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‘Nós chegamos primeiro e vamos ficar até o fim’

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Coronel Ajax Porto Pinheiro: próximo comandante do batalhão brasileiro no Haiti Militar brasileiro diz que presença americana no Haiti é temporária e não ameaça liderança exercida pelo Brasil

Leandro Colon

O próximo comandante do batalhão brasileiro no Haiti, coronel Ajax Porto Pinheiro, avalia que o país caribenho ainda demorará cinco anos para começar a se reorganizar depois do terremoto do dia 12. “Voltamos no tempo e teremos de recomeçar de novo”, disse Pinheiro ao Estado. O coronel chegou quinta-feira a Porto Príncipe, para substituir, a partir de fevereiro, o coronel João Batista Bernardes no comando das tropas brasileiras. Pinheiro aproveita para reafirmar a posição brasileira de liderança na segurança do Haiti depois do mal-estar com os EUA. “Eles vieram numa ação temporária, emergencial e acredito que em breve vão embora e nós vamos ficar aqui. ”

Quanto tempo vai levar para o Haiti ser reconstruído?

Se quisermos voltar a dezembro de 2004, acredito que mais uns cinco anos. Porque em dezembro de 2004 a cidade começava a se organizar, a ter vida noturna. Hoje, a cidade está às escuras. Os shoppings nas avenidas, os postos de gasolina eram organizados. E tudo isso ruiu. A cidade estava limpa, era o sintoma de que as instituições do Haiti estavam numa ascendente. Agora, voltamos no tempo e teremos de recomeçar de novo. Eu vi a cidade do alto e percebi que não foi toda destruída. Existe, na verdade, um corredor da morte, das montanhas até o porto. São sete quilômetros de extensão por três de largura. É uma linha imaginária. A favela de Bel Air foi destruída e o que está próximo foi abalado. O que está fora dessa faixa está preservado.

O governo já anunciou 900 novos militares brasileiros no Haiti. Qual é o contingente necessário para resolver essa situação?

O Brasil fala na possibilidade de dobrar. O que posso dizer de concreto é que vão mandar uma companhia da Polícia do Exército que ficará sob o controle direto da força de comando da ONU. E há ainda mais um batalhão que não terá a estrutura do meu. Será mais leve e enxuto. Daqui a um mês chegará aqui. O Brasil dará preferência a militares do Exército que já estiveram em outros contingentes. Eles virão com a estrutura deles, com barracas, geradores, banheiros montáveis.

E se dobrar?

Se isso ocorrer, deve aumentar também o número de comandantes. E será outro coronel, com outra tropa. E a missão dela será especificamente ajuda humanitária. E nós nos voltaremos para segurança de comboios internos, externos, patrulhas. Nós ficaremos voltados para a parte de segurança.

Mas a ajuda humanitária não é dos americanos?

Esse acordo não impede que façamos essa ajuda. Acredito que, em alguns momentos, faremos a segurança e eles farão a ajuda. Mas continuaremos prestando ajuda humanitária, até porque as Nações Unidas permanecerão aqui não se sabe até quando. E não tenho a certeza de até quando as tropas americanas permanecerão no Haiti. Eles vieram numa ação temporária, emergencial, e acredito que em breve vão embora e nós vamos ficar aqui. Nós chegamos primeiro e vamos ficar até o fim.

Como avalia esse movimento dos EUA de controlar o aeroporto? Não atravessaram o limite?

Observei a atuação deles nestes dias. Quanto ao aeroporto, eu penso que vão devolvê-lo gradativamente ao governo do Haiti.

Na sexta-feira, o general Floriano Peixoto, que comanda as tropas de paz da ONU, afirmou que era preciso mostrar que o Brasil é quem tem a maior tropa e comanda a segurança. O sr. concorda?

Concordo com o general. Gostamos de frisar que são os brasileiros que estão aqui. Porque a capital é nossa, a ONU está no país inteiro. Então, a capital é nossa, a segurança é nossa, a ajuda é nossa também.

Qual maior dificuldade hoje na recuperação da cidade?

Quanto à segurança, a situação mudou completamente. Temos presídios destruídos com o terremoto e, com isso, presos de alta periculosidade estão soltos pelo país. Não sabemos onde eles estão exatamente. Existe sempre essa ameaça pairando no ar. E quanto à assistência humanitária, os acampamentos estão espalhados pela cidade. Essa quantidade é uma dificuldade. E nós sabemos que os olhos do mundo estão voltados para o Haiti.

FONTE/FOTO: Folha de São Paulo, via Notimp/MinDef

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alexandrefontoura
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alexandrefontoura

Conheci o Coronel Inf Ajax Porto Pinheiro quando fiz uma matéria sobre o 1º BIS (Amv), em Manaus, e ele era o comandante da Unidade. Altamente profissional, bem preparado e militar competente, será um comandante de alta qualidade para o Brabat, assim como todos os que o antecederam.

fuzileiro
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fuzileiro

Servi junto com ele, quando nós eramos 2º Tenente.

fuzileiro
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Ele é o segundo que comanda o Brabat que serviu comigo, o outro foi o Coronel Sales quando ele era 1º Tenente e eu 2º Tenente. Alías nos 3 servimos juntos como tenente na mesma Cia de Fzo.