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Após cortes, UE cogita nova política de defesa

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Os grandes cortes de gastos militares na Alemanha, no Reino Unido e na França podem encorajar a Europa a adotar uma política comum de defesa, para otimizar o uso de recursos e eliminar investimentos duplos numa mesma área.

A Alemanha, que se tornou nos últimos anos cada vez mais ativa em missões militares internacionais, deve diminuir seu Exército em 40% para ajudar a arrumar suas finanças. França e Reino Unido, que têm as maiores Forças Armadas da Europa, também estão passando por cortes.

“Considerações orçamentárias e de segurança deverão servir para aumentar a pressão para que tenhamos uma política conjunta de defesa”, disse Elke Hoff, a porta-voz para assuntos de defesa dos liberais (FDP, na sigla em alemão), partido que faz parte da coalizão da premiê Angela Merkel. “A estabilidade financeira está se tornando uma questão-chave de segurança no mundo globalizado”, afirmou.

O ministro da Defesa alemão, Karl-Theodor zu Guttenberg, e o ministro francês, Hervé Morin, disseram na semana passada que iriam montar um grupo de trabalho informal para estudar medidas de eficiência conjuntas.

Os dois aliados decidiram “procurar juntos quais os recursos poderiam ser complementares ou compartilhados para trazer ganhos de eficiência e economia de escala”, disse Morin.

O ministro da Defesa britânico, Liam Fox, disse ser necessário cooperação bilateral em defesa, “particularmente com países que têm os mesmo interesses que nós e estão preparados tanto para pagar quanto para lutar, como a França”.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, argumenta que os Estados-membros da aliança militar precisam combinar melhor seus recursos.
Mas analistas dizem que isso pode demorar para se materializar.

Nick Witney, ex-diretor da Agência de Defesa Europeia e atualmente pesquisador do think-tank Council on Foreign Relations, disse que os governos inicialmente devem evitar qualquer tipo de compromisso internacional. “Espero que, quando a poeira do colapso financeiro baixar, as pessoas vão dizer: ‘Vai sobrar muito pouca capacidade de defesa se continuarmos a duplicar tudo em bases nacionais’. Assim, a lógica de combinar os recursos vai, espero eu, prevalecer”, disse ele.

No Reino Unido, analistas veem espaço para cooperação com a França, por exemplo, nos caças. Alguns afirmam que o Reino Unido poderia economizar se comprasse os caças franceses Rafale, construídos pela Dassault, talvez como parte de um acordo em que os britânicos construiriam os aviões de reabastecimento no ar.

Na Alemanha, onde os cortes devem ser mais profundos, espera-se que o serviço militar compulsório seja revisto. O Exército, que atualmente tem cerca de 250 mil soldados, deve passar para algo em torno de 150 mil. Hoje em dia a Alemanha tem cerca de 7 mil tropas estacionadas no exterior – é o terceiro maior contingente internacional no Afeganistão.

FONTE: Valor Econômico – 29.07.2010 / COLABOROU: Justin Case

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oscar
9 anos atrás

se nossos politicos inventarem de copiar esses paises estamos perdidos,pois ja picotiarão e quebrarão por demais nossas pobres e indefesas forças armadas..imaginem se o grande estrategista jobim e lula inventão de cortar mais um pouco dos envestimantos recortados das nossas forças armadas.

Luis
Luis
9 anos atrás

O Heer (exército alemão) é maior do que o EB…
É um bom momento para comprarmos equipamento militar europeu, novo ou usado, mais barato.

Pinochet74
Pinochet74
9 anos atrás

A europa vai cavando sua própria cova. Vai permitindo uma invasão silenciosa de seu território com milhões de muçulamanos, vai se enfraquecendo cada vez mais economica e militarmente. Vai que um dia Putin resolva que a Russia deva ter alguns portos no Atlantico?