segunda-feira, agosto 2, 2021

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Lula fala com Obama sobre risco iraniano

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Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Líderes não querem isolar o país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou na manhã desta sexta-feira rapidamente com o colega dos Estados Unidos, Barack Obama, em Pittsburgh (EUA), onde participam de reunião do G20. Conforme informações passadas pelo embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota, à agência de notícias France Presse, os dois conversaram sobre a segunda planta nuclear iraniana e concordaram que não é possível isolar o país.

Segundo o embaixador brasileiro, no encontro com Lula, Obama disse que “parece bom que o Brasil dialogue com o Irã”, em referência à visita que o presidente Mahmoud Ahmadinejad deverá fazer ao país, em novembro que vem.

Nesta quarta-feira (23), na sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York, Lula e Ahmadinejad tiveram um encontro no qual Lula defendeu o direito do Irã desenvolver energia nuclear para fins civis, desde que o país, assim como faz o Brasil, coopere com as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

No entanto, na manhã desta sexta-feira, Obama, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico, Gordon Brown, fizeram um comunicado de repúdio à admissão, por parte do Irã, de que o país possui uma planta de enriquecimento de urânio que, para as potências ocidentais, era secreta.

Com a revelação da nova planta iraniana, assessor diplomático do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, ressaltou que, se as denúncias estiverem certas, o Brasil condenará o Irã, mas sem “se unir àqueles que querem encurralar o Irã”. “Nós já sabemos o que resulta da política de encurralamento: resulta o Paquistão ou a Coreia do Norte”, dois países que têm armas nucleares.

No pronunciamento, Obama disse que “não é a primeira vez que o Irã esconde informações” sobre o seu programa nuclear, mas fez questão de ponderar que o país tem direito à energia nuclear, exceto que o tamanho e configuração da nova planta seriam “inconsistentes com um programa nuclear pacífico”.

Sem deixar de, como diz, “estender a mão”, Obama voltou a pedir que o Irã se engaje nos diálogos pela desnuclearização conduzidos pelo Grupo dos Seis (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) e que mostre “ações” na reunião marcada para o próximo dia 1º de outubro, na Alemanha.

Entre Obama e Brown, o presidente francês foi o que adotou o tom mais rigoroso em relação ao Irã. Sarkozy disse que o Irã “levou a comunidade internacional por um caminho perigoso” e que “tudo precisa ser colocado na mesa agora”. “Não podemos deixar os líderes iranianos ganharem tempo enquanto os motores estão em ação.”

Carta

Na carta dirigida ao diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, o governo iraniano confirma a existência da planta denunciara pelas potências ocidentais, mas afirma que só dará “outras informações complementares no devido tempo e de forma apropriada”, segundo os detalhes divulgados pelo porta-voz Marc Vidricaire, em comunicado.

O único dado técnico que Vidricaire adiantou é que o nível de enriquecimento de urânio seria de até 5%, condição que daria origem a um combustível pouco purificado, suficiente apenas para alimentar reatores nucleares de geração de eletricidade. O comunicado não dá detalhes sobre o conteúdo da carta, mas diz que “o organismo acredita ainda nenhum material nuclear tenha sido introduzido na instalação do Irã”.

O Irã já possui uma grande usina de enriquecimento de urânio conhecida, em Natanz, a 250 km de Teerã, na região central do país, cuja existência foi revelada em 2002.

O complexo já conhecido, que tem uma parte subterrânea, é monitorado atualmente pelos inspetores da AIEA. A agência divulgou um relatório recentemente no qual dizia que o regime iraniano reduziu a quantidade de enriquecimento de urânio pela primeira vez em alguns anos, mas advertiu que ainda não foram esclarecidas as metas nucleares.

FONTE: Folha Online (e France Presse, em Pittsburgh)

FOTOS: AP e PR

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Marco
Marco
11 anos atrás

Essa política do Brasil em relação ao Irã , na verdade é pra proteger o nosso programa nuclear dos holofotes do mundo.
Nosso país vai passar a perna no mundo inteiro . É só ligar as ultimas noticías envolvento o tema nuclear.

Bronco1
Bronco1
11 anos atrás

Marco,

Não é tão simples assim não.

Fazer uma bomba nuclear não é nada trivial; passar a perna no mundo todo (especialmente nos países centrais que tem um sistema de espionagem e informação extremamente eficiente) é menos trivial ainda.

Lucas Calabrio
Lucas Calabrio
11 anos atrás

Ao que parece o Brasil resolver parceria em tudo inclusive com a bomba A que é o começo
sds

Lucas Calabrio
Lucas Calabrio
11 anos atrás

Não é a toa que a instalação da usina fica no interior de uma montanha e varios metros abaixo , pra escapar de bombardeio
O brasil deve ceder as centrífugas, e em troca o resultado que é a bombinha

Lucas Calabrio
Lucas Calabrio
11 anos atrás

Temos o teórico que formulou matematicamente uma bomba americana que deixou os USA meio nervoso além das centrífugas
sds

konner
konner
11 anos atrás

Usina no Irã é imprópria para uso civil. Instalação não teria capacidade de produzir eletricidade, mas abrigaria centrífugas suficientes para enriquecer urânio. Declaração conjunta de Estados Unidos, Grã-Bretanha e França na reunião do G-20 só foi possível porque os serviços secretos dos três países chegaram a informações semelhantes de que a usina de enriquecimento de urânio, na cidade de Qom, não só existe, como teria sido projetada para fins militares. O fato de a usina abrigar 3 mil centrífugas para enriquecimento de urânio – uma quantidade reduzida para alimentar um programa civil, que necessita de milhares de centrífugas – também… Read more »

thiago
thiago
11 anos atrás

po o que eu nao entendo e pq so esses paises tem direito de ter bombas nucleares, eles criticam, fazem sançoes. e nada adianta so vai aumentar a vontade deles terem bomba tbm. o certo pra mim seria nenhum pais do mundo ter bombas nucleares.uma coia que me revolta é q em vez deles criticarem o irã, pq eles msm nao acabam com suas bombas. ah mas ai eles nao querem, eles se acham superiores. esses caras sao hipocritas msm. pra mim o brasil tinha que ter armas nucleares sim tbm.

Paulo
Paulo
11 anos atrás

É muito simples, o Irã deve ter quantas bombas quiser, da mesma forma que os EUA, Russia, Inglaterra, França e etc… Ninguém tem moral o suficiente para condenar o Iran!!!! Além disso, ao deixarem que o Irã domine o ciclo nuclear, contribuirão para a paz no Oriente Médio!!!! É a única coisa que fará a paz reinar naquela região do mundo, é um estabelecimento de equilíbrio de forças, do contrário Israel continuará a dominar e cometer seus abusos, criando instabiligade naquela região do mundo. E o que é pior, com o consentimento dos EEUU!!!! É isso, só isso, simples assim.… Read more »

massa
massa
11 anos atrás

O Irã ter bomba nuclear não é uma questão de moral ! Existe uma “lógica” no fato dos EUA, Russia, China, UK, França, India possuirem a bomba, a origem remota na 2a Guerra Mundial e vai até a época da Guerra Fria, graças a essa “lógica” que as grandes potências não se enfrentaram (por causa da destruição mútua), impedindo a eclosão de qualquer guerra entre grandes nações. O fato do Irã ou qualquer outro país que mantém apoio a grupos terroristas acabarem possuindo uma arma Nuclear bagunça essa “lógica”, pelo simples fato de provocar um fator de incerteza no equilíbrio… Read more »

fuzileiro
fuzileiro
11 anos atrás

Concordo plenamente.

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