Marcha

Por Sergio da Motta e Albuquerque em 11/03/2014

ClippingO jornal O Globo (sábado, 8/3, pág. 6) publicou matéria anunciando a reedição da “Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade” para o dia 22 de março, em São Paulo. O movimento é liderado por grupos conservadores que operam nas redes sociais e acreditam que o país caminha para o comunismo. Movimentos anarquistas e “comunistas”, de acordo com a reportagem, organizaram, para o mesmo dia e hora, a “Marcha Antifascista”, e “prometeram levar aos conservadores a verdadeira baderna do povão”. O título da matéria anunciava um “duelo de extremos” para a sexta-feira, 22 de março.

É estranho encontrar gente que ainda acredita em comunismo. É absurdo crer que o Brasil estaria seguindo os caminhos de Cuba, que ainda não sabe muito bem para onde ir desde que perdeu o suporte da extinta União Soviética. Hoje não temos mais uma conjuntura política internacional como a dos anos 1960, quando o mundo ainda acreditava na propaganda soviética sobre suas supostas grandes conquistas sociais. O comunismo já era então uma farsa, ofuscada pelo sucesso inicial dos comunistas russos na corrida espacial. No mundo polarizado da Guerra Fria, a União Soviética anunciava-se ao terceiro mundo como uma alternativa concreta e bem-sucedida ao capitalismo.

Na realidade, a marcha original, que serviu como suporte ao golpe militar de 1964, não foi uma só: em março e abril de 1964 aconteceram vários protestos organizados por setores conservadores da sociedade, assustados com as propostas de João Goulart e temerosos diante da possibilidade de uma virada à esquerda do regime político brasileiro.

Contra o Estado de direito

A marcha anunciada para o dia 22/3 não se sustenta na atual conjuntura política nacional ou internacional: não há mais espaço para a volta dos militares ao poder ou pavor racional do comunismo na sociedade brasileira. O Brasil não é mais o país que era 50 anos atrás, e o mundo também não. O retrocesso de uma possível – mas improvável – volta dos militares ao poder teria um impacto extremamente negativo para o país no exterior. Além de consequências econômicas e políticas imprevisíveis e perigosas. Afora isso, os militares em 1964 tinham outro perfil: conspiravam no Clube Militar e eram bastante politizados. Hoje eles não têm o mesmo papel de destaque na política nacional como no pós-guerra e durante a Guerra Fria.

A organização do Partido Militar e a pressão que alguns setores das forças armadas fazem para viabilizar a candidatura do general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira para a Presidência da República são fenômenos de exceção ligados à atual situação dos salários dos militares, ao sucateamento das forças armadas e à necessidade que parte de população tem de apelar para a “mão pesada” da autoridade para resolver os problemas da nação de forma militarizada, sem oposição, contestação ou protestos. A democracia não funciona assim.

Enquanto isso, as organizações de direita e esquerda preparam suas manifestações: a página do Facebook “Marcha da Família e Intervenção Militar” anunciou que “Intervenção não é ditadura”. Querem o regime militar de volta para evitar que “o Brasil acabe como Cuba ou Venezuela”. Outros fazem enquetes sobre a candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) para presidente da República. Pregam abertamente a derrubada violenta de um Estado de direito. Isso é crime em muitos países do mundo. Mas o “movimento” parece não ter muita força: convidaram 17.920 pessoas, e até sábado (6/2) apenas 1.217 pessoas confirmaram presença.

Notícia irresponsável

No polo oposto, a página da “Ação Antifascista Brasil” mostra um panorama bem diferente. Há rejeição à violência e um nível de consciência crítica mais elevado. Isso sem falar do português bem melhor em quase todas as postagens. O que mais me impressionou foi o post de um rapaz da Escola de Comunicação da UFRJ que demonstrou preocupação com o rumo que a mídia tenta dar às manifestações programadas. A quem interessa um cenário de baderna e violência? Quem vai ser o beneficiado se houver confronto, violência e gente ferida nas manifestações? Quem quer silenciar a voz legítima das manifestações populares transformando-as em terrorismo? Com lucidez, ele pediu paz durante a marcha e o fim das classificações maniqueístas que alimentam o ódio nas ruas. Ele não gosta do nome “Marcha Antifascista”:

“Façamos uma marcha do povo com o povo pela liberdade ou com o lema ‘Ditadura nunca mais’. Vamos superar essas oposições que só perpetuam umas as outras. A maioria que vai nessa marcha conservadora nem sabe o que é fascismo. São coxinhas. Não os transformemos em fascistas.”

O jovem ainda conseguiu fazer uma crítica pertinente ao Globo e seu artigo sobre extremos em confronto, ao denunciar a matéria – que também foi publicada na web (8/3) em versão reduzida. Segundo o estudante, O Globo, com sua manchete belicosa, reforçou extremismos em ambas as manifestações. Segundo o rapaz, o jornal está a “endossar polarizações estagnantes e acríticas”. E este tipo de reportagem “serve a um contexto de radicalização que no passado serviu de justificativa para o golpe militar”.

Louvável a argúcia do jovem estudante. Ele percebeu a armadilha da mídia, que tentou criar uma irresponsável cena de batalha campal por meio de uma notícia provocativa e irresponsável. O momento é delicado e não permite esse tipo de jornalismo insensato.

Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor

FONTE:  Observatório da Imprensa

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Jornalista especializado em temas militares, editor-chefe da revista Forças de Defesa e da trilogia de sites Poder Naval, Poder Aéreo e Forças Terrestres. É também fotógrafo, designer gráfico e piloto virtual nas horas vagas. Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/alexandregalante

41 Responses to “Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade em 2014” Subscribe

  1. Leonardo Pessoa Dias 11 de março de 2014 at 14:08 #

    Bom saber que existe liberdade para até este tipo de aberração. Melhor ainda saber que a adesão é praticamente nula.

    Vejo apenas debates sobre repetir o passado como solução para o futuro. Isto é a mesma coisa que ignorar a vacinação em favor da fé.

    Ainda não vi uma única discussão sobre como investir os recursos do Pré-Sal destinados à educação. Se haverá uma revisão no tipo arcaico e ineficiente de organização e ensino do conhecimento. Muito menos se haverão bonificações adicionais, um plano de salários que atraia competências e etc.

    O que falar sobre como planejar a saúde? Se esse programa dos Mais Médicos está dando resultado, como difundir médicos especialistas aos pontos menos desenvolvidos do país… Nada, silêncio da nossa parte.

    Os assuntos que mais orbitam aqui na Trilogia é como seria ótimo o PT queimar no inferno, uma potência estrangeira tomar o poder no Brasil (francamente…) ou a volta da ditadura militar como método de organizar e governar o povo brasileiro em pleno século XXI.

    Ao invés de ficamos presos à ideia de salvação divina, como a simples troca do partido ou políticos que estão na situação, ainda não vi ninguém discutindo que para mudarmos o Brasil que todos sentem vergonha e acham que poderia ser uma Suíça, por que não colocar a mão na massa?

    Entender que 70% da nossa vida é responsabilidade do município em que se vive. Que o resultado acontece de fato quando votamos e acompanhamos o que é feito na nossa assembléia municipal.

    Jogar a discussão para a Dilma, o PT ou qualquer outro figurão da política nacional não irá mudar o seu saneamento básico, saúde e sua segurança. Estes são os papeis do município e do estado. Má gestão aqui não se muda com qualquer mágica que venha do Planalto.

    Muito se engana quem pensa que estas discussões são de “responsabilidade do governo”. Nós, cidadão em exercício, é que temos a obrigação de levantar estes assuntos para debate; exatamente como se faz quando se discute a volta da ditadura ou o fuzilamento de quem apoia o PT ou a situação.

  2. edurval 11 de março de 2014 at 14:51 #

    Leonardo Pessoa Dias 11 de março de 2014 at 14:08 #

    Obrigado, você é uma luz em um mundo de escuridão.

    Mais infelizmente é mais fácil endemônizar o inimigo.

    Ai vem sempre o papo de Americanus malvadus, rasgação de calcinha ou síndrome de vira-latas.

    Senhores, os americanos não são bons ou russos não são anjos os europeus não são gente boa.

    Entre países não existe amizade, existe interesses, nada impede que se faça negócios com os americanos ou com os russos.

    Mais aqui quando se faz negocio com os Franceses é roubo, quando se faz negocio com Russos é ideologia, essa ladainha é cansativa.

    Se existe roubo ou se existe visão ideológica em uma negociação não é culpa dos franceses ou dos russos e culpa dos nossos políticos brasileiros.

    Então pelo amor de Deus parem de colocar a culpa nos estrangeiros e abram os olhos na hora de votar e como o Leonardo Pessoa frisou lembrem-se de votar direito nos seus prefeitos e vereadores, pois a melhora da sua vida se deve principalmente a sua cidade.

    Ps. Moro em Volta Redonda, não tenho nada a reclamar da minha cidade (idh 0,771 4ª pos.RJ), o atual prefeito esta no seu 4º mandato e nem me importo com o seu partido mais com a sua administração.

    Vida Longa e Prospera a todos.

  3. Rafael Oliveira 11 de março de 2014 at 14:59 #

    Leonardo, concordo com quase tudo que você escreveu.

    Só que discordo da importância da União, porque os Estados e Municípios, apesar de terem responsabilidades, não têm dinheiro para arcar com elas (principalmente os Municípios).

    Aí precisa ir toda hora em Brasília firmar convênios e parcerias para receber uns trocados do Governo Federal.

    Essa centralização da arrecadação tributária e sua destinação não é de hoje, mas eu considero importante votar em alguém que tenha a proposta de mudar isso com uma reforma tributária decente, pois isso afetaria e muito as nossas vidas.

    Infelizmente não conheço um partido que defenda isso.

  4. mbalbi69 11 de março de 2014 at 15:15 #

    Será que o mestre, autor do artigo, nunca ouviu falar em Foro de São Paulo?Estou em dúvida: será ele um inocente útil ou um companheiro de viagem?

  5. Sniper 11 de março de 2014 at 17:14 #

    O nivel de cretinice desse artigo chega a ser ESTRIDENTE!

  6. Colombelli 11 de março de 2014 at 18:39 #

    Quem está no comando é responsável. Assumam ou sumam.

    Eles são criticados aqui e estão na berlinda porque são incompetentes. Quem não quer responsabilidade e crítica que não pegue compromisso. A responsabilidade e a culpa são sim do governo que é quem tem maior poder e capacidade de mudança. E o governo federal tem o congresso na mão. Quem é incompetente, corrupto e clientelista tem que queimar no inferno mesmo.

    Leonardo, as estas alturas um governo de ocupação estrangeira é capaz de ser menos danoso e corrupto, e pensar mais no Brasil ( por puro profissionalismo) do que um que só pensa nos “cumpanheiros”: cuba, bolívia venezuela et alii.

    Os irmãos castro agradecem os 500 milhões de reais que foram mandados pra lá no programa mais médicos ( pro governo cubano, não pras familias dos profisionais), quando qualquer pessoa que trabalha com saúde sabe que o gargalo é a falta de equipamentos e estrutura e não médicos. Como eu sei: mais de doze anos trabalhei com demandas judiciais de saúde, primeiro propondo e depois julgando. Quando há condições, o médico brasileiro vai ir trabalhar na pior das bibocas. O que não pode é exame do SUS demorando 04 anos, como noticiado estes dias atras no site BOL, em um caso ocorrido, se não me engano, em Brasília. Quem quer trabalhar sem condições mínimas? Só os cubanos, porque qualquer coisa é melhor que estar em Cuba.

    Ja o ensino, bem, quando se vê o ministro que assinou a lei do piso nacional, agora governador, enrolar os professores do seu estado prometendo publicamente que iria pagar e depois de quatro ou cinco meses não só não pagar como, ainda, entrar na justiça contra o piso nada mais precisa ser dito. O senhor tarso genro. Isso não é passível de crítica? As coisas começam por ai, começam pela baderna do ENEM; começam com o senhor mercadante mascarando estatísticas para tentar dizer que a situação do ensino melhora, apesar de desmascarado por estudos e levantamentos internacionais. Lembram disso? Começam com cotas querendo empurrar pessoas despreparadas pra universidade para fim estatistico, ao invés de qualificar o ensino de base. E a solução? a solução é fazer qualquer coisa diferente de todas estas coisas que o PT está fazendo.

  7. Vader 11 de março de 2014 at 19:16 #

    Blábláblá de idiotas úteis. Colombelli disse tudo, mas eu complemento: estamos chegando no ponto de se fazer uma escolha: ou se é PeTralha ou não. Em cima do muro é que não dá mais pra ficar.

    Eu já fiz a minha, e topo QUALQUER coisa pra tirar a corja esquerdopata do poder. Porque pior do que está é impossível ficar.

  8. aldoghisolfi 11 de março de 2014 at 19:28 #

    Colombelli e Vader: eu não perco chance de detonar com essa complacência dos outros colegas; não respondo porque o Colombelli disse tudo o que precisava ser dito e tu complementou muito bem.

    O Brasil se tornou o país do estelionato, da sem-vergonhice, da fraude, da incompetência, da impunidade, da bagaceiragem, do Lula e da Dilma, dos mensaleiros, das balas perdidas, dos black blocks, da bixeza, da falta de educação, das telefônicas etcetcetc tanta porquera que nem posso lembrar.

    Mas me associo a vocês perguntando porque essa gente complacente não se muda para a Cuba? Bolívia? Rússia? China? Albânia? Bulgária da Dilma?

  9. Antonio M 11 de março de 2014 at 23:16 #

    O Colombelli foi muito feliz em sua colocação.

    Agora, por que “aliviar” para o lado do governo e de seus militantes e ideologia aos quais é permitido qualquer tipo de associação e ação? Vide foro de são paulo, black blocs e o escambau e até os “antifscistas” agora, para esses tudo é legítimo ?!?!?!?!

    E que alguém pode me explicar as frases e gestos como “companheira de armas” e o manjado braço levantado com o punho cerrado tripudiando sobre decisões penais ?!?! São inerentes a que tipo de regime/ideologia mesmo para que depois venham afirmar “absurdo querer seguir Cuba” ?!?!!? Li certa vez, em uma análise de certas posturas e frases do noço guia, que bolcheviques são assim mesmo, quando desdenham de alguma coisa é a senha para dizer que o querem é exatamente aquilo.

  10. Antonio M 11 de março de 2014 at 23:17 #

    O Colombelli foi muito feliz em sua colocação.

    Agora, por que “aliviar” para o lado do governo e de seus militantes e ideologia aos quais é permitido qualquer tipo de associação e ação? Vide foro de são paulo, black blocs e o escambau e até os “antifscistas” agora, para esses tudo é legítimo ?!?!?!?!

    E que alguém pode me explicar as frases e gestos como “companheira de armas” e o manjado braço levantado com o punho cerrado tripudiando sobre decisões penais ?!?! São inerentes a que tipo de regime/ideologia mesmo para que depois venham afirmar “absurdo querer seguir Cuba” ?!?!!? Li certa vez, em uma análise de certas posturas e frases do noço guia, que bolcheviques são assim mesmo, quando desdenham de alguma coisa é a senha para dizer que o querem é exatamente aquilo.

  11. Sniper 12 de março de 2014 at 0:11 #

    Colombeli,

    voce foi perfeito na analise. Como se diz aqui na minha terra: “botou pra TORAR!”

    Saudacoes

  12. Antonio M 12 de março de 2014 at 0:20 #

    E pensando bem, é melhor que a gerentona seja reeleita mesmo pois aí terá de lidar com toda essa lama feita pela “marolinha”, dos gastos com Copa e Olimpíadas e da incompetência para lidar com a economia.

    Não isento outro candidato caso que venha a ganhar pois sabe onde está se metendo mas é óbvio que não terá tempo nem condições de reverter tudo isso então, se dedicaria muito mais tempo em ações demagógicas e de locupletar do que fazer algo pelo país.

    E entregaria de bandeja o poder novamente para essa corja.

    O problema é se nesse tempo surgiria de fato alguma oposição decente e verdadeira pois o que temos atualmente, em um cenário honesto, não podem ser chamados de opositores.

  13. Rafael Oliveira 12 de março de 2014 at 0:34 #

    Colombelli,

    “Quem está no comando é responsável. Assumam ou sumam.” – Concordo, apesar de achar que seja impossível implementar reformas drásticas, os governantes são responsáveis pelo cenário político, econômico e social. Quantoa sumir, cabe ao povo decidir e não a eles próprios, como foi no tempo da ditadura militar.

    “Eles são criticados aqui e estão na berlinda porque são incompetentes.” – Infelizmente, não acho que o PT esteja na berlinda. Eleições não são previsíveis, mas, se fosse apostar, acho que Dilma será reeleita, em parte, por falta de bons candidatos na oposição e, principalmente, porque nenhum partido defende algo muito diferente do que o PT já faz.

    Invasão estrangeira – sou contra qualquer uma, seja da China, seja dos EUA.

    Médicos – Falta estrutura e faltam médicos também. Em números relativos, o Brasil tem pouco mais da metade de médicos do que nos países europeus mais desenvolvidos. Não concordo que um cubano ganhe menos do que um brasileiro ou estrangeiro que exerça a mesma função, mas vejo uma certa hipocrisia em se crtiicar os escravos cubanos e, ao mesmo tempo, comprar produtos fabricados por escravos chineses.

    Saúde em geral – é óbvio que temos que relativizar o momento histórico, porque, a menos que a incompetêcnia dos governantes seja extrema, há uma tendência em se evoluir no atendimento das necessidades básicas da população ao longo dos anos. De qualquer forma, o atendimento à saúde da população é muito melhor hoje do que na época da Ditadura Militar (e muito mais, se retrocedermos no tempo), conforme comprovam dados como mortalidade infantil e expectativa de vida (a relação não é direta e unívoca, mas esses dados permitem que se julgue que as condições de atendimento à saúde das pessoas é melhor agora do que era antes);

    Tarso Genro – Um hipócrita e político de quinta categoria. Concordo plenamente com a sua crítica.

    Sobre a educação, tentei pesquisar o “nível” da educação em tempos pretéritos, em especial comparando com outros países, e não achei dados. Se alguém tiver, fico agradecido se postar o link. De qualquer forma, no trabalho como mesário na Justiça Eleitoral nunca vi um jovem analfabeto. Já idosos eu vi muitos. Ademais, julgo como insatisfatórias as escolas públcas em que estudei na década de 90, mas tenho sinceras dúvidas se quem estudou antes realmente teve um bom ensino. Se alguém que estudou na década de 70 puder analisar uma prova como a da Fuvest e dizer que aprendeu o suficiente para ir bem nela, eu retiro as minhas dúvidas.

    Aldo, não é porque eu acho o governo do PT menos pior que a Ditadura Militar que eu apoio países totalitaristas. Sou contra qualquer ditatura e esse é um dos motivos pela minha opção acima. No mais, a política econõmica predominantemente estatizante é comum nos dois casos, algo que eu também não simpatizo.

    Ainda, é difícil comparar o Brasil atual com o Brasil da época da Ditatuda, porque transparência não era o forte daqueles tempos e a Lei da Anistia veio bem a calhar e, possivelmente, encobrir diversas atitudes criminosas (dos dois lados, a bem da verdade). De qualquer forma, a impunidade é um problema gravíssimo nos tempos atuais, para todos os crimes e não acho que a atuação governamental seja boa. Muito pelo contrário: varia de ruim a péssima, dependendo do estado.

    Antonio M, para mim, quem comete crime de dano deve responder criminalmente por isso, sendo o fato de ocorrer durante uma manifestação irrelevante.

    Quanto aos mensaleiros levantando o punho, para mim, o policial próximo deveria algemar os vagabundos, mesmo o STF (com poucos membros indicados pelo PT, à época) tendo criado a súmula imbecil que proibe o uso de algemas de forma injustificada..

  14. Antonio M 12 de março de 2014 at 1:10 #

    Há certa razão no trabalho escravo na China porém, que devido aos protestos e medidas internacionais tem ocorrido mudanças, e até greve tem acontecido na China, mas o nosso governo atual aceitou alegremente a defesa da China como economia de mercado em troca de apoio à cadeira no CS da ONU, apoio este que foi retirado assim que o tal GF declarou tal reconhecimento e ainda permitiu maior abertura aos produtos chineses para entrarem aqui. Se ao invés disso tivesse feito a reforma tributária, fiscal, trabalhista poderiamos estar comprando mais produtos feitos no Brasil. E o caso da China não é facil de se resolver, graças as suas “características” por exemplo, a vitamina C é prouzida 99% na China e laboratórios europeus desistiram a tempos da concorrência pois é impossível nessas condições. No caso dos médicos cubanos, pagar o governo cubano para que isso ocorra em nosso território que é vexatório. A incapacidade do governo de formar médicos onde sejam necessários se resolve com esse tipo de “importação” ?!?!!?

    Ainda quanto à saúde, a colocação do Colombeli é mais realista pois médicos nos rincões até mesmo os militares levaram com o projeto Rondon, levam ainda hoje sendo o único meio de obterem serviços de saúde. E são mais ou menos 60 anos em que índices de mortalidade e subnutrição caem, em maior ou menor grau mas, caem no Brasil. Segundo o IBGE a mortalidade infantil no Brasil caiu 75% nos últimos 30 anos e sabemos que medidas assim, como econômicas, não tem efeito imediato e levam até anos para apresentar resultados então, algo foi feito nos governos anteriores, inclusive dentro e anteriormente ao governo militar.

    E lembrando que além da tal falta de transparência, a evolução dos meios de informação exponencialmente e também a melhora no acesso à educação permitiu melhor impressão do que é feito ou não, apesar de ainda sermos uma país com alto grau de analfabetismo funcional e ainda, com marketeiros especializados que transformaram políticos e seus partidos e governos em verdadeiros objetos de consumo de prateleira sendo assim eleitos sem a menor preocupação em cumprir as promessas feitas em campanha pois vale muito mais um bolsa-família do que informação difundida para que os governantes triunfem em suas ambições.

  15. Antonio M 12 de março de 2014 at 1:52 #

    E ainda, o golpe foi em decorrência de uma “corrida” ao poder, de um lado havia a galera que hoje até tem ocupantes do poder e os militares.

    E o recrudescimento do regime não foi de imediato, decorreu também da formação da guerrilha que partiu para o confronto armado e a medida que foi aumentado que o governo militar endureceu. Isso não isenta dos erros mas, vendo que os mesmo que foram combatidos a 50 anos atrás hoje até estão no poder e o pais nestas condições, teriam feito melhor no passado? Eu duvido.

    Será que se tivessem optado para o confronto político ao invés do armado, teria ocorrido o que ocorreu? Creio que poderíamos ter a redemocratização em muito menos tempo.

    E sei que todos envolvidos acabaram se beneficiando da anistia mas do lado político muitos se deram muito bem, abocanharam boas indenizações, aposentadorias e em muitos casos nem mesmo levaram um tapa de um PM enquanto muitas vítimas de seus atentados e populações, camponeses de regiões que também foram prejudicados ainda nem viram a cor do dinheiro ou a possibilidade de serem indenizados.

  16. aldoghisolfi 12 de março de 2014 at 9:50 #

    Antonio M, bom dia!

    É conversando que a gente se entende; apesar de não concordar contigo na maioria das tuas afirmações, respeito tua posição.

    Faço uma correçã, no entanto: falo sempre em ‘contra-golpe’ e não em ‘golpe’ como referistes, pois o golpe que estava em andamento e foi abortado, era perpetrado pelo Jango e pelo Brizola, visando’cubanizar’ o país.

    Quem viveu a época sabe muito bem a respeito, em que pese a insistência em contrário daqueles que não eram p’rá ter o topete de abrir a boca, os mesmos que pagaram fortunas à guiza de ‘indenizações’ pelo sofrimento durante o explícito regime de exceção, não ‘ditadura’. Ditadura temos agora, travestida de Estado Democrático de Direito. Ou não é assim?

    De nunca esquecer, que o Che andava livre, leve e solto pelo Brasil, inclusive aqui no RS.

  17. Rafael Oliveira 12 de março de 2014 at 10:28 #

    Antonio M,

    A política externa do PT é vergonhosa. Difícil é achar um fato louvável nela.

    Sobre a obseção pela cadeira no CS, acho ridícula, mas também não acho que foi só isso que pesou na decisão brasileira de reconhecer a China como economia de mercado. Creio que o motivo principal foi o a relação comercial Brasil-China, pois ele veio a ser o nosso maior “parceiro”, além do aumento considerável de investimento chinês no Brasil nos úlltimos anos.

    Quanto à vitamina C, dá para plantar laranja e acerola.

    Brincadeiras à parte, a desindustrialização atacou em cheio o Ocidente. Não é algo que ocorreu só no Brasil. Ontem mesmo li uma reportagem na Exame sobre isso.

    Obviamente que aqui não é a Europa e seria possível competir com os chineses em alguns setores.

    Nesse ponto, o grande demérito foi o Brasil ainda não ter feito uma reforma tributária. Aliás, FHC fez uma mini-reforma no IR que inclusive foi no sentido contrário ao dos países desenvolvidos. E o PT sequer consertou esse erro.

    Sobre a reforma trabalhista, creio que pouca coisa possa ser feita. A CF de 88 protege demais o trabalhador e é quase impossível mexer nessa parte dela.

    E, apesar de você apontar avanços nos direitos dos trabalhadores chineses, eles estão muito aquém dos nossos. São incomparavelmente menores. Ainda mais se não ficarmos olhando apenas as fábricas relacionadas a produtos tecnológicos de consumo, um pouco pressionadas pelas contratantes estrangeiras, e olharmos para as indústrias de base chinesas, as quais também são péssimas no controle de danos ambientais.

    Quanto ao Mais Médicos, sou a favor que todos os médicos façam um exame antes de exercerem a profissão, nos moldes da OAB, só que bem mais rigoroso. Mas, vejo como hipocrisia médicos brasileiros defenderem um exame só para quem vem de fora, como se o MEC garantisse a qualidade dos cursos brasileiros. Como eu disse acima, para mim é ilegal médicos terem salários diferentes para a mesma função. Obviamente isso implicaria em gastar mais para contratar os cubanos, pois seria necessário pagar o trabalho e a “comissão” para Cuba, tal como ocorre com a contratação de empregados temporários. Esse é o preço a se pagar pela não criação de cursos universitários em número suficiente (criaram umas 1300 vagas públicas nos últimos anos). Por outro lado, as limitações ao direito de ir e vir dos médicos cubanos são inaceitáveis e não tenho como defender isso.

    Sobre a evolução do atendimento à saúde ao longo do tempo, eu já havia afirmado isso. E isso também confirma a tese de que claramente não dá para achar que a situação está pior agora do que na década de 70. Creio que vocês estão superestimando a quantidade de médicos do Projeto Rondon, fora a parte que era “sazonal”. Os estudantes e professores ficavam pouco tempo durante o ano nas regiões afastadas. Enfim, a regra era o péssimo atendimento em qualquer lugar um pouco mais longe dos grandes centros urbanos.

    Sobre o bolsa-família, seu funcionamento como captador de votos é uma prova cabal de que a situação da maioria das pessoas que o recebem era miserável e desgraçada. O valor médio do benefício é muito baixo e alguém “vender o seu voto” por ele é um retrato claro de que existiam pessoas que eram tratadas como lixo pelo governo. Aliás, ainda são, mas um mero “afaguinho” já fez uma enorme diferença para elas.

    Sobre o golpe, para mim, o simples fato de as guerrilhas terem demorado para aparecer é um indício de que não havia um golpe iminente. Os políticos de esquerda com algum destaque queriam o poder por meio de eleições e as medidas “sociais” não nos levariam ao comunismo, basta ver o teor dos discursos do Jango, por exemplo. Os grupos que realmente queriam uma ditadura comunista eram pequenos e, arrisco dizer, que não tinham chances de tomar o poder pela força. Isso porque o Brasil não era e nem é Cuba. Nossas Forças Armadas tem, ainda hoje, poder suficiente para combater qualquer tentativa de golpe armado por grupos de civis. Ademais, ao longo de nossa história, sempre ganhou quem ficou do lado dos nosos militares.

    Sobre o que teriam feito os políticos de hoje naquela época, arrisco dizer que não teriam mudado muita coisa. Talvez tivessem feito uma reforma agrária maior e criado essas bolsas, assim como garantir mais alguns direitos aos trabalhadores (como fizeram com as domésticas). Reitero que o PT tem muito a ver com os militares na parte do Estado intervir na economia, investindo em infraestrutura, tocando grandes obras e etc.

    Também, temos que ponderar que a democracia implica em uma menor governabilidade. Tudo tem que ser discutido e aprovado. A base aliada pode trair o governo. O Judiciário pode anular os atos. Manifestações populares podem impedir obras e etc.

    Numa ditadura é bem mais fácil impor mudanças pela força. Por isso não dá para imaginar que um governo democrático consiga realizar tantas mudanças quanto um governo totalitário.

    Agora se formos pensar que uma, ao meu ver, muito improvável ditadura comunista tivesse tomado o poder em 1964, tenho certeza que o Brasil estaria muito pior do que está agora.

    Sobre as indenizações, pensões e aposentadorias eu sou muito radical a respeito. A esmagadora maioria não deveria existir, inclusive a dos militares. Só não vou dizer mais a respeito para não mudar o foco do debate.

    Por fim, não adianta acharmos que um presidente, mesmo que seja um “ditador moderado”, consiga impor grandes mudanças num país como o Brasil. Há forças econômicas, internas e externas, que limitam a atuação dos governantes. Uma mudança drástica, seja para que lado for, só aconteceria debaixo de muito sangue. Então temos que nos contentar com mudanças “suaves e constantes”.

  18. Antonio M 12 de março de 2014 at 10:29 #

    aldoghisolfi
    12 de março de 2014 at 9:50

    Caro Aldo, foi mais ou menos isso que eu quis dizer com a “corrida” para o poder, o país estava bagunçado e não era objetivo dos militares um golpe pura e simplesmente para chegar ao poder, eles o fizeram para ficar a frente dessa galera chegado no Fidel e apesar dos erros foi melhor que chegassem ao poder, basta ver o que fazem atualmente no governo mas, que a população de modo geral não tem noção.

    E quanto ao governo atual, vou repetir parte de minha opinião que já havia colocado no artigo “Democracia e ditadura”:

    . O caso do caseiro que teve seu sigilo bancário quebrado com um mero pedido de um político envolvido na falcatrua e que mesmo assim participou duas vezes desse governo antes e depois desse escândalo onde ele e demais envolvidos ainda se elegem e circulam livres por aí? E a lista não é pequena. E que país decente deixaria um ato desses passar impune? Só em ditaduras mas, nem na nossa ditadura militar ocorreu algo desse porte.

    . O caso Celso Daniel que obrigou seus irmãos a pedirem asilo político na França.

    . O caso do jornalista que publicou sobre o gosto pela birita de nosso guia que imediatamente pediu sua expulsão do país principalmente pelo mesmo ser americano (e casado com brasileira) e este nem mesmo disse isso “de longe” pois fazia parte dos jornalistas autorizados que convivem próximos ao centro do poder a muitos anos e não somente ouvem, mas vêem as coisas também.

    . o caso dos boxeadores cubanos que ao invés de serem atendidos em pedido de asilo, foram sumariamente devolvidos ao seu país por ordem e para o agrado do caudilho caribenho. De onde fugiram novamente.

    . de novo Cuba, com o caso dos médicos cubanos que “preventivamente” foram proibidos de pedir asilo, tem suas famílias usadas como reféns, a maior parte de seus ganhos vão para o “dono da agência de empregos estatal cubana” e fazem tudo alegremente inclusive com viagens à ilha com direito de “selfies” agarradinhos ao caudilho.

    Uma boa visão do lixo em que vem se transformando nossa diplomacia e um trecho:

    UMA DIPLOMACIA ESTUDANTIL – Elio Gaspari

    “…A maneira como a diplomacia de Lula e da doutora lidou com o instituto do asilo revela desrespeito histórico com um mecanismo que protegeu centenas de brasileiros perseguidos por motivos políticos.

    Ele ampara gregos e troianos.

    Em 1964, brasileiros asilaram-se na embaixada boliviana.

    Anos depois oficiais golpistas bolivianos asilaram-se na embaixada brasileira e o governo esquerdista do general Juan José Torres deu-lhes salvo-condutos em 37 dias.

    Carlos Lacerda asilou-se por alguns dias na embaixada de Cuba e João Goulart pediu asilo territorial ao Uruguai. Em poucos meses, o governo do marechal Castello Branco concedeu salvo-condutos a todos os asilados que estavam em embaixadas estrangeiras.

    Já o do general Médici, vergonhosamente, fechou as portas de sua representação em Santiago nos dias seguintes ao golpe do general Pinochet e dezenas de brasileiros foram obrigados a buscar a proteção de outras bandeiras.

    Contudo, nem mesmo Médici deportou estrangeiros para países onde poderiam ser constrangidos. …”

    abçs.

  19. Rafael Oliveira 12 de março de 2014 at 10:35 #

    * obseção = obsessão (ridícula tal como o erro ortográfico cometido)

  20. Antonio M 12 de março de 2014 at 10:46 #

    Rafael Oliveira
    12 de março de 2014 at 10:28 #

    Creio que o exemplo da Coréia do Sul seja mais pertinente, teve seus problemas e percalços mas tinha uma direção e foi até o fim sem maior e hoje colhem o que plantaram.

    Na década de 60 o Brasil e Coréia do Sul tinham índices econômicos e sociais semelhantes mas passaram a nossa frente de braçada, e se o pessoal “do contra” fosse igual ao daqui teriam fracassado.

    A ressalva quanto ao Projeto Rondon, era algo que precisava ser melhorado, continuado e que existe até hoje mas cumpre seu papel e ainda, existem regiões do país onde a assistência das FAs é a única forma de acesso a um serviço de saúde.

    E qualquer forma, da maneira que Jango e Brizola agiram acabaram por colaborar com a situação à época e com certeza em algum momento seriam reféns dos grupelhos, o que acabou com que os militares fizeram.

    E convenhamos, em quase 30 anos de poder civil eu esperava muito mais, não que se justifique um novo golpe ou contra-golpe militar, mas as melhorias deveriam ter sido muito maiores do que são, e estamos pagando o preço disso. A saída democrática é possível mas o eleitorado precisa ser melhor.

    abçs.

  21. Rafael Oliveira 12 de março de 2014 at 11:39 #

    Antonio M,

    O exemplo da Coreia do Sul é interessante porque a ditadura militar lá ocorreu quase que no mesmo período que aqui.

    Então serviria como um bom exemplo do que os militares poderiam ter feito aqui, a força, e não fizeram.

    De qualquer forma, o investimento em educação e o liberalismo econômico são práticas que deveriam ser seguidas pelo nosso governo democrático ainda hoje.

    Mas a democracia tem os seus problemas também. Um deles é que os politicos, em regra, estão mais interessados em ganhar as próximas eleições do que em investir no futuro do país. Por isso, notamos que o investimento em educação, principalmente no governo do PT, foi mais voltado para a quantidade do que para a qualidade.

    Também devemos levar em conta que, em regra, a educação é oferecida por estados e municípios, os quais também devem ser responsabilizados por isso.

    E para sermos justos, tendo grande apoio dos EUA e o “contra-exemplo” da Coréia do Norte logo ali, fica bem mais fácil se tornar um grande player capitalista.

    Sobre o atendimento médico das Forças Armadas, sem depreciar o papel deles em si, o fato dele ser o único no local, só corrobora a tese de que o atendimento è ruim. E, nesse ponto, o governo ter feito uma emenda constitucional que permite aos médicos militares também trabalharem em hospitais públicos pode ser considerado um fato notável e digno de elogio. Acaba beneficiando inclusive as FAs, pois a remuneração total do militar será maior o que o incentivará a continuar sendo militar.

    Jango e Brizola queriam impor algumas medidas “populistas de esquerda”, até porque receberam votos para tal. Não vejo golpe nisso. Quanto à emenda sobre desapropriação de terras, ela foi rejeitada pelo Congresso e não sei se Jango tentaria impô-la a força. Simplesmente não temos como saber isso, pois os militares, ilegalmente, interromperam a sequencia dos fatos.

    No mais, concordo que em 30 anos as coisas poderiam ter sido melhores. Em parte porque as opções de candidatos são limitadas. E numa parte maior, porque o eleitorado é ignorante e infantil. Resultado: o debate político é limitado e a eleição se dá muito mais em base de marketing do que em termos de que de escolha racional. È realmente como se o povo estivesse comprando algo na prateleira.

  22. Antonio M 12 de março de 2014 at 12:18 #

    Pois é srs.,

    A única ressalva que faço aos médicos militares, é que se isso for generalizado, ao invés de resolver problemas continuaremos com paliativos, como sargentos mecânicos poderem trabalhar em oficinas privadas, oficiais aviadores na aviação comercial e por aí vai. É preciso cuidar efetivamente da educação pública com qualidade com um plano federalizado de qualidade para formarmos cidadãos aptos para atuar em todas as áreas mas, “nem pensar” pois esse mesmo governo democrático abriu mão desse expediente por criar “ingerências” e “incômodos” para os prefeitos e governadores então preferem deixar como está evitando melindres e facilitando as alianças políticas eleitoreiras.

    E de a saúde não era apenas abandono e maldade, é a dificuldade em um país como nossa extensão e peculiaridades mas, educação, saúde e infraestrutura é assim mesmo e em países grandes ou pequenos e não pode ser desculpa mesmo.

    E veremos se esse governo é democrático quando vier a sair do poder, como vai deixá-lo e como vai se comportar na oposição. Qdo foi oposição era uma fábrica de bravatas, como o seu grande líder mesmo admitiu.

    abçs

  23. Rafael Oliveira 12 de março de 2014 at 12:40 #

    Antonio M,

    Nesses pontos, só faço a ressalva que prefiro uma União não tão forte. Que os estados e municípios tenham dinheiro para tocar a educação e a a saúde sem precisar recorrer ao Governo Federal.

    Assim poderíamos ter modelos diferentes e replicação das experiências que derem melhores resultados.

    Mas, para isso, teríamos que ter uma reforma tributária e um novo modelo de pacto federativo. Acho muito improvável as duas coisas rsrs. O povo gosta de ter um presidente salvador da pátria.

    Agradeço pelo debate.

    Abraços.

  24. Antonio M 12 de março de 2014 at 13:11 #

    Caro Rafael,

    A federalização seria para garantir os salários de professores, um tipo de pacto social pela educação para sairmos do atoleiro. Como não ter escolas podres sem teto, sem carteiras, sem merenda, sem professores. Mas não há vontade política. E há várias denúncias até na TV de cidades assim que a escola nem mesmo teto tinha mas, as máquinas da prefeitura estavam trabalhando na fazenda do prefeito.

    Levando em conta que 92% dos municípios gastam mais do que arrecadam, essa federalização não seria nada que arranhasse a autoridade local pois sem o dinheiro proveniente dos municípios superavitários nem existiriam.

    Mas o bom debate sempre é relevante.

    até mais.

  25. Rafael Oliveira 12 de março de 2014 at 14:05 #

    Prezado Antonio M,

    A minha “utopia” sobre a educação prevê que boa parte dos impostos federais tenham suas receitas vinculadas aos municípios onde tem domicílio ou estabelecimentos as pessoas físicas ou jurídicas que os pagam.

    Por isso eu mencionei “uma reforma tributária e um novo modelo de pacto federativo”. Isso traria mais “autonomia” para os municípios e tambem para os estados, pois imagino uma reforma que também os beneficie.

    Para mim, o que não dá é para União concentrar as receitas tributárias e distribuir ao seu bel-prazer.

    Enfim, seria um “novo modelo de país”, com municípios e estados com maiores receitas e a União com bem menos.

    E não existiriama os milhares de micro-municípios que existem hoje. Deveria existir um limite mínimo de população para que fosse criado ou mantido um município a fim de se economizar com estrutura administrativa-política e direcionar os recursos para áreas mais importantes.

    Mas, como eu disse, é uma utopia minha que eu não vislumbro ser implementada.

    Até mais.

  26. Colombelli 12 de março de 2014 at 14:57 #

    Rafael
    Ninguém é a favor de invasão estrangeira. O que eu disse é que talvez (muito provavelmente) um governo estrangeiro de ocupação fosse menos nocivo e mais voltado ao país e aos brasileiros do que um governo de brasileiros que é voltado escancaradamente para os estrangeiros. Hoje estamos financiando a ditadura cubana e a mentira do ministro da saúde de que havia outros programas semelhantes pelo mundo foi desmascarada estes dias pelo jornal nacional da globo, quinta feira retrasada pra ser mais preciso.

    Quanto aos médicos, afianço que o gargalo da saúde não é a falta de médicos. O que precisa pra começar e chefias que cobrem trabalho (ou seja, chefias não aparelhadas) e preferencialmente chefias não corporativistas. O gargalo é a falta de estrutura e de equipamento. Esta medicina ambulatorial que os cubanos e outros estão fazendo não melhorará em nada, mas nada mesmo, a situação. Pra receitar aspirina e dar soro até eu. O problema é quando tem uma tomografia ou ressonância pra fazer, quando tem que ir ao especialista.

    A melhoria da saúde é uma tendência histórica que independe de governo e reflete a melhoria das condições de vida do mundo todo com o tempo. Mas se o PT estivesse governando o Brasil na década de sessenta e setenta, quando ainda havia sertões no Brasil e a comunicação era precária, certamente o resultado seria bem pior do que o do governo militar.Talvez tivesse chamados os agentes cubanos infiltrados já aquela época, ai sim teriam implantado uma ditadura trotskista-leninista.

    Quanto ao ensino, idem. Era de se esperar que melhorasse com o tempo independentemente do governo, até pelo acesso facilitado das comunicações, e o raciocínio é o mesmo: Se o PT estivesse governando em 1960 e 1970 seria o caos. Aliás, o que eles iriam ter implantado não é ensino é doutrinação marxista. De outro lado, se um governo com a linha imprimida pelo militares governasse hoje, aposto que seria melhor o desempenho. Quem senão os colégios militares tem melhores índices de escolarização? E nem se invoque a doutrinação como diferença, pois o atual governo também pratica tentativa de doutrinação no ensino, tentando reescrever a história a seu talante, além disso ensinando a escrever errado e mascarando estatísticas de ensino. Tentam empurrar os alunos adiante na marra, cortando a possibilidade de repetência mesmo quando o aluno não tem condições. Os dados de avaliações internacionais mostram a qualidade do ensino brasileiro a despeito da mentira do governo.

    O ensino era infinitamente superior antes de 1980. Tenho livros da década de sessenta pelos quais meu pai tardiamente conseguiu concluir o segundo grau, especialmente de matemática, e a diferença do conteúdo ensinado é gritante perto do que eu tive nos anos 80 e 90. Não havia greves (todas fomentadas pelo PT, pelo menos aqui no RS, onde CEPERS é um aparelho do partido ainda hoje) e havia respeito em sala de aula. Fiz, quando era juiz, entre 2008 e 2009, 53 palestras gratuitas em escolas, associações de bairro, ginásios e outros locais de 18 municípios do nordeste do RS, tendo até 900 pessoas presentes, sempre abordando a temática do ensino junto a outros temas, e o que constatei conversando com os professores, é que eles hoje estão acuados em sala de aula, eles tem medo dos alunos e dos pais, e se calam para não sofrerem perseguição de secretarias de ensino aparelhadas pela doutrina pedagógica de esquerda. Os alunos fazem o que querem em sala de aula. Nós, trinta anos atrás, respeitávamos os professores.

    Quanto aos escravos chineses, de lá não compro nem palito de fósforo, mas há uma diferença. Sobre os escravos chineses não temos poder, mas tínhamos o poder de não usar os escravos cubanos, e nosso governo os explora de forma sórdida a benefício da ditadura cubana. Não é nem nunca foi objetivo do programa melhorar a saúde. O objetivo é justificar a injeção de 40 milhões por mês para os Castros. Havia dezenas de formas de conseguir médicos sem se valer desta alternativ.a

    É bastante evidente que na década de 60 estava em curso em toda a AL uma tentativa de tomada do poder pela esquerda patrocinada pela URSS ainda que aqui não tenha ocorrido tanta violência e a guerrilha tenha vindo mais tardiamente. Se jango tivesse continuado no poder, o Brasil teria se tornado no baluarte regional da guerrilha de esquerda, acolhendo toda a escória de criminosos guerrilheiros da Argentina, Peru, Bolívia, Uruguai e Paraguai ( ze diceu e Genoino indicam o nivel além da companheira Estela). Caminhávamos para o comunismo, ainda mais com um povo passivo e pacífico como somos.

    Por fim, a municipalização é boa quando há municípios viáveis. Boa parte deles hoje fora criados para serem sanguessugas do fundo de participação. Ademais, os 22.000 CC do governo federal, 5000 deles criados pelo PT, e os 37 (39?) ministérios criados por lula como curral para acomodar os mais de 25 partidos vendidos e sem moral da base aliada (rectius: vendida) impedirão qualquer iniciativa de melhor distribuição dos recurso.

    Parabéns a todos pelo alto nível do debate.

  27. Rafael Oliveira 12 de março de 2014 at 19:03 #

    Colombelli,

    Creio que todos concordamos que educação e saúde tendem a melhorar ao longo do tempo, desde que os governantes não sejam muito incompetentes.

    Quanto à invasão estrangeira, trata-se de exercício de futurologia. No mais, quem viesse a invadir, já comprovaria suas más-intenções, de forma que não creio que as coisas melhorariam. Pelo contrário.

    Quanto ao Mais Médicos, vi agora a reportagem, a qual é um tapa na cara do governo. Como faz falta uma oposição decente para dar ressonância numa matéria dessas. Para mim, confirma muito a intenção do governo de ajudar Cuba, ao mesmo tempo em que angaria votos e, indiretamente, “ajuda os mais pobres daqui”.

    Sobre a utilidade dos médicos cubanos, não concordo tanto assim. Um clínico geral e seu atendimento ambulatorial pode resolver muita coisa (simples, mas que pode matar ou causar limitações funcionais ) e, ao menos, identificar algum sintoma de algo mais grave, a ser melhor avaliado em um hospital, por um especialista.

    É claro que isso não retira a necessidade de especialistas e de hospitais melhor aparelhados. Há muita coisa a ser feita para melhorar a saúde. Mas, para mim, aqui em Sorocaba, é nítido que o número de hospitais (públicos e privados) e postos de saúde aumentou muito mais do que o aumento populacional nos últimos 20 anos. Longe do ideal, mas melhor do que era.

    Ainda assim, o número de médicos por habitantes no Brasil é inferior ao recomendado pela ONU. Inferior à média da América Latina. E cerca da metade da Europa Ocidental. E nem vou entrar no mérito da distribuição deles pelo território brasileiro. O ideal seria expandir mais o número de vagas para medicina em faculdades de boa qualidade, sejam públicas ou privadas. Não sairá barato, mas é o ideal.

    E o corporativismo é uma chaga mesmo. Em todas as áreas, por sinal, mas que costuma funcionar melhor em profissões “mais nobres”. Também acho que perdemos muitos médicos em quadros administrativos e burocráticos (assim como perdemos engenheiros, militares, juízes, etc), os quais deveriam ser preenchidos por administradores.

    Porém, indago-lhe quais seriam “as dezenas de formas de conseguir médicos sem se valer dessa alternativa (cubanos)”?

    China

    Indiretamente, em especial por causa das terras raras, siderurgia e componentes eletrônicos, quer queira, quer não, você ajuda a “explorar” os escravos chineses.

    Sobre a educação.

    Infelizmente, o PISA da OCDE só começou em 2000. Tentei achar alguma avaliação internacional mais antiga para servir de parâmetro para o debate e não encontrei.

    Porém, diante da sua informação sobre o livro de matemática dos anos 70, pesquisei a respeito e o que melhor encontrei foi a prova da Fuvest de 1980 (a qual, presumo, cobrou o que foi ensinado na década de 70). Para mim, inclusive na parte de matemática, ela era mais fácil do que as que eu fiz no início dos anos 2000. Não caiu polinômio, probabilidade e números complexos. Sequer há equação de segundo grau.

    Outro parâmetro interessante é o nível de conhecimento dos professores. Os meus, pela idade, fizeram faculdade na década de 80 e o ensino médio em 70. E nenhum dominava sequer a própria área do conhecimento.

    Então não acho que essas gerações possuíam maiores conhecimentos do que a atual. A diferença é que, na atual, a maior parte dos alunos não aprende nada e só pega o diploma. Em tempos pretéritos, os alunos simplesmente saiam da escola antes de se formarem. Antes tínhamos uma massa de ignorantes sem diploma. Hoje temos uma massa de ignorantes com diploma universitário.

    Sobre os colégios militares.

    Em primeiro lugar, por mim, não existiriam, pois não deveria ser função das Forças Armadas oferecer formação educacional. Por essas e outras que o orçamento das Forças Armadas, apesar de ser enorme (ainda que parcialmente contingenciado), não se reverte em equipamentos adequados para a função delas, que é a defesa do país.

    O mesmo raciocínio vale para os colégios militares das PMs.

    Ainda, acho não-isonômico a existência de reserva de vagas para filhos de militares. Isso também vale para o SESI, por exemplo. Se a instituição recebe recursos públicos, o tratamento deve ser isonômico para os brasileiros. Se for para instituir “cotas e privilégios”, que sejam fundamentadas e “ser filho de alguém” não é fundamento para nada.

    A outra forma de acesso, explica, em boa medida, o porquê do “sucesso” dos colégios militares. Selecionando quem entra, fica relativamente fácil apresentar bons resultados.

    Colégios públicos que selecionam os ingressantes também costumam apresentar resultados em paridade com os militares.

    Porém, entendo que a disciplina deve ajudar os alunos a aprenderem as matérias dadas. Fora que eu imagino que os colégios militares sejam mais organizados do que os “comuns”, com material didático e sem greves.

    No mais, concordo que muitas escolas viraram terra de ninguém. Culpa do ECA. Se fosse possível expulsar alunos e não ter que readmiti-los em outras escolas, creio que a situação melhoraria. Isso para não falar que muitos casos são de polícia. Aliás, você chegou a julgar algum caso envolvendo esse tipo de situação?

    Por fim, acredito que meritocracia e uma melhoraria na remuneração dos professores atrairia melhores profissionais, mas o efeito seria a médio e longo prazo. E, aliviando um pouco a culpa dos governos, hoje existem opções muito melhores de emprego, tanto que o nível de qualidade dos professores caiu em boa parte do mundo.

    Ditadura Militar

    Que existiam pessoas interessadas em implantar o comunismo aqui eu não duvido. O que eu contesto é a capacidade de fazer isso, mesmo com ajuda da URSS e de Cuba.

    Ainda, nossos comunistas mais poderosos eram os fazendeiros do RS e não acho que eles teriam culhões, muito menos poder e apoio popular para transformar o Brasil numa ditadura comunista.

    Os líderes do PT, em 64, não tinham expressão nenhuma, até pela idade. Aliás, graciosa ironia, quem criou condições para o surgimento desses líderes foi justamente o regime militar.

    Acho que vocês subestimam nossas Forças Armadas. Ainda que tenha sido duas décadas antes, elas demonstraram que tinham muita força ao derrotar os “constitucionalistas de 32”, mesmo esses sendo apoiados por boa parte da população de SP. Duvido que os comunistas conseguiriam montar um grupo mais poderoso do que este para fazer frente as nossas tropas.

    E, convenhamos, mesmo as guerrilhas posteriores eram de um poder ínfimo perto do EB. Até o PCC nos últimos anos demonstrou mais poder do que elas.

    No final das contas, o golpe serviu, basicamente, apenas para evitar algumas medidas populistas e criar uma cultura revanchista.

    Saudações.

  28. aldoghisolfi 12 de março de 2014 at 19:36 #

    Rafael Oliveira, boa noite.

    Comentaste “ainda, nossos comunistas mais poderosos eram os fazendeiros do RS e não acho que eles teriam culhões, muito menos poder e apoio popular para transformar o Brasil numa ditadura comunista”.

    Poderias discorrer mais um pouco sobre o assunto? Fiquei curioso…

  29. Rafael Oliveira 12 de março de 2014 at 20:13 #

    Boa noite, Aldo.

    Estava me referindo a Jango e Brizola.

    Os fatos que amparam a minha frase são:

    Quando Jânio renunciou e Jango foi assumir como presidente, nosso Congresso (ou quem o comandava) resolveu implantar o parlamentarismo no Brasil.

    O que Jango e Brizola fizeram? A campanha pela legalidade. Não partiram para a uma revolta armada. No final das contas, deu certo.

    Quando Jango foi deposto, o que ambos fizeram? Foram para o Uruguai sem lutar.

    Dizem que Brizola planejou pegar em armas, organizou a resistência, participou da Frente Popular de Libertação e etc, mas, o que realmente ele fez???

    Não lutou. Faltou culhões, poder e apoio popular para tentar enfrentar nossas Forças Armadas. Acredito que perderia fragorosamente se tentasse lutar, de forma que seria uma escolha racional não lutar e não necessariamente covardia.

    E nem vou falar do asilo nos EUA, com tantas opções socialistas existentes na época.

    Por essas e outras fiz a afirmação acima.

  30. aldoghisolfi 13 de março de 2014 at 14:03 #

    Rafael Oliveira., salve!

    “Estava me referindo a Jango e Brizola”.

    UFA!…

    Quanto à fuga para o Uruguai, foi decisão do Jango tomada em bom momento, pois não te iludas, foi a racionalidade do Jango que impediu uma guerra civil por aqui, porque o Brizola, que tinha culhões, sim!; na época era um predador, basta que olhes os olhos da fera… mas não teve o apoio do Jango!

    O apoio popular que ele tinha (desfalcado do Jango!) não era suficiente para a intentona.

  31. Rafael Oliveira 13 de março de 2014 at 15:33 #

    Boa tarde, Aldo.

    Eu errei em não dar nome aos bois. É que esse apelido de “fazendeiros do RS” é uma provocação que costumo fazer a uns amigos meus “de esquerda” denunciando a hipocrisia de se querer fazer a reforma agrária com a fazenda dos outros. E eu não poderia presumir que outros interlocutores entendessem isso.

    Respeito sua opinião sobre o Brizola, mas ainda acho que ele não mostrou as garras na “hora h”. Só rugiu mesmo. E depois fugiu.

    No fundo, acho que ele simplesmente foi esperto. Fugiu, manteve certo poder e, à distância e protegido, esperou a poeira baixar. Depois voltou como se fosse um herói e se deu relativamente bem na política.

    Mas, antes que ache que estou pegando no pé dele, digo que penso exatamente o mesmo sobre De Gaulle, que comandou a resistência francesa, refugiado e protegido no Reino Unido.

    E no final, foi bom não ter acontecido uma guerra civil aí no RS, pois sempre sobra para o povo.

    Saudações.

  32. joseboscojr 13 de março de 2014 at 18:54 #

    ” A democracia não funciona assim.”
    Mas também a democracia não devia funcionar com a intervenção do uso da máquina estatal em prol dos que já ocupam o poder e com o concurso de urnas eletrônicas que ninguém confia.
    Aliás, deviam criar uma PEC prevendo a alternância do poder não só entre pessoas físicas, mas em relação aos partidos, de modo a que nenhum partido pudesse ocupar cargos executivos por mais de 4 mandatos consecutivos, não sendo permitido propor um candidato próprio, e nem fazer parte de uma coligação que tenha um.

  33. Jackal975 13 de março de 2014 at 20:10 #

    Pozolha, eu ando tão, mas TÃO desiludido com o ser humano em geral, que nem acredito mais em nenhum político. Estou completamente indiferente para as eleições deste ano, pouco me importa quem vai ganhar, pois já sei o que virá depois.
    Não acho que o Brasil entre nos eixos nas próximas décadas, nem com PT, nem com PSDB, nem com PMDB, nem com militares nem com quem quer que seja no poder.
    Tenho concluído, ultimamente, que o problema do Brasil é exatamente estar cheio de…brasileiros! E isso não tem conserto. Não no curto e médio prazos.
    No fim, parece que tudo termina no mesmo lugar: educação. Coisa que falta, e muito, ao brasileiro. É coisa para MUITAS décadas de investimento, ou seja, não viverei para ver isso mudar. Mas “assim é a vida”, já dizia Vonnegut, rsrsrsrs

  34. Rafael Oliveira 14 de março de 2014 at 9:32 #

    Bosco,

    Eu confio nas urnas eletrônicas. O importante é existir fiscalização para verificar se estão sendo fraudadas. Até hoje, as críticas que eu vi na internet tinham sérios indícios de falsidade de quem criticava.

    E apesar de achar bom que exista alternância de poder, convenhamos que seria “antidemocrático” que fosse proibido um partido ser reeleito quando o povo assim o quisesse.

    Agora sobre o uso da máquina pública eu concordo. O governo não deveria poder fazer qualquer tipo de propaganda. Também sou contra a existência de empresas estatais e sociedades de economia mista, mas, já que existem, deveriam ser proibidas de fazer propagandas institucionais e só aquelas que não são monopolistas deveriam poder fazer propagandas limitadas aos seus produtos e em quantidade similar aos seus concorrentes para evitar meios de imprensa “chapa-branca”.

    Jackal.

    Nada é tão ruim que não possa piorar. E apesar de não acreditar que possa ocorrer melhoras significativas nos próximos 20 anos, quero, pelo menos, que as coisas andem no caminho certo para irem melhorando ao longo do tempo. Por isso, ainda “perco meu tempo” com política.

    Saudações.

  35. joseboscojr 14 de março de 2014 at 11:12 #

    Rafa,
    Mas se a democracia proíbe o cidadão de ficar mais que dois mandatos porque não haveria de proibir o partido.
    Fica 16 anos, dá a sua contribuição à democracia e depois de forma democrática deixa outra corrente dar também a sua contribuição.
    Se não der certo e o povo quiser, fica só 4 anos fora e depois volta pra ficar mais 16.
    O sistema democrático deve ter mecanismos que proteja o povo dele mesmo. Mesmo ele querendo, não era para ser permitido. O povo queria o Lula, mas os mecanismos da democracia o impossibilitava de ser candidato uma terceira vez.
    O povo pode querer o PT (ou qualquer outro partido) mais 20 ou 30 anos, mas era para existir mecanismos que obrigasse que houvesse uma alternância.
    Claro, assim como o Lula continua mandando apesar de não estar na presidência, havendo um dispositivo que impedisse a recondução de partidos nada impediria desses partidos mudarem de nome ou dos seus integrantes mudarem de partido.
    Infelizmente, regras foram feitas para que os homens de bem as respeitem e podem sempre ser burladas se houver má intenção por parte de pessoas não tão bem intencionadas, e aí na prática não iria funcionar.

  36. Rafael Oliveira 14 de março de 2014 at 12:27 #

    Bosco,

    De fato, analisando “puramente”, proibir a reeleição de um partido seria tão antidemocrático quanto proibir a reeleição de um candidato.

    Mas, acho que o fenômeno pode ser visto sob outro enfoque.

    A ideia de proibir a reeleição indefinida de uma pessoa tem a finalidade de “despersonalizar” o cargo executivo.

    A dominação tradicional (como era a dos reis) já é evitada com a existência de eleições. Então, a finalidade principal seria evitar a dominação carismática (como a do Lula).

    Dessa forma, seria uma reafirmação da dominação legal.

    Já a permissão da reeleição dos partidos seria uma “concessão” da dominação legal ao povo. A lei impede que ele reeleja a mesma pessoa, mas, pelo menos, ela deixa ele reeleger alguém do partido da pessoa, que manteria, em tese, a mesma “politica” do sucedido.

    É que no Brasil, com um monte de partidos, a proibição da reeleição de alguém do mesmo partido pode não parecer algo tão ruim. Mas, pense nos EUA. Imagine o povo gostando das políticas do Partido Republicano e, de forma obrigatória, tem que aceitar um candidato democrata. Certamente, algum republicano lançaria uma candidatura independente para burlar essa regra.

    Porém, como moramos no Brasil (para o bem e para o mal rsrs), não deveríamos nos pautar pelo que ocorre nos EUA e eu só usei ele como exemplo porque não consegui pensar em algo melhor, amparado no que ocorre por aqui rsrs.

    No fundo, meu argumento para ser contra é que a vontade do povo deve ser atendida, desde que não viole direitos fundamentais.

    E, “moralmente certo”, seria um presidente, se assim o povo quisesse, ser reeleito indefinidamente. Só não quero isso porque, num país com insituições fracas, como o nosso, e o anseio do povo por um salvador da pátria, o presidente poderia exercer uma dominação carismática tão grande e mandar a dominação legal às favas.

    Note-se que em parte dos países mais civilizados e parlamentaristas, o primeiro-ministro pode ser reeleito indefinidamente. Só que lá há parlamentarismo, que naturalmente já divide o poder, além das instituições serem mais fortes.

    Então, aqui, eu acho melhor “diminuir” a democracia, limitando a reeleição do presidente, mas não “diminuí-la” muito, permitindo a reeleição dos partidos.

    E, no final das contas, como você disse que regras podem ser burladas, o único jeito de existir realmente alternância no poder é o povo escolher um candidato antagônico ao que está no poder. Não quer o Lula? Vote no Bolsonaro rsrs. Se só proibir o Lula e o PT de participarem, alguém com a mesma política se elege pelo PCdoB ou alguma outra legenda de fachada.

    Até mais!

  37. joseboscojr 14 de março de 2014 at 13:15 #

    Rafael,
    Mas eu não estou propondo que um ou outro partido seja proibido de concorrer. Só seria impedido de concorrer naquele cargo executivo se e somente se ele for reeleito pelo menos 3 vezes, e mesmo assim a proibição seria só de um mandato.
    Mesmo hipoteticamente o PC do B ocupando o cargo e adotando a mesma política, não importa, o que importa é que pelo menos em tese o bastão trocou de mãos.
    Eu não sou contra a política x ou y, eu sou contra que um determinado partido se encastele no poder tendo em vista a fragilidade de nossas instituições e do nível médio do eleitorado que se encanta com políticas populistas.
    Tudo bem que a maioria é que manda, que se medidas populistas surtem efeito nas classes menos privilegiadas elas têm mais é que continuarem votando em quem melhor lhes represente e preencheu suas expectativas (mesmo que com um governo populista), mas há outros segmentos da população que também deveriam ser ouvidos já que todos somos brasileiros.
    Como o voto de um cidadão que vive da bolsa família vale tanto quanto a de um profissional liberal que tem que garimpar no dia a dia seu ganha pão, ou tanto quanto a de um empreendedor do ramo do petróleo, um partido pode ter a ideia brilhante de manter sempre a maioria da população “desassistida”, mas atrelada a favores fisiológicos. Com esse mecanismo, ele se manteria no poder ad infinitum.
    Havendo algumas limitações, outras parcelas da população teriam chances de se fazer representar vez ou outra, burlando o fisiologismo impregnado no meio político nacional, afinal.
    Alterando-se o governante mas mantendo o partido, foge-se da tirania mas deixa entreaberta a porta para a oligarquia, que é tão ruim quanto.

  38. joseboscojr 14 de março de 2014 at 13:30 #

    E infelizmente grande parte do eleitorado brasileiro não sabe mesmo votar.
    Os menos favorecidos sabem e votam em quem melhor lhes representa, mas há uma grande parcela do eleitorado de classe média e alta que vota errado, vota pelo “coração”, vota em tal partido porque ele foi bom para os menos favorecidos.
    Ora, isso é um equívoco. Uma pessoa pode até ter os mais nobres sentimentos socialistas e humanistas mas o voto é um momento onde legitimamente se exerce o egoísmo.
    Só através da escolha egoísta de cada um é que haverá uma representação democrática dos eleitos.
    Se um profissional liberal estiver comendo o pão que o diabo amassou mas ainda assim votar no partido que promete dar vale gás aos cidadãos menos assistidos mas não diz um único “a” sobre um plano de melhorar a vida dos profissionais liberais, ele estará votando errado, por melhor que seja a sua intenção e por melhor que seja a intenção do partido.
    O problema do Brasil é exatamente este. Os menos assistidos votam naqueles que consideram que melhor lhes representam (pelo menos no discurso), outros também escolhem estes por adotarem a postura de humanistas, preocupados que são com as populações menos assistidas e encantadas que são com o discurso socialista.
    Ou seja, a lógica da democracia foi pro brejo, porque fica representando a vontade popular, mas não necessariamente as necessidades populares, que são coisas completamente diferentes.
    Aí, a coisa não muda nunca.

  39. Rafael Oliveira 14 de março de 2014 at 14:09 #

    Bosco,

    Eu tinha entendido que a probição seria para determinado cargo, em só uma eleição e que depois o partido poderia concorrer ao cargo novamente.

    Ainda assim, não simpatizo com essa “pequena proibição”.

    Aliás, nem acho que o PT está encastelado no Poder, pois, se por um lado ele tem a máquina estatal a seu favor, por outro, responde pelo que fez e pelo que não fez durante seu mandato.

    Acho que ele só não perdeu as eleições anteriores porque o principal adversário ficou preocupado em discutir o aborto e se mostrar uma pessoa do povo, mesmo existindo temas muito mais importantes e que afetam diretamente a maioria dos eleitores.

    A verdade é que nenhum candidato apresentou propostas de algo melhor do que o PT vem fazendo. Ninguém mostra algo claro, onde, quando e porquê.

    Se alguém tivesse proposto algo melhor para substituir o bolsa-família, por exemplo, teria chances de conquistar os votos dos beneficiários.

    Mas, prefeririam dizer que iriam manter o bolsa-família (pra que mudar de partido, se o outro promete a mesma coisa). Mesmo as opiniões contrárias que repercutem na impresa são limitadas a “tem que dar a vara e ensinar a pescar em vez de dar o peixe”. Mas, nunca mostram qual a vara que será dada. Aí quem está ganhando o peixe, prefere ficar com ele na mão do que com uma vara invisível.

    Fora que os demais partidos tem governadores e prefeitos que podem fazer algo bom e mostrar serviço para população, qualificando-se para conquistar a presidencia.

    Prefiro assim: que os opositores se reinventem, que coloquem o dedo na ferida do governo, apresentem propostas melhores, mostrem que os desassitidos terão uma vida melhor se o elegerem. Isso é melhor que ganharem por terem excluído um adversário na marra.

    Ademais, não acho que as outras parcelas da população não estejam representadas no governo. Profissionais liberais, empresários e fazendeiros são a maioria no Congresso, por exemplo.

    Por fim, o que temos hoje nem de longe é uma oligarquia (uma minoria defendendo seus interesses próprios); No máximo, dá para dizer que uma minoria representa, ainda que de forma limitada e enganadora, os interesses da maioria,

  40. joseboscojr 14 de março de 2014 at 14:33 #

    Rafael,
    Em só estou falando “em tese” e não me referindo a nenhum partido em particular.
    Não disse que o PT está encastelado no poder e sim que sou contra que isso ocorra e que deve-se criar mecanismos que isso não ocorra.
    Eu particularmente nem tenho críticas diretas ao PT já que entendo que o problema do Brasil é muito mais estrutural e quando critico, geralmente o alvo é o Estado ou o povo, que diga-se de passagem, tem o Estado que merece.
    Um abraço meu caro.

  41. Rafael Oliveira 14 de março de 2014 at 15:11 #

    Prezado Bosco,

    Sem problemas. Aliás, eu até gosto de criticar o PT. Só não gosto de majorar os malefícios dele, assim como reconheço alguns benefícios de sua política.

    No mais, também acho que o povo tem o governo que merece e é assim que deve ser.

    Só espero que o povo mude para que as mudanças no governo sejam legítimas e não forçadas

    Abraço!

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