sexta-feira, dezembro 3, 2021

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Guilherme Poggiohttp://www.forte.jor.br
Editor da Revista Forças de Defesa

Brasil tenta reaproximar Venezuela e Colômbia e acaba no centro do confronto que levou Bogotá a boicotar reunião do Conselho de Defesa da Unasul

Viviane Vaz

A decisão da Colômbia de enviar apenas uma “delegação técnica” à reunião extraordinária de chanceleres e ministros de Defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito, colocou o Brasil no centro do atrito entre o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e o venezuelano, Hugo Chávez. Segundo o jornal colombiano El Tiempo, o governo de Bogotá teria manifestado desagrado com Lula pela declaração feita ontem em Manaus, na reunião de cúpula de países amazônicos. “Acho que o companheiro Chávez e o companheiro Uribe têm que entender que a guerra não é construtiva, que a disputa insana não é construtiva, afirmou o presidente brasileiro.

Na Casa de Nariño, o palácio presidencial colombiano, a frase teria sido mal vista, uma vez que Uribe tem se negado repetidas vezes a responder às agressões verbais de Chávez. O fato de a maioria dos países vizinhos criticarem o acordo militar pelo qual a Colômbia cedeu bases militares aos Estados Unidos — esse era um dos temas principais na pauta da reunião — também contribuiu para que Bogotá decidisse esvaziar o encontro. O governo colombiano enviou nota aos colegas presentes enumerando suas razões para não enviar o ministro da Defesa, Gabriel Silva, nem o chanceler, Jaime Bermúdez. O texto indica que, por falta de garantias para travar um diálogo com respeito, objetividade e equilíbrio, o país decidira enviar uma equipe de técnicos.

Apenas metade dos 12 países da Unasul esteve representada por algum dos ministros. O Brasil enviou ambos — o chanceler Celso Amorim e o titular da Defesa, Nelson Jobim. Como anfitrião, o Equador foi representado por Fander Falconi (Relações Exteriores) e Javier Ponce (Defesa). Paraguai e Suriname enviaram seus responsáveis pela Defesa. O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, qualificou a ausência colombiana como vazio inexplicável, um erro gigantesco e um desprezo à Unasul. Já Fabián Varel, chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Equador, afirmou que cada país tem suas políticas e prioridades, mas lembrou que o Conselho de Defesa deve ter um consenso absoluto entre os países-membros.

As autoridades presentes ao encontro analisaram um conjunto de propostas. Uma delas, apresentada pelo presidente do Peru, Alan García, sugere que seja elaborado um estatuto de paz e de segurança mútua, contemplando a redução dos gastos militares.

Espiões

Além de discutir a aliança militar entre EUA e Colômbia, os ministros de Defesa e Relações Exteriores da Unasul também planejavam examinar a tensão entre Peru e Chile, depois de um suposto caso de espionagem chilena em Lima. Mas, segundo a porta-voz do Palácio de La Moneda, Carolina Tohá, o governo chileno rejeitou a proposta do governo equatoriano, presidente temporário da Unasul, para mediar a disputa.

O governo de Caracas também tinha anunciado que levaria a Quito uma queixa contra outra suposta operação da Colômbia contra Venezuela, Cuba e Equador. Vamos abordar esse tema e levar as provas de todo o plano de espionagem e de todo o plano de guerra contra nosso país, e vamos demostrar perante a América do Sul, desafiou Maduro na quinta-feira à noite.

Em Bogotá, o ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, admitiu pela primeira vez que os militares colombianos já pensam em se preparar para um possível confronto armado com a Venezuela. Pela primeira vez em décadas cabe ao ministro da Defesa pensar em como enfrentar, como se preparar para uma situação de ameaça externa”, disse o ministro à rádio Caracol. Ele destacou, porém, que os colombianos não gostariam de desviar-se do objetivo estratégico central, que é derrotar o narcoterrorismo. Acrescentou que seu país não pode “dedicar energias, recursos e pessoal para veleidades internacionais criadas por uma retórica inaceitável— referência ao discurso de Chávez. Os vizinhos estão condenados a se entender”, concluiu Gabriel Silva.

FONTE: Correio Brasiliense, via Notimp

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Colt
12 anos atrás

Vou dizer o que eu acho. Parece coisa de 5º mundo. Toda essa história ficaria bem em 1950 – 60. Estamos em 2010!!!! (quase rss). Socialismo? Já afundou há uns 20 anos! Todo mundo sabe. Capitalismo doido, nem os americanos acreditam mais nisso, fica aquela coisa, se for bem sucedido fica rico se for perdedor morre na fila do SUS. Tb não funciona. O mundo todo hoje em dia procura e prestigia a eficácia da administração pública assim como a função social do capital que bem administrado e regulado é um dos geradores de oportunidades que criam renda, emprego, conhecimento,… Read more »

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