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Tião Viana teme violência de mercenários peruanos contra os índios isolados

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O governador do Acre, Tião Viana (PT), considera “grave” a situação na fronteira com o Peru, onde grupos paramilitares peruanos, armados com fuzis e metralhadoras, cercaram cinco funcionários da base da Frente de Proteção Etnoambiental, mantida pela Funai (Fundação Nacional do Índio), no igarapé Xinane.

A região é habitada por quatro etnias de índios isolados, que ficaram conhecidos mundialmente quando foram fotografados pela primeira vez. As imagens de dois guerreiros atirando flechas no avião da equipe da Funai, publicadas com exclusividade por Terra Magazine, em maio de 2008, tiveram enorme repercussão dentro e fora do País.

Preocupado com a segurança da equipe da Funai na região e com a possibilidade de que os índios isolados tenham sido alvo de violência dos grupos paramilitares peruanos, o governador telefonou para o ministro da Justiça, o diretor-geral da Polícia Federal, o presidente da Funai e o general do Exército José Elito Carvalho Siqueira, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

Tião Viana disse em entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia que a equipe da Funai, durante sobrevôo que fez nesta sexta-feira (5) em helicóptero do Exército, com apoio da Polícia Federal, não avistou mais a presença de índios isolados a partir das coordenadas usadas em outras ocasiões.

– Existe a preocupação de que algo possa ter acontecido com os índios isolados. O Márcio Meira, presidente da Funai, teme que esses grupos peruanos sejam como mercenários, matadores de índios. Essa ideia de alguém cruel, com o hábito de matar índios, nos apavora – afirmou.

Tião Viana defende que o Exército e a Polícia Federal, com apoio dos funcionários da Funai, realizem uma nova operação na fronteira do Acre com o Peru. Ele disse que o controle da situação exige ainda ação conjunta da diplomacia brasileira e peruana.

A Polícia Federal realizou na sexta uma operação com uso de helicóptero no igarapé Xinane, onde a Funai mantém uma base de proteção aos índios isolados, mas conseguiu prender apenas o português Joaquim Antonio Custodio Fadista.

Em março, Fadista foi detido pela equipe da Frente de Proteção Etnoambiental por tráfico internacional de droga. Entregue à PF, foi extraditado, mas voltou para a região com mais homens.

– Eu disse para o ministro Eduardo Cardozo, caso a Polícia Federal não possa permanecer na área durante um mês, que posso enviar homens da Polícia Militar do Acre. O que não posso é atuar numa área federal sem autorização – acrescentou o governador.

Viana disse que é imperioso proteger os índios, a integridade do território brasileiro e as vidas dos funcionários da Funai.

Índios isolados fotografados em 2008

– Aquela região e os povos que nela habitam são patrimônio da humanidade. Aquilo é um símbolo civilizatório de um outro tempo e de uma outra história que a gente não conhece. O ministro e o general demonstraram toda preocupação e sensibilidade. Está todo mundo alerta – assinalou o governador.

Viana não tem explicação para a presença de peruanos armados em território brasileiro, mas disse concordar com o sertanista José Carlos Meirelles, para quem a presença de grupos paramilitares é decorrente da presença de madeireiras ilegais e narcotraficantes do lado peruano.

Segundo o governador, essas atividades ilegais no Peru pressionam as populações de índios isolados a buscarem refúgio em território brasileiro. Ele disse que até traficantes estão atuando na região e que isso também exige uma ação conjunta das relações exteriores dos dois países.

– A questão se torna ainda mais grave porque os rios peruanos que desaguam no Estado do Acre dão acesso aos narcotraficantes. Se isto está aumentando, Deus nos livre. Nós temos que romper definitivamente com isso para proteção comunitária e ética. É preciso ação do estado brasileiro – afirmou.

A reportagem apurou que o governo do Acre começou a se organizar para enviar um helicóptero com policiais para dar segurança aos cinco homens que decidiram permanecer na fronteira em defesa da base da Frente de Proteção Etnoambiental e do território brasileiro.

FOTOS: Altino Machado (1) e Gleilson Miranda (2)

FONTE: Terra Magazine / Blog da Amazônia

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Antonio M

Ah…pensei que por ser do partido que é, iria dizer “para que precisamos dos militares ?!”

É para esses casos, quando a “água bate na b…” !!!