segunda-feira, agosto 2, 2021

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Em 30 anos, produtividade da indústria nacional caiu 15%

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Na China houve aumento de 808% no período, reflexo de investimentos em tecnologia e educação

 

Chrystiane Silva

Nos últimos meses, a indústria brasileira tem amargado péssimos resultados. Praticamente estagnado, o setor sofre com os altos custos para produzir, com a concorrência dos produtos importados e também com a baixa produtividade dos trabalhadores.

Nos últimos 30 anos, a produtividade dos colaboradores da indústria de transformação caiu 15%. Esse indicador é calculado pelas horas trabalhadas e pelo número de funcionários do setor. No mesmo período, a produtividade dos chineses aumentou 808%. Os dados fazem parte de estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A China é a principal potência mundial e é natural que a produtividade dos seus trabalhadores seja maior. Mas o Brasil também ficou
atrás do desempenho de vizinhos como o Chile, que apresentou aumento de 82,11%, e da Argentina, que cresceu 16,98% nos últimos 30 anos. O que há de errado com o desempenho do Brasil?

Crescimento sustentado

O aumento da produtividade é uma condição fundamental para o crescimento sustentado. Entre os fatores que contribuíram para o desempenho pífio da produtividade no país estão as deficiências de educação e infraestrutura. Cada vez mais, as indústrias usam equipamentos tecnológicos sofisticados e exigem uma boa formação educacional dos seus trabalhadores, mas apenas 20% dos funcionários do setor terminaram a universidade. Além disso, o Brasil ainda temumabaixa integração com a economia global.

O indicador que mede a abertura comercial é a proporção do comércio exterior em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Quanto mais alto, melhor para a economia do país. Nos últimos três anos, ele ficou em 11% em média. Na Argentina, o mesmo indicador ficou em 20%. Apesar
de todos os avanços tecnológicos, o Brasil ainda tem uma baixa absorção de tecnologia e inovação em muitos setores, sem contarcomas
dificuldades burocráticas para abrir empresas. “O país precisaria crescer 4% ao ano para acomodar os aumentos salariais e competir com os produtos importados.

O Brasil está se dando ao luxo de ter os maiores custos de produção do mundo, matando a indústria”, diz Júlio Gomes de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Solução demorada

Para um país que precisa crescer, a baixa produtividade é um fator preocupante. “É um obstáculo que cria barreiras à competitividade externa. É preciso pensar em umaestratégia consistente de desenvolvimento industrial”, diz Gabriel Coelho Squeff, economista do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (IPEA) e autor do estudo sobre produtividade na indústria entre 1980 e 2009.

No curto prazo, com a instabilidade internacional devido à crise mundial, que se manifesta pela queda no comércio internacional e pela aversão ao risco por parte dos empresários e dos consumidores, vai ser preciso ter mais dinamismo na relação entre a produção e os trabalhadores para reativar o crescimento.

“A estrutura produtiva também precisa ser diversificada, mas não há indícios de que essas trajetórias sejam revertidas no curto prazo”, diz Squeff. Para crescer de maneira sustentada, o país vai precisar seguir o exemplo das nações que investiram em educação e hoje registram crescimento econômico como China e Coreia do Sul.

FONTE: Brasil Econômico

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Mauricio R.
Mauricio R.
9 anos atrás

Como se os petralhas estivessem mto preocupados c/ isso.

Blind Man's Bluff
Blind Man's Bluff
9 anos atrás

E qual a solução apresentada? Fechar ainda mais o cerco contra importanções e estrangular ainda mais a demanda por tecnologia, como se estivessemos defendendo a industria nacional! pff, Brasil!

Observador
Observador
9 anos atrás

O governo é totalmente culpado deste quadro, ao contrário do que pensam alguns no Facebook. Presto serviço para uma empresa brasileira que trabalha com tecnologia de ponta. Há uns dois anos, eles perderam uma grande encomenda para um concorrente inglês. Uma empresa inglesa, com seu custo calculado em libras esterlinas, com impostos caríssimos, mão-de-obra idem, consegue ser MAIS barata que a sua similar brasileira. Não há investimento em produtividadde que o empresariado faça que resolva os 33% de tributos incidentes sobre a energia elétrica, 20,9% sobre o diesel, logística por modal rodoviário feita por estradas lotadas e ruins, pagando pedágios… Read more »

Drcockroach
Drcockroach
9 anos atrás

Muito bem colocado Observador; outro dia o Ivan tb fez comentarios muito bons a respeito.

Eu apenas acrescentaria que o cambio tb eh totalmente irrealista; o Estadao, faz uns meses, chegou a publicar uma pesquisa que mostrava que bananas em SP eram mais caras que em Manhattan…

Recentemente saiu esta materia:

“Produzir no País custa mais que nos EUA”

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,produzir-no-pais-custa-mais-que-nos-eua,106403,0.htm

[]s!

Requena
Requena
9 anos atrás

“Nunca antes na história desse país” os empresários foram tão castigados.

Esse tipo de notícia revela a uma “bomba relógio” plantada pelos Petralhas em nossa economia. Não quero nem ver o que vai acontecer quando ela explodir.

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