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Agentes da Abin criticam acompanhar prioritariamente trabalhos dos movimentos sociais

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Tânia Monteiro

Em clara demonstração de que um clima de tensão permeia o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e os funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Associação Nacional dos Oficiais de Inteligência (Aofi) publicou em seu site nota na qual critica o foco definido pelo seu chefe, o ministro e general José Elito Siqueira, de o órgão acompanhar prioritariamente trabalhos dos movimentos sociais.

Agentes consultados pelo Estado classificaram a prática como “atrasada”, lembrando do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI), que funcionou durante a ditadura. Na nota, a associação defende ainda a “necessidade de reestruturação do órgão” e pede amplo debate sobre “o papel da inteligência de Estado e como deve ser estruturada para melhor servir à instância máxima da decisão”.

É o segundo confronto entre a “comunidade de inteligência” e o general. Em fevereiro de 2011, início do novo governo de Dilma Rousseff, os servidores da Abin redigiram documento e conseguiram audiência com um assessor presidencial para entregar uma carta com críticas. Nela, pediam que a Abin não tenha nem subordinação militar, nem policial, e chegavam a fazer um trocadilho, com o filme Tropa de Elite, dizendo que não queriam ser da “Tropa de Elito”.

As tensões se acirraram entre GSI e Abin, a ponto de o general Elito nem ter comparecido às comemorações do dia do profissional de inteligência, em 6 de setembro e, na avaliação de diversos segmentos do setor, “ignorar” o que se passa na agência. Na nota publicada no site, ao criticar o foco da agência para analisar movimentos sociais, a Aofi classifica a decisão como “nefasta”: “É nefasto aceitar que seja correto o acompanhamento pela inteligência de Estado desses movimentos”.

A afirmação veio em reposta à revista IstoÉ, que sugeria que representantes da associação aproveitavam da posição para participar de reuniões do comando grevista de servidores públicos e manter o órgão informado sobre a categoria. O acompanhamento dos movimentos sociais é criticado pelos servidores de vários segmentos do órgão. Esta prática foi reintroduzida pelo general Elito, que ao chegar ao GSI, definiu um “mosaico” de temas que devem ser acompanhados pela Abin. Além de movimentos grevistas, em particular a greve do serviço público, a situação de garimpeiros e índios, e as enchentes no País, atenção especial é dada à dengue.

“Embora seja um problema de saúde pública, no que pode ameaçar a segurança nacional um surto de dengue?”, disse um servidor ao Estado. Para outros agentes, o general “filtra” dados que só chegam ao conhecimento de Dilma com atraso de “dois ou três dias, e de forma superficial”. O GSI não quis se pronunciar sobre as queixas da associação. E a Abin informou que quem trata de assuntos da Agência é o GSI.

FONTE: O Estado de São Paulo

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Giordani
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Giordani

Deixando as brincadeiras sobre a ABIN de lado, a lógica diz que é preferível saber um pouco de todos a não saber nada de ninguém…não vejo mal nenhum em a ABIN manter um olho sobre esses movimentos, uma vez que é sabido que muita grana do erário público se perde por ali…tem muito “movimento social” que só existe com o uso do dinheiro público, bancado pelos atuais dirigentes do Estado…

nunes neto
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nunes neto

Giordani, concordo contigo, meu pai sempre diz que é de certos” movimentos por terra” que nascem grupos guerilheiros.

ernaniborges
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ernaniborges

Se o pessoal da ABIN (ou o órgão de o antecedeu) tivesse acompanhado desde o início o trabalho das ONGs nas comunidades indígenas, apenas como exemplo, não teríamos chegado ao ponto em que chegamos, em que parte considerável do nosso território corre o risco iminente de fragmentação, sob a égide de alguns dos nossos pretensos “parceiros estratégicos”.

Requena
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Requena

Isso tem nome “insubordinação”.
Que os envolvidos sejam punidos exemplarmente.

ernaniborges
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ernaniborges

Concordo com o Giordani. E mais: O acompanhamento dos movimentos psicossociais é um trabalho chato e cansativo, principalmente para quem trabalha na “ponta”, mas é um mal necessário.
A maioria das pessoas prefere trabalhar em um ambiente interno, com ar condicionado e cafezinho à disposição. Mas até aí, há a necessidade daqueles que se dispõem a colocar a mão na massa.

ernaniborges
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ernaniborges

Requena: O problema parece estar na forma de seleção de pessoal. Segundo nossa constituição, a admissão no serviço público deve ser feita por concurso público. Até aí, tudo bem. Mas, existem peculiaridades em algumas funções públicas, que exigem mais que a formação acadêmica do candidato. O perfil psicológico necessário para algumas atividades requer uma seleção individualizada, que não cabem numa prova objetiva.

ernaniborges
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ernaniborges

onde se lê “…que não cabem numa prova objetiva.”
leia-se “…que não cabe numa prova objetiva.”

Renato.B
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Renato.B

Mas isso já é algo previsto. É para isso que existe teste psicotécnico, teste físico e, no final das contas, o estágio probatório.

Que me lembre a única situação em que o funcionário público não deve cumprir instruções superiores é no caso de ordem manifestamente ilegais. Mas, considerando apenas o texto da notícia, esse não parece ser o caso.

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[…] employees of ABIN, represented by the National Association for Intelligence Officers (Aofi), reported in a note that they feel uncomfortable with the focus put on spying on social movements under […]