Ukraine, Donbass, vers Avdiivka. Le 21 avril 2022. Voici des membres d'une brigade dans la tranchée.

Por vezes publicamos aqui algumas das divagações apresentadas pela conta do Twitter “Tatarigami” sobre o andamento da guerra Rússia x Ucrânia. Segue mais uma tradução de uma excelente análise.

1/ Recentemente, os russos publicaram um manual descrevendo táticas para combater os ataques ucranianos. Este guia baseia-se em encontros recentes com a 23.ª Brigada Mecanizada em Junho e Julho de 2023, particularmente durante a libertação de Novodarivka e Levadne.

2/ É crucial notar que os russos estão apresentando a sua perspectiva sobre as unidades ucranianas e as suas ações, com base na sua experiência com uma única brigada mecanizada ucraniana. Este ponto de vista deve ser cuidadosamente ponderado antes de ser extrapolado para toda a linha da frente.

3/ Os russos descrevem a seguinte configuração usada pelas unidades ucranianas: As equipes de assalto são compostas por 20 membros, divididos em quatro subgrupos de cinco [no Exército Brasileiro estes subgrupos são chamados de “Esquadra”, e são compostos por quatro militares]. Dois grupos formam um subgrupo de assalto [no Exército Brasileiro duas Esquadras foram um GC – Grupo de Combate]. O terceiro serve como um subgrupo de consolidação. O quarto funciona como um subgrupo de reserva.

4/ Cada ‘equipe de cinco’ deve incluir um operador de metralhadora pesada e um operador de rádio. O número de operadores de lançadores de granadas é determinado com base na situação. Os intervalos e a distância recomendados entre soldados são de 7 metros.

5/ Funções primárias dos subgrupos de assalto (cinco): – 1º subgrupo de assalto: avança secretamente e enfrenta o inimigo, contém o inimigo ao ser detectado e assegura posições assim que a tarefa é cumprida;

6/ – 2º assalto mantém distância visual do 1º grupo, reporta passagem do primeiro grupo para os demais, e após o 1º “cinco” iniciar tiroteio, o subgrupo realiza manobra de flanco ou aproximação pela retaguarda; Se o primeiro grupo recua, ele o cobre;

7/ – 3º subgrupo (consolidação) mantém uma distância de 50-150m do 2º subgrupo, visando montar posições para consolidar ganhos. Se o ataque inicial falhar, eles cavam, para facilitar o reforço para novos ataques ou para cobrir a retirada dos grupos líderes;

8/ – O 4º subgrupo (reserva) permanece a 300m do 3º subgrupo e forma uma retaguarda hipotética para grupos de abastecimento, evacuação e apoio de fogo. Pronto para servir como reserva, se o avanço for bem-sucedido – explora os ganhos; se as reservas inimigas se aproximam, avança para combatê-las.

9/ Os russos destacam o sucesso desta tática, reconhecendo a sua contribuição para a captura das posições russas. Em resposta, eles apontam a eficácia do emprego de minas antipessoal, citando a quase impossibilidade de desminagem de todas as minas em tais cenários.

10/ Eles também recomendam estabelecer posições enganosas que pareçam genuínas, engajar-se intermitentemente em disparos a partir desses locais falsos e simular atividades ali. Eles aconselham o uso ocasional de dispositivos de comunicação nessas posições.

11/ Os russos observam que as unidades que viajam a pé, especialmente aquelas que transportam equipamento pesado como AGS ou morteiros, sofrem uma rápida exaustão física. No entanto, eles não detalham como essa vulnerabilidade pode ser explorada.

12/ Em resumo, gostaria de destacar que o tempo de Antecipação-Ação-Reflexão diminuiu notavelmente. Isto permite-lhes compreender e ajustar às nossas tácticas muito mais rapidamente em comparação com o passado, quando os russos demoravam meses a adaptar-se.

13/ Simultaneamente, não apresentaram uma abordagem inovadora para combater estas tácticas, para além de fazer referência a métodos já utilizados, como a implantação de posições falsas e minas.

14/ À medida que a guerra continua, vemos menos formações grandes e um uso crescente de pequenas unidades táticas, que apresentam alvos menos visíveis em comparação com unidades mecanizadas. Estes últimos tornaram-se alvos frequentes de drones FPV, equipes ATGM e minas AT.

Subscribe
Notify of
guest

33 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
Heinz
Heinz
9 meses atrás

A guerra atual moderna é isso ai, pequenas frações de soldados bem treinados e equipados e digo mais, corajosos porque cada passo que você de pode ser o da sua morte, seja pisando numa mina, um drone kamikaze indo ao seu encontro, um atirador furtivo e etc. Já vimos que grandes formações de combate são facilmente detectaveis e se o inimigo tiver armamento pra te aniquilar, ele vai fazer sem o menor pudor

Jorge
Jorge
Reply to  Heinz
9 meses atrás

Inúmeros desses grupos a pé já foram identificados e neutralizados pelas forças russas, com vídeos como os ucranianos fazem. Todos sabemos que a população de ucranianos dispostos a lutar uma guerra perdida diminui e muito. Dessa forma, O Zélenki recruta mercenários com o dinheiro do ocidente bancado pelo africanos e Sul-americana.

RDX
RDX
9 meses atrás

Essa análise antecipa como serão as guerras no futuro. Apenas pequenas frações, levementemente armadas, desmontadas e furtivas sobreviverão em um cenário dominado pelos drones. Cabe salientar que os exércitos que não dominarem a guerra dos drones (emprego e capacidade de mitigar a ameaça representada pelos drones) estão fadados à irrelevância.

Heinz
Heinz
Reply to  RDX
9 meses atrás

Na minha opinião muito em breve vai haver contramedidas muito capazes contra os drones.

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
Reply to  RDX
9 meses atrás

“Cabe salientar que os exércitos que não dominarem a guerra dos drones (emprego e capacidade de mitigar a ameaça representada pelos drones) estão fadados à irrelevância.”

Igual certas FA’s…?

Emmanuel
Emmanuel
9 meses atrás

Para quem acha que isso é típico de guerra moderna, leia:
Ação das pequenas unidades alemãs na campanha da Rússia.

Os alemães já usavam essa tática de pequenos grupos na Segunda Guerra Mundial.

E se voltar mais um pouquinho no tempo, leia sobre as tropas de choque alemãs na primeira Guerra Mundial, as Stormtroopers (Sturmtruppen). Tropas de assalto especializadas em invadir e sequestrar.

O que acontece hoje no campo de batalha não é uma tática nova criada para as guerras modernas, mas algo que vem evoluindo há mais de 100 anos.

Vinicius Momesso
Vinicius Momesso
Reply to  Emmanuel
9 meses atrás

E pior é achar que “guerra de trincheiras é coisa do passado”. Com o advento dos drones, se abrigar em uma trincheira bem camuflada é essencial a sobrevivência.

paulop
paulop
Reply to  Emmanuel
9 meses atrás

Eu tenho esse livro. É um manual sobre imprescindível pra quem deseja entender a Guerra moderna. Super recomendo a leitura.

Emmanuel
Emmanuel
Reply to  paulop
9 meses atrás

Livro fantástico.

Leitura obrigatória, também, é “Ataque de Infantaria”, de Rommel.
Livro dificílimo de encontrar. Relata as ações dele na Primeira Guerra Mundial.

Mustafah
Mustafah
Reply to  Emmanuel
9 meses atrás

Vc encontra o livro “A Infantaria Ataca” de Erwin Romell na Amazon

Vitor
Vitor
9 meses atrás

Reflexão ou muda tática ou é aniquilado pelo oponente.

paulop
paulop
9 meses atrás

Essas análises são muito pertinentes para a Guerra moderna. Caberia ao EB fazer uma reflexão acerca do seu Pel Fuz. Será que a atual configuração é armamentos são adequados? Sua mobilidade é garantida por todos os meios? O Pela atua em rede, dentro de um ambiente multidimensional?
Algumas reflexões para instigar o debate. Abraço.

Brandão
Reply to  paulop
9 meses atrás

O EB evoluiu bastante quanto à configuração e emprego dos Pel Fuz, em muitas situações os GC’s atuam descentralizados, porém o mesmo não ocorre nível esquadra.
Quanto ao equipamento, também evoluímos, FAL já foi substituído em várias OM’s (pelo IA2), em menor escala, mas também está ocorrendo substituição do FAP pela mínimi, coletes melhores, capacetes melhores, rádios melhores….
A mobilidade é definida pelo tipo de infantaria (motorizada, mecanizada, automóvel, paraquedista, selva….), que são providas de meios de mobilidade de acordo com sua natureza e emprego.

Rick
Rick
Reply to  Brandão
9 meses atrás

Desculpe qual OM do Exército vc viu essa tática sendo realizada? Em BIL ? Desculpe mas o equipamento é velho, soldados fazem faxina durante a maior parte do tempo e nenhum oficial ou graduado sabe tática…

Brandão
Brandão
Reply to  Rick
9 meses atrás

amigo, todos os soldados no mundo fazem faxina em seus aquartelamentos. nível de adestramento e meios vai variar de acordo com a prioridade, também é assim em todos os exercitos do mundo.
o mesmo soldado que está fazendo faxina e sendo rotulado, também é um operador de armas coletivas, radio operador, sapador, explorador….
Nunca servi em BIL (só fiz estagio), mas….entendedores entenderão…

Mustafah
Mustafah
Reply to  Brandão
9 meses atrás

Recrutas mal atiram, são preparados para tirarem Guarda e manutenção dos aquartelamentos, essa é a triste realidade, além de Sargentos mal preparados , sem iniciativa, treinados para receberem ordens de seus Tenentes e nada mais

Brandão
Brandão
Reply to  Rick
9 meses atrás

Falar mal do SEU exército não soma em nada, falar que ninguém sabe sobre tática….diga pra todos aqui o que é uma manobra tática, uma ação estratégica….
leio aqui para aprender, ensine sobre tática, por favor!

Heinz
Heinz
Reply to  Rick
9 meses atrás

“nenhum oficial sabe tática” papo de militante se conhecimento algum

jose pereira
jose pereira
9 meses atrás

O Brasil produz minas terrestres ?

off topic – há matéria sobre o MBT VT4 e VT20 chinês oferecido ao Brasil ?

Vi imagens de militares brasileiros visitando a Norinco para conhecer

comment image

jose pereira
jose pereira
Reply to  jose pereira
9 meses atrás

o vn 20 oferecido ao Brasil

comment image

Heinz
Heinz
Reply to  jose pereira
9 meses atrás

Essa é uma oferta muito interessante, e que o EB deveria olhar com carinho, principalmente porque os chineses estão dispostos a transferir tecnologia e fabricá-los aqui, sem contar que estão abertos a trocar a torre do veículo pela torre que o centauro 2 utiliza. E colocar no VN-20 a Remax, ut30 Br ou a torc 30

Orivaldo
Orivaldo
Reply to  jose pereira
9 meses atrás

Parece uma foto dos anos 90

Brandão
Reply to  jose pereira
9 meses atrás

Sim, TAB 1 (anti pessoal), e TAB 2 (anti carro).
Interessante é que a TAB 1 serve como acionador da TAB 2.

Brandão
Reply to  Brandão
9 meses atrás

Inclusive, nossa engenharia, tanto no EB quanto no CFN, tem uma expertise muito relevante no trato à minagem e desminagem.

MATHEUS AUGUSTO
MATHEUS AUGUSTO
Reply to  Brandão
9 meses atrás

Bom saber que produzimos nossas minas terrestre. O Brasil não está tão ruim assim.

Nilton L Junior
Nilton L Junior
9 meses atrás

Então é esse tipo de formação que é dizimada pela artilharia Russa.

Brandão
Reply to  Nilton L Junior
9 meses atrás

Artilharia existe em ambos os lados, e fogos de artilharia batem área e não ponto, logo pequenas frações são mais difíceis de serem batidas por tais fogos.

Nilton L Junior
Nilton L Junior
Reply to  Brandão
9 meses atrás

A questão é quem tem mais projeteis, se você acompanha o conflito é notório a quantidade de fogos dos Russos, atiram em tudo que mexe.

Brandão
Brandão
Reply to  Nilton L Junior
9 meses atrás

Não acompanho o conflito, creio que nem o senhor e ninguém aqui.
Sabedores saberão.

Brandão
Brandão
Reply to  Nilton L Junior
9 meses atrás

kkkkkkkkkkkkkkk
“tá de sacanagem, xerife?
“O senhor é um fanfarrão!!”

Magaren
Magaren
Reply to  Nilton L Junior
9 meses atrás

hahahah que _______

COMENTÁRIO EDITADO. DEBATA AS OPINIÕES SEM ATACAR AS PESSOAS. LEIA AS REGRAS DO BLOG:

https://www.forte.jor.br/home/regras-de-conduta-para-comentarios/

Antunes 1980
Antunes 1980
9 meses atrás

Se manter essa tática de pequeno efetivo, a guerra se prolongará por décadas.

Ambos os lados estão no limite de suas forças.

Sem uma grande mobilização área e terrestre, essa guerra ficará igual a divisão das Coreias.

Mustafah
Mustafah
9 meses atrás

Cabe o registro de que pelotões formados por 20 combatentes em esquadras de 5 pessoas , já foi utilizado com muito sucesso pelos portugueses em Angola e Moçambique no final da década de 60 e início da década de 70, durante as guerras coloniais portuguesas, com muito sucesso, já passou da hora das FFAA começaram a ilha e para outros lados que não a doutrina americana.