quarta-feira, agosto 4, 2021

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‘O surrealismo militarizado de Barack Obama’

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br
  1. (The American Empire Project– Tom Engelhardt, TomDispatch – 30/06) Obama construiu sua fala sobre o Afeganistão numa retórica de surrealismo militarizado supranacional. O que disse sobre o futuro da guerra foi absolutamente falso. Considerem-se só as duas principais:   que sua “avançada” consistiu em enviar para lá só 33 mil soldados; e que “no próximo verão”, os americanos estarão a caminho de casa, deixando o Afeganistão.
  2. Desgraçadamente, não é nada disso. Em primeiro lugar, a verdadeira “avançada” de Obama mandou para o Afeganistão quase 55 mil soldados, talvez 66 mil, dependendo de como se contem. Quando tomou posse, em janeiro de 2009, havia cerca de 32 mil soldados no Afeganistão. Mais 11 mil foram convocados para partir nos últimos dias do governo Bush, mas só viajaram nos primeiros meses do governo Obama. Em março de 2009, Obama anunciou sua própria “nova estratégia para o Afeganistão e Paquistão” e despachou mais 21.700 soldados. Depois, em dezembro de 2009, em discurso televisionado para todo o país da  Academia de West Point anunciou que mais 30 mil soldados estavam de partida. Somados às “tropas de apoio”, deram nos 33 mil.
  3. Em outras palavras, em setembro de 2012, daqui a 14 meses, só metade do número total real de soldados mandados para o Afeganistão por Obama terão saído de lá.  E houve também a grande “avançada” de empresas terceirizadas – mercenários estrangeiros e afegãos, empresas, empresários e empregados – dezenas de milhares. Obama não falou sobre nada disso. Ficou oculto, como oculta está a “avançada” na construção de bases militares, que não acabou. E a “avançada” na construção da gigantesca fortaleza-base-embaixada dos EUA na região, a qual, se não foi suspensa, só pode estar continuando.
  4. Então, pelo que sabemos dos planos de guerra dos EUA no Afeganistão, dia 31/12/2014 será o da partida do último dos 64 mil soldados que Obama enviou, em “avançadas”, para lá. Em outras palavras: quase cinco anos depois de Obama ter tomado posse, mais de 13 anos depois de o governo Bush ter invadido o Afeganistão, voltamos praticamente ao número de soldados em guerra nos anos-Bush.
  5. O general norte-americano encarregado de treinar o exército afegão sugeriu, recentemente, que sua missão não poderá ser dada por concluída antes de 2017.  Além do mais, está em conversações sigilosas com o governo afegão do presidente Hamide Karzai para costurar um acordo de “parceria estratégica” que permitirá que soldados, espiões, jatos e aviões-robôs-drones fiquem por lá como “inquilinos” em alguma das bases-gigante que construímos. Lá ficarão evidentemente por anos, talvez décadas (como alguns relatórios sugerem).
  6. Em outras palavras: dia 31/12/2014, se tudo sair como planejado, os EUA estarão comprometidos, por mais muitos anos, numa guerra também caríssima, mas invisível. Essa é a verdade, como está sendo planejada nos EUA, verdade sobre a qual o presidente nada disse.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

 

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Marine
10 anos atrás

E quem fica supreso com isso?! Falando serio, vamos ser pragmaticos aqui e deixar as promessas de poiticos de lado… Quem realmente pensou do ponto de vista militar e estrategico que os EUA vao simplismente sair por completo do Iraque e Afeganistao?! Quem achou que iriamos sair de la sem deixar soldado, aviao, drone, caminhao, helicoptero algum e voltar tudo aos anos pre-9/11?! Se alguem realmente pensou que nao fosse ficar no minimo uma forca extremamente reduzida, mas capaz de pelo menos assitir o governo local em emergencia ou agir em operacoes cirurgicas estrategicas ou e cego ou extremamente ingenuo.… Read more »

cfsharm
cfsharm
10 anos atrás

Marine, Não fiquei nem um pouco surpreso, afinal… é o óbvio ululante. Quando é que os EUA deixaram um país anteriormente ocupado de forma completa??? Pelos registros históricos -nunca. Cá pra nós que o Obama pode até ser “inovador”, mas em área militar TODOS os presidentes são pragmáticos bem como a área militar. Não dá para virar de costas para um local que é altamente instável ainda – você pode até diminuir a presença mas sair totalmente seria um tremendo erro estratégico – as condições que determinaram a intervenção militar formariam-se de novo num piscar de olhos. Não é uma… Read more »

Marine
10 anos atrás

Cfsharm, E por ai mesmo. O termo atoleiro entao e usado em toda guerra pela oposicao e pela midia opositora a administracao atual, seja qual for o partido. O interessante e que sao raros os politicos ou jornalistas que entendem qualquer coisa sobre as consideracoes estrategicas sendo feitas na decisoes de saidas e permanencias militares. Sendo assim baseiam sua opiniao sobre o que e um atoleiro em simples numeros de baixas ou duracao da campanha, tipico de listas com estatisticas e simplificam a numeros uma questao tao complexa. Bem, e o modo como ignorantes e “bean counters” tomam decisoes e… Read more »

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