domingo, agosto 1, 2021

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Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Merval Pereira

Apesar de ter uma viagem marcada para o Brasil durante a campanha presidencial, quem tiver curiosidade de saber a opinião de Mitt Romney sobre o país não terá nenhuma pista no principal documento divulgado até agora sobre a estratégia de política externa do mais provável candidato republicano à presidência dos Estados Unidos.

Intitulado “Um Século americano – Uma estratégia para garantir os interesses e ideais permanentes americanos”, quando aborda a América Latina, não tem uma referência sequer ao Brasil. Mas tem muitos pontos que certamente entrarão em choque com a posição do governo brasileiro.

O documento anuncia que o governo de Mitt Romney terá “um papel ativo na América Latina, apoiando aliados democráticos e relacionamentos baseados em economia de mercado, contendo forças internas desestabilizadoras como gangues criminais e terroristas, e se opondo a influências externas desestabilizadoras como o Irã”.

O ponto mais importante do documento é o anúncio de que nos primeiros cem dias o novo governo republicano lançará “uma vigorosa promoção pública de diplomacia e comércio”, denominada Campanha para Oportunidade Econômica na América Latina, Ceola em inglês, sigla que aparentemente pretende substituir a Alca.

O propósito seria ressaltar “as virtudes da democracia e do livre comércio”, seguindo a linha dos acordos em vigor ou prestes a serem aprovados pelo Congresso com países da região como Panamá, Colômbia, Chile, México, Peru, e os membros do acordo de livre comércio da América Central.

O eventual governo Romney tentará usar o programa para contrastar os benefícios da livre iniciativa e o modelo de autoritarismo socialista oferecido por Cuba e Venezuela, que são, na verdade, as grandes preocupações na região.
Na visão de Romney, “décadas de notável progresso na América Latina baseado na segurança, democracia e crescente laços econômicos com a América estão atualmente sob ameaça”.

Venezuela e Cuba estariam liderando “uma virulenta campanha antiamericana” num movimento “bolivariano” por meio da América Latina com a intenção de sabotar instituições de governança democrática e oportunidades econômicas.
Esse “movimento bolivariano”, segundo o documento, ameaça aliados dos Estados Unidos como a Colômbia, interfere na cooperação regional para o combate às drogas e em ações de contraterrorismo, tem fornecido proteção para traficantes de drogas e encorajado organizações terroristas regionais, além de ter convidado o Irã e organizações terroristas estrangeiras como o Hezbollah.

O documento destaca também o que chama de “epidemia de violência de gangues criminais e cartéis da droga” que leva a morte ao México e diversos países da América Central e Caribe.

A proposta de Mitt Romney é juntar as iniciativas de combate às drogas e ao terrorismo para criar a Força Tarefa Hemisférica para Crime e Terrorismo, com o objetivo de coordenar as ações de inteligência e repressão entre os aliados regionais.
No plano mais geral, o documento adverte que quem assumir a presidência em 2013 terá pela frente uma série de “ameaças e oportunidades”.

O papel de “países poderosos” como China e Rússia pode levar à valorização do sucesso econômico, reforçando a importância de um sistema construído à base da liberdade econômica e política.
Mas pode também, adverte o documento de Romney, ameaçar tal sistema pelo autoritarismo característico desses países, que já estaria colocando em perigo a segurança internacional.

O documento chama a atenção para o surgimento de atores relativamente novos na cena global, como os grupos terroristas transnacionais.
Os grupos islâmicos radicais são apontados pelo documento como “um perigo onipresente” para os Estados Unidos, apesar das vitórias obtidas nos últimos anos no combate ao terrorismo.
Mitt Romney utiliza-se do documento das “armas de destruição em massa” para chamar a atenção para os perigos de elas caírem “em mãos erradas”.

A região que vai do Paquistão à Líbia, envolta em “profunda turbulência”, tem uma importância geoestratégica que não pode ser menosprezada: “É o primeiro ponto para a proliferação nuclear”, ressalta o documento, um constante risco de uma “guerra catastrófica” que poderia colocar a economia mundial no caos.

A política externa de Mitt Romney se preocupa com “países fracos demais para se defender sozinhos” e também com “países falidos ou em falência”, como Somália, Yemen, Afeganistão e Paquistão, “e num grau alarmante, nosso vizinho México”.
Esses são países com “governança fraca, tomados pela pobreza, doenças, refugiados, drogas e crime organizado”, que são ou podem vir a ser lugares seguros para terroristas, piratas e outros tipos de redes criminosas.

Romney retoma também a expressão “Estados bandidos” muito utilizada no governo de George W. Bush, para definir Irã, Coreia do Norte, Venezuela e Cuba, que têm “interesses e valores diametralmente opostos aos nossos” e colocam a segurança internacional em perigo, especialmente nos casos da Coreia do Norte e do Irã, que buscam obter armas nucleares.

O professor de estudos estratégicos da Universidade Johns Hopkins Eliot Cohen, conselheiro especial do governador Romney, descreve no prefácio do livro quais são os objetivos que movem a sua candidatura: a tese do mundo multipolar, onde o poder de influência dos Estados Unidos seria decrescente, seria “falaciosa e perigosa”.

“Os Estados Unidos não podem retirar-se dos problemas mundiais sem provocar perigo para si mesmo e para os outros. (?) Queiramos ou não, nossos valores, nossas políticas e nosso exemplo importam a todos os que valorizam a liberdade”.

FONTE: O Globo

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paulsnows
paulsnows
9 anos atrás

Não sei quem e pior. Merval Pereira ou Mitt Romney. E, de qualquer forma, estas declarações pre-eleitorais, na campanha dos EUA, são apenas palavras. America Latina não e preocupação por la. Vide o posicionamento militar. Ali esta realidade. Bolivarianos ameaçando os EUA!??? Tem que ser muito credulo para acreditar. Os EUA são como um cara armado ate os dentes, dentro de um tanque. Do lado de fora tem um outro cara de 1,50m, magrinho, descalço, desarmado e com os pes e mãos amarrados. Do lado de dentro do tanque o americano grita: -Este cara e uma ameaça minha segurança, vou… Read more »

Vader
9 anos atrás

Lamentavelmente o Obama será reeleito. A trupe de presidenciáveis republicanos é fraca demais, e esse Romney é o pior de todos… Quanto ao candidato nem mencionar o Brasil: o desembestado governo do PT tanto fez (em retórica, meramente) para nos afastar dos EUA que está conseguindo apenas a mera indiferença. A verdade é que nos EUA ninguém dá a mínima pro Brasil, e o americano médio tem certeza absoluta que a capital do Brasil é Buenos Aires, que falamos espanhol, todas as mulheres andam peladas, fugimos de jaguares e atravessamos as ruas saltando pelas costas de crocodilos… E quando o… Read more »

Invincible
Invincible
9 anos atrás

Sabe Vader!

No meu PC eu mudei o nome do arquivo.

De: Lula o filho do Brasil
Para: Lula o filho de VC´S SABEM QUEM…

Esse discurso é mais um protocolo do que qualquer coisa. É so para dizer que falou.

Uitinã
Uitinã
9 anos atrás

Cláudio Cardoso de Melo Concordo totalmente com Vc e fácil querer culpar só o governo atual do PT mas a segregação que o brasil sofre vem ao longo de seculos não foi culpa desse ou daquele governo as relações entre brasil e EUA estão até melhores do que em outros governos e obvio que o comercio bilateral com outras potencias tinha que aumentar principalmente com a china que no futuro devera ser nosso maior comprador. O que o paulsnows disse e verdade esse medo ridículo de que os lideres bolivarianos ameaçam o estilo de vida americano, chega a ser hilario,… Read more »

Daglian
Daglian
9 anos atrás

Uitinã, Só que quando um presidente possui erros demais em seu mandato… bem, não há como não hostilizá-lo. Eu não consigo enxergar nenhum ponto bom para colocar na balança. Eu já temo a China… não vejo porquê temer os Americanos. A China está longe sim, mas isso não é isso que vai evitar ações militares por parte deste país (caso isso hipoteticamente ocorra). Os Americanos não irão nos invadir, eles não querem e nem precisam de uma guerra com um país gigante territorialmente. Bem ou mal, com forças mal equipadas ou não, nós daríamos bastante trabalho e, neste caso, trabalho… Read more »

Uitinã
Uitinã
9 anos atrás

Daglian disse: 11 de janeiro de 2012 às 2011 Erros todos os presidentes tem querer taxar apenas um é coisa de Direitista fanático, só por que o presidente era da esquerda, isso e bobeira de quem não tem o que fazer, na hora que o candidato assume ele vai governar pra todos e por todos não pela direita ou esquerda esqueçam esse pensamento simplista do coronelismo, como eu disse a politica externa do PT foi uma M!!!!! e agora que parece que tá melhorando com alguns derrapes mas tá melhorando. Enquanto ao resto do seu comentário, nos não temos nada… Read more »

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