Home Civismo Churchill, Lincoln e Visconde do Rio Branco

Churchill, Lincoln e Visconde do Rio Branco

1477
14

 

Por Capitão Tiago Pedreiro de Lima

Winston Churchill talvez seja o mais importante político inglês do século XX. Sua atuação nas decisões políticas e militares, que influenciaram a 1ª Grande Guerra, e sua brilhante liderança, que conduziu o Reino Unido na 2ª Guerra Mundial, colocaram-no nesse status. Porém, foram os estudos de sua vida e obra, bem como as manifestações culturais a seu respeito, que o transformaram no maior personagem britânico de todos os tempos, imagem sedimentada no imaginário coletivo.

Figuras históricas como Churchill são depositárias dos valores morais mais importantes de suas nações. São a elas que seus compatriotas recorrem nos momentos de crise.
Por ser fonte inesgotável de inspiração, a vida do ex-primeiro ministro britânico foi escrita, reescrita e traduzida para diversos idiomas, sendo retratada, também, em muitos filmes. Não por acaso, ele é, novamente, o personagem principal em dois novos filmes, quase simultâneos: “Churchill”, lançado em outubro deste ano; e “O destino de uma nação”, previsto para estrear nos cinemas em janeiro de 2018.

Este artigo pretende trazer à tona as seguintes reflexões: Quem são os personagens brasileiros que podem inspirar o Brasil de hoje? Quais são os valores que devem nortear o País, para vencermos mais esta crise que vivemos?

É verdade que a história do Brasil é repleta de personagens grandiosos. Homens e mulheres abnegados que viveram intensamente em prol da Nação. O que nos cabe, hoje, é estudar a vida e os feitos dessas personalidades, se não pelos bancos escolares – há muito tempo ideologicamente enviesados –, pelo menos por iniciativa própria. Em tempos de Google, Amazon e e-books, a busca individual do conhecimento nunca esteve tão acessível a todos nós.

Se nos prontificarmos a buscar essas referências históricas, encontraremos, entre tantos estadistas existentes em nossa história, José Maria da Silva Paranhos – o Visconde do Rio Branco, pai do Barão do Rio Branco. Militar, professor, jornalista, redator, deputado, diplomata, ministro. Visconde do Rio Branco notabilizou-se desde cedo e, por toda a vida, dedicou-se a engrandecer o Brasil.

Já aos 25 anos, influenciava a elite intelectual do País. Suas ideias poderiam perfeitamente ser publicadas nos editoriais dos jornais de hoje. Era defensor do liberalismo econômico: “Alargai a esfera dos cidadãos que podem tomar parte nos negócios do Estado, prescrevei o exclusivismo, que manda somente dar importância a um limitado número de pessoas”. Combatia a corrupção: “Estendei a espada da justiça até os lugares onde empregados dilapidadores estragam a riqueza pública”. Desejava melhor representatividade política: “Que as Câmaras sejam realmente a expressão do país inteiro”. Pregava a tolerância e a liberdade de expressão: “Quereis a desgraça do país? Exercei a parcialidade e a injustiça para com aqueles cujas opiniões forem diversas”. E criticava a fomentação da luta de classes, o que, segundo ele, desmantelaria o Império e aniquilaria tudo que tem de mais caro à Nação.

Na função de diplomata, o Visconde foi responsável pela fixação das fronteiras entre Brasil e Uruguai; afastou a proibição, imposta pelo ditador Lopez, de o Brasil navegar no Rio Paraguai até o Mato Grosso; esteve à frente da celebração do Tratado do Paraná em 1856, importante marco fronteiriço para a questão das Missões. E, após a Guerra da Tríplice Aliança, foi designado para organizar o novo governo paraguaio, que fora totalmente desmantelado.

Mas, foi no cargo de Presidente do Conselho de Ministros, à frente da Campanha Abolicionista, que Visconde do Rio Branco elevou-se à condição de estadista. Assim diz seu biógrafo, General Affonso de Carvalho: “É aí na defesa de uma causa tão justa quão humana que a sua figura se agiganta e toma as proporções dos estadistas que as pátrias predestinam – como Lincoln”. A vitória de seu trabalho foi a promulgação, em 28 de setembro de 1871, da Lei Rio Branco, assinada pela Princesa Isabel e conhecida, também, como Lei do Ventre Livre.

Se não foi possível libertar todos os escravos na época, foi graças à postura apaziguadora de Rio Branco que não sofremos cisões políticas, que poderiam descambar para uma guerra como a norte-americana. Assim como Lincoln, o povo fez justiça ao Visconde do Rio Branco: “Aí vai o nosso protetor!”, gritavam as mães escravas levantando seus bebês, ao avistá-lo nas ruas cariocas.

Foi responsável, ainda, por reformas do judiciário e da magistratura; instituiu os registros civis de nascimento, casamento e óbito; autorizou a concessão de empréstimos oficiais a juros; reformou a Casa da Moeda; estabeleceu as moedas de níquel; iniciou o arrasamento do Morro do Castelo, além de muitas outras iniciativas governamentais. Foi um verdadeiro reformista.

Que exemplo de vida dedicada ao Brasil!

Poderia Visconde do Rio Branco inspirar nossos políticos de hoje? Seus valores deveriam guiar a todos nós no enfrentamento da crise atual? As respostas são, indubitavelmente, sim e sim!

O Brasil não teve Churchill. O Brasil não precisa de um Lincoln. Nós tivemos nossos heróis, como o Visconde do Rio Branco. E precisamos conhecê-los.

FONTE: Agência Verde-Oliva/Blog do Exército Brasileiro

14 COMMENTS

  1. Pura verdade.

    Estou conhecendo um pouco mais sobre o Visconde lendo o Livro “A Guerra do Paraguai ” de Luiz Octávio de Lima.

    Segue um trecho do livro onde Paranhos usou da diplomacia para ganhar vantagem militar.

    “Com Justo José de Urquiza, Paranhos decidiu aplicar a velha “diplomacia dos patacões” à qual o entrerriano era mais sensível. Enviou como emissário a Entre Ríos o coronel Manuel Luís Osório, futuro marquês de Herval, com a missão de adquirir dele 30 mil cavalos ao preço exorbitante de treze patacões de ouro cada. Ao ouvir a proposta, os olhos de Urquiza brilharam. Ele já era o homem mais rico e o maior proprietário de terras da Confederação, mas não resistiu à oferta de 390 mil patacões, mais de 300 milhões de reais em 2016. Fechou o negócio, que garantiu ao Brasil uma dupla vantagem: ao mesmo tempo que atraía a simpatia do general, desfalcava enormemente sua cavalaria, muito mais eficiente que a infantaria, neutralizando uma eventual ameaça ao Império vinda daqueles lados.[1]” (from “A guerra do Paraguai” by Luiz Octavio de Lima )

  2. Pois é!
    Pouco se fala do Barão, imagina então do Visconde do Rio Branco.
    É sempre muito agradável matérias que resgatam as coisas boas feitas pelo Brasil.
    Se o Visconde do Rio Branco serviria de exemplo atualmente? Certamente não só de exemplo, mas também como uma sombra intimidadoras, a pairar sobre estes vários políticos mequetrefes que temos atualmente,

  3. Segundo Presidente do Brasil, Patriota veterano da Guerra do Paraguai, Floriano Peixoto. Contornou a crise institucional, “calou” os rebeldes e ainda mandou uma letra aos estrangeiros intervencionistas : ” …serão recebidos à bala…”

  4. Bruno Correia 4 de dezembro de 2017 at 13:55

    ótima leitura! se me permite, há um livro muito bom sobre o período, talvez o melhor que li, chama-se “Maldita Guerra” de Francisco Doratioto, recomendo.

  5. Essa matéria, na minha humilde opinião, é bem mais enriquecedora construtiva do que a que fala sobre o presidencialismo de coalizão, assunto batido e matéria cheia de lugares comuns que estamos cansados de ler diariamente na mídia paga. A Globonews fala disso todos os dias. Foi até tema de propaganda eleitoral do PSDB. E me criticaram porque achei óbvia. …

  6. Por mais honesto que o cidadão seja…

    Na podridão do congresso nacional ele seria totalmente carcomido.

    Hoje em dia temos poucos que podemos dizer( pelo menos achamos) que são honestos e pouca ou nenhuma diferença fazem no oceano de lama do Congresso Nacional.

    A melhor reforma política que poderia existir no Brasil é simples:

    Proibir que uma mesma pessoa possa exercer o mesmo cargo eletivo por mais de duas vezes consecutivas ou não.

    Mas por que algo tão banal nunca foi “pensado” por alguém nos altos escalões ou mesmo na imprensa ?

    Seria a melhor forma de alternância de poder possível e um filtro excelente. Forçaria os políticos caso quisessem se manter em cargo eletivo a buscar se destacarem no cargo atual para tentar algo mais alto e caso não conseguissem nos livraríamos de mais um que não serve para nada.

    Não adianta ser honesto e ter produtividade parlamentar baixa. Não adianta ter projetos bons, mas não ter o traquejo político de fazer estes projetos se transformarem em leis.

    Um grande exemplo disto é o Bolsonaro.

    Não é simples ? Assim que a banda toca.

    Deputados com mandatos eternos são a pior coisa que temos no Congresso Nacional.

    Fazendo uma busca rápida pelo Google e pegando só gente com mais de 20 anos de CN, se tiver mais gente por favor acrescentem.

    Eduardo Barbosa – 6
    José Rocha – 6
    Jair Bolsonaro – 7
    Atila Lins – 7
    Atila Lira – 7
    Gonzaga Patriota – 7
    Nelson Marquezelli – 7
    Arnado Faria de Sá – 8
    Jutahy Jr – 8
    Roberto Balestra – 8
    Paes Landim – 8
    Arolde de Oliveira – 9
    Sarney Filho – 9
    Simão Sessim – 10
    Miro Teixeira – 11

    Menção “honrosa” ao atual encarcerado Henrique Eduardo Alves – 11

    Outra coisa simples…

    Quem tem cargo eletivo não poderia se candidatar a outro cargo ou assumir um outro cargo até que o mandato atual se esgote.

  7. Na linha do Rodrigo, penso em soluções simples assim:
    Voto distrital para vereadores, distrital misto para deputados estaduais e federais; nos municípios com menos de 500.000 habitantes vereadores não serão remunerados, acima dessa população, a remuneração será proporcional ao número de habitantes de modo que a remuneração dos vereadores do município com a maior população corresponda a 90% da remuneração dos deputados dos respectivos estados; vereadores, deputados estaduais, federais e senadores não poderão ocupar cargo ou função temporária ou permanente durante seus mandatos, sob pena de perda dos mesmos; vereadores, deputados estaduais, federais e senadores poderão se candidatar a reeleições, contando-se lhes o tempo do mandato para efeito de aposentadoria, sendo o benefício limitado ao teto estabelecido pelo INSS; o número de senadores será 2 por estado, extinguindo as suplências; toda assessoria parlamentar será exercida por funcionários de carreira das respectivas casas legislativas ou estagiários; todos os mandatos serão de 5 anos; prefeitos, governadores e presidente da República serão eleitos para um único mandato de 5 anos.

  8. A verdade que poucos querem afirmar é que estamos vivendo uma “cleptocracia”, nossos governantes estão sendo financiados pelo crime organizado, ou fazem parte dele, dificilmente conseguiremos mudar o país se não houver uma faxina nos políticos, e até nas urnas será difícil de tirá-los, vide matéria sobre a invasão de urnas eletrônicas. Vislumbro um futuro de dificuldades, tanto políticas quanto econômicas, as dividas estão crescendo e corroendo o PIB e já se fala em 100% deste até 2020, este cenário pede medidas extremas, agora quem irá tomá-las? Não existe ninguém isento para isto, a política se cercou de tamanha couraça de impunidade e artimanhas que ninguém quer pensar em nação, sinceramente não vejo uma alternativa sem patriotas à frente, pessoas, e não o partido. Precisamos mudar o pensamento comum, influenciar o cidadão e eliminar esta velha cultura do “jeitinho brasileiro”, Macunaíma, etc… o Brasil precisa não de um, mas de muitos para que outros possam se inspirar.

  9. Nada disso hoje me dia é transmitido aos alunos. Aliás, nem hoje em dia e sim há mais de 25 anos quando extinção das matérias EMC e OSPB. Nossos livros de história hoje contam até que fomos nós que invadimos o Paraguai dando início à guerra e muitas outras inverdades.

    Na faculdade fui até expulso da sala de aula devido a um trabalho sobre o livro “Veias Abertas da América Latina” de Eduardo Galeano. Até fiz o trabalho de acordo com o livo mas anexei minhas próprias opiniões a respeito. A professora simplesmente riscou meu anexo. Fui reclamar e ela acabou rasgando-o. Foi em 1992.

  10. Saibam que o Barão Idolatrava seu Pai e sempre seguia até a Estátua de seu Pai o Visconde do Rio Branco , sentava-se em diante dela e passava tempo admirando, eram homens do tempo do Verdadeiro Brasil, embora a Republiqueta precisou muito do Barão do Rio Branco , hoje esta mesma Republiqueta esta colocando todo seu Trabalho de Consolidação de Fronteiras em Extremo Perigo , esta é a Cara desta Republiqueta , VIVA A REPUBLIQUETA a 128 anos nos relega a uma Nação apenas grande em Tamanho , como um JOÂO BOBÃO , Capacho do Mundo !!

  11. Os militares incharam o Congresso e deixaram o Judiciário avançar sobre ao Erário Público , transformando-se na Maior e Mais Desgraçada das Castas brasileiras , depois com a a piada de ** NOVA REPUBLIQUETA ** que com esta Constituição a pior de todas e do mundo atolaram definitivamente a Nação , assim as Castas se apegam aos seus ** DIREITOS ** e não querem largar o Osso , o BRASIL que se Vire e se Dane !!

  12. José Luis, concordo. A maioria se esquece do Judiciário. E digo mais: NENHUMA reforma providenciaria vai atingi-los.

  13. Nossos heróis nacionais viveram durante a monarquia e início do século XX. Que propagandeiem os outros!

    Estamos fartos de falsos heróis, falsos intelectuais e de falsos estadistas propagandeados pela “pátria educadora”.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here