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Após ‘bronca’ de Dilma, militares endurecem reação ao governo

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Número de assinaturas em manifesto militar com críticas a ministras da presidente saltou de 98 para 235

 

Não será fácil para os comandantes militares resolverem o imbróglio criado pela presidente Dilma Rousseff que decidiu punir todos os militares que assinaram o manifesto “Alerta à Nação – eles que venham, por aqui não passarão”, que endossa as críticas a ela por não ter censurado suas ministras que pediram a revogação da lei de anistia. No novo documento os militares dizem ainda que não reconhecem a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim. Inicialmente, o manifesto tinha 98 assinaturas e na quinta-feira, após terem tomando conhecimento da decisão de puni-los, o número de seguidores subiu para 235. Agora são três os generais de exército da reserva que assinam o manifesto e um deles é o ex-ministro do Superior Tribunal Militar (STM), Valdésio Guilherme de Figueiredo, adicionando um ingrediente político à lista, não só pelo posto que ocupou,mas também como antigo integrante da Corte Militar, tem pleno conhecimento de como seus pares julgam neste caso.

Nessa quinta-feira, 1º, o Ministério da Defesa passou o dia discutindo com que base legal os militares podem ser punidos. Nova reunião foi convocada pelo ministro Celso Amorim e os comandantes militares. Mas há divergências de como aplicar as punições. A Defesa entende que houve “ofensa à autoridade da cadeia de comando”, incluindo aí a presidente Dilma e o ministro da Defesa. Amorim tem endossado esta tese e alimentado a presidente com estas informações. O ministro entende que os militares não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus superiores hierárquicos, o que é crime, de acordo com o Estatuto dos Militares.

Só que, nos comandos, há diferentes pontos de vista sobre a lei 7.524, de 17 de julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que diz que os militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão sujeitos a reprimendas. No artigo primeiro da lei está escrito que “respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público”.

Esta zona cinzenta entre as legislações, de acordo com informações obtidas junto a militares, poderá levar os comandantes a serem processados até mesmo por “danos morais”, quando aplicarem a punição de repreensão, determinada por Dilma. Nos comandos, há a preocupação, ainda, com o fato de que a lista de adeptos do manifesto só cresce, o que faria com que este tema virasse uma bola da neve. Há quem acredite que o assunto deva ser resolvido de uma outra forma, a partir de uma conversa da presidente com os comandante militares, diretamente, para que fosse costurada uma saída política para este imbróglio que, na avaliação da caserna, parece não ter fim, já que a determinação do Planalto é de que todos que já assinaram e que venham ainda a aderir ao manifesto sejam punidos.

FONTE: Estadão

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Luiz PaulotpivattoObservadorMauricio R.Requena Recent comment authors
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fabioCrescenti
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fabioCrescenti

Será que os Bananas de Pijamas vão ter coragem de fazer agora o que nunca fizeram quando ainda era os Bananas de Fardas?

Clésio Luiz
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Clésio Luiz

Muito maduro esse seu comentário fabio.

Vader
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“No novo documento os militares dizem ainda que não reconhecem a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim.”

Falar o que desse sem moral?

Esse é o nosso país…

Marcos
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Marcos

Afirmaram que vão punir os milicos.

Até agora muito blá, blá, blá…

Vai ter chibatada ou não?

Grifo
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Grifo

Senhores, o documento já passou das 300 assinaturas. Do jeito que a coisa está indo daqui a pouco chega a mil.

O ministro Celso Amorim cometeu um enorme erro. Você não fala que vai punir, você pune. Porque se falar e depois não fizer perde completamente a autoridade, como o ministro perdeu.

Não existe como punir os militares inativos por isto, os militares sabem, os comandantes também, só o ministro e a presidente não sabiam, e agora não sabem o que fazer para sair da situação que eles mesmos se colocaram.

Requena
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Requena

Perfeito Grifo.
Nada mais a declarar.
Essa eu vou assistir de camarote.

Mauricio R.
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Mauricio R.

Sugestão a excelentíssima dna Dilma:

1-) Comece punindo as 2 dondocas de seu ministério, que começaram essa zona, ao esculhambarem a legalidade da Lei da Anistia.

2-) Demita o Celso Amorim, mesmo p/ um simples aspone, ele é mto ruim!!!

Observador
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Observador

É triste ver as manifestações contrárias ao manifesto dos militares. Gente que se diz do corpo docente e que deveriam ser os primeiros a defender o livre-pensamento, na verdade são os primeiros a condená-lo. Os mesmos que se dizem tão democráticos estão dizendo aos militares “CALEM A BOCA! NÃO INCOMODEM!” Vivemos ou não uma democracia? Eles tem TODO o direito de se manifestarem contra o que consideram um atentado à Lei da Anistia. E, particularmente, é isto mesmo. A anistia foi ampla, geral e irrestrita. Para ambos os lados. Foi para colocar definitivamente uma pedra sobre o assunto. E ainda… Read more »

tpivatto
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tpivatto

Ariel Vieira: vi o mesmo programa na GloboNews que você e teve um momento em que um general da reserva questionou se a Presidenta fala a verdade, quando afirma que foi torturada. ISSO, SIM, É UMA PIADA: os milicos da reserva quererem reescrever a história!

Luiz Paulo
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Luiz Paulo

Observador disse:
3 de março de 2012 às 18:40

Professores que não toleram outra opinião a não ser a que ele ensina, parece ser normal nas universidades deste país.

A esquerda se tornou a dona da verdade nas áreas de humanas a anos, agora é só a consolidação. Mas isso creio já sabe.

Só pra não passar em branco.

Fica a sugestão – http://www.escolasempartido.org

Sds.

Observador
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Observador

Caro Luis paulo: Voce falou a mais pura verdade. Saí dos bancos universitários no início da década de noventa. O Brasil era outro, não existia plano real, se vivia há anos uma estagflação e nem de longe o Brasil era a “bola da vez”. Quase não haviam universidades privadas. Ou você passava para uma federal ou arrumava direito para cursar as poucas universidades privadas que exisitiam. Há um ou dois anos tive o imenso desprazer de adentrar novamente uma universidade pública e constatar que o debate estéril e a masturbação mental continuam os mesmos. Ensinar algo que preste para a… Read more »