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O cotidiano da FEB na Itália

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Blindado M8 da FEB na Itália

Arquivos em que correspondente da BBC Brasil narra o Natal dos Pracinhas são apresentados ao público

Brasília (DF) – Era por meio do rádio que as famílias brasileiras recebiam as principais notícias do front durante a Segunda Guerra Mundial, quando 25 mil soldados do Brasil foram enviados para lutar na Itália. Um jornalista do Serviço Brasileiro da BCC, o anglo-brasileiro Francis Hallawell, conhecido como “Chico da BBC”, chegou a descrever, com narração e entrevistas, como foi a celebração do Natal dos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB), em 1944. Agora, a BBC Brasil resgata e disponibiliza parte desses arquivos, numa reportagem sobre o trabalho de Hallawell e o cotidiano dos Pracinhas.

Assim como no presente, os militares que serviram à Pátria no passado se dedicaram exclusivamente as suas missões, num compromisso que os levou a ficar por longos períodos distantes de suas famílias, enfrentando constantes riscos. Na matéria sobre o Natal dos expedicionários, o correspondente da BBC incluiu uma entrevista com um dos soldados que chegava da frente de batalha, que estava há 48 horas sem dormir, além de uma passagem emocionante da banda da Força Expedicionária Brasileira (FEB) cantando e tocando “As Pastorinhas”, de Noel Rosa.

As reportagens de Hallawell integravam uma coleção pertencente à Embaixada Brasileira em Londres, que foi cedida ao pesquisador Vinicius Mariano de Carvalho, do Brazil Institute do King’s College London. O professor passou os arquivos em formato digital para a BBC Brasil, com registros de 12 matérias. Dentre elas, uma do correspondente sobre uma visita a feridos no hospital e outra sobre uma missa na catedral de Pisa, em que os militares cantaram o Hino Nacional.

A FEB saiu vitoriosa, porém 454 soldados perderam suas vidas durante o conflito. Os restos mortais desses Pracinhas estão no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro (RJ).

A matéria da BBC Brasil “Arquivo revela Natal de soldados brasileiros sob granadas e ao som de Noel Rosa na 2ª Guerra” pode ser acessada aqui.

FONTE: Agência Verde-Oliva/CCOMSEx

91 COMMENTS

  1. Recentemente assisti um especial sobre a Segunda Guerra Mundial na NetFlix, muito bom, porem quando entrou na questão da campanha na Itália, sobretudo na conquista do Monte Cassino, ignoraram totalmente a participação Brasileira, citaram soldados de outros países, inclusive tropas da Polônia, mas Brasil nada.

  2. Gil U, é assim mesmo, quando a história militar contada é eurocêntrica ou americanocêntrica, raramente o Brasil é citado.

    É a mesma coisa na história da aviação, em livros americanos Santos Dumont quase nunca é citado.

  3. Galante, o Brasil também não colabora, né? O tema nem é ensinado nas escolas, outro dia eu disse pra uma garota nova que meu avô foi ex-combatente e ela não sabia sequer que houve uma guerra mundial, que dirá duas. Em São Gonçalo (RJ) existe uma praça dedicada aos pracinhas, com um tanque que esteve na Itália. Da última vez que eu vi, o tanque estava pintado de rosa e me contaram que um casal de adolescentes foi visto transando em cima, numa madrugada.

  4. Gil U

    Creio que o documentário seja esse “La Segunda Guerra Mundial a todo color”. É um documentário muito bom, porém, como não podia deixar de ser, é totalmente tendencioso para o lado dos americanos/ingleses. Eles citam os aliados apenas como eles são, aliados (não nomeiam x e y).

  5. Na verdade para os EUA 25.000 soldados é quase nada. Só pra comparar, os EUA perderam na segunda guerra mais de 300.000 soldados, a união soviética perdeu mais de 13 milhões de soldados. Achar que eles vão nos tratar em pé de igualdade é pura ingenuidade.

  6. essas conquistas heroicas do soldado brasileiro tinha que ser ensinado nas escolas no Brasil, em livros, debates, programas de TV, documentários e filmes, mas é totalmente ignorado DELIBERADAMENTE

    e amigos adivinhem quem são os traidores que cumprem essa agenda de jogar no esquecimento nossos heróis brasileiros ? Adivinhou quem pensou naqueles que usam o vermelho como cor predileta, e usam símbolos totalitários de outros países !

    Essa gentinha infestou os meios de comunicação, academias de letras, universidades, escolas públicas, sindicatos e a maioria das repartições públicas do Brasil, por isso o brasileiro é um povo tão desacreditado com baixa auto confiança, e recorre ao vitimismo em tudo que erra.

    Tinha que ser obrigatório nas escolas esse tipo de matéria com riquezas de detalhes, pois faz parte da nossa história.

  7. Getúlio Vargas fazia de tudo pra não entrar na guerra, e só o fez, porque o povo brasileiro foi às rua protestar para que o Brasil declara-se guerra contra a Alemanha. E isso foi um fato muito interessante, porque nunca na história da humanidade um povo saiu às ruas em protesto pra exigir que seu governo entra-se em guerra com outro país.

  8. Recentemente li um artigo do prof Ferraz sobre a bibliografia sobre a FEB. Tem cada vez mais historiadores produzindo material sobre a FEB. E acho que todos que conheço lêem as matérias aqui. Tem cada vez mais livro publicado também. A tendência é a FEB ganhar espaço nos livros didáticos. Devido ao crescimento dos estudos sobre a FEB, e também com a complexificação maior devido às múltiplas problemáticas e variedade de recortes teóricos e metodológicos, de fontes analisadas.

    Tem muito estudo bom por aí. Só fazer as buscas no Google pq tem MT material publicado e disponível online.

    Alessandro tá MT mal informado. Não é por ideologia que a FEB foi deixada de lado no currículo. A FEB era uma força que se batia por democracia contra os fascistas. Inclusive, muitos comunistas integraram suas fileiras como voluntários. Quanto mais a FEB for estudada, maior a chance dela voltar aos livros didáticos para ajudar a compreender o contexto do fim do estado novo. Não tem revanchismo bobo de professor de esquerda não, faltava eram estudos de destaque. Mas esses estudos estão aparecendo desde o início dos anos 2000. Pesquisadores como Francisco Ferraz, Cesar C. Maximiano, Luciano Meron, Ricardo Bonalume Neto, seus orientandos, e tantos outros jovens pesquisadores têm feito esse papel de estudar seriamente a FEB. Já já ela volta aos livros didáticos.

    Também dei minha modesta contribuição e tá no banco de dissertações da UFRRJ.

  9. Fomos um dos únicos países da América do sul que enviou tropas para combater na Europa.Participamos e não levamos nada.
    Poderíamos nos alinhar com a nova ordem que surgia.Quando a feb voltou ela desfilou e depois acabou….
    Um amigo da reserva comentou que Getulio Vargas viu certo perigo nas ideias que os militares que serviram com os aliados trariam para o país,tipo democracia e liberdades que não conhecíamos.
    Por isso muito da participação do Brasil na II
    Guerra mundial fica omitida até hoje.
    Se tem lógica ou não comentários são bem vindos para compreensão deste tema.

  10. Colegas, TODOS os livros didáticos de história q são distribuídos hoje falam da FEB. Uns possuem textos mais detalhados e apresentam abordagens bastante interessantes, outros possuem textos mais simples, mas não tem um livro, pelos menos de todas as coleções que analisei esse ano de 2017 aqui na Bahia, tanto para escolas do Ensino Fundamental II (antigo ginásio) e do Ensino Médio (2º grau), falam da FEB.

    São variados os motivos que levam a FEB ao esquecimento. Um deles foi o próprio tamanho da FEB. Enquanto os norte-americanos mobilizaram quase 8 milhoes de homens, a FEB teve pouco mais de 25 mil. Para a historiografia nacional, havia, e há, outros processos e fatos que exigem um esforço de pesquisa maior. Assim, a FEB sempre foi relegada a um plano secundário.

    Recentemente, com uma nova abordagem (“Nova história militar”) é que a FEB passou a ter novas pesquisas, que ampliou muito a quantidade de trabalhos, resultando num aprofundamento bem maior das pesquisas. Inclusive aqui na trilogia tem alguns foristas que são grandes pesquisadores do tema, como o Cesar Campiani, que tem dois dos maiores livros sobre o assunto.
    ..

    Alessandro 15 de Janeiro de 2018 at 21:35

    Cara, pode nao parecer, mas nem tudo que é desgraça é culpa do PT. A FEB já era esquecida há tempos, muito antes do 9 dedos chegar ao poder. Quem escreve os livros de história que são distribuídos pelo Brasil nao são pertencentes, em sua grande maioria, aos quadros do partido e nem submetem suas abordagens a eles. Sou professor das redes pública e privada e avalio livros de 3 em 3 anos. Como a FEB é meu objeto de pesquisa, esse é um ponto q sempre observo.

  11. Os livros podem ate falar da da FEB, mas os professores de historia, os mesmos que odeiam militares, dao a aula em tom de chacota. EU mesmo na minha época de segundo grau (nem sei qual o nome é hoje) tive uns 3 professores que sempre falavam da participação do Brasil em tom de chacota. E quebravam o pau nos militares para falar da ”ditadura do mal” financiada pelos yankes que queriam roubar nossas riquezas naturais.

  12. O Brasil desembarcou na Normandia ? Não, então praticamente não lutou na guerra, a guerra começou em 1939, no final da guerra foi que entramos, mais precisamente Julho de 1944 despreparados como hoje e sem equipamento como hoje, enfrentamos batalhas de segunda classe, no contexto de uma ação maior dos EUA na Itália.
    Para se comparar nossa total falta de expressão, tínhamos uma divisão enquanto só no mediterrâneo existia 23 divisões aliadas
    Nada mudou, continuamos dependentes dos EUA se entrar em um combate de proporções mundial.
    Pelo total de combatentes mortos, dá pra ver o porque ninguém dá bola para tão singela participação. Mortos dos EUA 416.800, Mortos Reino Unido 383.700…….. Brasil 1.000
    Respeito os 465 combatentes brasileiros que morreram no solo Italiano, bem como os feridos em ação, mas quando vejo essa foto de um soldado brasileiro com uniforme doado pelos EUA, uniforme bem passado e alinhado na goma, uma munição com propaganda da FEB, os dentes podres e com toda certeza analfabeto……… Acho graça.

  13. A FEB tem muitos aspectos pouco conhecidos e os correspondentes de Guerra forma um deles. Anos atrás (muitos!), escrevi um artigo sobre esses jornalistas. Repórteres da Agência Nacional, O Globo, Diários Associados, Diário Carioca, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e a BBC foram enviados à Itália no objetivo de cobrir a campanha, mas nao foi algo que partiu do governo. Por Vargas seriam feitos informes bem ufanistas e oficiais, pelo DIP. Para mim, o mais interessante foi Rubem Braga! tem algo de barroco na maneira como descreve os lugares e as pessoas. Recomendo MUITO o livro dele (“Crônicas da guerra na Itália”)!

  14. Diogo Prado 15 de Janeiro de 2018 at 22:29

    Não generalize. Tem muito colega que vê a coisa por outros olhos e sabe separar os fatos. A Ditadura contribuiu muito negativamente para todos os assuntos relativos a história militar nacional.

    Mas ai entra uma coisa q eu sempre falo: se acham que nós professores e historiadores estamos errados, se nao contamos “a coisa” como deveria ser, escrevam seus livros, vão para sala de aula e ministrem os assuntos “como deveriam”. As universidades estão ai, os concursos públicos estão ai pra qualquer cidadão.

  15. Acho que a FEB não havia chegado ainda à Itália quando Monte Cassino foi conquistado…. Alguém confirma?
    Quanto à historiografia, agradeço as observações do Fred e do Luciano. Não sabia que havia tantos trabalhos acadêmicos sobre o tema. Há livros escritos pelos ex combatentes? Sem querer criticar, mas tenho, às vezes, a impressão que o próprio EB divulga pouco os fatos.
    Quanto ao 1° Grupo de Aviação de Caça, há o livro Senta à Púa, do Brig Rui Moreira Lima, que é a própria história do Grupo. Carlos Lorch, proprietário da Action Editora, e editor da Revista Força Aérea, lançou anos atrás o livro fotográfico Heróis dos Céus (deu-me um exemplar de presente), com a fotos raríssimas do dia à dia do Grupo, desde Suffolk Field, em New York. Até brinquei com o próprio Brigadeiro, em Santa Cruz, pois havia uma foto dele com mocinhas norte americanas num restaurante. O filme do Erik de Castro, ¨Senta à Púa¨, é muito bom. Só pecou em não ter filmado a Ópera do Danilo, encenada anualmente na BASC pelos caçadores, contando a epopéia do Ten Danilo Marques Moura, abatido atrás das linhas inimigas, e retornando à Pisa caminhando (e de bicicleta) uma distância de 240km.
    Vi pouca coisa do EB nos moldes da Reunião da Aviação de Caça, onde os feitos do Grupo são relembrados anualmente. Há alguma coisa semelhante?

  16. Coronel, é um prazer poder difundir a história dos nossos veteranos! Meu avó foi veterano da Marinha, mas acabei balançado pelos “pé de poeira”.

    Sim, tem MUITOS livros de veteranos! O livro da Castello Branco (na época era oficial de comunicações do 1RI) tem uma narrativa muito bem organizada, com tabelas, mapas, etc. Ah, ele fala tb do 1º GAC. Gosto muito dos livros do Joaquim Xavier da Silveira (soldado do Plt de Transmissões do 11RI). Mas se o sr quer polêmica, sugiro do livro do, na época, Cel Brayner, que era chefe do EM da FEB. E o livro “depoimento de oficiais da reserva”, publicado em 1949, no calor da coisa!

  17. Quanto a postura do EB…de uns anos prá cá a DPHCEx (Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército) passou a promover congressos e encontros. A Bibliex tb tem muitas obras. Uma das mais significativas e ricas foi um material em oito volumes (tem em dvd) com entrevistas com veterenos e ex-combatentes (assim, vai bizu, veterano é quem fez parte da FEB, ex-combatente é todo militar que serviu no período, mas no Brasil….tempos depois militares q serviram em missões acabaram sendo incorporados no grupo do ex-combatentes. Mas essa parte sobre ex-combatentes eu nao sei bem. Podemos observar essa diferença claramente nos desfiles de 7 de setembro: uns usam boinas azuis, outros, verdes!). Nesse material tem tb entrevistas com veteranos da marinha de Guerra, da Marinha Mercante e tb da FAB. Tudo transcrito e bem identificado.

  18. Quanto as datas das Batalhas….Monte Cassino foi em Janeiro de 1944….Os primeiros escalões da FEB desembarcaram em Nápoles em meados de julho de 1944. A FEB participa das batalhas no norte da Península Itálica, especialmente na Operação Encore e na Ofensiva da Primavera, isso no início de 1945.

    Acho que o Fred tem detalhes mais frescos, pois o trabalho dele é mais recente.

  19. quantos capítulos nos livros de história temos contando com riquezas de detalhes sobre a época da ditadura militar ? Centenas de milhares !!

    E a grande maioria com pauta NEGATIVA sobre os militares brasileiros, e enaltecendo os “coitados” dos anarquistas e comunistas no Brasil, omitindo que explodiam carros, sequestravam e matavam pessoas em nome de uma ideologia assassina e autoritária.

    Eu não disse que não tem livros contando sobre a história da FEB na Itália, eu disse que esse tema é IGNORADO DELIBERADAMENTE ao público, pois é um ato heroico do militar brasileiro!!

    Muitos autores tratam tudo que é ligado a história militar brasileira com uma visão negativa, é evidente que há uma corrente no Brasil para distorcer e omitir a riqueza de dados que os militares brasileiros conquistaram ao longo das décadas, e isso cresceu muito após a ditadura de 64 pra cá.

    Acredito até que (ae é uma opinião pessoal minha) devido esse ranço com eles, os próprios militares brasileiros tenham receio de repassar mais informações com detalhes, e sua visão sobre as conquistas do passado com certos autores da imprensa, ou historiadores que não frequentam o mesmo círculo que eles.

    Quando é preciso manchar a reputação dos militares no Brasil, “estranhamente” há muitos livros, discussões, debates em programas de TV, documentários e etc de diferente maneiras e autores, mas quando é pra falar sobre as conquistas e atos heroicos, ae a coisa muda de figura!

    tá cheio de professorzinho de história, e jornalistinha de meia tigela ridicularizando e achincalhado a história militar do Brasil por ae, e se pesquisar mais a fundo a vida desses caras, tem ligação com os vermelhinhos de alguma maneira, é um bando de FARSANTES que se passam por patriotas, é isso que são!

  20. Leiam o livro de William Waack sobre o tema. Escrito em meados dos anos 80.

    As Duas Faces da Glória – A Feb Vista Pelos Seus Aliados e Inimigos‎

  21. Rinaldo, o Luciano te deu um ótimo panorama das fontes e relatos memoriais. O depoimento dos oficiais da reserva sobre a FEB já é um clássico. Além dos que o Luciano citou, tem os dois livros do general Mascarenhas de Moraes, tem muitos livros de veteranos. Essa obra da bibliex em oito volumes, que ele citou, é a história oral da FEB, são muitas entrevistas, vale muito a pena. De novidade, um livro publicado em 2015, do veterano Boris Schnaiderman (Caderno Italiano) que passou a se somar ao romance Guerra em Surdina que ele publicou em 1964. Se complementam. O primeiro foi escrito romanceado por causa da censura e o segundo é narrativa de memórias. Os sebos online são uma boa fonte de livros de veteranos já esgotados. Outro livro de veterano que eu gosto muito, e o diário do tenente da reserva Massaki Udihara, que era médico mas serviu na infantaria da FEB, no sexto RI. Sua filha encontrou o diário após sua morte e decifrou suas anotações para publicar. Como é um diário, muitas vezes contém desabafos, angústia e raiva. Em outros momentos reflexões. É de uma sensibilidade tocante.
    E, os jornais da imprensa de guerra, são ótimas leituras também. Tem vários. No site da hemeroteca digital da biblioteca nacional, o Sr encontra o “Cruzeiro do Sul” do serviço especial da FEB, todo digitalizado. Em associações de veteranos ou no museu da FEB e com colecionadores o Sr pode encontrar números dos jornais de trincheira dos batalhões. Um deles, de leitura deliciosa, é o “E a cobra fumou”, do primeiro batalhão do sexto RI. Eu ri muito quando li, é realmente divertido.

  22. Nas fotos em geral (e nesta em especial), há blindados que parecem os pais do Urutu e da Cascavel.

    Muito interessante.

    Parabéns pelas iniciativas individuais dos verdadeiros patriotas. Povo sem passado é povo sem futuro.

  23. Rinaldo Nery, vou lhe contar uma, que ja deve ser de Vosso conhecimento, mas me marcou tanto que nao me esqueço:
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    Estava a conversar com um Ex-pracinha e o mesmo me disse:
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    Certa vez estavamos tentando tomar um buker no alto do morro (qual? ele disse EU nao lembro), e pedimos apoio pelo radio, para nossa surpresa, quem respondeu foi um piloto brasileiro que estava voltando de uma missao. Ele tinha UMA bomba no cabide, passamos as coordenadas e eles chegaram.
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    Um deles deu uma volta no morro, subiu e desceu na vertical… Soltou a bomba e a mesma entrou certinho no buraco no topo do buker…
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    Depois alinhou, balançou as asas e foi embora…
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    Naquele dia deu muito orgulho de sermos Brasileiros e tivemos a certeza de quao profissionais eram nossos pilotos.
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    Nossos militares sempre sao muitissimo elogiados la fora… Me cansa nao saberem de sua historia e/ou essa visao de vira-latas…

  24. Para os que gostam de ver o Brasil como “vira latas”:
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    Certa vez no epoca de saddam hussein, ha via uma comitiva de engenheiros em Bagda (estava la para supervisionar uma obra), e se perderam do comboio. Foram parados por homens armados e so nao foram sequestrados, pq comecaram a falar: Brasilis… brasilis… pelé… os caras comecaram a rir fizeram a associacao do carro as pessoas e os deixaram passar… (Brasilis e como sao conhecidos os “Passat iraque” la, que sao adorados por eles…).
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    Outra vez estavamos em missao de paz na africa e um comboio foi emboscado (levando a morte um cabo motorista), quando viram a bandeira brasileira, “pediram desculpas” e ajudaram a socorrer o cabo.
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    A pouco na italia, criancas cantaram o hino brasileiro em homenagem “a seus libertadores”!
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    imigrante brasileiro, e geralmente reconhecido por sua garra em trabalhar e nao causar problemas
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    Somos muitissimo bem vindos la fora!

  25. A participação brasileira na segunda guerra foi maravilhosa. Com ou sem equipamentos adequados eles foram heróis, até a Inglaterra e Rússia dependeu dos EUA na guerra. Conquistamos Monte Castelo, Montese (batalha mais sangrenta) e outros lugares na Itália. Sugiro verem tbm o documentário da Senta a Pua 1° GAC, muito bom. Salve nossos veteranos de guerra, salve a FEB e salve o BRASIL.

  26. Corrigindo a informação, na verdade o Brasil participou na tomada de Monte Castelo e não Cassino. E o documentário que assisti se chama The War: A film by Ken Burns.

  27. Gil U, meu avô foi veterano. Posso estar enganado, porque estou escrevendo de cabeça as histórias que ele contava, mas espero poder contribuir com o debate. A FEB participou da Batalha de Monte Cassino (também chamada de Batalha de Roma) mas não da “tomada de Monte Cassino”. A FEB ficou encarregada de atacar Vallemaio, e sofreu resistência alemã, ou seja, “viu ação”, enquanto as outras forças atacavam diretamente Cassino. O ataque a Vallemaio fazia parte da Batalha de Monte Cassino, embora não fosse um ataque direto ao monte que deu nome à batalha.

    Se tiver no site algum historiador que tenha estudado o período e não apenas conheça de ouvir falar, como eu, peço que me corrija, por favor.

    Quanto ao colega que riu da participação do Brasil na guerra, aposto que o engomadinho analfabeto de dentes podres fez mais pela humanidade durante 1 minuto na guerra do que o guerreiro de teclado fez a vida inteira.

  28. Verdade, Mim da Silva!

    Já consegui mais boa vontade do pessoal da OLP (sim, da OLP!) do que o pessoal de outras nacionalidades que eu conheço conseguiu em plenos anos 1980.

    Bastou dizer “brasili” (em árabe, a nacionalidade é o nome do país + “i”) e eles ficarem muito contentes a falar de Fuscas (no Egito e na Jordânia, os Fuscas made in Brazil nos anos 1960 eram muito valorizados), futebol, música, comida (“roz”, o nosso arroz), etc (devidamente traduzido para o inglês por um deles, que falava vários outros idiomas e que até me ensinou a derrubar helicópteros destruindo o rotor traseiro, façanha cometida por um deles no Líbano com uma 20 mm, enquanto comíamos uma salada após o anoitecer em pleno Ramadã na melhor hospitalidade oriental e rostos sorridentes).

    De quebra, uma aula sobre AK-47 x M-16, façanhas contadas por um sniper jordaniano na guerra do Líbano, fotos de parentes (alguns vivendo no Brasil), dicas sobre sobrevivëncia no deserto, palavras novas em árabe, relatos sobre as (crueldades das) forças israelenses, táticas terroristas, treinamentos sobre modalidades de karatê mortal, por que eles lutavam contra Israel (quase virei simpatizante da causa deles), algumas coisas sobre o islam (só me contaram a parte boa), etc. E a conversa nem foi tão longa…algumas horas. Ô pesssoal que gosta de conversar!

  29. Dois ótimos livros sobre a participação do Brasil na 2GM:

    SENTA Á PUA – Brigadeiro Rui Moreira Lima

    1942 – A Guerra Esquecida do Brasil – João Barone (baterista do Paralamas cujo pai foi ex-combatente)

    Roberto F Santos

    Você deveria conhecer melhor a história. Chegar em Outubro de 1944 e lutar com tropas alemãs que se retiravam sim, mas uma retirada estratégica.

    Aliás vc tb não respeita os quase 2.000 brasileiros mortos em nosso litoral por submarinos alemãs!

  30. Fred, “Guerra em surdina” é show! E é uma melancolia que choca! Comprei “Caderno italiano”, mas ainda n tive tempo de ler. ” A FEB pelo seu comandante” é um clássico e acabei esquecendo de falar dele.

    Nao conheço a obra de Massaki Udihara. Valeu pela informação! No “Depoimento de …” há uma critica forte ao uso de médicos como oficiais de infantaria, mas isso vc sabe.

    Anos atrás, conheci num congresso um pesquisador q estava trabalhando com a Esquadrilha de Ligação e Observação – ELO. Esse é um assunto que gostaria de saber mais.

  31. Ah, “O cruzeiro do sul” teve uma edição fac-símile uns anos atrás. Essa é outra fonte bem interessante, mas confesso q tive alguma dificuldade com certas piadas e gírias da época.

  32. Há de se lembrar dos correspondentes do front na Itália, Rubem Braga e Joel Silveira.

    http://www.portalfeb.com.br/livro-o-inverno-da-guerra-joel-silveira/

    “Diário de um Ex-Combatente”:

    http://www.portalfeb.com.br/diario-de-um-ex-combatente-disponivel-em-arquivo-pdf/

    O que não falta é coisa interessante de se ler no portal FEB / bibliografia.

    Ouvi casos, contados pelo meu avô, de neuroses de guerra (igualzinho aos dos doidos do Vietnã) e de prisioneiros brasileiros que passaram fome nos campos de prisioneiros – o estômago encolheu, pois só havia sopa rala com pedaços de batata e de carne de cavalo. Foi um tempo duro, sim.

    Se quem já passou por situações menos intensas já fica meio doido, imagine as dos pracinhas. Foi gente corajosa assim que impediu o comunismo no Brasil.

    Alguém se interessa em ajudar um Museu da FEB em dificuldades?

    http://www.portalfeb.com.br/contribua-com-a-campanha-para-manter-o-museu-da-feb-de-belo-horizonte/

    A guerra acabou, mas a luta continua.

  33. Luciano

    Tenho um exemplar de “A FEB pelo seu comandante” autografado pelo Mascaranhas de Moraes!
    Em uma determinada passagem ele relata que grande número dos membros da 148º tinham insignias do AK !

  34. Quem vier ao RJ e goste do assunto, não deixe de visitar o Monumento Nacional aos Mortos da SGM, no Aterro do Flamengo.

    Existe um museu com militaria da época, sob a estrutura que representa duas mãos voltadas para o céu há o fogo em homenagem aos desaparecidos e no subsolo, o mausoléu com os restos mortais dos 454 soldados da FEB, dos pilotos da FAB e de alguns soldados desconhecidos cujos restos foram encontrados muito depois do final da guerra, os quais foram trasladados da Itália, do Cemitério Militar de Pistóia na década de 60, além dos nomes escritos nas paredes dos que desapareceram no mar nos navios torpedeados em nossa costa.

    Pena que às vezes utilizam a área em frente pra montar palcos para shows e etc. Acho um desrespeito total e com a conivência das FFAA.

  35. Alguns usuários estão confundindo Monte Cassino com Monte Castello.

    Monte Cassino foi uma importante colina defendida pelos paraquedistas alemães (elite da elite nazi) no inicio de 1944 e tomada pelos poloneses após a destruição do mosteiro que tinha no alto do morro. Se localizava ao sul de Roma, na linha defensiva Gustav. No inicio de 44 a Itália ainda era prioridade dos alemães e um pouco dos aliados (já estavam em preparação ao Dia D).

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Monte_Cassino

    Já Monte Castello era uma colina sem importância alguma localizada na linha defensiva chamada Gótica e parte de varias outras colinas e vilarejos naquela região do vale do Rio Pó, entre Florença e Bolonha. No final de 44 o norte da Italia já era um front secundário, tanto para nazistas, como para os aliados.

    A FEB combateu velhos e jovens que mais pareciam Volkssturm, Flaks 88, nebelwerfers, LeFH18cm e alguns velhos STUGs III.

    Colocando em perspectiva foi um grande sacrifício para uma nação sul americana com doutrina francesa da WWI que rapidamente mudou para doutrina americana de combate em menos de 2 anos e foi combater na Europa gelada. Isso sim deve ser valorizado.

    Fomos para um teatro secundário de guerra e arrisco a dizer até “terciário”. Pois Norte da Europa e Asia eram muito mais importantes.

  36. Completando meu comentário sobre Cassino x Castello:

    A FEB só ficou pronta para o combate após agosto/setembro de 44 e ainda assim nem todos os regimentos estavam completos. Só foram ficar completos no final de 44. A FEB nunca lutou em Cassino.

  37. Carvalho 16 de Janeiro de 2018 at 14:22

    Fantástico! O meu nao é autografado (tenho um exemplar de “Guerra em surdina” que é e minha edição de “Depoimento de oficiais da reserva” tem alguns comentários do dono original)! deve valer vastante, Carvalho!

    Embora muita gente diga que a FEB lutou em um front secundário, boa parte da tropa alemã era experiente. Não falo nem da 148º, mas da 90º , que combateu no norte da África. Várias unidades que defenderam a Linha Gótica eram veteranas ou da África ou da Rússia.

  38. Perfeito NIGO, vc deu um show de realidade. Aprende ai Marcelo Andrade, 2.000 mortos no litoral ? meu amigo vá se informar e volte aqui pra debater, 2000 foi o total geral de mortes entre civis e militares.
    Chegamos atrasados na guerra, é o mesmo que chegar no fim de uma festa, só tem o resto.
    E ainda tem os piadistas que contam que fizemos 14.000 prisioneiros Alemães kkkkkkk
    Os caras se entregaram porque a guerra acabou. Mortos de fome, sem comando central, sem vontade de lutar, e tropas formadas por velhos e jovens.
    Me poupem

  39. Obrigado aos amigos pelas informações acerca dos livros publicados sobre o tema. Desconhecia a maioria.
    Quanto ao nosso desempenho na guerra, gostaria de lembrar que o 1° Grupo de Aviação de Caça foi uma das duas únicas unidades áreas estrangeiras (não americanas) a receberem a Presidential Citation Unit, uma condecoração muito importante do governo norte americano. A outra UAE, salvo melhor juízo, foi uma UAE australiana. Todos os militares do GAVCa podem usar a barreta (de cor azul escura).
    Um companheiro de turma (hoje Brigadeiro), quando comandou o Grupo encenou a Ópera do Danilo no Teatro Nacional, no Rio, com o apoio da Rede Globo. Quanto à história da 1a ELO, há muita coisa no MUSAL, nos Afonsos. Mas, infelizmente, a Caça meio que quis apagar essa história, a fim de sobressair. Coisas de brasileiro e de ego. Ciúmes de homem é pior que de mulher. Servi na 2a ELO, em São Pedro da Aldeia (voando AT-27), e vivi um pouco esse problema.

  40. Tudo precisa ser colocado em perspectiva e contexto. Qual o contexto daquela época para o Brasil? Uma nação agraria com pouca industrias, inicio da população migrando do campo para as grandes cidades e governados por um ditadorzinho e elites mequetrefes que faziam o jogo de esquerda, centro e direita (um bando de safos).

    Nossos equipamentos militares no final da década de 30 eram cerca de 20 tanques leves Renault FT17 (da WW1) e lagartas e carros blindados comprados da Itália e da Alemanha Nazista. Isso sem falar que a doutrina do nosso exercito era a mesma da França, ou seja, uma doutrina baseada em defesa, linhas defensivas e trincheiras. Tanto é que ate o inicio da guerra tínhamos uma missão militar francesa dando aula para nós.

    Dito tudo isso precisamos levar em conta que após a nossa declaração de guerra em 42, os ingleses queriam que enviássemos o mais rápido possível 3 divisões de infantaria para ajudarem eles no Norte da Africa (final de 42 os ingleses estavam tomando sufoco de Rommel em El Alamein, perto de serem expulsos do Egito).

    Mas nem tudo são flores, como eu disse a nossa doutrina defasada fez com que os americanos tivessem que levar mais tempo para treinar nossos soldados e oficiais (especialmente nossos oficiais e alto comando). E a migração da população de campo para cidade nos levou a outro problema. Nem todos os nossos soldados tinham dentes na boca. Não conseguimos completar as 3 divisões pedidas.

    Levamos uma divisão fortalecida (geralmente uma divisão americana tinha cerca de 10 mil homens, a nossa cerca de tinha 25 mil, pois nesses 25k já estavam inclusos os substitutos das baixas).

    Mesmo com todos esses problemas, ainda fomos tratados pelos americanos como uma tropa de segunda linha para um teatro de segunda linha. Poucas armas automáticas para a FEB, apenas carros de reconhecimento e transporte foram dados para o uso da FEB. Os americanos usavam a M1 Garand, para nós sobrou o velho rifle da WW1 o Springfield’03. Os americanos usavam tanques destroyers M10 e artilharias propulsadas em lagartas, para nós eram O m8 Greyhound de blindado e artilharias guinchadas em caminhão

    Colocando tudo isso em perspectiva e contexto para a época foi um milagre desembarcar na Itália. Nem navios para levar nossa divisão tínhamos. Tivemos que contar com os americanos nessa também e foram algumas viagens para completar os 25 mil na Italia. Chegando na Itália, tome mais treino e adestramento. Por isso a FEB chegou tarde para lutar num teatro secundário de guerra.

    Eramos uma divisão de segunda linha, lutando contra outras divisões de segunda linha (que estavam sem moral alguma). Nosso alto comando eram o pior que tínhamos. Burros e desorganizados. Após os primeiros ataques fracassados numa colina sem nome para os alemães (Monte Castello no caso), os americanos quase chegaram a intervir no alto comando da FEB e tiveram que usar seus cargos na hierarquia aliada para que os oficiais brasileiros cumprissem com a doutrina americana. Falo de organização, gestão, moral para as tropas, uso adequado de equipamentos. Sim, os americanos já eram tudo isso que ainda são hoje naquela epoca.

    Nossos soldados e oficiais abusavam do “jeitinho brasileiro”, a desorganização e desleixo com equipamentos e veículos. Tudo que vemos hoje no Brasil de ruim, aconteceu no final de 44. No inverno de 44 eles não estavam nem ai para limpeza de armas, troca de óleo nos M8 Greyhound e caminhões por exemplo. Isso quase levou a retirada de linha da FEB. O pedido que chegou a ser feito pelos ingleses.

    A mudança veio através da insistência de alguns oficiais americanos que continuaram a tentar adestrar nossa tropa. Isso levou vários meses para acontecer (entre setembro de 44 e fevereiro de 45). Após essa mudança de mentalidade as coisas começaram a acontecer para a FEB e a tomada da tal colina desconhecida foi um desses momentos. Esse ataque fazia parte de um ataque maior de outras divisões americanas (especialmente a 10th de montanha). Ajudamos a cobrir o flanco deles nesse ataque. A conclusão disso e a batalha de Montese finalmente mostrou aos americanos que poderíamos ser empregados em qualquer lugar.

    Os nazistas e italianos que combatemos não eram o topo da linha mais, mas não eram ruins. mas faltava algo essencial para eles, moral. A baixa moral das tropas inimigas ao menos foi compensada pela experiencia dos mais velhos.

    Falando novamente em contexto, percebam que nossos soldados e oficiais é que tiveram que mudar de mentalidade. Vindos de um país agrário, com mentalidade retrograda de suas lideranças e armas atrasadas. Isso que deve ser exaltado. Nossos soldados tiveram que mudar sua cultura para poder se impor num ambiente hostil.

    Tanto é que a FEB foi convidada para ocupar a Áustria no fim da guerra. Mas Getúlio e o comando covarde da nossa tropa não quis.

    Tudo é contexto e perspectiva.

  41. Rinaldo,
    De todos os livros listados no link, considero o do Castello Branco essencial.
    Contém extratos das ordens de Operação. Listagens de efetivos e detalhes das reuniões do EM.
    É quase um diário da OM

    Saudações

  42. @carvalho,

    As tropas alemãs na Italia no final de 1944 já estavam cansadas de guerra, eram uma mistura de velhos do front russo e jovens.

    O armamento alemão ali no norte da Italia também já era obsoleto. O numero das divisões que enfrentamos também da uma pista disso.

    148 e 232 por exemplo. Foram divisões formadas sobre o resto de outras no final de 1944 e com regimentos incompletos.

    Por isso postei que eles mais pareciam Volkssturm.

  43. nigo 16 de Janeiro de 2018 at 19:58
    Colocando em perspectiva foi um grande sacrifício para uma nação sul americana com doutrina francesa da WWI que rapidamente mudou para doutrina americana de combate em menos de 2 anos e foi combater na Europa gelada. Isso sim deve ser valorizado.

    Com todo respeito aos demais foristas, esse comentário é mais lúcido e parcial… parabéns…
    Acredito que alguns aqui deveriam ter mais respeito pelos veteranos… até mesmo o Waack em seu livro, cheio de críticas à FEB, reconhece o valor do sacrfício daqueles soldados, em que pese as deficiências e falhas…
    Meu falecido avô lutou na Itália… tenho muito orgulho disso…

  44. OK

    Concordo que estavam incompletos e cansados de guerra.
    Esta era uma realidade de todos os fronts desde o final de 43. Não há como negar que os fronts da europa eram mais importantes.
    Mas no que diz respeito à idade dos combatentes, não me parece que eram idosos ou crianças. Veja as fotos…são todos aptos para o combate
    Quanto ao equipamento, o tipo de terreno propiciava uma defesa com menores recursos.

    Enfim….nem tanto o céu….nem tanto a guerra
    Abraço

  45. nigo,

    Acredito que você se referiu a mim e eu posso realmente ter confundido Cassino com Castello. Ouvi histórias contadas quando era criança, há quase 40 anos.

    Você provavelmente tem muita razão no que fala, pois lembro do meu avô dizer que não tinha nem meias de lã para combater no frio, que usava palha dentro do coturno. E lembro de dizer que o transporte de ida e volta foi feito em navios americanos.

    Eu sinto orgulho do meu avô de qualquer forma, tendo ele feito parte ou não de uma tropa bem preparada. Ele foi à guerra, cumpriu as ordens, sofreu e fez sofrer, voltou condecorado e com a sensação de ter feito parte da História do século XX. Para mim, foi um herói.

    Gosto dos seus comentários porque são críticos mas respeitosos com o soldado.

    Mesmo com os problemas, fomos o único país sulamericano com condições de enviar tropas. Uma cidade italiana ainda comemora e agradece os brasileiros, todos os anos, pela participação na guerra. Passados 73 anos, as deficiências continuam e o Brasil passaria por constrangimentos parecidos, se mandasse tropas para um guerra nos dias de hoje.

  46. A FEB foi tão “mal”… q o Brasil foi convidado a a participar do CS no final da Guerra, o q não foi aceito por Vargas, por questão de disputas políticas internas.
    Uma frente secundária é o q garante o esforço da frente principal, além de ser alternativa a esta.
    A frente italiana manteve as reservas de Maistein ECD combater em uma frente q não era a russa, o q proporcionou a vitória em Kursk pelos russos.
    Números de baixas, naquele período do conflito não diz absolutamente NADA, pois os brasileiros tiveram quase 2 anos de treinamento antes de combater, enquanto os militares americanos tinham somente 40 dias.
    Roberto F Santos
    Vc está MUITO equivocado.

    Sds

  47. Devemos valorizar sim os soldados, esses passaram um sufoco danado.

    Já os oficiais, alto comando e lideranças políticas da época devem ser colocados em seus devidos lugares.

    O teatro italiano após o dia D serviu para segurar o maior número possível de tropas do eixo, aliviando os aliados na França. Ajudamos a fazer isso e a fazer bem.

    Mas quase fomos retirados do front devido a todos os problemas que citei: jeitinho, desorganização, desleixo e corrupção.

    Isso que precisa mudar no Brasil. E colocando em contexto, nossos soldados naquela época passaram por cima disso.

    Hoje em dia podemos dizer o mesmo?

  48. nigo 17 de Janeiro de 2018 at 5:31

    Seu post considera muitas coisas importantes, mas é meio complicado estabelecer uma análise de todo o quadro em alguns parágrafos. Como mesmo colocou, há aspectos fundamentais do contexto a serem considerados. Os EUA estavam fornecendo armamentos para muita gente e era praticamente impossivel dar conta de tanta demanda. Tanto que até mesmo pra unidades norte-americanas, como os fuzileiros no Pacifico, demoraram a receber o Garand (se não me engano, apenas algumas unidades do 6RI da FEB foram dotadas com o fuzil selfreload). Há ainda questões internas dentro do comando americano, inclusive…havia um certo atrito do comando da FEB com o general Crittenberger e, se não me engano, deste com Mark Clark (este aqui bem mais político e pensando nas relações a longo prazo com o Brasil). Li algumas coisas que falavam do boicote de equipamentos para tropas nao americanas na Itália. Talvez o Fred tenha dados mais precisos.

    Lembremos que os Aliados tinham realizado em junho a Overlord e em agosto a Anvil, que tragaram recursos humanos e materiais. Isso gerou problemas no desenrolar da atuação de unidades da FEB, especialmente no 1RI e no 11RI nos seus primeiros empregos.

    XO tb colocou dois fatos do contexto muito importante e eu lembrei de um terceiro. O inverno de 44/45 foi o pior da Europa até aquele momento. Isso criou uma dificuldade enorme para todas as unidades ali em engajamento, mesmo para aquelas que conheciam neve e frio severo. E mais uma vez houve carência de equipamentos…uniformes adequados e camuflados, esquis, etc.

    Havia ainda o relevo! Mesmo para unidades de moral baixa, uma posição defensiva privilegiada ajuda muito. As unidades aliadas tinham que galgar, na maioria das vezes, solo em aclive, acidentado e com pouca proteção (era comum os alemães queimarem a vegetação nas encostas, para aumentar a visibilidade). Os morros formavam ângulos de tiro que se cobriam, assim, os planos de fogos garantiam grande efetividade mesmo para poucos homens, velhos e adolescentes. Mesmo com toda crise de abastecimento de munições e equipamentos, os alemães foram capazes de garantir uma ferrenha resistência e a FEB nao tinha treinamento e material adequado como a 10ª de montanha (que tb enfrentou perrengues com os germânicos).

    Como lembrado por XO, havia o problema doutrinal. Ultimamente tenho lido um pouco mais sobre as décadas que antecederam a formaçao da FEB e tenho compreendido a luta para profissionalizar o EB. Havia uma grande disputa interna entre doutrinas entre os anos de 10 e 20. Havia uma parte do exército que era germanófila e outra francófona e isso ainda gerou problemas nos anos 40, com figuras como Góes Monteiro, por exe. Além disso, havia o problema político da FEB para as questões internas, o que se refletiu na escolha do Mascarenhas…um general que nao tinha aspirações políticas.

  49. nigo 17 de Janeiro de 2018 at 11:50

    Sim, isso mesmo! Faço apenas uma ressalva aos comandantes de Pelotão. Em sua maioria eram R2, sem a menor experiência e deram conta do recado!

  50. O alto comando aliado na Europa (SHAEF) bobeou no front italiano. Em final de 43 e inicio de 44 as melhores tropas aliadas estavam ali combatendo. Basta lembrar que Patton e Montgomery estavam se estapeando para chegarem primeiro em Messina, na Sicilia por exemplo.

    Após a captura de Roma (e o dia D), as coisas foram deixadas de lado na Itália. Se os aliados tivessem mantido a pressão em 44 e 45 na Itália, acredito que a guerra poderia ter sido encurtada na Europa como um todo.

    Atrás de Florença e Bolonha não tinha nada mais para defender. Não tinham reservas de tropas alemãs, nem italianas. Seria caminho aberto até Munique ao menos.

  51. Vejo aqui que o desconhecimento de muitos em relação à participação das FEB na Itália é gritante. Alguns citam a participação como médíocre, outros dizem que o Brasil não levou nada e mais algumas opiniões totalmente fora da realidade. Infelizmente, como foi citado acima por outros participantes, este fato histórico é tão pouco difundido no meio acadêmico brasileiro e, por consequência no ensino, que opiniões e achismos há décadas esvaziam as realizações da FEB e da FAB no T.O da WWII.

    Incansáveis elogios de oficiais generais das grandes unidades que operavam a FEB e a FAB foram feitos, até mesmo citação presidencial dos EUA em relação a FAB e seu grupo de caça como tendo sidos de vital importância para deter a retirada das forças nazistas para a Alemanha reforçando assim a defesa do país.

    A FEB e a FAB combateram contra tropas experientes vindas de grandes unidades que combateram na África e outras que há anos combatiam no T.O europeu.

    Na Itália os feitos da FEB e da FAB são reconhecidas e homenageadas anualmente onde até crianças das escolas cantam o Hino Nacional Brasileiro e o Hino da Força Expedicionária Brasileira.

    Nem vou mais me alongar aqui pois o assunto é cansativo e isso já foi feito várias e várias vezes em outras matérias postadas no blog. Com tanta informação disponível nos dias de hoje, muito mais que há 20 anos, ainda isso…

    E assim caminha este país devido a uma educação pífia e muitas vezes pela preguiça de muitos, rumo ao nada.

    Triste.

  52. Questionar a versão que foi imposta pela ditadura militar faz bem. A historia vive de questionamentos.

    A FAB teve sim um desempenho surpreendente. Já a FEB nem tanto, se considerarmos contexto e perspectiva de 1942-1945 no Brasil e no mundo, como eu já disse. 😉

  53. Ainda sobre bibliografia …
    Lembro de ter em mãos o livro do Mark Clark (acho que da Biblex)
    Se não me engano, citou apenas uma inspeção que fez a FEB.

  54. Pelo que os pesquisadores falam, a FEB, não foi lutar na França (após o dia D) pelo fato de Churchill não aceitar. Roosevelt teve de bater boca com muita gente, pra que a FEB, fosse pra Itália. A intenção era levar 100.000 homens, pro combate, contudo os padrões corporais dos soldados brasileiros, eram muito baixos ( dentes, os pés não suportavam o uso de coturnos).
    Contudo reconheçamos, só o fato deles terem lutado, num clima hostil, com uma nova doutrina, já foi uma grande vitória. Eles são heróis.
    A segunda guerra, está para o Brasil, como a guerra do Paraguai (divisor de águas), pois permitiu a modernização de toda a doutrina dos militares.

  55. Lendo os comentários, percebo que na maioria há polarização entre a “grandiosidade dos feitos da FEB x mediocridade dos feitos da FEB”. Como o Luciano comentou, é muito difícil, pra quem é da área de História, tecer conclusões com base em poucas informações. Há muita chance de erro ou generalização excessiva. E há uma questão de memória também. Lembrando que a memória sobre a FEB é vasta, diversa, e construída por atores e instituições com interesses distintos, muitas vezes conflitantes. Gostaria de pincelar alguns comentários com situações que eu percebi na minha pesquisa, consultando os documentos do AHEx.
    Sobre a questão do envio de um Corpo de Exército (100 mil homens) ter sido reduzido para uma Divisão (25 mil homens). Percebi nos relatórios do Ministro da Guerra, nos anos de 1942, 1943 e 1944, que vários fatores levaram à redução. Primeiramente, a dificuldade de se recrutar brasileiros aptos nas inspeções de saúde com padrões americanos. Inclusive, os padrões foram relaxados para se conseguir o envio da divisão. O primeiro escalão, por exemplo, ao chegar na Itália, sofreu número altíssimo de baixas imediatas por doenças. Tuberculose, doenças venérias, até deficiencias mentais / cognitivas foram causas de baixas. Ou seja, esses soldados nem deviam ter embarcado pra Itália. (Faço um adendo aqui, a FEB era um retrato 3×4 da nossa sociedade, que convivia com essas doenças no cotidiano. Não há motivo de vergonha nisso, há que se entender que o tratamento da saúde da população era deficitário, ineficiente.) Em segundo lugar, o ritmo da entrega dos armamentos prometidos pelos EUA, e COMPRADOS via Lend Lease pelo governo brasileiro. Isso causou grande problema, inclusive no adestramento da FEB, feito ainda com os armamentos obsoletos do Exército. O grosso do material bélico da FEB só foi entregue na Itália aos brasileiros. Além disso, havia grande preocupação com a Argentina, que em 1942 / 1943 ainda nutria grande simpatia pelo Eixo. O comando do EB acreditava que só poderíamos enviar a força expedicionária se tivéssemos divisões modernas, com novos armamentos americanos, em quantidade suficiente para defender o Nordeste de invasão estrangeira e o Sul/Sudeste de invasão Argentina.

    Sobre os armamentos e equipamentos utilizados pela FEB na Itália. Nos relatórios do Estado Maior da FEB, é possível observar que ocorreu intervenção do nosso EM junto à autoridades do V Exército dos EUA para que fossem aceleradas as entregas de vários equipamentos. E isso ocorreu em pelo menos dois momentos da campanha. De armas à fardamento para o frio intenso. Mas uma coisa muito interessante, eu gostaria de elucidar. No arquivo, encontrei o documento que demonstrava como a FEB era ressuprida. Como já disse, todas as armas eram pagas pelo governo via Lend Lease, mas e o ressuprimento com víveres e munições, enfim, tudo necessário para fazer a guerra? Havia um acordo entre os exércitos dos EUA e do Brasil, os brasileiros recebiam os mesmos ressuprimentos que as demais unidades do V Exército. E como era o pagamento desses itens? Devido à dificuldade de se calcular exatamente o que era gasto, a solução acordada era a de que o governo brasileiro pagaria pelos itens necessários não por unidade militar, mas através de um valor médio diário por homem e por orça que variava entre US$8 e US$8,50, material bélico US$3,20 e material de intendência US$1,60. A expectativa feita pelo ministro da guerra, em relatório, era de um gasto de 1.200.000.000,00 cruzeiros em um ano de operações. Então, certamente, o nosso país fez um esforço tremendo para manter a FEB na Itália, inclusive do ponto de vista econômico. Tudo que usamos que veio dos EUA, foi pago. Sobre o boicote dos armamentos, não consegui precisar isso, mas acredito que havia demanda intensa de armas, vindas de todos os fronts, e havia dificuldade de suprimento. Contingências normais numa guerra.

    Sobre desleixo com material dos brasileiros: acho muito improvável que tenha ocorrido em larga escala. Uma das críticas mais agudas dos ex combatentes e oficiais da reserva ao Exército brasileiro, era seu sistema disciplinar excessivamente rigoroso. Deram até o apelido “exército de Caxias” para o EB, e viam a FEB como o “exército da FEB”. E nas narrativas memoriais dos veteranos é muito comum encontrar essa questão do rigor com o zelo material no EB. Muitos alegam ter sido punidos disciplinarmente em algum momento por isso. Para além das narrativas, há fontes que demonstram esse cuidado com o material por parte dos oficiais do Exército. Encontrei, na pesquisa no AHEx, um caso que elucidava isso. Num Inquérito Policial Militar, o major comandante da Polícia Militar (algo similar à atual P.E.) da FEB, denunciou um tenente por ROUBO de viatura. Mas a história é muito curiosa. Na verdade, jipes de dois batalhões diferentes, pertencendo a dois regimentos diferentes (um iria substituir o outro), estavam estacionados num determinado local, completamente enlameados. Uma das queixas mais comuns de insatisfação dos soldados em linha de frente, nos foxholes, era a falta de comida quente. O referido tenente iria levar esse tesouro alimentício que tanto elevava o moral das tropas na linha de frente, preocupado com o bem estar dos seus comandados. Saiu apressado do local, e sem perceber, pegou o REBOQUE do outro batalhão/regimento e foi para a linha de frente. Nesse meio tempo, o cabo responsável pelo reboque, do outro batalhão, deu falta do mesmo, e queixou-se ao major. Este, em memorando ao chefe da 1ª Seção do Estado Maior divisionário, com a máquina de escrever dispara as seguintes palavras: “solicito-vos as providências necessárias para que facilidades comumentes chamadas de desaperto sejam batizadas com o verdadeiro nome – ROUBO -“. Esse caso, elucida a questão do cuidado com o material. Realmente foi excessivo, e o inquérito resultou em absolvição do tenente. Mas revela essa mentalidade de realmente cuidar do material do Estado brasileiro. Pode ter havido falta de cuidado, individualmente, mas de maneira generalizada eu não acredito.
    No mais, depois dessa redação imensa que quase ninguém vai ter paciência de ler hehehehehehehe, acho justo dizer que a FEB deve ser observada pelo que efetivamente era: uma única divisão em campanha. Divisões não são países e nem exércitos inteiros. São grandes unidades militares, empregadas num local específico, num momento específico, numa frente específica, e estão ali fazendo o seu duro trabalho de lutar contra o inimigo. Uma divisão, na realidade da segunda guerra, é somente uma pequena engrenagem em todo o esforço. Mas para os homens que ali estão, não tem essa de front secundário, eram eles que ficavam sem banho, com fome, com muitas outras privações, longe da família, do país, em constante tensão e ansiedade, em choque, participando de ações de extrema violência. Não há diferença de sensações sentidas entre o soldado que desembarcou sob fogo em Omaha, e o que numa patrulha, ao chegar a certo ponto de um vale encrustado nos Apeninos, recebeu fogo de 3 direções diferentes, emboscado por alemães com Mg-42 e morteiros. Não havia chance de retrair sob fogo nem em Omaha, e nem na situação descrita, tão comum no front italiano. A guerra só é doce para quem nunca esteve imerso naquela triste e intensa confusão de fogo, metal e sangue. Comparações fora de contexto podem ser extremamente desleais com os homens que enfrentaram o que nós sequer podemos imaginar.

  56. Fred 18 de Janeiro de 2018 at 7:21

    Perfeitamente, Fred.

    A questão do jeep me fez lembrar um depoimento que colhi sobre uma .30 . A posição estava sendo batida por morteiros e a guarnição da peça rapidamente deixou o local. O Capitão viu os homens se aproximando, alguns feridos por estilhaços e a única coisa q ele disse foi: peguem a metralhadora!!

    Quanto ao “front secundário”. Comentei exatamente isso em outra postagem aqui do Forte sobre a FEB. E enquanto lia seus argumentos só vinha um nome em minha cabeça: Torre di Nerone!

    Quanto ao desempenho da DIE…era uma gota no oceano e mesmo assim acho que superou as expectativas! Se compararmos com outra unidades norte-americanas no mesmo front, como a 92ª, por exe, a FEB foi excelente. Com todas as adversidades cumprimos todas as missões recebidas, mostramos espirito aguerrido e até mesmo boas manobras (como o cerco da 148 DI, em Fornovo). Houve eventos desconcertantes, sim, é verdade (como os reveses do Castello ou o caso dos “laurindos” que deixaram a posição…nao lembro bem onde e se foi gente do 1RI), mas apenas quem está no front passa por isso e mesmo assim insisto que o desempenho da DIE foi acima do esperado. Se (aqui entra a história contrafactual) Vargas nao se preocupasse tanto com o uso político da FEB, eles teria ficado na Itália como tropa de ocupação por mais tempo, pois a imagem deixada lá foi muito boa, especialmente entre os civis e com o Mark Clark.

  57. Valeu Luciano, concordo com o que disse. A dissertação está disponível no site do PPGH da UFRRJ. Só baixar lá. Não repare a escrita truncada, bem contida por conta das normas acadêmicas. E os erros que ainda se apresentam no PDF.
    Logo logo iniciarei uma revisão boa e preparação pra publicação. Eu acho que você vai gostar do primeiro capítulo. Você disse estar priorizando estudar as reformas das décadas anteriores, e no primeiro capítulo eu apresento a “visão dos estabelecidos”, mais institucional, dialoga bastante com bibliografias recentes sobre reformas militares e com a antropologia dos militares.
    O site do PPGH vive caindo, qualquer coisa me dá seu email que te envio. Obrigado pelo interesse. E espero que goste das citações que fiz de trabalhos seus. heheheheh

    Abç!

  58. Fred e Luciano,

    Lacraram ! Fechado para comentários…
    Brincadeiras à parte, pergunto por curiosidade: Alguma vez percorreram a área de ação da FEB na Itália?

  59. É certo que Vargas sofreu pressão popular para declarar guerra a Alemanha, apesar de sabermos muito bem como funciona alguma coisa “popular” nesse país….
    Mas Vargas TAMBÉM viu na guerra uma excelente oportunidade de negociar apoio com os americanos, que construíram bases aéreas em Natal, Recife e Fortaleza. Após a guerra, essas 3 bases foram devidamente aproveitadas pela FAB.
    Mas Vargas também negociou com Roosevelt a instalação de Volta Redonda a preço de banana, bem como tratados de livre comércio que tornaram produtos brasileiros (açucar, café, frutas, carnes, etc) praticamente isentos de taxações, sem falar na exportação maciça de borracha.
    Todas essas medidas salvaram as combalidas contas públicas e garantiram muito dinheiro ao regime varguista,incluindo seus capangas no Nordeste brasileiro, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
    A FEB, verdade seja dita, desempenhou papel meramente marginal e acessório nos campos de batalha. Agiu como força auxiliar e estoque de reserva.
    O Comando Militar americano nunca solicitou ajuda ao Brasil, pois o exército brasileiro mal possuia armamento, capacitação e treinamento para uma guerra na Europa. Nem fardamento adequado a tropa possuía. O que houve foi um “acerto” entre Vargas e Roosevelt, um “faz-de-conta” entre duas raposas com objetivos essencialmente políticos.
    Não vamos desmerecer o valor e a bravura dos brasileiros que lutaram uma guerra que nunca foi sua e até mesmo morreram. Mas apenas desempenharam um papel político de pouco alcance, com pouca relevância militar.
    Lamenta-se apenas pelos jovens que morreram numa guerra já praticamente encerrada. Alemães e italianos já sabiam que o fim estava próximo.

    • Dr. Mundico, no geral você está correto, mas é preciso se atentar um pouco mais à cronologia dos fatos.

      A maioria dos acordos entre Brasil e EUA (envolvendo bases, equipamento militar, siderúrgica etc) foi paulatinamente negociada e firmada entre 1940 e 1941, antes do Brasil entrar na guerra, e muito antes do Eixo estar na defensiva.

      Alguns acordos foram negociados justamente no auge das vitórias alemãs, e boa parte deles entre o ataque japonês a Pearl Harbor (dezembro de 1941) e os ataques de submarinos alemães (meados de 1942) que acabaram levando o Brasil à guerra, quando a Alemanha ainda estava mantendo a postura ofensiva.

      Só para ajudar a dar um pouco mais de contexto aos leitores que estão acompanhando esta ótima discussão, e evitar que interpretem erradamente seu comentário.

  60. Realmente, Vargas foi negociando apoio a “conta-gotas” e manteve neutralidade até esgotar o último cartucho. Vargas conseguiu manter distância entre EUA e Alemanha e procurou “comer” dos 2 lados. Sem falar que membros do seu governo apoiavam publicamente os nazistas, como os generais Dutra e Góis Monteiro.
    Em outras palavras, Vargas ficou em cima do muro e procurou valorizar o passe até o último minuto.

  61. Um ótimo livro sobre a diplomacia brasileira no período, é “Aliança Brasil – Estados Unidos” do historiador estadunidense Frank D Mccan. Ótima leitura. Mccan é um dos historiadores “brasilianistas”, durante o regime militar. Quando fez a pesquisa, teve acesso garantido a fontes até então inéditas no Brasil, via governo dos EUA. É um livro antigo, mas ainda é uma boa referência.

  62. Parte do comentário de CWB:
    “Um amigo da reserva comentou que Getulio Vargas viu certo perigo nas ideias que os militares que serviram com os aliados trariam para o país,tipo democracia e liberdades que não conhecíamos.”
    O que poderiam ensinar os aliados, sobretudo os americanos, sobre “liberdades”? Todos, repito, todos, os países aliados na Segunda Guerra não foram de forma alguma exemplo de Liberdade antes da guerra. A França foi uma grande invasora e exploradora de países africanos; a Inglaterra, além de ser uma grande comerciante de escravos africanos, continuou por muito tempo explorando países africanos dando origem a grande vergonha do Apartheid; a URSS matou grande parte da população da Ucrânia e matou o próprio povo russo, seja de fome, de escravização ou a tiros mesmo; e os E. Unidos que exemplo poderiam dar de Liberdade antes da guerra? De que os negros tinham que sentar no banco de trás do ônibus, ou que mulheres negras grávidas tinham de dar lugar aos homens brancos? Ou de liberdade que deram aos índios americanos, com todas as tribos dizimadas e encurraladas em pequenas reservas com terras fracas ou estéreis? E agora esses mesmos vêm querer dar pitaco sobre nossos índios, até parece. Sei bem o interesse deles.
    Getúlio sabia bem que se envolvesse o Brasil com tudo no conflito a reconstrução de países latinos não seria como foi para os países europeus e seria muito inferior, inclusive, a ajuda ao grande adversário Japão.
    Antes de se falar em Getúlio tem que se avaliar, bem realisticamente, o Brasil antes e depois dele e aí se tirar as próprias conclusões.

  63. EUA e Inglaterra, tinham muito a ensinar, e através do convívio, os pracinhas brasileiros aprenderam bastante sobre democracia, e liberdades / garantias / direitos constitucionais. Que não existiam no Estado Novo. Basta ler o tom dos jornais feitos pelos soldados, principalmente o “E a Cobra Fumou” que escancara o tempo todo que eles lutam contra o fascismo pela democracia. Inclusive na lida cotidiana, o relaxamento das regras disciplinares durante a campanha, no tocante aos rigores de continência, por exemplo, são parte dessa influência “democratizante”. Praças, imitando os moldes estadunidenses, deixaram de prestar continência aos oficiais quando estavam de folga, em viagens ou momentos de lazer. Inclusive passaram a frequentar os mesmos restaurantes e bares que os oficiais, algo que no Brasil era quase impossível. O jornal já citado, estampava no seu cabeçalho a frase “Não censurado pelo DIP”, e de fato, não era censurado por ser um jornal de trincheira impresso na Itália. Fica claro no texto que há orgulho disso. Fica claro no texto que as notícias sobre política do Brasil começaram a circular no jornal antes mesmo da decisão de Getúlio de realizar eleições. Houve aprendizado sim, no que se refere à busca por exercício da cidadania e restauração das liberdades e garantias constitucionais.

  64. As mazelas de EUA e países europeus tem de a ver com sua história o que não impediu sua evolução. Escravidão sempre houve e mesmo na África, quando o europeu chegou já escravizavam e traficavam a séculos, inclusive europeus da penísula ibérica, e tais dilemas e conflitos ao menos ajudaram a moldar essas nações. É assim que as coisas são e comparar países onde havia mais liberade e democracia com ditaduras socialistas não dá. Essas ditaduras socialistas/comunistas em 70 anos mataram mais de 100 milhões de pessoas então é intrínseco a essa idologia que ainda mata muito até hoje. Com Getúlio Vargas a promiscuidade é grande pois até LC Prestes de aliou a ele, durante anos a esquerda o detestou (menos Brizola) mas no poder o próprio 9 dedos o elogiou e imitou sua lambuzada com petróleo. Enquanto EUA e Europa valorizaram essas lutas, não tinham o probelma atual com o islã radical mas hoje há a colaboração da esquerda para incutir nas cabeças mais jovens um complexo de culpa por essas guerras e passam a aceitar certas interferências que estão detonando valores fundamentais. A FEB fez de fato uma bela campanha sim e deveria ter sido mais difundida mas não se esqueçam que MEC, pedagogia no Brasil é dominada pela esquerda a muito tempo, desde a década de 1950, nas mãos de gente como Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Leonardo Boff e seus discípulos que com suas pedagogias de oprimidos, teologias de libertação e demais elocubrações que transformaram a educação brasileira nesse lixo que é hoje e aí sim, erro dos militares que não deveriam ter permitido isso. Basta ver as as escolas militares com diferem em nível de educação pública.

  65. Antonio Morales 18 de Janeiro de 2018 at 18:46

    Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!rs Veja, Vargas poderia ser tudo, mas nao era tolo e nem de esquerda, aliás, ele nao era nem um Liberal. Ele sabia que a aproximação com os Aliados promoveria, nem q simbolicamente, motivo para protestos contra seu governo. O Manisfesto do Mineiros em 1943 foi um exemplo disso. Mesmo dentro do seus staff havia gente que admirava o liberalismo democrata e até mesmo dentro do seio das forças armadas.

    Fred, um dos exemplos de democracia no front era na hr da boia! O rancho em bandejas de aço inox chocou o “exército de caxias” acostumado aos refeitórios de praças e oficias separados, pois nas filas oficiais superiores inclusive se misturavam aos soldados.

  66. Outra coisa, Antonio, a nao difusão da história da FEB tem motivos maiores que o alinhamento político dos professores de história. Olhe as postagens anteriores que alguns desses motivos foram discutidos.

  67. Luciano 18 de Janeiro de 2018 at 22:20

    Vargas era um ditador, algo muito mais alinhado às esquerdas do que outra coisa. A mentalidade conservadora não apoia ditaduras apesar de muitos confundirem monarquia com ditadura o que não é verdade quando atuando como poder moderador.

    E Vargas sem dúvida foi o causador de não falarem tanto em FEB pois não lhe interessava pelos motivos também descritos acima. E a cultura do brasileiro não é muito chegada a museus como em países mais desenvolvidos, por isso o desinteresse por história principalmente sobre Guerras e qualquer outro assunto. Com odisseram acima, onde está a lei Rouanet para musesus militares particulares, enquanto sujeitos que ficaram ricos na MPB tem acesso à verbas milionárias? O pai de João Barone (baterista do Paralamas do Sucesso) foi combatente da FEB e ele mesmo disse que o pai praticamente nunca conversava sobre isso em casa o que leva a crer que era um tabu devido a essa perseguição por parte de Vargas e “varguistas”. Vi ex-combatentes em entrevistas dizendo que ficavam magoados em desfiles de 7 de setembro que pessoas diziam “o que esses velhos estão fazendo aí?!?!” em tom de deboche mesmo. Recentemente uma “presidenta” que cercou de tapumes um desfile de 7 de setembro. Resumindo, nossa história mostra que nós temos os governos e povo que merecemos mesmo, até que se consiga mudar essa mentalidade.

  68. Como Vargas era mais alinhado às esquerdas? Manteve o PCB na ilegalidade, caçou comunistas durante todo o governo. Não faz sentido. Não reconhecia nem a URSS e não tinha relações diplomáticas com eles até meados de 1945.

  69. Pois, a “caça as bruxas” feita depois da Intentona de 1935 prendeu e matou milhares de pessoas! Filinto Muller, chefe de policia de Vargas era um nazista convicto e colocou em prática uma brutal perseguição aos comunistas! Em 1945, houve um breve período de legalidade do PCB, muito mais fruto da conveniência do seu discurso anti-americano (que naquele momento via no nacionalismo populista de Vargas uma arma contra a influência do capital estadunidense ) do que por qualquer alinhamento ideológico concreto (vale ressaltar o intenso ativismo dos quadros do “partidão”). Logo em seguida Dutra (Ministro da Guerra do Estado Novo) colocou o PCB na ilegalidade novamente, suspendeu mandatos de parlamentares, fez censura, prendeu, etc. O governo Vargas e uma boa parte dos seus seguidores era populistas, mas nao eram de esquerda, muito menos comunistas.

  70. Havia comunistas na FEB, que lutaram como quaisquer outros soldados. Aliás, em muitos países (como França, Itália e Grécia, isso só pra ficar naqueles que nao estavam sob influência da URSS) de ocupação nazista, a resistência foi feita, entre outros, por guerrilheiros comunistas.

  71. Fred 19 de Janeiro de 2018 at 10:16

    Na Esquerda não há somente comunistas. Digo que a mentalidade autoritária é alinhada às esquerdas e não a valores conservadores, liberais então não é coincidência que nossos políticos e partidos tenham simpatia por GV mesmo porquê, não temos partido conservador no Brasil.

    Pesquise direito e verá que o nazismo é de esquerda, a simpatia do partido democrata americano pelo partido nazista e Hitler no ínício de sua carreira política não pertenceu ao partido socialista alemão que não o quis. Aliás, o que siginfica a sigla do partido nazista não é mesmo? Lênim, Stalin e Trotski se odiavam e não comungavam das mesmas idéias mesmo que todos fariam do mesmo no final das contas.

    Então o fato de perseguirem comunistas, não o faz um “capitalista” mesmo porque, capitalismo não é forma de governo, é apenas um arranjo comercial/produtivo e não um antagonista do socialismo/comunismo, uma idiotice proparada por Karl Marx. A maior prova disso é a China.

  72. “Somos socialistas porque vemos no socialismo, que é a união de todos os cidadãos, a única chance de manter nossa herança racial e recuperar nossa liberdade política e renovar nosso Estado Alemão.

    Socialismo é a doutrina da libertação da classe trabalhadora. Promove a ascenção da quarta classe e sua incorporação no organismo político da nossa pátria, e é extrinsicamente ligada à quebra da escravidão do presente e a recuperação da liberdade Alemã. Socialismo então não é somente uma questão da classe oprimida, mas de todos, pois libertar o povo alemão da escravidão é o objetivo da política contemporânea. Socialismo ganha sua verdadeira forma apenas numa irmandade total de combate com energias progressistas de um nacionalismo esclarecido. Sem nacionalismo ele não é nada, um fantasma, uma mera teoria, um castelo sem alicerce, um livro. Com ele, ele é tudo, o futuro e a pátria! … ” Trecho de um texto de autoria de Joseph Goebbels (Ministro da Propaganda da Alemanha Nazista) originalmente publicado no jornal Der Angriff em 1928.

  73. Getúlio e o nazismo são de esquerda, então acrescenta que eu sou ET nesse mundo de fantasia acima descrito. Tolkien ficaria com inveja dessa criatividade.

  74. Fred 19 de Janeiro de 2018 at 16:09

    Criatividade? Não tem criativade alguma, é conhecimento mesmo. Se acredita no “Esquerda boazinha X direita malvadinha” que a esquerda usou para lavar cérebros no Brasil …

    Leu o que disse Goebbels? procure o texto completo, fácil de econtrar na internet. E o Partido Nacional Socialista Alemão não tem nada a ver com o discurso e as práticas onde via Estado controlavam tudo no aspecto social da Alemanha, intervindo em tudo?

    E ainda teimam em querer saber mais sobre nazismo e socialismo do que os próprios nazistas?

    precisa estudar mais, sem os livros do MEC ….

  75. Desculpa, Antonio, mas parece que quem tá mesmo precisando ler é vc. Nazismo ser de esquerda é de um absurdo tão grande que parece algo encontrado nos livros do MEC que vc tanto esculhamba ( e que sou capaz de apostar que vc também nao conhece, pois a maioria absoluta são feitos por profissionais sérios, muito longe dos doutrinadores comunistas que vc pensa que são).

    Acho melhor manter o papo na história da FEB (que, só pra esclarecer, os livros que citamos aqui nao são do MEC). Isso de “direita x esquerda” aqui caminha quase sempre pra muito preconceito, desconhecimento e ofensa gratuita, virando o de sempre: briga de torcida!

    PS: Fred, Tolkien é tudo de bom!

  76. Voltando ao assunto

    Conforme colune do jornalista de hoje Claudio Humberto, dia 25 de abril está marcado o Festival “Entre amigos-Brasil e Itália “ em Pistoia, em homenagem a FEB
    O título da coluna é “Eles lembraram”
    Saudações

  77. Luciano 19 de Janeiro de 2018 at 22:42

    Sinceramente Luciano, leu o artigo escrito pelo próprio Goebbels? Se leu e continua dizendo o que diz, o seu caso é mais grave.

    E não precisa ir longe, veja o Maduro na Venezuela como se assemelha a Stalin, Perón, Vargas e como nossa esquerda como tudo o que ocorre lá, vive babando nos seus ovos e se omitem quanto às notícias sobre falta de comida, remédios até papel higiênico …

  78. E ainda sobre o nossa esquerda e FEB, o sr. 9 dedos esteve algumas vezes na Itália e NUNCA visitou o cemitério dos pracinhas, os locais onde a FEB combateu e mesmo assim conseguiu que sua falecida esposa obtivesse cidadania italiana.

    Deve ter feito assim para não ofender seu partido e a memória de GV ….

  79. Gil U,
    Mas a FEB atuou na conquista de Monte Cassino?

    Nao.
    Os soldados do Brasil lutaram em onte Castello que fica 405 kms mais ao norte

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