O PIONEIRO- RENAULT FT 17

Os carros de combate francês Renault FT-17 foram os primeiros blindados adotados pelo Exército Brasileiro, em 1921.

Oriundo de um projeto de grande sucesso foi levado adiante por Louis Renault em colaboração com o General Jean-Baptiste Eugene Estiene, o Renault FT-17, designação que deriva da abreviatura de Char de Faible Tonnagge modelo do ano de 1917- (em tradução literal Tanque de Baixa Tonelagem).

Leve e muito avançado para a época, o pequeno FT-17 era uma máquina extraordinária. Os testes com os protótipos começaram em abril de 1917, apenas cinco meses depois de seus desenhos ficarem prontos.

Possuíam uma blindagem em aço, com 22 mm de espessura, pesavam cerca de 6,5 toneladas e eram propelidos por um motor Renault de 4 cilindros, a gasolina, com potência de 39 hp, que lhes possibilitava atingir uma velocidade máxima de 7,5 km/h. Seu armamento ficava instalado em uma torre com giro independente em 360º. Sua guarnição era formada por dois tripulantes: o motorista e o comandante, que também desempenhava a função de atirador.

Além das versões de combate, o chassi contemplava uma família ampla, formada pelo carro projetor, unidade de telegrafia sem fio (rádio), tracionador de balão de observação, transportador de ponte, fumígeno e lança-chamas.

Seu batismo de fogo ocorreu em 31 de maio de 1918, na primeira guerra mundial, e o emprego em massa foi em 18 de julho do mesmo ano.

O FT-17 foi um modelo revolucionário pelas seguintes razões:

  • Possuía uma torre com giro de 360º e duas opções: canhão Puteaux de 37 mm ou metralhadora Hotchkiss de 8 mm;
  • sua arquitetura de construção se torna uma referência entre os blindados: motor na traseira, torre no centro e sistema de direção à frente;
  • O projeto contemplou, desde o início, uma diversificada família de modelos sobre o mesmo chassis.
Na imagem, podem ser vistas as viaturas Renault FT-17, com armamentos Hotchkiss e Puteaux dos franceses, adquiridas pelo EB e que chegaram ao Brasil em 1921

Com a criação da Companhia de Carros de Assalto, em 26 de maio de 1921, sob o comando do Capitão José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, o Brasil tornou-se o pioneiro da arma blindada na América do Sul.

Com a criação da Companhia de Carros de Assalto, em 26 de maio de 1921, sob o comando do Capitão José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, o Brasil tornou-se o pioneiro da arma blindada na América do Sul.

O Exército Brasileiro adquiriu doze unidades em 1921: seis equipados com torre fundida (Berliet), armados com canhões Puteaux calibre 37mm, cinco equipados com torre octogonal rebitadada, armados com metralhadoras Hotchkiss calibre 7mm, e um modelo “TSF” (Telegrafia Sem Fio), sem torre giratória e destinado à comunicação com os escalões superiores.

Na fotografia ao lado, a primeira aparição da Companhia de Carros de Assalto, em 25 de agosto de 1922, no Campo de São Cristóvão, Rio de Janeiro
Na fotografia acima, a primeira aparição da Companhia de Carros de Assalto, em 25 de agosto de 1922, no Campo de São Cristóvão, Rio de Janeiro

Estes carros formaram a Companhia de Carros de Assalto, na Vila Militar, no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), tornando o Brasil pioneiro no emprego da arma blindada na América do Sul. A Companhia era considerada uma tropa independente, adida à 1ª Divisão de Infantaria, e o ingresso nela era aberto a oficiais de todas as armas.

Em 3 de novembro de 1921, ocorreu o primeiro exercício de blindados em conjunto com a aviação militar na Vila Militar do Rio de Janeiro. Em 21 de janeiro de 1932, a companhia foi extinta, mas alguns blindados participaram da revolução de 1932 para proteção de pontes e para atacar ninhos de metralhadoras.

A companhia de Carros de Assalto foi organizada em quatro seções. Os FT-17 chegaram no Brasil pintados de marrom escuro, mas em 1925 foram pintados na cor verde oliva. Na traseira do carro estava pintado o emblema da unidade e o nome do carro.

DIVULGAÇÃO: 3ª Divisão de Exército

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Gabriel BR
Gabriel BR
3 anos atrás

A história dos blindados no Brasil é fascinante e a França desde a proclamação da República teve um papel importante na formação da nossa doutrina militar. Aliás os franceses sempre influenciaram bastante o Brasil em todas as áreas desde os primórdios da colonização.

João Adaime
João Adaime
3 anos atrás

Interessante que os conceitos da época continuam os mesmos até hoje. Única exceção é o Merkava, que possui o motor à frente e uma porta na parte de trás.

Otto Lima
Reply to  João Adaime
3 anos atrás

João, até o T-14 Armata, o MBT mais moderno do mundo hoje, utiliza a mesma configuração do Renault FT-17. A diferença é que, no MBT russo, a torre é desguarnecida e toda a guarnição fica na dianteira do veículo, numa célula de sobrevivência.

zézão
zézão
3 anos atrás

Mas cadê a história completa? Grande visão do Capitão José Pessoa, afinal ele esteve em loco e entendeu a importância da nova arma para o combate. Quais motivos levaram à extinção da Companhia de Carros de Assalto? Como os franceses desprezamos os blindados? O resultado para frança todos sabem…

Renan (o chato)
Renan (o chato)
3 anos atrás

Muito legal essa postagem (e as relacionadas).
Comprei um kit do ft-17 em 1/35 e estou ansioso pra montagem, junto com a linha que tenho feito do EB.

Um off-topic: gostaria de sugerir ao Forte a postagem do video do Tank Chats, do Tank Museum, na Inglaterra, a respeito do nosso CASCAVEL e com muitas menções a ENGESA.
Video postado ontem e já com milhares de visualizações e comentários positivos, inclusive de utilizadores ao redor do mundo. Sem dúvida enriqueceu demais minha visão, especialmente pelo tom respeitoso e cheio de elogios ao nosso Cascavel – tão desdenhado por aqui.

JuggerBR
JuggerBR
3 anos atrás

Quais eram as deficiências dele? Seus adversários? Seu histórico de combate?