terça-feira, dezembro 7, 2021

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Guerras dos EUA já mataram 225 mil e podem custar até o triplo da dívida pública

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Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Fernando Eichenberg, correspondente

WASHINGTON – Os custos para os Estados Unidos das guerras no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão poderão alcançar até US$ 4,4 trilhões, valor bem superior ao US$ 1, 3 trilhão anunciado pela Casa Branca e pelo Congresso americano. O cálculo foi feito por mais de 20 especialistas para o Watson Institute for International Studies, da Brown University – uma das mais tradicionais dos EUA, fundada em 1764. Segundo as novas estatísticas, os conflitos, consequências da guerra ao terror deflagrada pós-atentados de 11 de setembro de 2001, provocaram cerca de 225 mil vítimas entre militares e civis.

O estudo foi divulgado no mesmo dia em que o presidente Barack Obama defendeu numa entrevista coletiva a estratégia de guerra no Afeganistão, a ação americana na Líbia e também os esforços de cortes no orçamento do Pentágono. Nesta quarta, o governo anunciou ainda sua nova doutrina nacional contra o terrorismo.

Em plena batalha política com o Congresso sobre a redução de gastos do governo e do valor da dívida pública – que atingiu o teto de US$ 1,4 trilhão -, Obama disse que há “muito barulho político” nas críticas à participação dos EUA na luta contra o líbio Muamar Kadafi, e justificou a presença militar em Cabul e Islamabad.
– A missão na Líbia é limitada em tempo e em objetivo.

As operações americanas no Afeganistão e no Paquistão conseguiram comprometer gravemente a capacidade da al-Qaeda. Continuaremos mantendo a pressão sobre eles – alegou, ao elogiar a redução de US$ 400 bilhões no orçamento do Pentágono.

Nas estimativas do projeto “Custos de Guerra”, da Brown University, foram considerados os gastos de longo prazo decorrentes dos conflitos, como pagamento a militares inválidos e pensões a veteranos de guerra até 2020.

Nesse cômputo, o tamanho da conta é calculado entre US$ 3,7 trilhões e US$ 4,4 trilhões. Se as guerras perdurarem até 2020, o Pentágono necessitará de um acréscimo de ao menos US$ 450 bilhões em seu orçamento, estima o estudo.

– Há muitos custos e consequências da guerra que não podem ser quantificados, e consequências de guerras que não terminam com o fim dos combates – disse Neta Crawford, cientista política da Boston University e codiretora da pesquisa.

Gasto com veteranos deve chegar a US$ 1 trilhão

Até dezembro de 2010, os EUA destinaram mais de US$ 32 bilhões a tratamentos médicos e seguros de invalidez para mais de um milhão de veteranos, um custo que atingirá seu ápice em 30 a 40 anos, totalizando até US$ 1 trilhão, dizem os especialistas. O custo humano dos três conflitos é calculado entre 224 mil e 258 mil mortes diretas, sendo 137 mil vítimas civis no Iraque e no Afeganistão. O número de pessoas deslocadas e de refugiados é estimado em torno de 7,8 milhões.

Além de exigir mais transparência nas informações oficiais, os especialistas questionam a eficácia de uma ação militar de grande porte na luta contra o terrorismo. “As alternativas para perseguir e prender os acusados pelos atentados de 11 de Setembro, e para prevenir futuros ataques, não foram sequer consideradas: uma invasão militar no Afeganistão começou em 7 de outubro de 2001.

Esses métodos, entretanto, poderiam ter permitido aos EUA melhor prevenir e enfrentar ataques terroristas, com um custo muito menor de vidas e para o Tesouro”, defendem. Segundo um estudo da organização RAND Corporation sobre estratégias usadas contra 268 grupos terroristas entre 1968 e 2006, em apenas 7% dos casos se alcançou a vitória via uso de força militar.

A nova estratégia nacional de combate ao terrorismo em parte concorda com essas conclusões. O governo não irá mais considerar como a melhor forma de ataque o deslocamento de grandes exércitos no exterior, mas sim “agir com pressões precisas e cirúrgicas sobre grupos que ameacem os EUA”, disse o assessor de Segurança Interna da Casa Branca, John Brennan. A inteligência americana apontou o Irã e a Síria como dois principais pontos de apoio ao terrorismo hoje no mundo.

ESPECIALISTA: ‘A intervenção militar não é a melhor solução’

WASHINGTON – Catherine Lutz, diretora do Departamento de Antropologia da Brown University e codiretora do projeto “Custos de Guerra”, critica a falta de transparência do governo nas informações sobre os conflitos em Iraque, Afeganistão e Paquistão, e também questiona a eficácia da estratégia militar contra o terrorismo.

Qual o significado dos números divulgados por esse estudo?
CATHERINE LUTZ: Uma das coisas que nos surpreendeu foi o fato de ninguém ter feito isso antes. Ter, por exemplo, reunido as estatísticas de vítimas civis e militares nos três países, o que resulta num número bastante chocante, de 225 mil a 258 mil mortes. Outra coisa surpreendente é o governo americano insistir em apontar o valor de US$ 1 trilhão, que é somente uma parte do custo total das guerras. Se olharmos o quanto aumentou o orçamento do Pentágono, e as despesas com tratamento médico e invalidez, o custo da guerra no Departamento de Estado e em outras agências do governo supera rapidamente esse valor oficial.

Como explicar essa diferença?
LUTZ: Politicamente é mais fácil comandar uma guerra se os custos parecem menos elevados para o público. Politicamente é importante apresentar um valor inferior. Há também o fato de que se buscam recursos para travar uma guerra no momento, e não se pensa nos custos que virão no futuro, gastos com saúde e invalidez, por exemplo, estimados entre US$ 600 bilhões e US$ 1 trilhão. Cerca de 2,2 milhões de americanos estiveram em zonas de guerra, e o número de feridos é particularmente elevado em comparação com conflitos passados. Deveria se saber, baseado na História, que isso ocorreria – vide os veteranos da Guerra do Vietnã.

E a falta de transparência?
LUTZ: Transparência é bom para a democracia, mas nem tanto para as pessoas que comandam a guerra. Mas o público necessita dessas informações. As pessoas devem saber o que ocorreu em termos de perdas de vidas, de feridos, dos fluxos de refugiados e de violações de direitos humanos.

Os resultados obtidos justificam os custos de guerra?
LUTZ: A RAND Corporation fez um estudo sobre o uso da guerra contra o extremismo violento. O resultado é que a intervenção militar não é a melhor solução para o problema.

FONTE: O Globo

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Wagner
Wagner
10 anos atrás

aahh prato cheio para começar o meu dia ! kkkkkkk !! Qual a ótica de Moscou nesse assunto ? Mais uma vez, as forças imperialistas yankees quebraram a cara em sua vâ tentativa de dominar os povos de culturas diferentes. Outro fracasso. E agora, Washington ?? Trata-se da repetição de um mesmo ciclo iniciado durante a Guerra Fria : A Idéia de que eles, norte -americanos, são o BEM, e por isso podem matar qualquer um que discorde, e quem discorda é o MAL, seja, comunista, nacionalista, fascista, marciano ( !!) ou muçulmano. Por mais absura que essa idéia seja,… Read more »

Luis
Luis
10 anos atrás

“Qual a ótica de Moscou nesse assunto?”

Quem se importa?
Só na invasão soviética do Afeganistão (1979-1988) o Exército Vermelho matou e destruiu muito mais.

Macaco nunca olha pro seu rabo. Só repara no rabo dos outros!

Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão!

Wagner
Wagner
10 anos atrás

E quem é vc para dizer quem se importa e quem não se importa ??

Virou editor do blog ??

Pq vc não gosta de ler a verdade sobre seus queridinhos norte-americanos ??

Não estamos avaliando quem matou mais.

Não estou defendendo um fato do passado que tambem considero um erro.

O FATO DA MATERIA É: OS AMERICANOS FORAM RESPONSAVEIS POR 200.000 MORTES ( além dos insurgentes).

Cara, eu escrevo o que eu quero e quando eu quero e isso é problema entre eu e os editores.

Minha ótica é problema meu.

Cuide de sua vida.

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