quarta-feira, outubro 20, 2021

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O vídeo-bomba da Guarda Revolucionária na Síria

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

POR SAMY ADGHIRNI

vinheta-clipping-forte1O vídeo abaixo prova o que todos já sabiam: a Guarda Revolucionária do Irã, força máxima da república islâmica, tem militares em solo sírio para ajudar forças leais a Bashar Al Assad.

As imagens, que vazaram há cerca de dez dias, mostram o dia a dia de uma unidade da guarda iraniana nos arredores de Aleppo, noroeste da Síria. O vídeo, legendado em inglês, parece ter sido filmado para fins de documentário ou para consumo interno do regime de Teerã. Mas o cinegrafista, também iraniano, morreu num ataque dos rebeldes, que capturaram a gravação e a transmitiram a um jornalista da TV holandesa. Os sites iranianos Mashregh News e Raja News confirmaram a veracidade da gravação. Alguns veículos estatais lamentaram o vazamento.

O material é um verdadeiro tesouro para qualquer pessoa interessada no conflito pois mostra aspectos da guerra até agora pouco documentados, como a interação às vezes descompassada entre instrutores iranianos e forças sírias, a tranquilidade da guarda em área de conflito e o humor jocoso dos comandantes persas em relação aos árabes.

O personagem central foi identificado pela mídia iraniana como Haj Ismail Heydari, um comandante da Guarda Revolucionária que morreu pouco depois da filmagem e cujo funeral foi acompanhado por membros do regime em Teerã (http://www.mashreghnews.ir/fa/news/243271/تصاویرتشیع-پیکر-شهید-اسماعیل-حیدری).

Em depoimento à câmera, fica clara sua missão de orientar e supervisionar uma milícia local pró-Assad. Heydari se queixa da brutalidade com que comandantes sírios tratam soldados rasos e afirma que a escola militar iraniana vai na contramão disso ao privilegiar o respeito para com os subordinados, não a força. Heydari também critica forças de Assad por não ser gentis com os moradores da área.

A dimensão sectária do conflito é confirmada quando o comandante afirma sem rodeios que está ali para defender o “bem” (os xiitas Assad, Hizbullah e Irã, com a benção do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, considerado representante de Deus na terra pelo xiismo iraniano) contra o “mal” (países ocidentais, Israel e monarquias do golfo Pérsico, que Heydari chama de “infiéis” por ser sunitas).

Apesar da aliança vital, os militares iranianos têm dificuldade de comunicação com os sírios. Primeiro, por causa da língua. Iranianos, cujo idioma é o farsi, se esforçam para falar árabe, mas a conversa parece sair truncada, conforme o que resta do meu árabe.

Os militares iranianos às vezes agem com condescendência e desprezo com os sírios. Ao dirigir uma picape por um vilarejo, Heydari mostra moradores caminhando por uma rua e explica ao cinegrafista que a retirada dos rebeldes do setor permitiu à população voltar ao local. “Não havia mais nenhum ser humano por aqui”, diz o comandante, imediatamente interrompido por um colega iraniano. “Continua não havendo humanos, são apenas árabes”.

O comentário em holandês tem algumas forçações de barra e imprecisões, como quando o narrador insinua que a unidade da guarda poderá ser castigada em Teerã por cantar música pop. Besteira. Música pop há muitos anos deixou de ser motivo de problema para o regime.

O vídeo termina com cenas da vida doméstica dos homens da Guarda Revolucionária. Aparecem cozinhando, lavando louça e dando gargalhadas na escola que lhes serve de base.

Questionada sobre o vídeo durante sua coletiva semanal, a porta-voz da chancelaria, Marzieh Afgham, disse que o “Irã não tem nenhuma presença militar oficial na Síria”. Um jornalista iraniano quis saber se isso significa que Teerã tem presença “não oficial”. Afgham não respondeu.

Mohammad Ali Jaafari, chefe máximo da Guarda Revolucionária, já admitiu que seus homens estão na Síria como “assessores”, mas não em “missão militar.”

Aqui, mais imagens dos iranianos na Síria, incluindo em cenas de combate contra rebeldes.

FONTE: Coluna Samy Adghirni na Folha de São Paulo

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Marine
8 anos atrás

“In the days of the Shah our Army used force too…” Yes, and now we are a bunch of brainwashed religious fanatics.

“Thank God Islam teaches love…” Yes, yes, just like the stoning of women for being raped.

Isso sim e progresso!!

Drcockroach
Drcockroach
8 anos atrás

Engracado o sujeito ser pego cantando musica pop, mas rapidamente muda quando filmado… Os iranianos sao, relativamente, muito mais moderados que quem luta do outro lado, especialmente os financiados pela arabia saudita. Tb relativo ao Iran, esta semana o novo presidente soltou varios ativistas (http://www.theguardian.com/world/2013/sep/18/iran-frees-political-prisoner-nasrin-sotoudeh ) o que pode ser uma nota positiva p/ eventuais negociacoes sobre o programa nuclear. Talvez muito otimismo de minha parte, mas nao custa nada ter um fio de esperanca depois de duas semanas em que quase toda regiao entrou em caos. Mas voltando ao video, se vcs observarem o segundo, podem notar a plantacao… Read more »

pco-andrade
pco-andrade
8 anos atrás

Iranianos assessorando na Síria, Americanos assessorando em toda parte, russos, chineses, britânicos, franceses ….. simplesmente não há diferença. não causa espanto. são apenas tentativas de se manter os negócios. só isso

Wagner
Wagner
8 anos atrás

Não deixa de ser uma experiência interessante para os iranianos, que podem usar as lições desta guerra para aperfeiçoar suas defesas em caso de agressão por parte de Israel ou da parte do Império Malévolo Yankee. Os Iranianos poderia mesmo tentar enviar alguns Tanques fabricados ou modernizados localmente, para testar sua efetividade. Se os estados europeus transformaram a Líbia num laboratório para suas novas armas, o Irã , ao ajudar Assad, tambem pode usar o conflito como laboratório. Isso é terrível , mas isso acontece. Em breve os terroristas canibais serão esmagados e a Síria restaurará a Ordem. Agora até… Read more »

joao.filho
joao.filho
8 anos atrás

Esse conflito me lembra muito da Guerra Civil Espanhola, com gigantes belicos testando seus diversos armamentos e taticas de lados opostos, para o detrimento da populacao civil. Me parte o coracao ver aqueles menininhos ali, no meio daquela carnificina. Uma situacao vergonhosa, no minimo.

Soldat
Soldat
8 anos atrás

Interessante a colocação sobre a Espanha graças a Deus pelo menos na Espanha os Nacionalistas venceram e acabaram com a corja comunista mesmo esses sendo financiados pelos Banqueiros internacionais e militarmente pelos Ingleses e Americanos e pelos Soviéticos.

No caso sírio realmente vai ser muito difícil o Governo vencer eu creio que para guerra acabar somente com a divisão territorial.

Wagner
Wagner
8 anos atrás

Soldat

na verdade o Stalin não estava a fim de se envolver na Guerra Civil espanhola, mas atazanaram tanto que ele acabou mandando ajuda, mas cobrava a vista por cada Polikarpov…

” ajuda comunista” entre aspas…

Existiam brigadas vermelhas internacionais que não estavam sob comando de Stalin e eram bem mais independentes de Moscou.

Vader
8 anos atrás

Soldat disse:
20 de setembro de 2013 às 13:07

Amigo, me corrija se estiver enganado, mas até onde eu sei os nacionalistas espanhóis eram apoiados pelo NSDAP.

Sds.

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