quarta-feira, dezembro 1, 2021

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Defesa nacional

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Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Cada vez mais relevante no cenário internacional, o Brasil precisa melhorar de forma realista a sua capacidade de defesa

AS MOVIMENTAÇÕES do governo federal para a compra de equipamen­tos militares trazem uma questão subjacente, à qual é preciso responder de maneira clara: o Brasil deve reforçar sua capacidade de defesa? A resposta inequívoca é sim. O país, que ga­nha projeção e candidata-se a as­sumir mais responsabilidades, precisa reunir condições de en­frentar os desafios inerentes a este papel, num século que já nasceu sob o signo de novos con­flitos e riscos geopolíticos.

A palavra-chave a nortear as ações nesse setor é dissuasão. No mundo pós-Guerra Fria, sem su­perpotências a servir de guarda-chuvas, um país com as dimensões e o poten­cial econômico do Brasil deve deixar claro que tem capacidade de se defender de determina­dos tipos de ameaça.

É preciso, de forma planejada e serena, dotar as Forças Arma­das de recursos para o exercício de sua missão constitucional. Um país que possui 64% da Amazônia, ex­tensa faixa marí­tima e uma área equivalente à da Europa ociden­tal não pode prescindir de meios de proteção costeira, de rotas comer­ciais, fronteiras e campos petrolíferos – agora mais valiosos com as reservas do pré-sal. Não se trata de postular uma política de defesa extensiva, pe­sada e custosa, mas de fornecer às Forças Armadas acesso a equi­pamentos modernos, de modo que possam treinar efetivos e multiplicar sua capacidade de atuar com eficiência e agilidade quando requisitadas.

Não é tarefa fácil estimar os gastos militares mundiais. A interpretação dos diferentes orçamentos de cada país faz com que os números variem muito, mesmo entre os institutos mais respeitados que trabalham com o tema, como o sueco Sipri (Instituto Internacional de Pesquisa) e o britâni­co IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos). Há países, como a China e a Rússia, em que a falta de transparência torna difícil um cálculo preciso.

O Brasil tem gastos militares à altura de sua participação na economia mundial. Segundo o anuário do instituto sueco, ocu­pamos o 12° lugar, pouco atrás da Coréia do Sul e não muito à fren­te de países como Canadá, Espa­nha e Austrália.

O problema é que o país gasta mal. Os aviadores, soldados e marinheiros coreanos, canaden­ses, espanhóis e australianos contam com equipamentos em geral bem mais modernos do que seus colegas brasileiros. A título de exemplo, esses países pos­suem caças superiores aos da FAB, que desde o governo ante­rior tenta adquirir novas aerona­ves de combate. E os aviões de caça são a “ponta de lança” de qualquer aviação militar.

Da mesma forma, parece claro que a Marinha brasileira carece de uma verdadeira frota de sub­marinos e que o Exército precisa renovar seus veículos blindados. Os outros países do chamado grupo Bric —Rússia, índia e China, além do Brasil—, têm todos recursos mais podero­sos. A Rússia passou anos sucateada após o final da União Soviética, mas recupera forças. A China tor­nou-se a segun­da potência mi­litar do planeta. A Índia, receosa do vizinho Pa­quistão, deverá produzir seu próprio subma­rino à propul­são nuclear an­tes que o brasi­leiro saia da prancheta.

O Brasil, feliz­mente, inscre­ve-se numa si­tuação regional bem mais tran­quila do que a enfrentada pé pe­las nações acima citadas-todas elas, aliás, detentoras de armas nucleares. As relações brasileiras com seus vizinhos podem passar por eventuais divergências, mas têm sido harmoniosas há pelo menos cem anos.

Reconhecer a necessidade de reforçar o poder defensivo do país não significa um convite a aventuras. O Brasil não precisa e não deve estimular corridas armamentistas regionais ou des­pertar inquietações quanto ao uso de sua energia nuclear.

O Estado brasileiro já tem uma sólida, louvável e reconhecida tradição diplomática voltada pa­ra o entendimento e a solução pacífica de conflitos. É justa­mente para preservar este patrimônio que a defesa nacional, submetida aos devidos controles políticos e constitucionais, ad­quire papel mais relevante.

OS 15 MAIORES GASTOS MILITARES EM 2008

País

Gastos em bilhões de dólares

Gasto per capita em US$

%

doPIB

EUA

607

1967

4,0

China

84,9

63

2,0

França

65,7

1061

2,3

Reino Unido

65,3

1070

2,4

Rússia

58,6

41,3

3,5

Alemanha

46,8

568

4,3

Japão

46,3

361

0,9

Itália

40,6

689

1,8

Arábia Saudita

38,2

1511

9,3

Índia

30,0

25

2,5

Coréia do Sul

24,2

501

2,7

Brasil

23,3

120

1,5

Canadá

19,3

581

1,2

Espanha

19,2

430

1,2

Austrália

18,4

876

1,9

FONTE: Folha de S. Paulo – 9/08/09 / COLABOROU: Paulo Cesar Gomes de Souza

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Igor
Igor
12 anos atrás

Será que a pensão pesa tanto assim? Será que militar não merece aposentadoria? Será que o vencimento dos militares é alto? Nos EUA e nos outros países não existe aposentadoria e pensão?

Liddell Hart
Liddell Hart
12 anos atrás

Gasto não é investimento.

Será que se retirarmos o custo de pessoal, tanto com os da ativa quanto a aviltante aposentadoria dos reformados, o Brasil permaneceria nessa lista?

Israel
12 anos atrás

Para ver como somos ruins em administração, conseguimos gastar mais em defesa do que a Espanha e ter forças armadas capengas e vergonhosas!
Não há justificativa que não passe pela nossa “brasileirice”(leia-se burrice e inépcia).

O brasil é e sempre será o país do futuro!

Israel

affcl
affcl
12 anos atrás

“uanto a aviltante aposentadoria dos reformados” aviltante pq?

Tiago Jeronimo
Tiago Jeronimo
12 anos atrás

Parece-me que 80% do que gastamos é com pessoal. O que é um absurdo diga-se de passagem.

Marino
Marino
12 anos atrás

O teto do benefício pago pelo INSS é de R$ 3.218,90; dependendo da patente, aos militares é melhor que fique como está.
Perdão pelo off topic.

mauro dias
mauro dias
12 anos atrás

Mais um discurso , do avestruz. “O Brasil tem gastos militares à altura de sua participação na economia” “O Brasil não precisa e não deve estimular corridas armamentistas regionais ou des­pertar inquietações quanto ao uso de sua energia nuclear.” Como se , na questão acima , isso dependesse só do Brasil. Puro sofisma. Se for uma opinião pessoal , para mim equivocada, respeito , mas acho pouco provável. Esse tipo de discurso , vem de longas datas.Toda vez que se fala, ou se tem uma postura mais ativa , certa ou errada, mas tem-se, vem esse discurso. Antes era a… Read more »

chacal
12 anos atrás

Investir na educação nada,tem militar do Brasil ganhado R$40 mil,tem mais generais, supera até a dos exércitos dos Estados Unidos, do Reino Unido e de Israel, as três forças mais empregadas hoje em conflitos armados em todo planeta. Os generais brasileiros, que ganham soldo quase treze vezes superior ao de um soldado, estão até em chefias de setores administrativos.

VirtualXI
VirtualXI
12 anos atrás

O problema não é a quantidade dos gastos, é a qualidade destes…..

Assustador é o gasto militar dos EUA, quando comparado ao resto do mundo.

Realmente nos faz ser o resto em gastos militares.

Alfredo_Araujo
Alfredo_Araujo
12 anos atrás

“VirtualXI em 09 set, 2009 às 13:31

Assustador é o gasto militar dos EUA, quando comparado ao resto do mundo.”

Cara, o mais interessante não é o montante gasto… e sim a % do PIB gasta! Quer dizer…. os EUA tem dinheiro pra #$@#$ !!
Mais mesmo gastando mta grana, tem paises q comprometem mais do seu orçamento q os americanos…
Vejam a Arábia e a Alemanha, esses sim gastam bastante, levando em consideração o PIB…

Samuel
Samuel
12 anos atrás

Segundo informações o MD tem planos para uma reformulação completa de nosso aparato militar. Uma espécie de reforma. É ilógico que o Brasil possua mais almirantes que a Royal Navy, nós possuímos uma força bem menor e menos capaz. Veja bem, não sou contra o “gasto militar” este se paga com o passar do tempo, vide as inovações tecnológicas que a guerra nos trouxe, porem devemos remunerar melhor os militares de menor patente. Um recruta ganhar menos que um salário mínimo é ridículo. Um controlador aéreo militar, na maioria sargentos, ganham um salário bem abaixo de sua responsabilidade. A PDN,… Read more »

gerson
gerson
12 anos atrás

Caros amigos,

Tudo anda bem para a FAB e para a MB e nosso exercito até agora só vai receber alguns helicopteros de transporte e uns tanques usados. será que não precisamos de soldados de infantaria para a defesa de nosso territorio??

Liddell Hart
Liddell Hart
12 anos atrás

Os militares devem sim ter uma aposentadoria digna. Mas, vejamos:

Alguém do setor privado já teve, ou mesmo ouviu falar, em aposentadoria com “promoção automática”? Ou com “isonomia com o pessoal da ativa”? Ou com “hereditariedade para filhas solteiras”?

É realmente “aviltante”. Corrói o orçamento, já magro por conta do contingenciamento (para compor o ilusório “superávit” da União), e não permite o investimento naquilo que é necessário.

O presente pága pelo passado, e compromete o futuro!

CosmeBR
CosmeBR
12 anos atrás

General ganhando mais de R$ 40 mil? Ha, pegadinha do Malandro.

URUTAU
URUTAU
12 anos atrás

Senhores

Até acho que gastamos pouco frente a extensão do nosso territorio essa é a verdade

SDS Senhores

URUTAU
URUTAU
12 anos atrás

Caros Senhores Moderadores Como no caso do amigo PróPatria tenho um comentario censurado préviamente neste blog comentario este postado em diversas matérias desta mesma pagina por ser cabivel logicamente a todas comentario tecido com respeito sem ofensas alias coisa que nunca o fiz nem aqui nem em outro lugar qualquer pois não é do meu perfil ofender pessoas ou despespeita-las seja la de qualquer forma em assim sendo compartilho da indignação do caro amigo PróPatria principalmente lembrando nos que o blog ………… blog este pelo qual sempre tive o maior respeito e admiração ter sido montado e administrado por um… Read more »

URUTAU
URUTAU
12 anos atrás

Observação a pagina referida é no blog aereo onde não consigo postar comentario algum parece que me bloquearam …………… espero com sinceridade estar errado

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