terça-feira, dezembro 7, 2021

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Turquia começa a desenvolver mísseis balísticos

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

A Turquia começou a desenvolver mísseis balísticos. Segundo informa o jornal Zaman, o Comitê Executivo da Indústria de Defesa, durante sua última reunião, aprovou a decisão de desenvolver mísseis com raio de ação de 2.500 quilômetros.

Antes,o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan encarregara o Conselho para Pesquisas Técnico-Científicas da Turquia de iniciar a elaboração de mísseis de longo alcance. O primeiro-ministro disse que a Turquia deve ampliar os projetos de desenvolvimento da indústria da defesa e abastecer o país com os equipamentos e armamentos militares necessários de produção local.

A que se deve o desejo de Ancara de ter mísseis balísticos próprios em seu arsenal?

Eis o que pensa a este respeito o vice-presidente do Instituto de Pesquisas Estratégicas Internacionais, professor Kamer Kassim:

“Se um determinado Estado quer ter em seu arsenal mísseis balísticos, isto significa que esse Estado quer adquirir certos elementos de contenção na arena internacional. Isto é possível em diferentes circunstâncias. O sistema internacional muda com o tempo. E o Estado com o qual você tem hoje relações amistosas, dentro de certo tempo pode se transformar em seu inimigo. Hoje a Turquia é, em certo sentido, uma força regional independente. E por isso ela às vezes é obrigada a interferir nas divergências que surgem na região. Não é segredo que se você tem força suficiente, seus diplomatas serão ouvidos com mais atenção. Certos interesses se formam na Turquia na situação de conflitos permanentes na região.Por isso se a Turquia quer desempenhar papel ativo nestas regiões, ela deve sempre ter certos elementos de contenção.”

O ponto de vista do ex-chefe do Conselho de veteranos da Turquia, perito militar Korai Gurbuz:

“A Turquia outrora adquiriu do Ocidente muitas armas. Mas agora nós já não queremos ser dependentes tecnológicos do Ocidente. Justamente por isso nós tentamos adquirir armas russas. E justamente por isso nós pretendemos produzir armas próprias, inclusive sistemas de Defesa anti-aérea. E gostaria de que a Rússia não apenas nos fornecessem suas armas, mas também concedesse tecnologia de sua produção. Recentemente o Irã declarou abertamente que atacará todos os países que representarem ameaça para ele. Isto se refere também à Turquia, porque ela instalou o EuroDAM da OTAN em seu território. De acordo com as declarações das autoridades iranianas, o primeiro país, que estará sujeito ao ataque dos mísseis iranianos será a Turquia. É necessário tomar certas medidas. E todas as últimas tentativas da Turquia orientadas tanto para a aquisição de armas russas, como para a criação de mísseis balísticos próprios, devem ser encaradas nesse sentido.”

FONTE: Voz da Rússia

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Bosco Jr
Bosco Jr(@joseboscojr)
9 anos atrás

Mísseis de cruzeiro são meios bélicos bem mais eficazes para levar ferro e fogo ao inimigo a grandes distâncias. A alternativa balística só tem justificativa para a entrega de armas nucleares, onde se mostra mais eficiente de modo geral que a alternativa “respirada”. Mesmo hoje, com a tecnologia em “estado da arte”, que permite aos mísseis balísticos terem precisão que rivaliza com a dos mísseis cruise, tornando-os armas táticas eficazes, os mísseis balísticos ainda perdem feio para os mísseis cruise em relação às “cargas” convencionais. A exceção é em relação aos mísseis “balísticos” (em geral são semi-balísticos) táticos (com até… Read more »

Observador
Observador
9 anos atrás

É a Turquia rumo a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, juntamente com a Índia.

É emblemática a frase do Professor Kamer Kassim:

“Não é segredo que se você tem força suficiente, seus diplomatas serão ouvidos com mais atenção.”

Não, meu amigo turco. Você está errado.

A tua afirmação é segredo hermético, insondável e incompreensível, pelo menos para os néscios que nos governam, lá de Brasília.

Observador
Observador
9 anos atrás

Em tempo:

O que a Turquia está fazendo, em outras palavras, é reivindicar uma área de influência de 2.500 km a partir de suas fronteiras. Qualquer encrenca nesta área, este país terá que ser ouvido.

Isto abraça o Mar Mediterrâneo, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Irã, Israel, Grécia, Romênia, Ucrânia, a antiga Iugoslávia…

Todo o nada saudoso Império Otomano e mais um pouco.

É encrenca que não acaba mais.

E isto leva a uma pergunta:

Onde estará Ivan “o Mapento”?

Edu Nicácio
9 anos atrás

Dois mil e quinhentos quilômetros de alcance? Bem, os caras já fazem parte da OTAN, já abrigam parte do sistema anti-mísseis balísticos, e agora querem ter poder de dissuasão longe de casa…

Bem, se eles podem, por que não podemos? Quando essa corja de vira-latas de Brasília acordará para o fato de que o mundo é um lugar louco?

wallace
wallace
9 anos atrás

Off-tópic: Jornal da Austria usa Photoshop para manipular imagens da destruição na Síria

http://www.gizmodo.com.br/jornal-usa-photoshop-para-manipular-imagens-da-destruicao-na-siria/

(guerra do photoshop)

Ivan
Ivan(@ivan)
9 anos atrás

Mapa simplificado da expansão e declínio do Império Otomano:

http://www.naqshbandi.org/ottomans/maps/

Sds,
Ivan, sem tempo. 🙂

Ivan
Ivan(@ivan)
9 anos atrás

Pequeno mapa da Turquia hoje:

https://www.joaoleitao.com/viagens/imagens/mapas/turquia/mapa-turquia-3.gif

Observar que a apesar das perdas contínuas através dos séculos, até a Primeira Guerra Mundial o Império Turco-Otomano ainda era grande. Foi nesta grande guerra (1914 a 1918) que aconteceu o final do Império.

E isto faz menos de um século… praticamente ontem!

Sds.,
Ivan.

Ivan
Ivan(@ivan)
9 anos atrás

Observador,

Como vc poderá ‘observar’ nos mapas, o alcance pretendido de 2.500 km deve atingir boa parte do antigo Império Otomano.

Mas é apenas uma curiosidade.

Abç.,
Ivan.

Mauricio R.
Mauricio R.
9 anos atrás

A Turquia pretende nivelar capacidades, que Israel possui a décadas.

giordani1974
giordani1974
9 anos atrás

“Espaço Vital” de novo? A história é um círculo vicioso…

“Não é segredo que se você tem força suficiente, seus diplomatas serão ouvidos com mais atenção.”

Já o itamaravilha e o governo bolivariano do braZil optaram pela via chiuauá…latir e fazer barulho, muito barulho…

Ivan
Ivan(@ivan)
9 anos atrás

Maurício,

Realmente seria “nivelar capacidades”, mas não apenas com Israel, mas também com outros países da região.

Abç.

Observador
Observador
9 anos atrás

Caros Maurício e Ivan, Na minha opinião, a Turquia não quer confrontar Israel, pois seria a melhor forma de dar voz aos seus próprios extremistas e arruinar o maior patrimônio deles, que é o estado laico (sem interferência do Islã), herança de Mustafa Kemal Atatürk. A Turquia quer mesmo ter hegemonia sobre os estados árabes que lhe são rivais (Egito, Arábia Saudita, Síria) e os demais estados árabes mais fracos, todos eles que já fizeram parte do Império Otomano, bem como sobre o Irã (que já fez parte do Império Otomano também). O Iraque de Saddam também era um rival,… Read more »

Bosco Jr
Bosco Jr(@joseboscojr)
9 anos atrás

País A quer mísseis balísticos = país A quer armas nucleares.

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