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Comandante do Exército volta a criticar uso de militares em ações de segurança

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Brasília – O comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Boas, participa de audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional para debater a situação dos projetos estratégicos das Forças Armadas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Alex Rodrigues

O comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, voltou a criticar hoje (5) o uso das Forças Armadas em ações para garantir a manutenção da lei e da ordem em cidades.

“Não gostamos de participar das chamadas Operações de Garantia da Lei e da Ordem”, disse Villas Bôas durante audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

No mês passado, no Senado, o comandante do Exército já havia feito a mesma crítica. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, também afirmou, em junho, que há uso excessivo das Forças Armadas em ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

De acordo com o comandante, a ação dos militares no Complexo da Maré, que durou de abril de 2014 a junho de 2016, foram gastos cerca de R$ 400 milhões. “Podemos dizer que foi um dinheiro absolutamente desperdiçado. O governo está revendo este tipo de emprego [das Forças Armadas], que é inócuo. E, para nós, é constrangedor”, ponderou Villas Bôas, argumentando que, após 14 meses de ocupação militar, a situação no complexo voltou a se deteriorar.

Realizadas com autorização presidencial, as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) são episódicas e por tempo predeterminado. Constitucionalmente, só são permitidas em casos em que agentes de perturbação coloquem em risco a integridade da população e o funcionamento das instituições.

Após os últimos militares deixarem o Complexo da Maré, em junho de 2016, o Ministério da Defesa divulgou nota em que afirmava estarem estabelecidas as condições para que as antigas facções criminosas fossem definitivamente desarticuladas. E que serviços públicos pudessem ser restabelecidos e ampliados. Durante a ocupação militar, mais de 550 adultos foram presos e 254 adolescentes apreendidos, além da apreensão de drogas, armas, munições, veículos e materiais diversos. A taxa anual de homicídios na região da Maré caiu de 21,29 para 5,33 mortes por 100 mil habitantes durante a chamada Operação São Francisco. A presença militar, no entanto, foi alvo de críticas e um soldado morreu em novembro de 2014, atingido por um tiro na cabeça durante confronto com criminosos.

Villas Bôas comentou que durante a paralisação da polícia militar no Espírito Santo — quando as Forças Armadas também foram acionadas — os militares temiam que a situação se repetisse, com consequências mais graves, no Rio de Janeiro, onde policiais também reivindicavam reajuste e pagamento de valores atrasados. “A Operação Capixaba foi muito delicada. Estávamos temerosos”, disse o comandante.

Militares do EB treinando GLO

Intervenção militar

Sobre pesquisa de opinião feita no Rio de Janeiro em que uma parcela dos entrevistados afirmou defender uma intervenção militar no país, Villas Bôas disse que considera “um indicador extremamente negativo para o país”. Para o comandante, a concepção errônea acerca do papel das tropas militares é “algo que o país ainda não superou, que está no seu inconsciente coletivo”. Ele relembrou que durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, parte das pessoas que foram às ruas, também levantou essa possibilidade.

Villas Bôas, porém, destacou como positivo a “moderna concepção” de que os militares devem participar de outras atividades que não apenas o patrulhamento das fronteiras e de defesa da soberania nacional.

“Há 14 anos distribuímos água para 4 milhões de habitantes do Nordeste. São quase sete mil ‘pipeiros’ quase 900 municípios, uma tarefa gigantesca em que empregamos diariamente quase 900 militares. Além disso, participamos de campanhas de vacinação, de combate à dengue, apoiamos órgãos de defesa do meio ambiente, como o Ibama, e auxílio à defesa civil. Este sim é um conceito moderno de uso das Forças Armadas empregado em quase todo o mundo.”

FONTE: Agência Brasil

16 COMMENTS

  1. A escalada do crime nos e dos guetos cariocas, pela proporção escandalosa que assumiu, merecia integração total das forças de segurança pública de todas as esferas, com cerco e sufocação dos criminosos, incluindo, sim, mesmo com a resistência de seus integrantes, o uso do Exército e dos Fuzileiros Navais! Como feito para dar satisfação somente à comunidade internacional às vésperas da Copa do Mundo de Futebol e das Olimpíadas no Complexo do Alemão.

    A maior parte das tropas federais na cidade estão na sua enfadonha e repetitiva rotina diária administrativa e o centro urbano incendiado pela insegurança pública! Que já deixou, há muito, de ser um caso apenas de polícia.

    Ou, digam-me, o que as tropas federais sediadas no Rio de Janeiro estão fazendo agora? Ordem Unida? Pintando meio fio e base de árvores com cal? Varrendo folhas no chão? Educação Física? E querem ir para o exterior participar de forças de pacificação no Caribe, África e no Oriente Médio? Não querer pacificar a própria casa e querer pacificar a casa alheia é uma hipocrisia patética!

    Sim, mas força de pacificação no exterior recebe soldo em dólar aí o comandante do Exército não fala, como falou recentemente acerca do patrulhamento urbano no Rio de Janeiro pelo Exército: “Nós não gostamos!”

    Enquanto isso o também comandante do Exército, com um argumento cínico, e não menos demagógico, diz que não quer fazer patrulhamento no Complexo da Maré “pra não apontar as armas para população brasileira…” Quanta falácia!

    A verdade é que lá, como em todos os “complexos” cariocas a guerra é real! E não fictícia como nos mapas e manobras que a tropa terrestre faz ao longo de sua vida na caserna, cujas fatalidades ocorrem somente em acidentes e não situações de confronto com o inimigo.

    A “guerra externa” que os militares brasileiros esperam nunca ocorrerá, e eles sabem disso, e se ocorrer alguma num nível de magnitude que os demande, não serão 200.000 homens, dos quais mais da metade conscritos, mal formados, mal equipados, que fará frente a um inimigo externo que pela força militar queira nos subjugar ou a algum de nossos interesses.

    Mal compomos uma força internacional quando convocados e sempre dela dependeremos para qualquer, repito, qualquer objetivo militar de grande escala, inclusive a defesa própria se a diplomacia nos faltar.

    A nossa guerra real hoje, querendo ou não, é urbana, general e demais comandantes militares, aproximadamente 60.000 pessoas assassinadas em 2016 no Brasil! 60.000! E não podemos nos dar ao luxo de sustentarmos uma instituição armada para ela escolher o combate que quer ou não lutar! Se for assim, desmobilize-se o Exército e criemos uma Gendarmeria para nossos conflitos internos que nos será muito mais útil!

  2. Este senhor anda falando demais e tirando muita fotografia com bandidos do executivo, legislativo e judiciarios. Sera que ele vai se milindrar quando seus subordinados tambem comecarem a ser fotografados tambem fardados junto com outros exoentes da politica nacionsl?? Sera que esta xom algum problema de saude que esta afetando sua capacidade de julgamento??ou fou picado pela “mosca azul”? Sera que nao ve que o povo que paga o seu salario esta sendo cacado nas ruas e ate dentro de casa por bandidos, traficantes, conyrabandistas e terroristas e que esse povo clama pela acao daqueles que ainda pide confiar, nos militates e ex-miliatets das FFAA e nos nossos Policiais e Bombeiros?? Vai ver esya esperando um ataque dos incas venusianos pata justificar o emprego do Exercito na defesa da Nacso…

  3. Tem uma historia que gosto de comentar sobre a Rio 1992 (uma conferência ecologia que teve naquele ano). Um amigo meu carioca disse que aqueles dias foram os melhores que ele viu por lá porque o exercito apontou os canhões dos tanques para o locais da cidade onde haviam concentração de tráfico, mas hoje em dia os tempo são outros visto que os bandidos conseguem AT4 se quiserem.
    Não sei se o que o General diz está certo, mas toda vez que ele fala uma coisa em público parece mas nos assustar do que tranquilizar.

  4. donitz123 vc foi cirúrgico, mas eu acrescentaria um pouco mais: bom mesmo, além do que vc disse, é organizar banquetes com os oficiais superiores, festas intermináveis e, justamente por isso, a nossa força militar, se é que se pode chamar assim, não tem condições nem mesmo de combater bandidos em favelas, que dirá manter a soberania do País, porque o comando militar está estranhamente tirando o corpo fora já a algum tempo, quando o assunto é manter a Lei e a ordem.

  5. Ele tem razão. Segurança pública não é missão de Exército, e sim de polícia. A contribuição que as FFAA podem dar é exercer efetivo controle de fronteiras, do espaço aéreo e do mar territorial, aonde têm poder de polícia, contribuindo para diminuição do narcotráfico, contrabando de armas e outros descaminhos que alimentam a atividade criminosa. Ao invés de distribuir água, aplicar vacinas ou prestar serviço aquartelados em cidades aprazíveis à beira-mar, é em patrulhas diárias nas nossas fronteiras secas que seus homens deveriam estar neste momento.

  6. Será que o nobre General tem consciência que na Amazônia já atuam grupos estrangeiros, restringindo o direito de ir e vir de cidadãos brasileiros? Lamentável que a população comece a se manifestar contra os militares, além dos “nobres” políticos!

  7. Sou totalmente a favor do Comandante,
    Moro no RJ e o uso das FFAA nas favelas foi, a meu ver , totalmente sem efetividade, para “inglês ver”, os veículos ficavam na entrada e só, la dentro o pau comia.

    É muito fácil, o estado não conseguir lidar com esses problemas e achar que chamando o EB, tudo se resolve. E depois, vamos chamar quem? Os Marines? é como a estória da mulher que trai o marido no sofá da sala. A solução é sempre tirar o sofá!!!

    Sou a favor do uso na segurança de grande eventos internacionais desde a Rio-92 atá as Olimpíadas, mas, em áreas estratégicas, como é feito em outros países. Assim, como operações pontuais, como ocorreu em Brasília.

    Segurança Pública é coisa de Polícia, que são treinados para isso, militar é treinado para a guerra, para matar!! Quero ver quem vai segurar a merda quando um soldado do EB matar uma criança de uma comunidade dessas?

    As FFAA devem sim, agir nas fronteiras , como vem agindo, mesmo sem estrutura e equipamentos para isso, pois tb não podem esperar as benesses do Governo para cumprir a sua missão, as vezes sem apoio do povo e da mídia, que adora ter notícia triste todos os dias para vender jornaleco!!

    Donitz123,

    Você devia conhecer melhor as suas FFAA, pois você fala o mesmo que o povo nas ruas, acham que militar fica no quartel, coçando o saco. Entre nos sites das FFAA e veja as operações e ACISOS que são feitas, principalmente na Amazônia, onde os médicos formados nas UF da vida , pagas com nosso imposto se recusam a ir!!!

    Mas, a cultura do brasileiro médio é sempre a mesma, não temos inimigos , para que ter FFAA???

  8. E Ozawa.

    Muito bonito a sua explanação, mas, eu trocaria estas 200 linhas por um slogam que a nossa mídia Global não tem coragem de divulgar:

    “Gente, vamos parar um pouco de cheirar e fumar”

    Quem sabe sem financiamento, a violência não diminui.

  9. Mandou bem Marcelo, concordo com tudo que você escreveu. Só reforço meu conceito, exposto no post anterior, que o Exército ainda tem seu efetivo mal distribuído, consta que só na Vila Militar no Rio de Janeiro tem algo em torno de 30.000 homens, que poderiam estar vigiando as fronteiras. Outro questionamento meu são as ACISO, sem entrar no mérito das mesmas, mas tanto o Exército como a Marinha têm que suprir as deficiências do GF para suprir demandas da população que são missões eminentemente civis, tipo distribuir água no semiárido nordestino. Desde D. Pedro II existe o Departamento de Obras contra as Secas e até hoje aquela população precisa de pipeiros? São recursos das FFAA que fazem falta à sua atividade-fim. Abraço e bom domingo.

  10. O general está certo. O problema é muito mais complexo para se crer apenas que força resolve. O maior problema são as leis fracas e o mel financiamento das polícias que fazem a ronda e a investigação. Não tem que gastar com o exército para fazer serviço de polícia. Tem que investir na polícia, fazer leis duras para uma pena realmente justa e um processo rápido. Tem que investir em treinamento da polícia, mas não apenas, tem que fazer o trabalho das polícias ser efetivo, que seja, o juiz não soltar o bandido ainda no fim da tarde. Então é necessário que se tenham leis mais rígidas, ao menos para crimes violentos contra a vida. O exército é uma instituição respeitada pelos Brasileiros, mas isto não signifique o exército seja perfeito para fazer serviço de polícia, ou por exemplo, para administrar instituições democráticas em cargos políticos. Corre-se o risco do fiasco, e o exército perder prestígio. Então, parabéns ao General pela lucidez.

  11. Sempre fui pelo Posse Comitatum.
    As FAs devem, unica e exclusivamente, se dedicar a agressões externas.
    Os militares argentinos durante o governo de sua Junta Militar se ocuparam da segurança (repressão) interna. Na hora que os ingleses chegaram, estavam despreparados.
    Há instituições policiais suficientes para o serviço.

  12. Parabéns Marcos pela lucidez, lugar do exército é na fronteira, do que adianta gastar 400 milhões de reais, se quando as polícias assumem volta-se tudo ao normal ? será que o exército vai ter que ficar lá pra sempre ? vai virar um força policial ?. Toda vez que o exército sobe favela ele não pode usar seu poder de fogo, só se atira se atirarem primeiro o que causa varias cenas de meliantes armados de fuzil mostrando o dedo para soldados sem que estes posam disparar.

    Usa-se o exército para tudo, de dengue até campanha do agasalho, dinheiro que este que poderia ser usado em tanques, helicópteros etc..

    Pessoal adora dizer que militar coça o sa… no quartel, mas até atirador de TG virou pau pra toda obra da prefeitura.

  13. A questão q o Cmt se refere é simples. Gastou-se muito e o resultado foi nenhum.. Por que? Porque municipio, estado e União não fizeram mais nada…. não adianta desgastar a força gastando milhões e nada acontecer.
    Se empregar o EB, tem q resolver. Tem de haver participação de todas as expressões do poder para realmente normalizar o local.

  14. Na minha opinião , se for para usar o EB contra traficantes em favelas e tal então tem que dar liberdade e autoridade total para que se faça o serviço por completo . Vagabundo com fuzil na mão é alvo, vagabundo em esconderijo usando buracos pra tiro de fuzil é alvo de .50 e que se mande os direitos dos manos pros quintos. Já ta foda a falta de segurança neste país. Fora isso que se invista em equipamentos para que o EB,FAB e MB fiscalize ,com segurança(com eqp decentes) as fronteiras. E que se distribua melhor os quantitativos de militares na ativa os alocando mais próximo às fronteiras as quais são extensas.

  15. todos os comentaristas estão certos e possuem razões para expor as ideias. existe também a questão chamada “arapuca”: As Forças Armadas sendo empregadas em segurança pública, logo a mídia sensacionalista e ideologia; sempre contrária, estaria justificando à atuação daquelas contra “população indefesa que vive nas comunidades”. logo, logo estaria tal qual PM sem credibilidade e isto é que a política ‘progressista” deseja. Muitos pedem intervenção federal mas desconhecem que é isto que a esquerda e oportunistas criminosos do poder desejam: se tornarem vítimas saindo como heróis tendo a mídia expondo os militares das forças Armadas como repressores. Dever das forças Armadas é vigilância preservação e defesa da soberania nacional. devem estra nas fronteiras impedindo junto com a PF a entrada de armas, drogas e forças estrangeiras de ocupação de nosso território. Deve-se preparar a força com profissionais desde o soldado ao oficial e isto deve ser feito para vigiar nossas fronteiras e não para ficarem tomando conta de eventos cujo deveres são das forças públicas estaduais e municipais. O soldado ,principalmente do EB em sua maioria é conscrita, não está preparada para assumir atribuições que cabe à polícia. O conscrito tem pouco tempo, é mal preparado e equipado seria um crime maior ainda colocar um jovem que só possui preparo inócuo em seis meses e dar-lhe um fuzil para ter poder de polícia em uma “comunidade” ou área urbana nas suas complexidades.

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