quinta-feira, agosto 5, 2021

Saab RBS 70NG

A história se repete: o racional vencerá?

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

*Mohammad Ali

vinheta-clipping-forte1A primeira sanção contra o Irã na época contemporânea foi o embargo dos britânicos em resposta à eleição de Mohammad Mossadegh, que realizou a nacionalização da indústria do petróleo. O Reino Unido, desde então, promoveu uma série de operações de intimidações e ameaças, bem como a colocação dos seus navios de guerra nas proximidades das costas iranianas.

O passo seguinte foi o bloqueio das reservas do país na Inglaterra. Ao mesmo tempo, foram desencadeados, em território iraniano, atos prejudiciais à economia e contrários ao movimento de nacionalização do petróleo. No exterior, intensificou-se a publicidade que visava comprometer a imagem do país na comunidade internacional.

Os ingleses, para se mostrarem injustiçados no processo de nacionalização, recorreram às instâncias internacionais (como o Tribunal Internacional de Justiça) e à ONU. Em 1951, foi apresentado ao Conselho de Segurança, com o apoio de americanos e franceses, proposta de resolução cujo motivo era a ameaça à paz e à segurança mundial.

Naturalmente surgem questionamentos, Será que a nacionalização da indústria de petróleo do Irã representava risco contra a paz e a segurança do mundo? Ou é um ato contra interesses dos países poderosos? Arriscar os interesses coloniais de um país é assunto a ser tratado no Conselho de Segurança? Em 1952, o Tribunal de Haia sentenciou a favor do Irã no processo de nacionalização da indústria de petróleo.

A decisão foi golpe fatal às políticas do governo britânico. Temendo o alastramento do modelo para outros países petroleiros, Londres impôs outras medidas, como criar problemas inflacionários para provocar a insatisfação popular e debilitar o país economicamente. Mais: a Inglaterra advertiu os compradores de petróleo bruto a não negociarem com o Irã.

Mossadegh, primeiro-ministro na época, adotou a política de venda preferencial do óleo para neutralizar a conspiração britânica. Mesmo com o preço mais baixo, a medida dobrou o rendimento. Paralelamente, Mossadegh implementou política bem-sucedida de austeridade para amenizar o boicote britânico.

O Reino Unido e os Estados Unidos se aliaram contra o governo do Irã. Washington, com a desculpa de combate ao comunismo, planejou a derrubada de Mossadegh e o seu partido, o Povo, bem como o retorno de Xá Pavlavi. O golpe de 19 de agosto de 1953 e o colapso de Mossadegh, primeiro-ministro do Irã, foi a primeira experiência da CIA para derrubar um governo.

O golpe não podia se camuflar pela carta da ONU ou por outras desculpas diplomáticas. Eles não conseguiram calar o clamor do povo pela independência da indústria petrolífera. O país se tornou pioneiro de um movimento no mundo em desenvolvimento que defendia a soberania sobre as próprias riquezas.

A aplicação de novas sanções dos países ocidentais no momento atual lembra os episódios da década de 50, com o tema diferente, mas com o mesmo objetivo. Mais uma vez a padronização do modelo iraniano se tornou preocupação para os países ocidentais.

São inquestionáveis as conquistas iranianas no campo de tecnologias nucleares para fins pacíficos. O país se dispõe a mostrar total transparência, enfatizando, por um lado, o direito de possuir o saber e, por outro, de não o utilizar para fins militares.

E agora? A recente eleição presidencial na República Islâmica do Irã e a posição moderada de Hassan Rohani representam oportunidade para o Ocidente mudar de atitude e substituir o confronto pelo engajamento construtivo. Haverá a guinada? Espero que sim.

*Embaixador do Irã no Brasil

FONTE: Correio Braziliense

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Vader
7 anos atrás

Caro embaixador, pois então que seu país siga o TNP2 com o qual se comprometeu e permita as inspeções IRRESTRITAS da AIEA. Simples assim.

Ou que tenha vergonha na cara, faça como a Coréia do Norte, e denuncie o TNP1 e 2, arcando com as naturais conseqüências. Que pare de tentar obter o melhor de dois mundos na base do “jeitinho”.

No mais, saiba que o ÚNICO país que tem segurado um ataque israelense às suas instalações nucleares são justamente os EUA. Pelos israelenses eles já teriam “partido para o pau” há muito tempo.

Wagner
Wagner
7 anos atrás

Parabéns ao Blog por finalmente divulgar a versão iraniana dos fatos. É claro que o staff direitista daqui vai escrever um comentário contra o Irã e a favor da política Imperial. faz parte dos objetivos dos maléfico eixo mundial Washington-Londres-Tel Aviv e de suas campanhas na internet. Mas, saindo dos comentários raivosos e infelizes que me antecedem, vamos analisar um pouco o que foi dito pelo sr. embaixador. O que ele está tentando dizer é que o Irã sempre foi vítima da calúnia difamatória internacional deste eixo, tudo devido a interesses econômicos. O que a Inglaterra fazia antes, é o… Read more »

Blind Man's Bluff
Blind Man's Bluff
7 anos atrás

Como é que alguém pode levar a sério um governo baseado em preceitos religiosos?

Soldat
Soldat
7 anos atrás

Eu vejo por outro lado a questão querem que o Ira assine a TNP então acredito que Israel também deveria assinar o tratado de não proliferação nuclear simples não!!!

Colombelli
Colombelli
7 anos atrás

Faaçamos uma análise sensata e imparcial. É forçoso reconhecer que o Estado de Israel tem uma política por vezes incoerente e hipócrita, no que é apoiado no mais das vezes pelos EUA. Exemplo emblemático desta condição reside no muro sendo construido em Gaza. E condições idênticas foi levantado o muro do Gueto de Varsóvia. Em vista daquele, Isarael aduz uma das mais trágicas e famigeradas passagens do holocausto, usando-o como exemplo da perseguição ao seu povo e exultando os mebros do levante do Gueto como Heróis. Mas quando Israel submete os palestino ao mesmo tipo de expediente, ai não é… Read more »

Colombelli
Colombelli
7 anos atrás

O que se pode esperar de elementos que destroem a si mesmos na crença de que irão encontrar 72 virgens no paraíso com uma arma nuclear nas mãos? Então querer comparar a reação diante de um Israel atômico daquela diante de um Irã atômico como baseadas nas mesmas premissas é utilizar-se de uma falácia. São situações diametralmente diversas, pois a probabilidade de Israel usar uma arma nucelar é ínfima ao passo que o Irã pode efetivamente usar uma arma atômica sem nenhuma motivação específica que não seja o eterno ódio pelos israelenses. As premissas são diversas. Ora, como bem disse… Read more »

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