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As fraquezas da 7ª economia mundial

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Brasil fica distante dos primeiros em rankings que medem renda ‘per capita’ (53º) e competitividade (56º)

 

Lucianne Carneiro

vinheta-clipping-forte1O Brasil é hoje a sétima maior economia mundial, mas ainda está muito distante dos primeiros colocados em rankings de indicadores de extrema importância, como renda per capita, competitividade, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e capacidade de se fazer negócios (relatório “Doing Business”). Com Produto Interno Bruto (PIB) per capita de US$ 11.339,5 em 2012, segundo dados do Banco Mundial, o Brasil ocupava a 53ª posição na lista de 214 países. No ranking do IDH, o país se manteve estagnado no 85º lugar em 2011, último dado disponível, de 187 países, dentro do grupo dos países de desenvolvimento humano elevado.

E a competitividade brasileira recuou este ano. Pelo ranking do Fórum Econômico Mundial em parceria no Brasil com a Fundação Dom Cabral, o país recuou oito posições, para o 56º lugar, entre 148 países. Entre 2012 e 2013, o Brasil perdeu posições em diversos subíndices, como fatores básicos de competitividade, ambiente macroeconômico, educação superior e capacitação, eficiência no mercado de trabalho, prontidão tecnológica e inovação. Economistas apontam que os indicadores do Brasil nos rankings de competitividade, IDH e “Doing Business” refletem a posição relativa do país no grupo das nações de renda intermediária. Áreas como educação, ambiente institucional e carga tributária são algumas das mais problemáticas no caso brasileiro.

Estimativa de Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral e responsável pela análise dos dados brasileiros, mostra que o Brasil poderia subir cerca de 20 posições se conseguisse a média das notas registradas pelos países do seu grupo, que inclui Argentina, Chile, México, Hungria e Turquia, entre outros.

— Considerando o tamanho da economia brasileira e suas características de país emergente, o Brasil poderia ficar entre 35º e 40º lugar se estivesse na média dos países em transição — afirma Arruda.

Ele explica que a competitividade impacta as condições de vida da população e a renda per capita. E o tempo para o início de melhorias costuma ser de cinco anos.

Os números obtidos pelo país são frustrantes também quando se olha o relatório “Doing Business”, do Banco Mundial, onde o Brasil é a 30ª entre 185 economias, considerando a facilidade de se fazer negócios. O país perdeu duas posições frente ao ano passado. Já no PISA, que é o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, o Brasil está entre os piores dos 65 países avaliados. É o 53º lugar de 65 nações no nível de conhecimento pelo ranking 2009, último disponível.

Demandas são antigas

Para Arruda, o Brasil ainda é o país do imediatismo, com visão de curto prazo:

— As ações do setor público, e até de certo modo do setor privado, são voltadas para o presente. Não há uma estratégia para transformar o país nem uma continuidade. Somos reativos e agimos a curto prazo.

A avaliação é compartilhada pelo economista e professor do Insper Marcelo Moura. Ambiente institucional sem regras claras, incompetência na execução das propostas e alternância constante das políticas são alguns dos pontos que ficam a dever no país, segundo ele.

— O alerta que os indicadores trazem é que o Brasil não tem uma estratégia clara de crescimento. A sensação é que a estratégia vai sendo definida a cada dia, ao sabor do vento — diz Moura.

Um grande motivo de preocupação, segundo o professor do Insper, é que as mudanças necessárias não são uma constatação recente, mas conhecidas há pelo menos uma década, como as reformas tributária e previdenciária e a melhoria de qualidade e acesso em educação e saúde.

‘Falta estratégia de longo prazo’

A agenda de reformas, dizem alguns economistas, está atrasada, o que põe em compasso de espera a melhoria da competitividade do país. Na questão tributária, o problema é não apenas o tamanho da carga tributária, mas sua complexidade. Isso acaba reduzindo a produtividade da economia. Os tributos corresponderam a 36,02% do PIB em 2011, o que segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) colocaria o Brasil em 12º lugar no ranking de maior carga tributária entre os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). No índice de retorno de bem estar à sociedade (Irbes), do próprio IBPT, o país seria o 30º país com pior retorno.

— Temos níveis de arrecadação de países desenvolvidos, mas isso não se traduz em bons serviços. A maior dificuldade é a falta de vontade política do próprio governo — diz o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Eloi Olenike.

O professor do Instituto de Economia da Unicamp Francisco Lopreato alerta, no entanto, que as mudanças não são tão simples. Ele lembra as dificuldades recentes de avanço na proposta do governo de mudança do ICMS, que previa reduzir as alíquotas interestaduais do imposto.

— O governo Lula tentou duas vezes levar a reforma tributária adiante e não conseguiu. O governo Dilma resolveu fatiar a reforma tributária e propôs a reforma do ICMS, mas as negociações políticas são muito difíceis e não se consegue avançar. Nesse caso, são os diferentes governos estaduais — destaca o professor.

Na sua avaliação, o Brasil passou 25 anos com baixo crescimento, entre 1980 e 2005, e é necessário um tempo para recuperar áreas como competitividade, infraestrutura, entre outras.

— Crescer a economia é mais rápido, mas passamos muito tempo sem discutir questões importantes, que são complexas. Temos que eleger um projeto de nação, falta uma estratégia de longo prazo — diz Lopreato.

FONTE: O Globo

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VadergiltigerMarcosRogérioWagner Recent comment authors
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Drcockroach
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Drcockroach

Sinceramente, o Brasil, na minha opiniao, nao tem jeito sem um verdadeiro e profundo federalismo fiscal. O Brasil eh um dinossauro, nas palavras do embaixador Meira Penna, corpo gigante e cerebro diminuto, nao hah como fazer algo, mas alguns estados poderiam se salvar se houvesse chance. Os indicadores citados, usados como benchmark por varios paises quando do estabelecimento de politicas economicas, no Brasil sao negligenciados. Nao eh necessario um grande grupo para trabalhar em cima desses indicadores, mas no Brasil existem centenas e mais centenas de tecnicos, e nao se sabe exatamente para que. Bastaria um pequeno grupo e, se… Read more »

Wagner
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Wagner

Interessante que isso que a reportagem fala, eu já reparei no comportamento de muitas pessoas a minha volta, ou seja, a falta de planejamento a longo prazo, que para muitos a minha volta , é um conceito ou desconhecido ou ” nazista” … ( tudo a ver…) O indivíduo faz financiamento em 120 meses para comprar o maldito carro zero. Ele não pensa em manter o carro atual e guarda grana para no futuro, comprar um a vista. Ele apenas raciocina em comprar agora para mostrar para o vizinho, e para a mulher do vizinho, que ele tem o carro.… Read more »

Rogério
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Rogério

Wagner disse:

22 de setembro de 2013 às 11:25

Ri muito com o seu comentário, 100% de acordo. conheço um zilhão assim tb.

Marcos
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Marcos

O Brasil está afundando, sob todos os índices que se olhe. Vai chegar um momento em que a coisa vai ficar irreversível. E quanto pior ficar, mais populistas aparecerão.

Marcos
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Marcos

Enquanto isso a Alemanha vai muito bem com seu conservadorismo. Lula até tentou ensinar a Merkel, que ela deveria torrar dinheiro, mas acho que la não ouviu.

giltiger
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giltiger

Quando se trata DESTE tipo de índice econômico com alta taxa de subjetividade (competitividade, ambiente de negócios, liberdade econômica, empreendedorismo) sou muito reticente destas avaliações URUBURÓLOGAS uma vez que estes índices fazem média de avaliações pessoais de indivíduos (empreendedores, economistas, tributaristas, industriais e grandes capitalistas, financistas, banqueiros e comerciantes) que tem uma forte tendência política de direita e contra o atual governo o que faz que o cenário pintado por estas “FONTES” seja sempre carregado por uma dose EXTRA de negatividade em comparação as fontes de outros países… No geral isso só mostra que o Brasil tem MUITO a fazer… Read more »

Vader
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Ah é, é o “PIG mundial”… 🙂

E num fica nem vermelho, kkkk…