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Exercício Agulhas Negras treina 4 mil militares de 35 unidades do Exército

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São Paulo (SP) – O Exercício Agulhas Negras, realizado entre os dias 20 e 30 de novembro, é um exercício de adestramento avançado conduzido pela 2ª Divisão de Exército. Neste ano, a 22ª edição do treinamento conta com um efetivo de 4 mil militares de 35 unidades do Exército Brasileiro.

O Exercício ocorre nos municípios de Canas, Cunha, Guaratinguetá, Lagoinha, Lorena, Natividade da Serra, São Luís do Paraitinga, Redenção da Serra e Taubaté, todos localizados no Vale do Paraíba.

Assalto Aeromóvel e Transposição de Curso d’água marcam o principal dia de operações do Exercício Agulhas Negras

Vale do Paraíba – No primeiro minuto da madrugada do dia 23 de novembro, militares da 11ª Brigada de Infantaria Leve (Bda Inf L) atravessaram o Rio Paraíba do Sul, no município de Lorena (SP), em uma ação de transposição de curso d’água no contexto do Exercício Agulhas Negras. Sob a proteção da escuridão da noite, homens a pé passaram para a margem inimiga, simulada, em botes de assalto. Na segunda fase, os outros homens atravessaram o rio em passadeiras.

Com a posição conquistada, os blindados Urutu e Cascavel e o material logístico transpuseram o rio, nas primeiras horas da manhã, sobre portadas (espécie de balsas) e sobre a Ponte Ribbon e seguiram atrás do caminho aberto pela infantaria.

Já no início da manhã, desse mesmo dia 23, outra atividade de ataque acontecia em Guaratinguetá (SP). Nessa, os militares embarcaram nos helicópteros Jaguar e Pantera da Aviação do Exército. As aeronaves incursionaram 30 quilômetros atrás das linhas adversárias simuladas e realizaram o desembarque de militares e o assalto aeromóvel da 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel) na Zona Rural de Lagoinha (SP).

As atividades foram acompanhadas pelo Comandante Militar do Sudeste, General de Exército João Camilo Pires de Campos; pelo Comandante da 2ª Divisão de Exército, General de Divisão Eduardo Diniz; pelo Comandante da Aviação do Exército, General de Brigada Luciano Guilherme Cabral Pinheiro; pelo Comandante da 11ª Bda Inf L, General de Brigada Carlos Sérgio Camara Saú; e pelo Comandante da 12ª Bda Inf L (Amv), General de Brigada Mario Fernandes.

Tropa de defesa química participa do adestramento

Em Canas (SP), após sofrer um ataque simulado de bomba química dentro do contexto de treinamento do Exercício Agulhas Negras, um pelotão do 28° Batalhão de Infantaria Leve (BIL) foi retirado do local e encaminhado a um Posto de Descontaminação, montado pelo 1° Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (Btl DQBRN).

Os militares do 28° BIL desembarcaram da viatura 5 Ton e foram rapidamente encaminhados para a Linha de Descontaminação de Pessoal. Ali, os militares de defesa química, em trajes específicos para esse tipo de ação, realizaram a detecção de material químico no fardamento dos militares. Os contaminados eram encaminhados para a tenda de descontaminação, onde tomavam um banho descontaminante com produtos biodegradáveis.

Já a viatura seguiu para a Linha de Descontaminação Física. De cima de uma grua em um caminhão adaptado pelo Exército, o militar DQBRN despejou o produto descontaminante sobre a viatura 5 Ton.

Em outra Linha Física, o armamento era colocado em uma tenda com água a 180°C, temperatura segura para eliminar a ameaça. Após todo material e tropa serem descontaminados, é a vez de os militares do 1° Btl DQBRN passarem pelo banho descontaminante em uma quarta Linha.

Toda a ação foi acompanhada pelo Comandante da 2ª Divisão de Exército, General de Divisão Eduardo Diniz.

Os combatentes DQBRN substituem o tradicional uniforme verde-oliva do Exército por um traje especial: o CLD 500. A roupa possui dois filtros e é considerada de proteção média para riscos de contaminação cutânea e respiratória.

Tropas paraquedistas atacam forças oponentes simuladas em Catuçaba

No 5° dia de operações do Exercício Agulhas Negras 2017, a Força-Tarefa do 25° Batalhão de Infantaria Paraquedista realizou um ataque a localidade, na manhã do dia 25 de novembro, no Distrito de Catuçaba, município de São Luiz do Paraitinga (SP).

A manobra executada por duas companhias do 25° Batalhão de Infantaria Pará-quedista (25º BI Pqdt), chamada de ataque a localidade, é composta por três fases: cerco, isolamento e investimento. Esta fase chamou a atenção dos moradores de Catuçaba, que levantaram cedo para ver a movimentação e a progressão das tropas do Exército. O objetivo dessa simulação é adestrar a tropa em atividades de estabelecimento da segurança, em uma cidade que teria sido tomada por forças guerrilheiras. Após o combate nas redondezas do objetivo, a tropa de ataque cerca e isola as forças oponentes dentro da cidade, forçando-as à rendição.

Em seu quinto dia de atividades, o Exercício Agulhas Negras evoluiu para outro patamar, quando ocorre a transição da fase de combate para a fase de pacificação.

Na fase de pacificação, a tropa pode atuar, por exemplo, no patrulhamento das vias, com postos de bloqueio, na vigilância de estruturas estratégicas, como estações de tratamento de água ou energia elétrica, além de auxiliar no restabelecimento da ordem.

FONTE: Agência Verde-Oliva/Exército Brasileiro

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Robson Bandeira
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Robson Bandeira

Essas fotos com baixa resolução, devem ser para não revelar os incríveis segredos dos equipamentos dos nossos guerreiros!

Agnelo
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Agnelo

Exercício com ações em várias linhas e com diferentes ameaças simultâneas.
Bom exemplo das possibilidades de emprego atuais.

vicente de paulo
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vicente de paulo

excelente

DaGuerra
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DaGuerra

Vibrei!! Muito bom ver o EB exercitando-se em operações que abrangem um grande espectro de ameaças, de situações de apoio à populações isoladas, situações de “não guerra”, narco-terrorismo, terrorismo internacional, guerra convencional, operações aeromóveis e DQBN.

Fred
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Fred

Agnelo,
A operação de ataque a localidade, conforme as fases descritas, simula um cenário possível de emprego na futura missão de paz em solo africano? As ações ocorreriam nesse sentido, liberando pequenas comunidades, vilas e cidades? Ou mais provavelmente em grandes zonas urbanas como no Haiti?

Tallguiese
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Tallguiese

Ainda falta tanto ao EB como na MB um Heli dedicado ao ataque!

Agnelo Moreira
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Agnelo Moreira

Fred, boa tarde.
A configuração da missão ainda não foi bem defina.
Mas o q já se tem, é q o “atrito” deverá ser maior q o Haiti, e não será “tipo polícia”, exigindo TTP e meios mais de guerra.
Pode ser q mude? Sim.
Mas, a princípio, o q se tem é isso.
Sds

colombelli
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colombelli

Eventual missão na África será um grande erro

Manuel Flávio
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Manuel Flávio

Por que, Colombelli?

Outro assunto. Off-topic:
Coreia do Norte dispara novo míssil intercontinental, afirmam EUA
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/11/1938905-coreia-do-norte-dispara-missil-segundo-autoridades-sul-coreanas.shtml

colombelli
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colombelli

Não ganhamos nada de pratico com isso em vista do custo benefício e iremos mexer num vespeiro dos islamismo esquecendo que aqui temos o sul do RS e a Triplice fronteira atulhada de pessoas que podem albergar atividades terroristas de retaliação. Quem não é visto, não é lembrado, pro bem e pro mal.
Melhor por recursos em IA2, Guarani, completamento do Leo 1A5, ALAC, Carl Gustav, SISFRON, enfim no feijão com arroz. Esta ai será mais uma empreitada para sugar recursos que no temos

Agnelo
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Agnelo

Boa noite Colombelli Tudo isso é pesado. O estudo q é levado à PR é feito pelo MRE, MD e o próprio EB faz o dele. Diversos pontos são analisados, desde o conhecimento, desenvolvimento, até possibilidade de doenças, mortes em combate e implicações como as Q mencionou. A decisão é da PR. Os ministérios dão suas listas em ordem da melhor pra pior missão, Q nem sempre batem entre eles. Novamente, a decisão é da PR, Q nem sempre obedece qq uma das listas de prioridades. Depois disso, é Disciplina Intelectual ou Conciente e cumpra-se. Adora-se o discurso do Q… Read more »

Agnelo
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Agnelo

Galante

A meteria do Treme Cerrado está aparecendo com uma foto de mísseis coreanos no meu tablet.

Boa noite

Carlos Alberto Soares
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Carlos Alberto Soares

colombelli 28 de novembro de 2017 at 17:47

Caro Colombelli

Concordo em 110% das suas duas afirmações,
é fria esse “negócio” na África.

Qual a posição do Charlie 01 e do AC ?

Bardini
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Bardini

Erraram feio no Haiti pq foram lá somente gastar dinheiro para estabilizar o país. Não se inseriram meios brasileiros para estimular e lucrar com um possível crescimento econômico.

Matheus
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Matheus

Galerinha esquece que a ONU reembolsa e que essas missões são ótimas para dar experiencia aos pouquíssimos que irão para lá, lembrando que o contigente será de aproximadamente 800 homens, pra um exército de 300.000 (ativos), que é menos de 1%.

Vamos dar uma pesquisada antes de dar pitaco, que tal?

Bardini
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Bardini

Acho que você tem de ver o quanto que essa tal ONU “reembolsa”.

Hélio
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Hélio

Matheus 29 de novembro de 2017 at 8:52

Só 35% do valor é reembolsado.

colombelli
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colombelli

Matheus, experiência no Haiti em combate foi infima perto do custo que tivemos. Embora neste caso agora possa ser melhor este aspecto, ainda o custo benefício não compensa. A ONU reembolsa mas não é tudo e o que sobra é salgado, ainda mais lá, que ainda teremos problemas de logística terrestre.
A propósito, tem notícia que ja mataram um capacete azul lá agora. So imaginem o que grupos radicais fariam aqui com nossos 17.000 km de fronteiras abertas e dinheiro pra comprar apoio de PCC. E em termos de projeção internacional não nos acresce nada.

PRAEFECTUS
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PRAEFECTUS

Caros amigos, o conflito na República Centro Africana é algo grave, muito grave. Não é um passeio. De um lado Cristãos e do outro militantes muçulmanos nos espera. As informações são de que o país está se equilibrando à beira do genocídio. Para entendermos melhor o que ali ocorre, voltemos no tempo, mas precisamente em 2013 quando tumultos varreram a RCA, e foi nesse ínterim, que a aliança insurgente “Selek “, composta principalmente de muçulmanos, forçou o Cristão François Bozizé a renunciar ao cargo de presidente. O objetivo principal do grupo era estabelecer um governo muçulmano em um país onde… Read more »

Hélio
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Hélio

Quer experiência em combate? Combata nos morros, que façam algo para o Brasil.

Augusto
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Augusto

Angelo o que seria TTP ?

Rinaldo Nery
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Rinaldo Nery

Excelente a descrição do Praefectus. Desconhecia. Colombelli levantou alguns aspectos interessantes, principalmente a possível retaliação terrorista no Brasil. Mas, pergunto: nunca participamos de uma operação Peace Enforcement, só Peace Keeping. Não seria uma boa oportunidade? Não vou abordar o desejo brasileiro de ter assento no Conselho de Segurança da ONU, mas, não seria o preço a pagar? Se valeria a pena já é outra questão. Será que não seria uma oportunidade, também, de modernizar equipamentos e procedimentos, visto ser uma operação real? Capacetes azuis morreram? Faz parte da profissão; sabíamos quando a escolhemos. A FAB deverá enviar dois H-60 Black… Read more »

Soldat
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Soldat

Resumindo na África……dessa vez os Brasileirinhos vão levar chumbo e vamos ver como se saem em combate real….enfim como os colegas disseram faz parte da profissão e eles vão sabendo que vai ter aço vindo em direção as suas cabeças.

É a vida.

Agnelo
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Agnelo

colombelli 29 de novembro de 2017 at 15:08
Boa noite, companheiro
Não creio q foi tão ínfima. Durante um tempo, todas as patrulhas diárias voltavam com suas munições esgotadas.
Sds

Agnelo
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Agnelo

Augusto 29 de novembro de 2017 at 17:36

Técnicas, Táticas e Procedimentos

colombelli
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colombelli

Agnelo, combatendo milicias não muito diferentes (e mais fracas) que o tráfico do Rio. Se é pra isso prefiro que subam morro aqui, pois sai mais barato. Tirotear com esta gente não forma um combatente para atividade tipo/fim do EB que é guerra. Isso ai está mais para GLO vitaminada. Rinaldo, o que iremos colher de ruim não vale a pena, e isso ai não vai melhorar nossa condição para vaga em conselho de segurança ( que aliás é um órgão fantoche nas mãos de 05 que vetam). A modernização de equipamentos depende antes de vontade do que de uma… Read more »

Matheusr
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Matheusr

Pessoal está falando que exército deveria ir lutar contra traficante? É sério? Isso ai é trabalho de policia, não queira colocar esse pepino nas costas dos infantes por causa de incompetência de governador de certos estados.

Agnelo
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Agnelo

PRAEFECTUS 29 de novembro de 2017 at 15:38 Muito bom trabalho. A missão na RCA é a q pode trazer menos problemas pro Brasil, segundo a maioria dos estudos. A logística não é nada fácil. No Haiti, EUA estava ao lado. O Ten Leoni perdeu muito mais sangue do q o possível, quando baleado no ombro, mas sobreviveu, por Deus e pela infraestrutura de apoio nos EUA. A RCA vai ser pesada, mas não seria a pior. O Congo e uma das do Sudão eram as piores, tanto pelo atrito entre forças, quanto pelo risco do ebola. Quanto ao EB,… Read more »

Agnelo
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Agnelo

colombelli 29 de novembro de 2017 at 19:30
É bem pior q o tráfico daqui. Acredito q cabe a missão, e cabe atuar em GLO, mas pra este, há necessidade de mais amparo político e jurídico.
Conselho de Segurança foi pro barro, depois da Dilma em apoio ao ISIS…
QUanto ao treino, como a Marinha, está cada vez aumentando mais.
Sds

colombelli
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colombelli

Agnelo, Haiti não eram piores que os daqui. Lá na áfrica sim é bem pior, e esta batalhão lá irá sugar recursos do reaparelhamento de vários daqui. Será um custo enorme com ínfimo retorno de adestramento e político, e altos riscos de entrarmos no farol do terrorismo, nós que somos um alvo fácil e uma verdadeira peneira.

Agnelo
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Agnelo

Colombelli
Concordo com o risco do terrorismo e Q será caro.
Creio Q o adestramento melhorará muito. E Q meios Q temos relegado, ainda Q parcialmente, serão adquiridos com mais intensidade.
Em relação ao político, o Brasil tem interesse em crescer suas relações na África, mas, realmente, não sei se é o caso por ali.

PRAEFECTUS
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PRAEFECTUS

Rinaldo Nery e Agnelo agradeço a gentileza dos colegas. Outrossim, gostaria de fazer mais algumas considerações que acho importante sobre a Operação RCA. Antes de mais nada, reafirmo que, o perfil de atuação na Operação RCA é muito mais arriscado e, há a possibilidade real de morte de militares brasileiros. Afinal, no caso do Haiti, havia uma realidade mais conhecida. Na RCA, há uma realidade diferente, mais difícil de entender, algo que exige maior preparo da Tropa em todos os sentidos, e um trabalho meticuloso para trabalhar a opinião pública. Sem este dever de casa, já saímos com um estigma… Read more »