Urutu

Veículos militares produzidos pela extinta Engesa, e que fizeram sucesso na década de 80 e 90, ganham novo motor e transmissão automática

Raio-X

  • O novo motor utilizado no prótotipo do Urutu gera 230 cv, contra 158 cv do antigo. Um ganho de potência de 72 cv.
  • O protótipo alcançou a velocidade máxima de 110 km/h em terrenos livres e se mostrou apto a chegar aos 80 km/h em situação off-road.
  • Sua autonomia é de 950 quilômetros. Antes das modificações mecânicas era de 750 quilômetros.
  • 226 Urutus e mais de 600 Cascavel devem ser restaurados.

vinheta-clipping-forteDado como acabado, já que as unidades existentes há anos estavam estacionadas nos pátios dos batalhões do Exército Brasileiro, o blindado Engesa EE-11 Urutu pode retornar à ativa. O veículo, destinado ao transporte de tropas, também tem como uma das suas principais características o fato de ser anfíbio, mesmo pesando 13 toneladas. Essas qualidades justificaram, em grande parte, sua aceitação pelas forças armadas de vários países da América Latina.

Devido a seus atributos, o Exército Brasileiro optou por reativar os 226 Urutus e mais de 600 Cascavel (blindado de concepção mecânica semelhante à do Urutu) que estão em inatividade. Com motor bastante ultrapassado, uns com câmbio manual e outros com câmbio automático, porém em grande defasagem em relação à tecnologia existente no momento, deverão passar por uma grande reformulação para voltar à atividade. Com essa reforma os veículos militares estarão aptos para operar por, no mínimo, mais 15 anos. Isso é o que garantem as empresas que estão envolvidas no processo de restauração dos blindados, e que fizeram um protótipo para avaliação do exército.

Protótipo

Urutu por dentroNo modelo atualizado o antigo motor Mercedes-Benz OM 352 foi substituído pelo OM 366 LA militarizado, o que proporcionou um grande ganho de potência (de 158 cv para 230 cv) e, consequentemente, mobilidade. A caixa de marchas original Mercedes G3-36 mecânica foi trocada por uma transmissão automática Allison da série 3000, gerenciada eletronicamente, que vem acoplada à caixa de transferência Engesa que foi totalmente revisada. Nos primeiros testes realizados, o protótipo alcançou a velocidade máxima de 110 km/h em terrenos livres e se mostrou apto a chegar aos 80 km/h em situação off-road. Sua autonomia também aumentou significativamente, passando de 750 para 950 quilômetros.

Segundo Glauco Bueno da Silva, gerente geral da Engemotors, empresa pertencente ao Grupo Brasilia Motors, que está procedendo a atualização dos veículos de combate, “um dos motivos da utilização do câmbio automático em todas as unidades do Urutu ou Cascavel fica por conta da geração da maior facilidade de condução. Em um carro de combate, quando em situação de batalha, é muito mais complicado o piloto manter parte da sua atenção dedicada a passar marchas, usar embreagem, escolher a melhor marcha para determinada situação, etc. Com o câmbio automático, o piloto fica liberado dessas atividades adicionais e pode ficar mais atento para as operações de guerra”.

Todos os demais sistemas de funcionamento do protótipo foram revistos, entre eles: freios, eixos cardãs, borrachas de vedação da carroceria, pressurização dos diferenciais, suspensão boomerang e bomba de porão. Os resultados mostram que com as melhorias tecnológicas e mecânicas que foram introduzidas as unidades inativas do Urutu podem ser reativadas e serão muito úteis para o Exército Brasileiro.

FONTE / FOTOS: Gazeta do Povo

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23 Responses to “Urutu e Cascavel ganharão vida nova” Subscribe

  1. Phaco 2 de março de 2010 at 23:54 #

    Que bela notícia!
    Veículos militares desenvolvidos inteiramente no Brasil e que não merecem ficar enferrujando!
    Vida longa às “Cobras” brasileiras!

  2. Bronco 3 de março de 2010 at 1:02 #

    Ué, mas essa revitalização das unidades (do Cascavel, pelo menos) já não estava sendo feita desde 2002 no Arsenal de Gerra de São Paulo?

    Eu lembro que um lote inicial de pelo menos 500 veículos estava passando por revisão geral, retomada em 2005. Lembro também que a revitalização era praticamente uma linha de montagem de veículos novos, mas não lembro se incluía troca de motores.

  3. Bronco 3 de março de 2010 at 1:13 #

    E esqueci de dizer que a notícia é estranha, pois ao que me consta as unidades de Cascavel e Urutu somam pouco menos de 700 unidades.

    Portanto, estranhos estarem os números de 226 Urutu (lembrando que muitos estão no Haiti) e 600 Cascavel encostados quando, na realidade, o número de Cascavel no EB, salvo engano, era de algo em torno de 430 unidades.

    A conta só bateria se constassem aí os veículos retirados de serviço na MB. Esses não sei quandos foram. Alguém pode ajudar?

  4. Felipe Cps 3 de março de 2010 at 9:01 #

    Notícia bem estranha, levando-se em consideração os fatos que o Bronco mencionou, além do fato de que estaria vindo aí em tese a tal VBTP da Iveco, que substituiria o Urutu (o Cascavel é veículo de reconhecimento da Cavalaria Mecanizada).

    De qualquer maneira, é melhor tê-los do que não ter, nem que seja para treinamento da Infantaria/Cavalaria.

    Sds.

  5. Bernardo R. 3 de março de 2010 at 15:58 #

    Concordo que táa meio bizarro…
    Gazeta do povo…. sei não…

    mas qnt ao comentário:
    Phaco em 02 mar, 2010 às 23:54

    Que bela notícia!
    Veículos militares desenvolvidos inteiramente no Brasil e que não merecem ficar enferrujando!
    Vida longa às “Cobras” brasileiras!

    Desenvolvidos parcialmente no Brasil, temos peças e mais peças e mais peças importadas……

    mas como disse o Felipe Cps, é muito melhor tê-los do que não tê-los!!

  6. JACUBAO 3 de março de 2010 at 16:51 #

    Exelente notícia. Se o equipamento ainda tem vida útil, por quê não modernizá-los? Acho que é totalmente viável recuperálos e manter a força equipada e cumprindo suas funções constitucionais, afinal de conta, todos os países do mundo modernizam seus equipamentos mais antigos, e isso inclui as grandes potências.

  7. Paulo Costa 3 de março de 2010 at 20:23 #

    Os Urutus e Cascaveis foram reformados no Arsenal de Guerra de
    SP,tem um site que mostra as diversas etapas da reforma,acredito
    que tenha sido reformados ,nova pintura ,suspensão,sistema eletrico
    comunicação,pneus,e o motor e caixa de marcha foram revisados,estes
    motores e caixas,devem ter sidos mantidos e provavel que foram
    descontinuados e o preço de manutenção fica maior do que trocar
    para novos motores e caixas.Veja o site do Arsenal,e acredito que
    o topico é a sequencia dos serviços.Estas viaturas pesam 13t,que no Hercules ainda leva mais 7t de homens e equipamentos,e o Cascavel
    com o canhão de 90mm ainda impõe respeito,e o mais importante,
    feito aqui,ja provado e temos em quantidade.

  8. TADEU. 3 de março de 2010 at 20:30 #

    Muito bom. Bem pensado.!!!!!!!!

  9. Baschera 3 de março de 2010 at 21:48 #

    Senhores,

    Baseio-me nas informações do Reginaldo Bacchi, que diz que a ENGESA entregou ao EB mais ou menos 404 Cascavéis e 272 Urutus.
    Mas a notícia se refere mais ao valor que ainda representam tais veículos no arsenal do EB. Na verdade não se pode dizer que será uma “modernização”, mas na minha opinião, uma revitalização mínima e de custo mais acessível. O AGSP (Barueri-SP) já vinha fazendo este trabalho nos EE-9 e EE-11, mas a cadência é muito baixa (cerca de 25 und./ ano). A urgência está nos EE-11 Urutu usados insistentemente no Haití, onde sofrem desgaste imenso. Até por que, os Guaraqni (Urutu III) vão demorar muito ainda para serem operacionais.

    Sds.

  10. Paulo Costa 4 de março de 2010 at 0:10 #

    A movimentação de serviços e peças dos Urutus e Cascaveis deve ser
    maior que imaginamos,os do paraguai foram reformados de cortesia
    por nos,os da Libia,me pareçe que compraram peças para fazer o serviço por la,o Iraque reformou un 30 por la mesmo,sem contar na
    AL que tem centenas desta familia ja fazendo reforma.O urutu da foto parece novo e nas cores do EB,os da ONU ja saem pintados de branco.Os Cascaveis da Libia eram ja na epoca mais capazes,com motor melhor,cambio automatico,ar condicionado para o deserto,mira laser,e se sairam bem numa batalha no deserto,dai o inicio da fama.

  11. Marcos 4 de março de 2010 at 0:24 #

    Qdo alguma empresa nacional irá encarar o desafio de projetar e produzir blindados de esteira tipo “osório”?

  12. Felipe Cps 4 de março de 2010 at 10:39 #

    Marcos em 04 mar, 2010 às 0:24:

    “Qdo alguma empresa nacional irá encarar o desafio de projetar e produzir blindados de esteira tipo “osório”?”

    R: sem o governo comprometendo-se a comprar em larga escala? NUNCA!

    (já chega uma Engesa)

  13. Jacubão 4 de março de 2010 at 11:25 #

    Nunca mesmo.

  14. Neĥemiá de Gois 4 de março de 2010 at 11:34 #

    Anteriormente foi publicado na net, que haveria um programa extenso para o re-potência mento das citadas viaturas ( PROJETO FÊNIX – 2003 UM NOVO FUTURO PARA BLINDADOS SOBRE RODAS NO EXÉRCITO BRASILEIRO) . Ocorre que melarão o negocio, porem depois o EB teve de utilizar os urutus sem o prepara que poderiam ter tido.Gostaria de sugerir a leitura de uma matéria publica em 2003, no seguinte endereço http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/arq/Art%2020.htm

  15. Artur Paulo 5 de março de 2010 at 12:35 #

    Sim, mas temos que levar em conta Felipe e Bronco três fatos, um deles é que informações nem sempre são corretas em se tratando de números, principalmente quando se tratam de informações sobre equipemento que estão ativo, outro fato é as Vtr que passaram por uma reforma assim passaram somente de forma superficial, e esa atual reforma tem por objetivos manter as nossas Vtr ativas até a entrada da nova VBTP e VBR da Iveco, pois se tirássemos hoje todas de serviço, apesar da inatividade das mesmas, teríamos um déficti muito grande. Ainda espero que esse Urutus venham a ser utilizas após a entrada em serviços das novas VBTP em missões secndárias ou ainda pelas polícias, descartando de vez alguns caveirões. Claro que temos projetos mais atualizados da Avibrás, Imbra, Agrale e etc. mas essas cobras poderiam servim muito bem como postos de comando, ambulância, reboque, diretores de tiro, Vtr de telemática, transporte de grupos especiais e etc… Nao colômbia existe uma versão menor do Urutu, adpatada lá mesmo em 4×4.
    Força e Honra amigos

  16. Marco Antonio Lins 5 de março de 2010 at 14:24 #

    Ilmo Srs.

    Os “Cascavel” poderiam recebber torres mais modernas,com canhões
    de cadencias rapidas, de 30mmm?

  17. lucas lasota 5 de março de 2010 at 19:44 #

    A noticia nao e estranha senhores, mas natural, devido ao tempo da entrada em servico da nova viatura blindada sobre rodas.

    Levara pelo menos, 10 anos para que se tenha um numero consideravel das ditas cujas e neste intervalo, como o EB ficaria. A solucao economica natural seria a modernizacao.

    Vendo as fotos mais de perto, nota-se uma modificacao muito interessante que deve ter sido considerada, provavelmente, das licoes aprendidas no haiti. Nota-se que na cabine do piloto possui tres telas de cristal liquido e na outra foto aparece um tubo metalico acima da cabeca do piloto que parece ser uma camera.

    Creio que a alta exposicao dos tripulantes em um ambiente de combate urbano e as dificuldades de manobra fez com que o EB adotasse tal melhoria. Sem duvida o comandante do do carro tambem deve ter a sua tela.

    Melhorias, sem duvidas, bem vindas.

  18. lucas lasota 5 de março de 2010 at 19:48 #

    Marco Antonio,

    Exite uma versao do Urutu que e armado com um canhao de 20 mm. o Exercito da bolivia o utiliza http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/BH6x6.pdf

    Entretanto, creio muito inviavel a modificacao destas antigas viaturas para a acomodacao de um canhao de 30 mm.

    Logicamente que a nova VBR devera ter uma versao armada com tal canhao.

  19. Mauricio R. 6 de março de 2010 at 13:05 #

    Bem, ao menos espero que este projeto não termine como terminou o projeto de upgrade do M-113.

  20. Ricardo_Recife 6 de março de 2010 at 13:52 #

    E como vai ficar a blindagem ? De que adianta modernizar, colocar motores novos se eles não aguentam um tiro direto das armas mais modernas. No Haiti eu li que um tiro chegou a atravessar a porta de um Urutu e feriu um soldado no coturno.

  21. Felipe Cps 6 de março de 2010 at 14:49 #

    Maurício, como ex-boina preta, acho que o enterro do projeto de modernização do M-113 foi a melhor coisa que o EB fez.

    Sds.

  22. Felipe Cps 6 de março de 2010 at 14:52 #

    Ricardo_Recife em 06 mar, 2010 às 13:52:

    Ricardo, blindagem de VBTP não é feita para suportar tiro direto senão no quadrante frontal. Ela é feita para proteger a tropa de estilhaços, apenas. Pouquíssimas blindagens de VBTP no mundo suportam tiro direto de calibres superiores a 7,62 X 51 mm.

    Sds.

  23. giltiger 8 de março de 2010 at 2:31 #

    O que eu achei um pouco bizarro é que se esta “atualização” do Urutu irá dotar o carro de capacidade no valor de 110 Km de velocidade máxima no asfalto e de 80 Km/h em off-road e de alcance no total de 950 Km. Se estes dados forem corretos…

    Considerando os valores divulgados pelo seu sucessor Guarani da Iveco na matéria aqui mesmo no Forças Terrestres…
    Velocidade 105 Km/h na estrada, 70 Km/h off road e alcance de 600Km.

    Claro que tem a diferença de PESO de 18 toneladas do Guarani para as 13 toneladas do Urutu…

    Mas é no mìnimo embaraçoso para a IVECO e ao projeto Guarani esta atualização do velhinho Urutu… he he…

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