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Crime organizado poderá lucrar com processo de paz na Colômbia

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Vom Chef-Ideologen zum Rebellenfuehrer der FARC

Brasília – O processo de paz na Colômbia que já dura um ano não deverá ser concluído antes de maio de 2014 e poderá resultar no aumento do crime organizado com a inserção de guerrilheiros desmobilizados e militares colombianos em organizações criminosas. Foi o que concluíram os especialistas Marcus Reis, Andy Webb Vidal e Valmir Azevedo, durante o debate Farc no Brasil: mito ou realidade?, promovido pelo Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa nesta terça-feira, 10.

De acordo com Marcus Reis, especialista em terrorismo, narcotráfico e crime organizado, as Farc são uma organização mista insurgente com táticas terroristas e vinculada ao crime organizado. Segundo ele, “dos US$ 300 milhões anuais que as Farc lucram US$ 100 milhões são provenientes do tráfico de drogas e o restante é derivado do roubo de gado, sequestros e extorsão”.

Reis manifestou preocupação com o possível êxito do processo de paz e questionou onde guerrilheiros e militares altamente experientes poderão parar com o fim dos combates. Na sua avaliação, as organizações criminosas brasileiras poderão ser potenciais empregadores dessa mão-de-obra especializada.

Para o jornalista britânico especializado em assuntos estratégicos radicado em Bogotá, Andy Webb Vidal, “o negócio das drogas é tão lucrativo que não há alternativa para os desmobilizados. Um acordo de paz irá incrementar o crime organizado”. Ele afirmou que entre 800 e mil guerrilheiros das Farc irão se dedicar ao crime organizado quando o processo de paz for concluído.

Ele também vaticinou: “as Farc sabem que perderam, que nunca vão chegar ao poder pelas armas e, além disso, seus principais líderes já estão velhos e cansados e o que buscam agora é uma boa aposentadoria”. Para Vidal, a morte de Hugo Chávez complicou seriamente o protagonismo internacional das Farc.

Para as Forças Armadas, as Farc sempre se constituíram numa ameaça

 

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Brasília – “Para as Forças Armadas, as Farc sempre se constituíram numa ameaça, inclusive por conta de milícias de índios brasileiros nas fronteiras da Colômbia e Peru que teriam recebido treinamento da guerrilha”, afirmou o general de brigada do Exército brasileiro, Valmir Azevedo, durante o debate Farc no Brasil: mito ou realidade?, promovido pelo Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa nesta terça-feira, 10.

Na sua avaliação, a América do Sul lida com a vigência do crime organizado em grande escala, cujo polo de incremento é o tráfico de drogas e a pulverização de suas ações, inclusive o contrabando de armas. “Assim, a ação de bandos armados que atuam em países vizinhos, nos lindes da Amazônia brasileira, e o crime organizado internacional são alguns dos pontos a provocar preocupação”, explicou o militar.

Com a experiência de quem comandou uma brigada na fronteira com a Colômbia, o general revelou que na comunidade de Campo Alegre em São Paulo de Olivença (AM), há 300 milicianos. O interesse das Farc seria pelo fortalecimento de um grupo paramilitar aliado e por ter em suas fileiras índios ticunas.

“Durante dois anos e meio, envidamos todos os esforços para coletar informações sobre as Farc, suas posições, seus movimentos, sempre reforçando os pelotões, inclusive com armamento pesado. Mantínhamos uma r ede de ribeirinhos como os olhos da brigada”, afirmou Azevedo.

Para o especialista britânico Andy Webb Vidal também presente no debate, a tendência atual é que as Farc incrementem os negócios na Venezuela, Panamá, Equador, por conta da economia dolarizada e a necessidade de lavar dinheiro, Peru e Brasil. “Além da cocaína, a mineração e o contrabando de gasolina da Venezuela são extremamente lucrativos para as Farc”, destacou.

Andy também destacou que o Brasil é um dos países mais afetados pelos negócios das Farc. Segundo ele, “o Brasil tem muito peso e deveria estar presente nas negociações de Paz em Havana, assim como os Estados Unidos e o México por serem os três, alguns dos principais consumidores de drogas, mas ninguém fala do Brasil”.

Já para Marcus Reis, especialista em terrorismo, narcotráfico e crime organizado, “o grande problema é que o Brasil não assume que as Farc são um problema”.

FONTE: Inforel

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Antonio M
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Antonio M

Pobre América LATRINA ……..

E esse acordo de paz parecia viciado desde o início, com perdão pelo trocadilho ……

Se continuarmos assim, estamos indo a passos largos para o brejo .