados.

PIB e IDH

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil, por exemplo, aumentou 2,33% ao ano entre 2000 e 2010, mais do que a média dos 43 países, que foi de 2,09%. Porém, a velocidade do crescimento do PIB per capita do grupo de países que mais avançaram no ranking no período foi de 3,53% – esse conjunto inclui Coreia do Sul, Israel, República Checa, Rússia, Hungria, China, Polônia, Argentina, México e Turquia.

O Brasil também avançou no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e melhorou 7,6% nos últimos dez anos, acima da média de 43 países, que foi de 5,2%, e inclusive acima do grupo de nações com maior avanço no ranking, que cresceu 7%. Apesar disso, o IDH brasileiro é de 0,699, em uma escala de 0 a 1 (do pior para o melhor), enquanto a média dos 43 países é de 0,803 e a do grupo de nações selecionadas pelo índice calculado pela Fiesp, de 0,778.

Baixa tecnologia

De acordo com Roriz Coelho, fatores como aumento do investimento, acúmulo de reservas e crescimento com gastos em educação influenciaram positivamente a competitividade do Brasil. Já a carga tributária e a queda das exportações de manufaturas e de alta tecnologia puxaram o Brasil para baixo no ranking dos países.

Segundo ele, na última década, entre os 43 países analisados, o Brasil foi o oitavo a ganhar maior competitividade, saindo de uma nota de 18,4 pontos em 2000, para 24,8 pontos em 2010. A nota vai de 0 a 100, sendo que quanto mais próximo de 100, mais competitivo.

Nos últimos dez anos, o Brasil ganhou 6,4 pontos, menos que os 11,4 da China, 9,6 da Coreia do Sul e 9,1 da Rússia. Esses países tiveram avanços na produtividade da indústria, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e registro de patentes. Entre os que mais perderam competitividade na década, estão Japão (-11,4 pontos), Venezuela (-9,4) e África do Sul (-9,2). Segundo o diretor da Fiesp, as três nações registraram queda na balança comercial, nos investimentos e nos indicadores tecnológicos.

Dados agrupados

Entre os 50 mil dados agrupados para compor o ranking, Roriz Coelho destacou aqueles que mais poderiam proporcionar uma posição melhor ao Brasil em termos de competitividade – a redução da carga tributária, a diminuição do consumo do governo, a queda dos juros e do spread bancário, o aumento dos investimentos e a ampliação do crédito ao setor privado. O consumo do governo brasileiro corresponde a 21,2% do PIB, enquanto no grupo de países selecionados a média é de 16,3%.

A carga tributária brasileira corresponde a 33,6% do PIB e a do grupo de países que compõem o índice, 27,1%. A taxa de juros do Brasil é 6,6 vezes maior que a média das 43 nações pesquisadas e o spread é 11,5 vezes maior que o verificado no Chile, na Itália, no Japão e na Malásia.

“Não podemos nos contentar com uma melhora razoável. Comparativamente a nós mesmos, melhoramos, mas em relação a outros países poderíamos ter evoluído mais”, afirmou Roriz. Ele cita como exemplo os indicadores sociais do Brasil. “Nossos indicadores sociais evoluíram, mas com o tamanho da carga tributária que temos, deveriam ter melhorado muito mais. O governo tem dinheiro, mas é mal aplicado”.

FONTE: Diário do Nordeste (CE)

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