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‘O professor pagava meu almoço’: jovem de periferia aprovada no IME

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A estudante Bárbara da Costa viajou para o Rio para fazer a matrícula com passagem comprada com as milhas de um professor – Foto: Ricardo Borges/BBC Brasil

Camilla Veras Mota
Da BBC Brasil em São Paulo

Bárbara da Costa Araujo matou a curiosidade de conhecer a sala de embarque do aeroporto de Fortaleza há poucas semanas. Apesar de morar há anos em um dos bairros no entorno do aeroporto, até então a experiência dela com o terminal se resumia ao barulho dos pousos e decolagens.

Com passagem só de ida – comprada com as milhas de seu professor de matemática -, a jovem de 19 anos tinha como destino o Rio de Janeiro, onde faria sua matrícula no Instituto Militar de Engenharia (IME).

É dela uma das 98 vagas disputadas em um dos vestibulares mais exigentes do país, em uma maratona de provas com ênfase nas matérias de exatas, feita por quase 6,3 mil alunos de todo o país.

“As provas discursivas de matemática e física são as mais difíceis do país, mais do que as do ITA”, diz Francisco Antônio Martins de Paiva, o professor Max, que acompanhou a jovem e que há 20 anos dá aulas em turmas preparatórias para as provas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do IME. “A gente brinca que, se um professor conseguir acertar metade das questões, a escola pode contratar (para dar aula nas turmas regulares) de olho fechado”, completa.

O perfil de Bárbara destoa da grande maioria dos aprovados no instituto – e nos cursos mais disputados das demais instituições de ensino superior do país -, egressos de escolas particulares e de classe média e alta.

Ela é a primeira pessoa da família a entrar na faculdade. A avó e a mãe, com quem morava em uma casa simples, trabalharam praticamente a vida inteira fazendo faxinas.

Ela estudou até a 8ª série em uma escola estadual do bairro perifério da Vila União, cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0,467, equivale a pouco mais da metade do registrado em Fortaleza, 0,732, de acordo com dados de 2014 compilados pela prefeitura.

O indicador é construído a partir de dados de renda, saúde e educação de cada região; quanto mais próximo de 1, mais desenvolvida ela é.

No fim do ensino fundamental, em 2012, Barbara disputou com outros 400 jovens de bairros carentes uma das 20 bolsas custeadas por uma ONG de educação. Se fosse selecionada, poderia cursar o ensino médio em uma escola particular. Vencidas as nove etapas do processo, Bárbara foi matriculada no ano seguinte.

De ônibus, o trajeto até a nova sala de aula, no centro de Fortaleza, era de mais ou menos uma hora. Tempo que ela considera razoável, já que o namorado – também bolsista do mesmo programa – acordava às 4 da manhã para ir de Caucaia, cidade-satélite da capital, a Fortaleza.

O nível da turma era alto, ela lembra, mas os anos de estudos para Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) – sempre por conta própria, já que a mãe sempre a deixara “muito solta” – ajudaram no primeiro ano.

Com bom desempenho, ela conseguiu uma vaga nas turmas especiais preparatórias para os vestibulares do IME, que têm mais aulas de matemática, física e química.

“Foi um baque, tirei o primeiro 4 da minha vida, em física. Foi horrível”, ela conta. Bárbara abriu mão das olimpíadas de matemática para se concentrar no pré-vestibular e as notas melhoraram. Na primeira tentativa, ela foi aprovada em engenharia na Universidade Federal do Ceará (UFC), mas queria mais.

O problema é que a bolsa financiada pela ONG só se estendia até o terceiro ano do ensino médio. A escola topou custear o curso extensivo. No primeiro ano, contudo, o mal de Parkinson que acometia o avô piorou. A mãe parou de trabalhar para cuidar dele.

O orçamento da família, que já era apertado, ficou ainda mais restrito. Um dos remédios de uso contínuo custava R$ 35 por semana. “Isso era muito pra gente”.

O avô faleceu e, depois daquele ano difícil, Bárbara não fez boas provas.

A pressão para que a jovem começasse a trabalhar aumentou – a aposentadoria do avô era parte importante da renda doméstica – e, no segundo ano de cursinho, a escola ofereceu a Bárbara uma vaga no alojamento que mantém para hospedar alunos carentes vindos do interior do Ceará e de outras partes do país com potencial de aprovação. “Isso ajudou a me afastar um pouco dos problemas”.

Um dos professores pagou seu almoço durante todo o ano letivo e outro contribuía com algumas despesas esporádicas com as quais ela não conseguia arcar.

O professor Max foi buscar Bárbara no dia da mudança – para surpresa dele, restrita a uma mochila e um saco de supermercado. “A casa era um espaço entre dois imóveis, um vão de dois ou três metros, que a família cobriu e colocou uma porta improvisada. Sem estrutura nenhuma”, ele lembra.

‘Aos 21 anos, eu não sabia somar frações’
A realidade não era tão diferente da história do próprio professor. Max nasceu em Canindé, no interior do Ceará, e cresceu numa vila em que os moradores dividiam todos o mesmo banheiro. “Em casa não tinha uma mesa, eu estudava na rede”, conta.

Em 1992 prestou o primeiro vestibular para História e, no início do curso, descobriu que era apaixonado por matemática. “Aos 21 anos, eu não sabia somar frações. Comecei a estudar sozinho, o que me abriu a possibilidade para que começasse a dar aulas particulares para ganhar algum dinheiro”.

Ele mudou de curso, virou professor em uma escola pública e, pouco tempo depois, foi convidado por uma escola particular – para dar aulas de ciências.

No esforço para adquirir conhecimento por conta própria, resolvia dezenas de provas. Foi assim que descobriu os testes do ITA, entre os mais difíceis do país. “A primeira vez que peguei uma prova, não sabia resolver uma questão. Pensei na hora: ‘opa, é isso aqui mesmo que eu quero'”.

O que começou como desafio virou vocação. Há 20 anos ele é titular das turmas especiais do pré-vestibular.

“Também tive gente que acreditou em mim”.

Desigualdade de oportunidades
Histórias como a do professor Max e a de Bárbara são exceções. “Muito do futuro de quem nasce no Brasil está determinado por suas condições socioeconômicas quando nasce”, diz o pesquisador do Insper Naercio Menezes Filho, estudioso dos temas de educação, mercado de trabalho e desigualdade.

“A diferença entre o sistema público de educação e as escolas privadas, entre outras razões, alimenta uma desigualdade de oportunidades que é enorme no país”, acrescenta.

Para se ter uma ideia, ele exemplifica, filhos de pais analfabetos têm 3% de chance de concluir o ensino superior – percentual que cresce para 70% quando os os pais passaram pela universidade.

A escolaridade, por sua vez, é determinante para definir o nível de renda e até onde o salário de cada um pode chegar. No Brasil, a remuneração média de quem tem ensino médio completo é de R$ 1 mil, valor que salta para R$ 4,6 mil para quem conseguiu concluir uma faculdade.

‘Muita gente não teve as mesmas oportunidades’, diz a jovem | Foto: Ricardo Borges/BBC Brasil

Engenheira da Fórmula 1
Bárbara sabe que é uma dessas exceções estatísticas, mas isso não a impede de sonhar alto.

“Eu não gosto que me coloquem limite”, ela disse, inicialmente se referindo ao fato de que muita gente da família e do bairro torceu o nariz quando ela disse que queria ser engenheira.

Apaixonada por carros, quer trabalhar na Fórmula 1. Ao longo da infância e da adolescência ela sempre se imaginou nos boxes que via nas transmissões das corridas pela televisão, trabalhando nos carros que passam pelo pit stop.

“Eu sei, é sonhar alto, mas me deixem sonhar!”, ela diz, rindo.

Com o olho grudado na tela, nos ziguezagues que parecem intermináveis para quem não gosta do esporte, ela ouvia da mãe e da avó: “Barbara, aprende a fazer as coisas de casa, aprende, porque em algum momento você vai casar e nao vai saber fazer nada”.

Insistiam para que ela escolhesse uma carreira “mais feminina”, que fosse pediatra ou professora. “Eu acho que, quanto mais baixa é a classe social, maior é o machismo”, comenta.

O resultado da aprovação saiu no dia 6 de dezembro. Depois de comemorar, a ficha caiu. “Pronto, passei. Agora não tenho dinheiro pra um exame (médico), pra uma passagem”, conta, com bom humor.

O professor Max juntou suas milhas e comprou-lhe o tíquete para o Rio de Janeiro. O diretor da escola descobriu e resolveu pagar os exames médicos exigidos pelo instituto.

“Eu tive muitas oportunidades e gente que acreditou em mim. Muita gente não teve as mesmas oportunidades que eu, sei disso”. Aos amigos, por isso, ela aconselha que agarrem as chances sempre que elas aparecerem.

A jovem optou pelo IME, onde está matriculada como oficial da ativa, por conta do salário que a universidade paga aos alunos durante os 5 anos de curso – além, claro, da possibilidade de cursar mecânica de automóveis.

Ela mora em um alojamento dentro do instituto, localizado na Praia Vermelha, no bairro da Urca.

Bárbara quer mandar parte da renda mensal para a mãe e a avó, guardar um pouquinho para comprar uma passagem “de volta” para Fortaleza – para visitar a família e o namorado, aprovado em engenharia em uma faculdade pública do Ceará – e economizar para comprar, no futuro, uma casa melhor para a avó – o que, para ela, é “o maior sonho”.

FONTE: BBC

74 COMMENTS

  1. A exceção confirma a regra, não a exclui. A Universidade pública gratuita alimenta a desigualdade, e não serão as cotas que equilibrarão o jogo, mas a cobrança de quem pode pagar por um ensino de excelência.

  2. Sem ativismos racial, social ou sexual … Apenas, e tão somente, o esforço individual (e quanto esforço), a meritocracia, e uma dose de mecenato…, muito comum no surgimento das mentes brilhantes …

    Parabéns!

  3. Se cada brasileiro milionário investisse num jovem, só um, muito em breve o Brasil ganharia um prêmio Nobel por ano.
    Isto não é nada para tem filhos que andam em carrões de um milhão de reais (de R$ 300 mil é coisa de “pobre”) e gastam no mínimo R$ 10 mil numa noitada.
    Dinheiro existe. Falta solidariedade e patriotismo.

  4. Parabéns a ela, mereceu ,só não gostei da parte do “machismo” onde não tem nada de machismo .
    Essa desigualdade de oportunidade existe justamente por existir muita escola publica , que só ensina besteira para os alunos.

  5. Há alguns anos, uns 10 anos atrás, um aluno do interior de SP foi aprovado no ITA. Ele era bem humilde também. Na época acho que neme existia cotas.

  6. O sistema de ensino no Brasil filtra “quem tem mais dinheiro” por isso nunca produziu nenhum prêmio nobel sequer.

    Muitas pessoas como essa moça, mas que não possuem um patrono, não encontram lugar em boas universidades, justamente aqueles cujo método de seleção são provas ou vestibulares (enem incluso).

    A admissão no ensino público deveria ser por uma Comissão, um órgão colegiado responsável por “aceitar” o aluno na Academia.

    Vestibular/ENEM é cota pra rico.

  7. O sistema de ensino filtra quem teve o melhor ensino básico e médio. Somente esses conseguem chegar ao topo do ensino superior. A culpa então é de quem teve oportunidade de dar melhor ensino para os filhos? Não, a culpa é do ensino básico e médio de baixíssimo nível.
    Em suma, o problema do sistema de ensino brasileiro não é o acesso ao ensino superior de qualidade, mas sim as péssimas condições de ensino das escolas públicas, as quais tem se ocupado de encher a cabeça do jovem de lixo desde a nova diretriz aprovada ainda na era FHC e reforçada desde então e relega aos mesmos um ensino verdadeiramente de qualidade.

  8. Exato, o governo não tem que ficar criando quota pra gente incapaz chegar onde não merece por ser minoria, tem que melhorar o ensino publico de base, porém é mais facil fazer populismo com a nossa grana que atacar a raiz do problema

  9. Em toda preparação, só progride quem tem bons fundamentos e boa base. Melhorando a educação básica, há melhores oportunidades. Mas o governo só quer escola como campo de concentração para doutrinação…

    Quem quer, consegue. Sem vitimismo, com trabalho duro e vida honrada.

    O resto fica dançando funk e axé, gastando energia com sexo ou video games, perdendo neurônios com drogas, perdendo tempo sendo idiota-útil defensor de ideologia, etc.

  10. Bosco 3 de Fevereiro de 2018 at 14:24

    Instituto Militar de Engenharia e nem por isto menos feminina!
    Empenho, esforço, dedicação e ajudas providenciais.

  11. “João Adaime 3 de Fevereiro de 2018 at 14:10
    Se cada brasileiro milionário investisse num jovem, só um, muito em breve o Brasil ganharia um prêmio Nobel por ano.”
    .
    Está ai um sonho meu…
    Gostaria muito de “bancar” a educação de alguém menos favorecido… Acredito que essa seja a melhor forma de ascensão social/econômica q existe !

  12. Do jeito que falam parece que é muito difícil entrar numa universidade pública.
    Uma pessoa com tempo para estudar de forma autodidata e que tenha um QI acima da média entra tranquilamente, sem precisar de cursinho.
    Se for um curso menos concorrido, nem precisa de um QI acima da média ou de muito tempo para estudar.
    Mas é mais fácil ficar de mimimi do que estudar, por isso, proporcionalmente, entram poucos alunos de escola pública.

  13. Boa sorte nos estudos e na vida militar. A recompensa já chegou, e vai chegar o resto daqui a cinco anos! Emprego invejável, salario bom e vai ser moral! Ou invejinha saudável! kkkkkk

  14. Prezado Alfredo Araújo
    Nos EUA, o país do capitalismo selvagem, é muito comum pessoas bem sucedidas doarem fortunas para as universidades onde estudaram (curso pago). Assim como doarem para pesquisas em diferentes instituições. Tudo devidamente abatível do IR. É a Lei Rouanet deles. A diferença é que por aqui esta lei é usada para festas de casamento, desfiles de moda, gravações de CDs e exposições de “arte” pornô.
    Como eu disse acima, falta solidariedade e patriotismo.

  15. Duas das melhores universidades de exatas do País, IME e ITA, são das FFAA. Lá ninguém usa camiseta do Che (aluno ou professor), e só tem banheiros MASCULINO e FEMININO. Não cumpre sistema de cotas, entra quem é capaz. Meu primo formou-se lá (engenharia mecânica).

  16. Adoro os especialista com muito conhecimento de causa falando sobre educação, especialmente sobre o Ensino Básico público.

    Cel, realmente, o ITA e o IME são excelência! Lamento muito as UFs estarem em decadência, pois poderiam, na sua grande maioria, estar no mesmo patamar caso tivéssemos uma política pública séria de ensino, pesquisa e extensao!

    Enquanto isso, no Chile sanciona uma lei, por quase unanimidade, o Ensino Superior gratuito.

  17. Doug385 ( 3 de Fevereiro de 2018 at 15:21 ),

    É por aí…

    Apenas complementando:

    Há realmente consideráveis equívocos no sistema de ensino. E talvez o maior deles está na concepção de aluno e estudante. É comum confundirmos os dois, quando na verdade são conceitos claramente distintos. E isso vem de antes da era FHC…

    Basicamente, o educando é um ‘aluno’ quando se propõe a entender. Esta é uma atividade passiva ( e pode ou não ser coletiva ). Olhos e ouvidos atentos; boca fechada ( exceto para perguntas ). Aqui, é dever do professor explicar o conteúdo e fazer com que o educando compreenda a matéria.

    A “conversão” do educando a ‘estudante’ ocorre quando o mesmo se propõe a aprender. Esta é uma atividade ativa e ( principalmente ) SOLITÁRIA, que requer concentração. É necessário ao educando “isolar-se” do mundo exterior e começar a replicar aquilo que ele entendeu através do puro e simples exercício. Ou seja, textos devem ser copiados ( MANUSCRITOS ) e equações devem ser resolvidas até que se torne “instintivo”. Somente assim, com o uso das habilidades motoras, o cérebro humano consegue realmente aprender ( sim, não há outra forma de aprender que não seja… fazendo… ). E como estudar NÃO É uma atividade coletiva, então nada de “estudar em grupo”…

    Em ambos, um ambiente disciplinado é fundamental. Absolutamente nada pode interferir na condução da compreensão e do aprendizado. O ideal é ambas as atividades serem separadas, com um período exclusivo para a atividade de compreender e outro para desenvolver o que compreendeu e assim aprender de fato.

    E aí é que está…! Temos escolas abarrotadas de alunos, mas temos poucos que se propõe ou são induzidos a serem estudantes… E um “estado” somente se complementa com o outro.

    Antes de mais nada, deve se entender que metodologias completamente equivocadas vem sendo introduzidas a décadas no sistema de ensino, cujos resultados pífios se tornam óbvios. E isso gerou distorções profundas, logo ao ponto de tratar-se de uma questão cultural. Detalhe: mesmo as escolas particulares não fogem muito disso… Nossos alunos de escolas privadas, salvo algumas ilhas de excelência, estão com um desempenho abaixo de alunos em escolas públicas dos países mais ricos.

    Resumindo, começa com (a) escrever o conteúdo, quer seja o replicado na lousa ou dos livros ( aí incluo também ‘ditado e cópia’, que é uma técnica tremendamente eficiente em se tratando de matérias com amplo conteúdo escrito; notadamente de humanas ) e (b) exercícios escritos… Filmes, slides, computadores; tudo inútil, se não começar pelo básico ( aliás, não raro mais atrapalha que ajuda )…! Enfim, ninguém vai aprender absolutamente nada se não estiver com papel, lápis e borracha na mão.

    E mais uma coisa: não adianta nada botar alunos 8 horas em uma escola, como uns e outros deslumbrados querem fazer… Um educando que se torna bom, é aquele que aprende um pouco todo o dia, e não aquele que deseja aprender tudo de uma vez… É bem possível, com apenas um punhado de horas diárias, ensinar a valer.

    Por fim: poesia, música e artes, coisas que foram absolutamente negligenciadas no Brasil, se constituem em peça fundamental para o desenvolvimento intelectual do indivíduo. E quando falo de poesia, falo de Cheakespere, Camões… Quando falo de música, falo de José M. Nunes Garcia ( um compositor brasileiro extraordinário e virtualmente desconhecido ), Mozart, Beethoven… E quando falo de arte, falo de Rembrandt, Michelangelo, etc…

  18. Parei de ler os comentários com os “viva a meritocracia”. Gente, ela mereceu pelo seu esforço e dedicação imensos, ela tem mérito. É dona de um mérito gigantesco e ninguém vai tirar isso dela. Mas a reportagem mesmo diz, se os professores não ajudassem com dinheiro mesmo, ela nunca ia conseguir. Ela é uma baita exceção. A reportagem deixa claro que a questão econômica é estruturante, a desigualdade social se reproduz na dificuldade de acesso ao ensino superior.
    Se houvesse educação pública de qualidade (basta acabar a rede privada pra isso acontecer, idem com a saúde…), muitas gurias como essa estariam em institutos de excelência. Sou professor de escola pública e vejo jovens brilhantes, inclusive que passam no ENEM / SISU, mas não tem dinheiro para se sustentar fora da sua cidade, e desistem das vagas pra fazer universidades particulares aqui na região. O mérito não decide nada sozinho, ele é parte de um conjunto de fatores, e os outros fatores fogem ao controle do indivíduo, principalmente dos mais pobres.

  19. “O mérito não decide nada sozinho, ele é parte de um conjunto de fatores, e os outros fatores fogem ao controle do indivíduo, principalmente dos mais pobres.”

    Perfeitamente, Fred! Quantos alunos brilhantes que temos e que param de estudar porque precisam trabalhar pra ajudar no sustento da família! Enquanto isso, aqueles q podem pagar, mas nao tem metade da qualidade, estão por ai estudando em universidades caras e se tornarão “doutores”!

  20. Incrível como as pessoas não entendem o significado da palavra “meritocracia”. Meritocracia quer dizer apenas que a forma de ingresso será pelo “mérito”, variando de caso para caso (observando o caso concreto), na situação específica, trata-se de uma prova de conhecimentos (as vezes títulos em concursos, experiência profissional, capacidade fisica etc…).
    Ou seja, não será levando em consideração aspectos que não estão diretamente relacionados com o desempenho da função. A meritocracia MATA qualquer vício ou desvio…essa garota da reportagem entrou EXCLUSIVAMENTE por aspectos meritocráticos: não pela cor, não pelo sexo, não pelo sobrenome, não pela influência social, não pelo partido político, não pelo poder econômico etc…Essa moça só entrou no IME por causa da meritocracia!
    O oposto da meritocracia é tudo aquilo que as pessoas com cérebro mais repudiam…
    Gente, a maior parte da população mundial é pobre, a maior parte das pessoas tem enormes dificuldades em vários campos da sua vida…mesmo quando o sujeito é rico as vezes tem inúmeros problemas de ordem pessoal que acabam por dificultar a sua vida.
    Vamos para de besteiras e vamos para de seguir retóricas de partidos de extrema-esquerda, vamos ser racionais e perceber que os cargos precisam ser preenchidos, não tem como todos serem engenheiros do IME ou médicos da USP. Há uma limitação natural na sociedade…
    É tolerável e aceitável que exista a busca pelos melhores indivíduos para o desempenho da função (O MELHOR vai variar de função para função, as vezes o melhor não precisa ser o sujeito que mais sabe matemática (em referência a matéria), mas sim aquele que corre mais rápido, que nada mais rápido, aquele que é mais criativo, aquele que consegue decorar melhor e mais rápido, aquele tem que habilidades diversas etc…)…simplesmente isto!
    O que não podemos aceitar é o populismo, o uso das dificuldades e problemas sociais em prol de bandeiras partidárias.
    Quanto mais pessoas qualificadas, quanto mais pessoas capacitadas desempenhando as funções na nossa sociedade, melhor para TODOS, pois as externalidades positivas do desempenho da função dissipam na sociedade.
    Ninguém deixa de entrar em uma faculdade por cor, por sexo, por sobrenome, por influência social, por poder econômico etc…todos os meses tem provas de concursos, vestibulares, oportunidades em diversos campos, inclusive oportunidades de empreender.
    Tem aqueles que vivem do vitimismo, tem aqueles que LUTAM! Pois as dificuldades são imensas para todas as pessoas!

  21. 3 de Fevereiro de 2018 at 18:47
    https://twitter.com/PapaGilgo/status/959847830692270085
    https://youtu.be/PIomRlBkIiw

    Acho que estavam carregando o Leo2 quando foi atingido ou o ATGM acertou um veículo com munição do lado dele.
    Se notar no vídeo, o Leo2 está atravessado no cruzamento, tem um Otokar ou um outro blindado do lado dele, pessoas em pé do lado do tanque e um outro Otokar pouco além da casa, ou seja, parecem estar rodando o Leo2.
    O estrago com as rodas viradas pro lado, o metal do chassi entortado e o estrago nas casas parecem indicar que a fonte da explosão não foi o tanque e sim algo do lado dele, quando vi essas fotos até achei que foi um IED até ver o vídeo.
    O número de vítimas condiz com algo assim.

    Se for, péssimo lugar que escolheram para fazer isso, talvez acharam ter cobertura pelas casas do lado e os curdos flanquearam eles.

  22. pessoal, vamos apenas parabenizar o esforço e dedicação da Barbara.
    esse é o seu momento Barbara,
    Parabéns a você e seu esforço, pois ele abrirá as portas do mundo à você.

  23. Fabio Jeffer,
    Eu já sou muito criticado por comentários que faço e não preciso sê-lo por comentários que não fiz, aliás, isso acontece muito comigo. Quando um russófilo não sabe a quem culpar eles costumam dizer que fui eu quem falou algo, um dia, numa manhã de inverno, numa galáxia muito distante.
    Mas mudando de assunto…. você se dirigiu mesmo a mim ou foi engano??

  24. Complicado, estuda tanto pra querer virar engenheiro de fórmula 1. Tem q pensar em ajudar nosso país, cadê nossos engenheiro pra desenvolver novas tecnologias, novos armamentos e por aí vai. Pais forte é aquele q tem um exército forte e com tecnologia de ponta. Brasil tá longe disso.

  25. Fred.
    “Se houvesse educação pública de qualidade (basta acabar a rede privada pra isso acontecer, idem com a saúde…)”
    Recursos são escassos. Não tem como transformar cada hospital público num Sírio-libânes. Além da questão do custo, também faltaria mão-de-obra qualificada. Nem todo médico é bom o suficiente para trabalhar no Sírio-libânes. Para escolas, o raciocínio é o mesmo, mesmo escolas sendo bem mais baratas, são em maior número e, claro, o nível dos professores, em geral, é baixo e não tem condições de oferecer boas aulas.
    Mas, supondo que tentem implementar sua ideia, certamente terão hospitais públicos melhores e os piores. Os ricos irão para os melhores e os pobres ficarão com os piores (já é um pouco assim, hoje).
    .
    Sobre alunos conseguirem estudar fora, pelo menos na Usp e na Unicamp tem moradia estudantil gratuita, bolsa-alimentação e bolsa-trabalho (poucas horas semanais) para alunos carentes. Usei a moradia e a bolsa-trabalho em ambas. Questão de querer sair de casa e dar a cara a tapa. Não sei como são em outras universidades, mas acho que a regra é ter, pelo menos, moradia gratuita.
    .
    RR,
    Exato, dedicar algumas horas para estudo de verdade – sozinho, concentrado, papel e lápis na mão – é o que separa estudantes de alunos. E quem acha que basta estudar em uma boa escola para passar numa boa faculdade está errado. Mesmo alunos de boas escolas precisam estudar, se concentrar e aprender, em regra, sozinho.

  26. Primeiro, parabenizo a Bárbara e desejo todo o sucesso à ela. É uma enorme conquista.
    Sobre o comentário do Cel.Nery sobre o iTA e o IME, eu gostaria de complementar que são excelentes instituições de ensino superior. Tenho colegas nas duas e sei a qualidade dos alunos que ingressam nelas. Os cursos de graduação delas é muito bom mesmo. Contudo, elas não são as melhores quando se trata de posgraduação. Juntas elas têm 13 cursos de mestrado/doutorado, a maioria avalias com a nota 4 pela Capes e apenas 2 cursos de excelência nota 6 (Materiais no IME e Eng.Aeronáutica no ITA). Esta escala é assim 3 cursos com problemas, 4 cursos estruturados, 5 cursos consolidados, 6 cursos de excelência e 7 cursos de nível internacional (comparável aos melhores do mundo). Segundo um relatório de avaliação de uma consultoria internacional contratada pelo MEC, as 20 melhores universidades brasileiras são todas públicas, sendo 5 estaduais (3 de SP, uma do RJ e uma do PR) e 15 federais. Nem o ITA nem o IME são mencionados neste grupo. Quem tiver interesse pode procurar o relatório “Reseach in Brazil. A report for CAPES by Clarivate Analysis”.

  27. Sobre a questão da excelência de alguns alunos vindos de familias de baixa renda, a reportagem menciona dois dados importantes do IBGE (que eu já comentei aqui em outras vezes). A primeira é que a chance de um jovem filho de pais sem nível superior é muito baixa (menor que 5%) enquanto que a chance do filho de pais concluirem o nível superior é maior que 70%. Isso ocorre porque que muitas das habilidades que uma criança adquire para conseguir estudar são desenvolvidas durante a infância por meio da observação e imitação dos pais. Geralmente isso é chamado de aprendizado afetivo porque não é um aprendizado formal de escola, mas adquirido com o convívio com os pais. Se a criança cresce em um ambiente onde os pais têm o hábito de ler, estudar, etc, a criança irá adquirir esses hábitos o que ajuda-la ao longo da vida. É como comer alface.. as crianças olham os pratos dos pais, se eles também comem alface, as crianças vão aprender a comer alface; se os pais não gostam, dificilmente as crianças vão aprender a gostar de alface. Portante, o problema do sucesso das crianças de famílias de baixa renda na escola depende muito do que acontece na casa, não apenas do que acontece na escola.
    O outro ponto é que existe uma relação direta entre escolaridade e renda. Segundo o IBGE, o salário de quem tem nível médio é de 2.000 reais, de quem tem nível superior 6.000 reais, com mestrado é 9.000 reais e com doutorado 14.000 reais. As vezes, parece que o que afeta o sucesso da criança é a renda da família mas não. É a escolaridade dos pais. A renda é consequência da escolaridade dos pais. Os dados sócio econômicos dos alunos que entram nas universidades federais (que eu li o relatório) mostram bem como a escolaridade dos pais afeta mais do que a renda da família para o ingresso de estudantes na universidade.

  28. Sobre cobrar mensalidades nas universidades públicas, a questão é mais complicada. O custo médio de um aluno de uma boa universidade públicas (USP, UnB, UFSCar, etc) é de 25.000 reais por ano (relatorio do Banco Mundial de 2017) principalmente por causa da integração dos cursos de graduação com a pósgraduação (o que torna estes cursos os melhores, como ocorre no ITA e no IME). Para comparação, o custo do aluno em uma faculdade particular sem pósgraduação é metade disso (certa de 17.000 reais). Algumas pessoas defendem cobrar mensalidades apenas de quem tem mais renda, mas isso significaria criar uma nova burocracia no MEC ou nas Universidades para analisar caso a caso os alunos, etc. É mais simples elevar o imposto de renda das pessoas físicas mais ricas usando a estrutura da Receita Federal. Por exemplo, existe um estudo da Receita Federal de criar uma sexta alíquota no IRPF sobre quem ganha acima de 30 salários-mínimos (cerca de 1,2 milhão de contribuinte ou 4,5% do total daqueles que pagam IRPF). Tem um artigo do Prof. Brito (diretor da FAPESP) publicado em 5 de janeiro no Estadão que compara o MIT com a UNICAMP. Ele mostra que a cobrança de mensalidades nas universidades americanas cobre apenas 5% do orçamento da universidade, enquanto que 60% do orçamento é custeado com verbas públicas. Ou seja, cobrar mensalidades não resolve o problema do orçamento das universidade mas criaria uma burocracia cara e complexa. Além disso, cobrar mensalidades não ajudaria a garantir nem o ingresso nem a permanència dos melhores alunos.

  29. Ao invés de focar no esforço, o que pensa, técnica de estudo de Bárbara, a reportagem quis me fazer chorar e clamar pelo igualitárismo forçado. Parabéns pela aprovação , Barbara Costa, e pelo esforço próprio e também à filantropia de professores e diretores.

  30. Esta menina é produto de: ” Uma fatalidade destas que descem do além”. Falar de meritocracia neste país é um disparate. Aqui em São Paulo, por força da legislação, existe a progressão continuada na rede estadual de ensino. Ou seja. O aluno da rede pública passa de ano sem aprender coisa alguma. Recebe o diploma entra na estatística de aprovado. As escolas são depredadas , pichadas e antros de vendas de drogas. É comum os alunos encherem as caras dos professores de tapas. O descaso das autoridades é total. Nestas condições aprender e ensinar é impossível. Meritocracia…

  31. 1) Parabéns menina! Lá até os professores das EXATAS sabem empregar “am e “ão” (ao contrário dos meus, de todas as áreas) e colocam o “R” no final corretamente do infinitivo! hihihi
    .
    2) Bosco 3 de Fevereiro de 2018 at 14:24
    “Graças a Deus não foi doutrinada por um professor comunista. Parabéns!”
    .
    Escola Pública? Então eu tenho que admitir, no caso 2, foi mesmo um MILAGRE!!!!

  32. Preventivamente antecipo o meu pedido de desculpas se ocorrer um duplo post. Não é minha intenção.
    .
    Em tempo de má fé, má leitura e interpretação: o meu “em escola pública” refere-se ao fato dela não ter sido doutrinada por um professor comunista.
    .
    M-I-L-A-G-R-E-!
    .
    P.S. aposto “TODAS AS MINHAS FICHAS” que também NÃO é comunista quem a ajudou… hihihi

  33. Deem uma olhada na proporção de alunos oriundos de escolas públicas em universidades públicas antes de falarem que é um milagre. Isso é bem normal.
    Pessoal quer entrar sem estudar, aí não consegue. Aliás, nem quem estudou em particular entra sem estudar, sem se esforçar.

  34. O assunto é complexo.
    No caso específico, acredito que passar no IME ou no ITA sendo de escola pública é muito difícil, exceto alguns alunos muito bons, e que existem.
    Passar numa universidade pública para alunos de escolas públicas também não é nada do outro mundo.
    Agora, claro, tipo na UnB. Se você tem apenas 45 vagas para o curso de direito e você tem gente de todo país, inclusive filhos de juízes, ministros etc, a concorrência fica muito elevada.
    Mas se você tem a universidade federal de campina grande, PB, uma cidade bem menor, com concorrência bem mais baixa, é mais comum alunos de escolas públicas passarem.
    Claro que atualmente com as cotas e o Sisu está tudo diferente.
    O ITA e o IME ficaram de fora das cotas justamente para não baixar o nível já que são instituições de excelência e com nível elevadíssimo.
    Camargoer.
    Quanto a mensalidades em escolas públicas, eu particularmente, defendo como uma alternativa.
    Não sei se resolve ou funciona.
    Você mencionou muito bem a questão da burocracia.
    Acho que poderia ser cobrado tipo 500 reais para quem tem renda entre 5 e 15 mil reais e 1.000 reais para quem tem renda acima de 15 mil reais.
    Tipo criar uma estrutura de cobrança simples que nenhum pai com renda mais alta fosse se negar a pagar.
    Sem dúvida, pode haver problema com inadimplência, ações judiciais, etc.

  35. A proporção de alunos de escolas públicas por unidades da USP em 2016. Nela, como um todo, foi de R$ 34,6%.
    A que teve menos alunos foi a Escola de Engenharia de São Carlos (que possui o curso de Engenharia Aeronáutica, não disponível na Poli), 14,1%.
    Poli, 21,8%
    Direito, 33,5%
    Faculdade de Medicina (entram na conta Medicina, Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional), 38,8%
    Mas ainda vai ter gente dizendo que só entra filhinho de papai que estudou em escola particular caríssima.
    http://jornal.usp.br/especial/inclusao-social/presenca-de-alunos-de-escola-publica-nas-unidades-e-desigual/

  36. Histórias assim são inspiradoras! Parabéns a ela!
    Bárbara da Costa é uma verdadeira “heroína e guerreira”, um exemplo para essas meninas que ficam achando a vida difícil, que tudo tem que vir de mão beijada e querem mudar o mundo através dos seus Iphones.

  37. Camargoer, 10:21h.
    Não estão no estudo porque não são do MEC. Só isso. O pesquisador buscou o banco de dados do MEC. E por isso, também, não cumprem cotas.

  38. Olá Cel.Nery. Pelo contrário. O ITA e o IME são classificados pelo MEC como faculdades (e não como universidades) mas também são avaliados tanto pelo INEP (graduação) quanto pela CAPES (pósgraduação) como todas as instituições de ensino, públicas e privadas. As duas instituições são consideradas de excelência no ensino de graduação (classificação 5 que é a máxima). Na pósgraduação, o IME possui um curso de excelência (eng. materiais) e o ITA um outro (eng. aeronáutica). Os outros cursos de pósgraduação são recomendados, mas não são classificados como de excelência. Aliás, todas as instituições de ensino apresentam esse tipo de dispersão, com alguns poucos cursos de excelência e muitos classificados como média. Não há nenhuma instituição brasileira que tenha todos os seus cursos de pósgraduação no nível máximo.

    Você pode consultar os dados do INEP sobre a o ensino de graduação neste link
    http://portal.inep.gov.br/indice-geral-de-cursos-igc-

    A avaliação da pósgraduação pode ser consultada online na base “Sucupira” da Capes.

  39. Olá Colegas. Sobre o ENEN/Sisu, creio que muitos estão um pouco confusos sobre o sistema. Ele é muito parecido com o sistema SAT dos EUA, que usa uma prova nacional com testes padronizados. A diferença com o velho vestibular era que cada instituição aplicava sua própria prova e os alunos tinham que fazer uma maratona de provas em diferentes cidades para diferentes instituições (eu fiz 4 vestibulares de quatro universidades em cidades diferentes no intervalo de um mês). O ENEM é uma prova nacional que gera uma pontuação normalizada. Os candidatos melhor preparados continuam tirando a melhor pontuação. Então, o candidato usa esta pontuação para se candidatar a uma vaga em um curso. Aqueles que se candidatarem com as melhores notas são classificados. Na verdade, houve um aumento nas notas de corte de todas as boas universidades que adotaram o ENEM-SISU porque antes os candidatos eram apenas aqueles que participavam da prova localmente, agora a disputa é nacional. Dou aula para calouros de química e engenharia desde 2006 e a qualidade dos alunos melhorou muito desde que o sistema foi adotado.

  40. Sobre a cobrança de mensalidades nas universidades públicas, existem vários problemas. O primeiro é que o dinheiro pago irá para a conta única do tesouro (seja federal ou estadual). As mensalidades não podem ser pagas para a universidade, mas vão para o caixa único do governo. O segundo problema é o fixar o valor, porque cursos diferentes têm custos diferentes. Por exemplo, um bom curso de química é tão caro quanto um curso da área de saúde, enquanto que um curso de matemática ou estatística é bem mais barato. É correto cobrar o mesmo? Terceiro, a qualidade dos mesmos cursos em diferentes instituições é diferente. É correto cobrar o mesmo para cursos com diferentes avaliações? Quarto, como fixar esse valor? O custo médio de um aluno de graduação em uma universidade pública é de cerca de 25.000 reais por ano, ou uma mensalidade média de 2000 e poucos reais por mês. Todo mundo ia pagar o mesmo, ou isso dependeria da renda da família? Quinto, se for definir o valor pela renda da família, como isso seria feita? Pelo imposto de renda? Sexto, nos EUA as mensalidades pagas cobrem apenas 5% dos custos da universidade, portanto mesmo cobrando mensalidades diferenciadas por alunos vindos de familias ricas e pobres, isso não iria impactar no orçamento das universidades nem alterar a qualidades dos cursos, além da necessidade de criar um novo serviço burocrático dentro da universidade. Como geralmente as pessoas defendem que apenas aqueles que possuem maior renda pagem pela mensalidade, o modo mais simples é aumentar uma alíquota no imposto de renda para aqueles que ganham mais para cobrir parte dos custos da educação superior pública.

  41. Camargoer,
    A cobrança de mensalidades nas universidades públicas, caso venha a ser criada por alteração da Constituição e criação de lei, pode se dar de várias e formas e o dinheiro arrecadado pode ser destinado exclusivamente aos cofres da respectiva universidade, pois seria uma taxa e não um imposto.
    Eu penso que poderiam criar mensalidades e fazer algo como o FIES para quem não tem condições de pagá-las, ou seja, pagar após formado. Não acho que os EUA sejam parâmetro, muito menos suas universidades de ponta. No artigo que você citou, diz que as mensalidades no MIT custeiam apenas 10% do gastos. 5% vem de Endowments (fundos de doações) que inexplicavelmente não existem no Brasil. Achei o artigo bem desonesto ao comparar o MIT com a Unicamp e não colocar a quantidade de patentes que cada um registra por ano, por exemplo. Mas é claro que os professores da Unicamp vão tentar esconder a sova que sua universidade leva para manter a ingênua tese de que a Unicamp é o MIT do Brasil. O MIT custa caro porque gasta muito com pesquisa de ponta, e os articulistas escondem isso para defender a tese de que a Unicamp faz mais com bem menos o que é muito desonesto.
    Também é engraçado citar que no mundo todo as universidades tem 50…60% das receitas vindas do Estado. E no Brasil é quanto? 95%, 100%?
    Enfim, acredito que, se cobrada mensalidade, ainda mais se ela for diferida para ser paga após a conclusão do curso, daria para custear muito mais que 5%…10%…20%….50% (e estaríamos falando de bilhões de reais por ano que saem dos mais pobres e vão, em boa parte, para os mais ricos).

  42. Olá Rafael. O artigo do Prof.Brito (diretor científico da FAPESP) e do Prof Marcelo (reitor da Unicamp) é correto. Há um outro dado no relatório “Research in Brazil” que mencionei que explica um pouco a diferença entre o número de patentes depositadas no Brasil e nos EUA. Entre as maiores empresas que investem em pesquisa no Brasil, só a Petrobras é brasileira. As outras são multinacionais. Além disso, quem faz pesquisa de ponta no mundo são os posdoutores. No MIT eles são mais de 5000 e na Unicamp não chegam a 300. Sobre as doações para a Universidades, que são inexistentes no Brasil, acho que mais uma vez reforça a necessidade de um nova alíquota de IRPF. Sobre recursos para pesquisa, empresas financiam pesquisas aplicadas, nunca pesquisa de base. Para você ter uma boa ideia, em meu departamento, 1/3 dos alunos de mestrado são funcionários de empresas (a maioria de pequenas e médias empresas) desenvolvendo pesquisas aplicada.

  43. Olá, amigos. Li “en pasant” os comentários e, confesso, não vi se alguém já parabenizou o Professor Francisco Antônio Martins de Paiva (o Professor Max!), que foi o ‘mecenas’ dessa brilhante jovem, Bárbara da Costa Araujo! Conforme o texto, o Prof. Max ele próprio é um ‘guerreiro’ que superou as adversidades que os menos favorecidos na sociedade brasileira sofrem para estudar e, também, mostrou ser um homem dotado de um grande compaixão! Quantos de nós, se vivendo em igual realidade, teríamos tal desprendimento para pagar do próprio bolso a alimentação de um aluno carente?
    Eu gosto de histórias como essa, inspiradora!
    E vou pensar com mais carinho a ideia de completar a graduação de engenharia!
    Abraços!

  44. Camargoer, conheci ambos no início dos anos 2000. O artigo é desonesto ao comparar o MIT com a Unicamp dizendo que esta gasta menos recursos para formar mais alunos de graduação e pós-graduação, esquecendo-se que o MIT foca muito em pesquisas e, portanto, investe muito dinheiro nisso. Para dizer que a Unicamp é mais eficiente, deveria separar os orçamentos em área de ensino e área de pesquisa e não considerar apenas o orçamento total, desconsiderando que o MIT pesquisa muito mais que a Unicamp, registra absurdamente muito mais patentes e dá origem a milhares de empresas de tecnologia, ao contrário da universidade campineira.
    Eu prefiro não coagir ninguém a contribuir. Muitas pessoas não doam porque é complicado doar, não pode abater do IR, e etc. Por que o governo não passa a aceitar fundos de Endowments flexíveis, em que a pessoa doa quanto e quando quiser? Não, a burocracia é enorme até para fazer doações.
    A Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (FDUSP) faz doações de materiais com certa frequência para a faculdade, mas é porque tem muita boa vontade de correr atrás para ajudar, pois incentivo, não há.
    Curiosidade, em qual universidade você trabalha?

  45. Olá Rafael. Obtive meu doutorado no Instituto de Tecnologia de Tóquio e depois de algum tempo em P&D em empresas, fui contratado no Depto de Química da UFSCar. A qualidade de vida do interior de SP foi determinante para eu mudar de vida. Escolhi ficar mais tempo com minha filha.

  46. Eu tenho uma experiência muito decepcionante com o setor privado em relação à pesquisas… mesmo com a Lei do Bem, apoio da FAPESP a fundo perdido, etc, o que emperra é a contrapartida. Tenho patentes, mas foi consequência do que faço em pesquisa básica (em minha opinião, o melhor caminho é quando a empresa coloca claramente as condições de mercado para direcionar a pesquisa. Com isso dá para fazer pesquisa aplicada com grande chance de sucesso. Sem esse balizamento de mercado, não dá para fazer pesquisa aplicada).

  47. Olá Andre. Você tem razão. O Prof. Max merece ser lembrado e parabenizado. Você citou essa questão dos professores que ajudam alunos, conheço alguns de meu Departamento que tiram do bolso para ajudar alunos de graduação e até de pósgraduação. Não são poucos. Tem hora que ou a gente ajuda ou ajuda. riso.

  48. Legal, Camargoer.
    Quando eu era graduando fui à USP-São Carlos e à Optoeletrômica que, depois acabou se dedicando ao setor militar. Mas só conheci “en passant” a UFSCar.
    Agora moro perto da UFSCar, mas do campus Sorocaba rsrs. É bem provável que se ela existisse ao tempo que fiz a graduação, tivesse estudado alguma engenharia nela.
    Não conheço o funcionamento da pesquisa privada no Brasil, mas acredito que seja muito complicado fazer e que exista certo preconceito nas universidades. Que bom que você não tem e se dedica a essa área.

  49. Olá Rafael. Na verdade, o pessoal da minha idade é bem aberto a colaborar com o setor privado e com universidades estrangeiras. Acho que o cenário de colaboração entre as empresas e a universidade melhorou muito nos últimos anos (em todas as áreas, inclusive humanas). A maior dificuldade não é dentro da universidade, mas sim dentro das empresas. Isso que é bastante triste. As estrangeiras precisam da aprovação da matriz no exterior, o que atrapalha bastante, e as nacionais focam em pesquisa de adaptação e não de inovação, o que geralmente elas fazem sem a necessidade da universidade.

  50. Joao 4 de Fevereiro de 2018 at 18:54
    “A falácia da Meritocracia”: em um país onde as cotas são privilégios, e auxílio-moradia de magistrados é um direito.
    — Não entendi a conotação do comentário… Foi ironia?
    Existe sempre uma grita muito grande dos comentaristas de pensamento à esquerda de que meritocracia é uma falácia. O que parecem não entenderem é que meritocracia não é nem nunca foi proposto como ideologia política! É isso sim um critério “natural” a ser aplicado em situações de seleção de candidatos, seja para vagas em instituições de ensino, seja para oportunidade profissionais, onde se dará a preferência aqueles que comprovarem serem mais aptos!…
    Sim, sabemos que é muitíssimo mais difícil para os pobres concorrerem com quem tem recursos para estudar mais e melhor na hora de disputar vagas no ensino gratuito ou nos melhores empregos…! Mas fazer disso argumento para pleitear mais e mais ‘privilégios’ para minorias (e não ‘direitos’ para todos!…) não passa a meu ver de um vigarice ideológica!, e mais um estelionato eleitoreiro!…
    Eu continuo contestando a eficácia das cotas como meio de mudança da realidade social da população pobre e declaradamente negra (ou índia…), porque no final as cotas só serão de proveito para quem já tem uma qualificação mínima para ingressar no ensino superior, mas o ensino básico universal, gratuito e de qualidade, que é o que interessa mais!, o governo segue não provendo…!
    Quanto ao auxílio-moradia para juízes, creio ser consenso de que é mais uma ‘excrescência’ de nossa hipócrita sociedade oligárquica, sempre garantindo benefícios para a ‘casta’ superior!

  51. André Luiz, parabéns por homenagear o professor. O que essa história deixa claro é que sem esse apoio em gastar do seu mirrado salário, que foi muito mais útil que um auxílio moradia de juiz, a menina não teria conseguido. Seria só mais um talento perdido. Como disse o Neil Degrasse Tyson, talvez o próximo Einstein esteja morrendo de fome.

    Portanto, não dá para esquecer que isso, na verdade, é uma tragédia. Não dá para achar que meritocracia resolve tudo enquanto as oportunidades forem tão desiguais.

  52. Olá André. A discussão sobre meritocracia não pode ser tomada por um viés ideológico. Nem de um lado nem do outro. Alguns dias atrás, aproveite para reler a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” (1798) e aproveitei para reler a “Declaração Universal dos Direitos Humanos” (1948), a Declaração de Independência dos EUA (1776) e a Declaração dos Direitos” (1689). Foi bom resgatar o princípio de que todos nascemos iguais e com os mesmos direitos. Esse princípio que iluminista está acima de qualquer argumentação ideológica. Portanto, é necessário assegurar a todos as mesmas oportunidades e condições para que, cada um segundo sua aptidão e competência, seja premiado por seu mérito. Acho que temos que defender o pacote completo, tanto aquele princípio republicado de que todos somos iguais quanto aquele no qual cabe ao Estado garantir que os desiguais tenham condições de compensação (caso contrário, aqueles que nascem em famílias com melhores condições sempre sairão na frente, enquanto que aqueles que nascem em famílias com piores condições não conseguirão superar a distância). Acho que foi Aristóteles quem disse que é necessário tratar os desiguais de modo diferente para que possam ser tratados de igualitariamente. O IBGE divulgou um estudo (mencionado no texto) de como a escolaridade dos pais afeta as chances do jovem concluir o nível superior, o que distorce completamente o sentido do mérito.

  53. camargoer 5 de Fevereiro de 2018 at 13:50
    Amigo Camargoer, o que contesto no discurso esquerdista de muitos é essa postura de eterno “vitimismo”, de sempre estar reivindicando privilégios em ‘compensação histórica’ por isso ou aquilo… Mas, sabemos, isso é uma bandeira ideológica que quando arqueada chama votos…!
    Acho que não há como evitar que os que nascem em famílias com melhores condições ‘saiam na frente’, para usar a mesma figura de linguagem. Diria que isso é até natural: certamente o amigo procura oferecer a seus filhos a melhor educação que lhe é acessível, e lhes dá todo o estímulo intelectual para isso (como, aliás,é o dever de todo pai com sabedoria e Amor por seus filhos!). Mas não há esforço de pai ou mãe que fará um filho ou filha acomodado, ‘sonso’, fazer seu melhor esforço para se qualificar, enquanto ele/ela mesmo não acordar para a realidade do mundo (sei bem o que é isso… é o que passo com minha sobrinha!)!
    Tive um querido mestre na faculdade de engenharia que me lembrava algo que ele próprio aprendera com um professor dele: “Não é o professor que ensina… é o aluno que aprende!
    Que o governo tenha políticas de inclusão e promoção social, ok! Mas que as iniciativas públicas no campo da educação não se limitem a privilégios para minorias!
    Abraços!

  54. Olá Andre. A sorte de minha filha é ter pais que compreendem como o contexto familiar é importante para a sua formação. Imagino que você tenha a mesma preocupação. Por outro lado, existem muitas famílias que não possuem esta compreensão (apenas porque eles também tiveram sua origem em famílias que não tinham essa compreensão ou escolaridade). É uma armadilha da qual ninguém ganha nada, nem a criança, nem a família nema sociedade que perde o potencial desta criança de modo irrecuperável. Há um contexto chamado “aprendizado afetivo” relacionado ao que a criança aprende na infância observando os pais e familiares e imitando-os. Se eles nascem em um ambiente vantajoso, com pais envolvidos em leituras, aprendizado, etc, eles assume este valor para o resto da vida. Se a família não tem nem o hábito de leitura, dificilmente as crianças vão desenvolver isso sozinhas. Você coloca muito bem que as iniciativas e políticas públicas para a educação não podem estar limitadas a garantir privilégios à minorias. O desafio é gigantesco e sei que não pode ser limitado à esquerda ou direita. Acho que a educação é o ponto que une fraternalmente a direita e a esquerda.

  55. camargoer 5 de Fevereiro de 2018 at 15:38

    Meu caro Camargoer, a meu ver o que torna ou o que poderia proporcionar o tal do “ambiente vantajoso” é a oferta de trabalho! Antes de uma família ter estabilidade de renda e obtenção de “riqueza”, não haverá jamais o tal do “ambiente vantajoso”.
    A cultura e o ensino são muito, muitíssimo importantes, entretanto sem estabilidade de emprego, sem renda, sem “riqueza”, pode gastar o quanto quiser com ensino e cultura, que a coisa vai andar.
    Saudações

  56. Mudando de pato pra ganso e falando da mesma coisa, uma prova cabal da falência do ensino público no Brasil é que quando uma estudante oriunda desse ensino passa num exame mais difícil para uma “boa” universidade pública (coisa rara hoje em dia já que muitas das antes boas universidades da época do Regime Militar viraram um amontoado de maconheiros esquisitos que querem tudo, menos estudar) sai até no Jornal Nacional.
    Eu estudei a minha vida toda em escola pública e passei no vestibular para uma das melhores universidades públicas do Brasil e num dos cursos mais competitivos. Claro, isso a “zentos” anos no tempo do Regime Militar. Na minha turma de 25 alunos tinha duas garotas (do sexo feminino e do gênero “mulher”) negras, e não havia cota e nem havia racismo. Aliás, dos 25 alunos 14 eram mulheres do sexo feminino e 11 eram homens do sexo masculino e isso há quase 40 anos. Quanto à orientação sexual deles não faço a mínima ideia porque tirando a minha orientação sexual e a de uma das colegas que namorei não fazia a mínima ideia do que eles imaginavam ou faziam entre 4 paredes porque ninguém tinha sua sexualidade pregada na testa como ocorre hoje em dia.
    Também naquela época não havia misoginia ou sexismo ou machismo como querem nos fazer crer a esquerda festiva de hoje que acha que foram eles que descobriram o Brasil e que só a eles foi dado a percepção do que é ético, moral, legal, legítimo, racional, lógico, humanitário, etc.

  57. Olá Edson. O emprego ou qualquer outra oportunidade de renda ocorre com o crescimento econômico, que por sua vez depende da existência de mercado consumidor que só ocorre quando as pessoas têm emprego ou renda. Por outro lado, existem mais empregos para pessoas com maior escolaridade do que para pessoas com menor escolaridade. Individualmente, o melhor caminho para o jovem aumentar as chances de conseguir um emprego é conseguir o máximo de escolaridade possível. Por outro lado, um indivíduo tem pouca influência sobre as ações e decisões macroscópicas.

  58. camargoer 8 de Fevereiro de 2018 at 12:06

    Entendo! Mas ele só conseguirá o máximo de escolaridade possível se houver uma prévia condição econômica que o suporte, senão ele não conseguirá estudar.
    Daí meu entender de que o trabalho, a renda e a riqueza é que vão melhorar o nível de ensino. Não adianta um montão de universidade nos cafundó se o trabalho qualificado só existe no Sudeste. Já, se houver trabalho com demanda qualificada nos cafundó, os estudantes das universidades de lá prosperarão.
    Saudações

  59. Olá Edson. Esse é o dilema e a armadilha das família de baixa renda (geralmente, de modo geral, a família não consegue dar o apoio ao jovem para elevar seu nível de escolaridade acima do da família por questões econômicas mas também porque eles não percebem que este seria o meio mais garantido de elevar a renda a meio prazo de toda a família). Além disso, há o obstáculo do ambiente familiar de baixa escolaridade que não cria situação para o jovem se espelhar e continuar seus estudos para até concluir o nível superior. Por isso, as chances do filho de pais sem escolaridade concluir o ensino superior é menor do que 5% e a chance do filho de pais com nível superior é maior do que 70%. É bem complicado mesmo. O esforço e a inteligência do estudante é só uma parte…

  60. Olá Edson. Após décadas, o setor privado nunca investiu em escolas de nível superior em regiões fora das grandes metrópoles. Se depender deles, nunca existirão escolas nos cafundós. Nem oferta de empregos. Se continuarmos esperando um dos dois, nada vai acontecer. Abrindo escolas em regiões ainda não atendidas, cria-se um ponto de virada, mesmo que o estudante depois de formado busque oportunidades nos grandes centros. Estes são aqueles momentos em que vale a pena tentar alguma coisa diferente, porque do modo que estava a gente já sabia que não ia mudar nada.

  61. camargoer 8 de Fevereiro de 2018 at 13:20

    Pois é camargoer, mas o que eu fico imaginando é o seguinte: quanto melhorou a “produção” escolar, por exemplo, nas cidades de Lauro de Freitas e Dias d’Ávila após a implantação da fábrica da Ford naquela localidade? Bem, Camaçari já é polo petroquímico desde 1978, acredito que a melhoria escolar lá deve ter sido menor, mas nestas outras cidades menores a situação deve ter melhorado muito.
    Saudações

  62. Camargoer.
    Lembro que desde a época de FHC as universidades privadas começaram a se expandir no Brasil.
    Acho que antes eram muito poucas.
    Tipo uma PUC, a Mackenzie, Gama Filho.
    Depois começou a pipocar.
    Mais recentemente, começou um processo de concentração, aquisições/fusões.
    Hoje em dia, em muitas cidades de menor porte há algumas ou várias entidades de nível superior.
    Algumas são apenas pólos de ensino à distância.
    Uma grande parte, mesmo com uma estrutura de maior porte, concentra-se em cursos “mais fáceis” da área de humanas que exigem menos laboratórios, tipo direito e administração.

  63. Não acredito que haja falta de vagas nas universidades.
    Vejo muita propaganda de universidades com mensalidades a partir de 200 reais. E até a distância.
    Se prestam não sei.
    Talvez grande parte delas nem tenha alto padrão de ensino.
    Uma época, para dar continuidade à minha segunda graduação, tive que optar entre três entidades privadas: uma de âmbito nacional mas com baixíssima reputação a época e duas locais.
    Optei por uma local, recente, mas cuja maioria dos professores também devem aula na federal.
    Uma instituição enxuta, mas com excelente atenção ao aluno.
    Excelente estrutura física com cadeiras almofadadas, central de ar condicionado, aqueles painéis que descem junto ao quadro, aqueles projetores no teto, site bem organizado, etc.
    Enfim, vagas há muitas.
    Mas falta muita qualidade.

  64. Vocês já imaginaram esse país com um ensino público (ensino básico e médio) de boa qualidade e com infraestrutura e universidades públicas com maior número de vagas? Não falta inteligência em nossos jovens mas falta investimento, orientação e infraestrutura…. elementos estes que são roubados, desviados e dilapidados pelos coronéis da corrupção.
    Parabéns à Bárbara que não se deixou ir pelo caminho mais fácil (como milhares de jovens no país que são cooptados pelo tráfico e outras máfias) e teve bravura em seus objetivos e tb parabéns aos seus professores que souberam apoiar, mesmo com sacrifício, quem mostrou merecimento.

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