segunda-feira, novembro 29, 2021

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Exército no Rio: ação no Alemão custa R$ 333 mi

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Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Cálculo dos gastos de 18 meses de operação foi feito pelos próprios militares a pedido do ‘Estado’; soldados deixarão a área no dia 30

 

MARCELO GOMES / RIO – O Estado de S.Paulo

Os 18 meses de ocupação pelo Exército nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, custarão R$ 333 milhões ao governo federal, segundo cálculos da própria Força feitos a pedido do ‘Estado’. No dia 30, os últimos mil militares sairão definitivamente da região, que passará para controle de autoridades estaduais.

“Nossa missão foi cumprida. A área realmente está pacificada. É um lugar mais tranquilo para se viver, com índices de criminalidade aceitáveis, padrões das melhores regiões do mundo. Não há mais a ditadura do fuzil”, resumiu o general do Exército Carlos Sarmento, comandante da Força de Pacificação.

Até o dia 30, a Secretaria Estadual de Segurança vai inaugurar quatro Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Complexo da Penha. O vizinho Complexo do Alemão, de onde as forças federais já saíram, ganhou outras quatro UPPs nos últimos meses.

Neste ano, apesar de a ocupação durar apenas seis meses, será concentrada a maior parte das despesas: já foram empenhados (reservados no orçamento para posterior execução) R$ 103 milhões. Além disso, ainda serão empenhados R$ 32 milhões, totalizando R$ 135 milhões. Em 2011, o Exército investiu R$ 130 milhões na Força de Pacificação. Em seu auge, foram mobilizados 1.800 militares.

Já em 2010 foram gastos R$ 68 milhões em apenas um mês. A ocupação dos Complexos do Alemão e da Penha pelas forças de segurança ocorreu em 28 de novembro, após uma onda de ataques de traficantes a unidades policiais e dezenas de ônibus incendiados. As ações orquestradas levaram pânico à população. Investigadores descobriram que os ataques partiram de líderes da facção criminosa que tinha no Alemão e na Penha seu quartel-general, contrariados com o avanço das UPPs.

Inicialmente, o prazo de atuação da Força de Pacificação se encerraria em 31 de outubro de 2011, mas foi prorrogado até 30 de junho deste ano a pedido do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Os R$ 333 milhões foram empregados em aquisição e manutenção de viaturas, material de saúde, equipamentos de proteção individual e de comando e controle, armamento letal e não letal, combustível e material de engenharia. Além de alimentação, pagamento de serviços de concessionárias, transporte de pessoal e manutenção e horas de voo de aeronaves do Exército. O valor supera em 22% tudo o que foi gasto em 2011 com reaparelhamento e adequação do Exército, segundo o Siga Brasil, portal de acompanhamento da execução do Orçamento federal mantido pelo Senado. Também supera em 61,6% o que foi investido no ano passado no programa Participação Brasileira em Missões de Paz.

Mudança. “Aqui era o centro logístico e operacional da facção criminosa que dominava essa região e levava terror ao Rio de Janeiro. Hoje não temos mais isso. O que temos é um tráfico de drogas local, como em qualquer outra comunidade. E procuramos, logicamente, coibir dentro do possível. Não é mais uma favela exportadora de droga, não há mais consumidores que vêm de fora comprar entorpecente aqui”, diz o general Sarmento. “Desde a pacificação, não houve um tiro de arma pesada.”

Comandante vê mudança cultural nas comunidades

Para o comandante da Força de Pacificação, general Carlos Sarmento, houve uma mudança cultural nas comunidades com a presença do Exército. “No início, houve muitas prisões por desacato, porque os moradores não estavam acostumados às leis. Tínhamos muito problema de som alto. Quando o militar pedia para o responsável baixar o som, algumas pessoas, já alcoolizadas, xingavam, atiravam pedra. Hoje a cultura do som alto diminuiu bastante. Também temos menos problemas com desrespeito à lei do silêncio após as 22h. E todos os motociclistas andam de capacete e com motos com placa dentro das comunidades. Antes da pacificação, isso era impensável.”
Nesse período, foram registradas cerca de 170 ocorrências nos Complexos do Alemão e da Penha, a maioria relacionada a crimes leves, como desobediência, resistência e ameaça. Mas também houve casos de homicídios, tentativas de homicídio e lesão corporal. A Ouvidoria da Força de Pacificação ainda recebeu 4.178 denúncias desde sua implementação. / M.G.

FONTE: O Estado de São Paulo

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