quarta-feira, agosto 4, 2021

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Paz na Síria é ‘quase impossível’, diz novo mediador da ONU

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Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Às vésperas de assumir oficialmente seu cargo, o novo mediador da ONU e da Liga Árabe para o conflito na Síria, o argelino Lakhdar Brahimi, disse na segunda-feira, 3, que uma solução diplomática para a guerra que já fez mais de 25 mil mortos e 1,5 milhão de refugiados é “quase impossível”. Brahimi será oficialmente recebido hoje pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

As declarações foram feitas em entrevista à rede BBC depois que 114 sírios foram mortos no domingo. Ontem, um ataque contra um imóvel na região de Alepo fez pelo menos 18 mortos. Em Damasco e em Deraa, a oposição acusa o governo de promover a destruição de casas e comércios em uma “punição coletiva” em razão do apoio que famílias da região prestaram aos rebeldes.

Sucessor do ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan no cargo de mediador, Brahimi foi chanceler da Argélia e é um velho conhecido do mundo diplomático. Uma de suas principais vitórias foi a negociação do fim da guerra civil no Líbano, em 1989. Como uma demonstração de seu envolvimento, Brahimi não quer seu escritório de mediação em Genebra, como fez Annan, mas em Damasco – se isso não for possível, ele pediu que ficasse no Cairo.

Ainda assim, o diplomata admite que suas chances de conseguir a paz são ínfimas. “Estou vindo com meus olhos abertos e sem ilusões”, disse. “Sei como é difícil, como é quase impossível. Não posso dizer impossível, mas quase impossível.”

Escalada

Por enquanto, Brahimi reconhece que não identificou nenhuma brecha no “muro de tijolos” que impediu Annan de avançar: um governo sírio intransigente, um Conselho de Segurança da ONU paralisado pelas diferenças e um movimento rebelde cada vez mais forte e violento.

O novo mediador da ONU indicou que manterá o plano de paz de Annan, embora admita que poderá ter de adaptá-lo. Brahimi também afirmou que mudanças políticas terão de ocorrer na Síria para que haja um acordo e o fim da violência. Ele se recusou a dizer se Assad terá de sair. “As mudanças terão de ser substanciais, não cosméticas. Uma nova ordem deve surgir. Mas não sei quem serão as pessoas nessa nova ordem. Isso é para os sírios decidirem”, disse.

Em entrevista à rede árabe Al-Jazeera, o argelino considerou que mudanças são “necessárias, indispensáveis e inevitáveis”. No entanto, uma vez mais, disse que não cabe a ele dizer qual deve ser o futuro de Assad. “É cedo para dizer quem deve sair.”

A semana passada foi a mais violenta desde que os confrontos começaram, em março de 2011. Foram 1,6 mil mortos em apenas sete dias e 5 mil no pior mês de conflito, segundo estimativas da oposição.

Ontem, a violência continuou, com cerca de 18 mortes na região de Alepo, depois que um jato lançou uma bomba sobre um prédio em um dos bairros controlados pelos rebeldes. Outras 13 pessoas estão desaparecidas.

Os subúrbios de Damasco também foram atingidos por duas explosões, que mataram cinco pessoas. Na Província de Hama, 20 pessoas foram mortas. Uma divisão dos rebeldes ligada a grupos islâmicos anunciou ter colocado bombas em instalações e veículos do Exército sírio.

FONTE: O Estado de S. Paulo

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hamadjr
hamadjr
8 anos atrás

Os Líderes do Ocidente estão pouco se lixando para o conflito na Síria, e quem sofre é a população.
Porque se quisessem resolver a OTAN já teria feito o que fez na Líbia sem precisar do CS da ONU.
Mas como tem uma serie de configurações de interesses então não acontece, como diria o filósofo Mussum, é phodis.

Daglian
Daglian
8 anos atrás

hamadjr,

De fato. Só que não são só os líderes do Ocidente. O que a Rússia fez? E a China?

Bosco Jr
Bosco Jr
8 anos atrás

Hamadjr,
Se os líderes do Ocidente tivessem feito alguma coisa não faltariam críticos (e longe de mim pensar que você seria um deles) apregoando aos 4 cantos que eles estariam intervindo num país soberano com a única e exclusiva intenção de surrupiar as riquezas do dito cujo à revelia da ONU, etc, etc, etc.
Agora, que os líderes do Oriente que se virem com o Oriente.

Bosco Jr
Bosco Jr
8 anos atrás

Sem falar que para o Ocidente resolver a situação tem que usar projéteis com urânio, Predators com Hellfires, AC-130, Apaches com M-230 e mira térmica, Barret .50, etc.
Ou seja, tudo que os politicamente corretos críticos do Ocidente odeiam.
Então, como pedindo “por favor” pra guerra civil acabar não vai adiantar, e se apelarem para o uso da força não é politicamente correto, o Ocidente tem mais é que lavar as mãos mesmo.

MSG
MSG
8 anos atrás

Sobre a situação na Síria, saiu um artigo do NYT no UOL que é muito interessante (e triste!). Recomendo:

*ttp://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2012/09/05/para-as-criancas-sirios-nao-lutam-por-democracia-mas-contra-os-alauitas.htm

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