Ucrânia continua a usar velhos obuses 2A36 Giatsint-B

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Segundo a maioria dos relatos, o 2A36 Giatsint-B não é uma arma moderna. Este obus rebocado de 152 mm foi desenvolvido pela União Soviética e está em serviço desde 1975. No entanto, apesar da generosa ajuda militar Ocidental, a Ucrânia ainda está usando os sistemas Giatsint-B e não planeja retirá-los tão cedo.

O 2A36 Giatsint-B foi projetado em 1968-1975 numa era completamente diferente. No entanto, os sistemas de artilharia não envelhecem muito rapidamente. O M777 americano está em serviço desde 2005 e é um dos sistemas de artilharia rebocada mais avançados disponíveis.

A Ucrânia tem centenas de obuses M777, mas peças de artilharia como o Giatsint-B não serão desativadas tão cedo. Por que?

Porque a Ucrânia tem muitos deles. A produção de Giatsint-B foi interrompida em 1989, mas os soviéticos produziram o suficiente para a Rússia, Armênia, Azerbaijão, Bielo-Rússia, Finlândia (152 K 89), Geórgia, Moldávia, Iraque, Ucrânia e vários outros países.

O Giatsint-B usa munição padrão soviética/russa de 152 mm, que a Ucrânia possui em grande quantidade. Na verdade, os sistemas Giatsint-B são usados ​​​​no leste da Ucrânia desde 2014. Os soldados ucranianos também levam muita munição russa de 152 mm, que podem devolver por meio de armas como o 2A36 Giatsint-B.

O 2A36 Giatsint-B pesa quase 10 toneladas e tem quase 13 metros de comprimento em combate (dobra um pouco mais curto para transporte). Normalmente é servido por uma tripulação de 8 pessoas. Dependendo da munição utilizada, o alcance máximo do Giatsint-B é de 30 a 40 km e pode disparar até 6 tiros por minuto.

Nenhuma dessas estatísticas é tão impressionante. Não seria errado afirmar que o Giatsint-B simplesmente não é tão bom quanto algumas outras peças de artilharia rebocadas. No entanto, o melhor obus é aquele que você tem e pode operar.

A Ucrânia está em uma situação única – pode comparar armas ocidentais e russas em combate lado a lado. Recentemente, a mídia ucraniana „ArmyInform“ conversou com um membro da tripulação de um Giatsint-B.

Yevgeny, um dos soldados ucranianos que trabalha com o sistema Giatsint-B, falou sobre isso e comparou-o a um M777 muito melhor – “Nosso Giatsint não é uma arma nova, mas é muito eficaz. Claro, o M777 é mais conveniente e mais leve, mas, na minha opinião, não importa qual projétil destruirá os russos – 152 mm ou 155 mm . O principal é que o inimigo seja destruído, e fazemos isso o tempo todo”.

A Ucrânia continuará a precisar de novas armas avançadas. No entanto, não podemos esquecer que muitos sistemas de artilharia e equipamentos pesados ​​usados ​​pelas Forças Armadas da Ucrânia já estavam no país. Eles enfrentaram a invasão russa com forte resistência, fornecida por forças fortemente armadas.

No entanto, no futuro, quando a Ucrânia estabelecer laços ainda mais estreitos com a OTAN, é provável que a artilharia de 155 mm se torne o padrão absoluto e sistemas como o 2A36 Giatsint-B sejam relegados a reservas e museus.

FONTE: Technology.org

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RDX
RDX
11 meses atrás

Nenhum obuseiro com 30 km de alcance pode ser considerado obsoleto.
Aliás, poucos obuseiros possuem esse alcance disparando munição convencional. O autor esqueceu de dizer que o moderno M777 possui 21 km de alcance (usando a tradicional munição M107).

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
11 meses atrás

Bom, velharia por velharia, o EB ainda usa o M-114.
Se ainda tem serventia, então é o que realmente importa.

Ivan
Ivan
Reply to  Willber Rodrigues
11 meses atrás

Acredito que a “velharia” comparável ao venerável 2A36 Giatsint-B seria o também respeitável M198. norte-americano, que o EB andou pensando em adquirir dos estoques ianques (uma boa aquisição).
.
São contemporâneos e apresentam características semelhantes, notadamente dimensões e peso.
.
Forte abraço,
Ivan, o Antigo.

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
Reply to  Ivan
11 meses atrás

O que realmente importa, e a matéria não cita, é o bom uso que os ucranianos fazem de seus drones pra aquisição de alvos em tempo real pra sua artilharia.
É esse o tipo de coisa que pode fazer até um M-114 ou Giansit-B ter MUITA serventia ainda.

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
Reply to  Ivan
11 meses atrás

Aliás…eu lembro das matérias sobre o interesse do EB no M-198. Tinha até matérias dando como certa que o EB ia adquirí-los.
O que deu nessa história?

Underground
Underground
Reply to  Willber Rodrigues
11 meses atrás

Por certo, nessas alturas, não estão mais disponíveis. Pessoal ainda não se deu conta, mas o Mundo está em guerra. EUA, Canadá, Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Suécia, Polônia, Austrália, Coreia do Sul, entre outros, mesmo que a conta gotas, estão enviando armas para a Ucrânia.

Ivan
Ivan
11 meses atrás

Uma comparação básica. . 2A36 Giatsint-B. Especificações Massa: 9.760 kg (21.520 libras); Comprimento para Transporte: 12,92 m (42 pés 5 pol.); Comprimento para Combate: 12,30 m (40 pés 4 pol.); Comprimento do cano: 7,562 m (24 pés 9,7 pol) L/49,6 ou 8,197 m (26 pés 10,7 pol) L/53,8 (com freio de boca); Largura: 2,34 m (7 pés 8 pol.); Altura para Transporte: 2,76 m (9 pés 1 pol.); Equipe: 8 Calibre: 152,4 mm (6 pol.) Elevação: -2° a +57°; Transversal: -25° a +25°; taxa de tiro: 6 voltas disparos por minuto; Velocidade inicial: 560–945 m/s (1.837–3.100 pés/s); Alcance de tiro efetivo: (OFS):… Read more »

C G
C G
Reply to  Ivan
11 meses atrás

Uma informação importante é o CEP, M777 com municao normal é 50m a 25 km, já a excalibur tem CEP de ridículos 2 metros, da quase para escolher uma porta para entrar o projétil!
Tive dificuldade em achar uma fonte clara do 2A36, li em um Twitter CEP de 250 metros com munição comum, acho muito até mesmo para um equipamento antigo e não confio nessa informação, existe uma municao de precisão com 20km de alcance chamada Krasnopol mas isso deve ser mais raro que mosca branca!

IvanF
IvanF
Reply to  C G
11 meses atrás

Isso é bem importante!
Disparar muitos projéteis e a grandes distâncias é bem importante, mas ter uma precisão maior também é, e talvez até mais importante. Fora a mobilidade.

Pensando aqui, 50m já é bastante coisa, 250m então, seria um chute dado com má vontade kkkk. Mas aí entra a questão da quantidade e alcance. Se vc não faz questão de acertar um russo em particular, chuva de artilharia neles!

Marcos R
Marcos R
Reply to  IvanF
11 meses atrás

Vale disparar e dispor de munição, na atual conjuntura o restante é lucro.

NEMO revoltado
NEMO revoltado
11 meses atrás

Bom dia a todos.

Aproveitando o assunto; como esta a substituição da artilharia de 105mm e de 155mm pelo EB?

Algo concreto?

Henrique A
Henrique A
Reply to  NEMO revoltado
11 meses atrás

Tudo na mesma, até a aquisição dos velhos M198 ficou sem efeito. Vamos pra 2030 com peças de artilharia de 1941.

Neural
Neural
Reply to  Henrique A
11 meses atrás

Usaram o dinheiro pra comprar o Guarani bombado. Teria sido uma excelente aquisição o M-198.

Esse M-777 dizem que o cano dura muito poucos tiros, pois é feito de um liga especial de titânio mais leve. Enquanto as artilharia mais antiga usa o velho, bom e confiável aço carbono forjado.

NEMOrevoltado
NEMOrevoltado
Reply to  Henrique A
11 meses atrás

Obrigado

Henrique A
Henrique A
Reply to  NEMOrevoltado
11 meses atrás

De nada.

Nativo
Nativo
Reply to  Henrique A
11 meses atrás

Que lástima! Ainda mais que poderíamos pelo menos, produzir este tipo de armamento, em boas quantidades.

sub urbano
sub urbano
11 meses atrás

A Ucrânia tem q elogiar seus novos amigos, faz parte do jogo. Mas todo mundo sabe q qm tá segurando o piano mesmo são os velhos armamentos de fabricaçao soviética. Em tempo, Mariupol está sendo usada como Polo logístico nos últimos dias. A Rússia tbm já faz um tempo q não lança uma grande operação com mísseis e drones Acho q vem uma nova ofensiva por aí

Danilo Moura
Danilo Moura
Reply to  sub urbano
11 meses atrás

EDITADO

2 – Mantenha o respeito: não provoque e não ataque outros comentaristas, nem o site ou seus editores;

LEIA AS REGRAS PARA COMENTÁRIOS
https://www.forte.jor.br/home/regras-de-conduta-para-comentarios/

Last edited 11 meses atrás by Guilherme Poggio
Thiago
Thiago
Reply to  Danilo Moura
11 meses atrás

EDITADO

2 – Mantenha o respeito: não provoque e não ataque outros comentaristas, nem o site ou seus editores;

LEIA AS REGRAS PARA COMENTÁRIOS
https://www.forte.jor.br/home/regras-de-conduta-para-comentarios/

Last edited 11 meses atrás by Guilherme Poggio
Marcelo
Marcelo
11 meses atrás

Ter a mão um grande número de peças de artilharia, mesmo os antigos obuses 2A36 Giantsin-B soviéticos, com equipes de combatentes já treinadas para dispar com eficiência, bem como grande estoque de projéteis e de canos para substituição, é bastante útil em um conflito militar de atrito intenso. Os ucranianos aumentam muito a taxa de morte por acerto usando a consciência de campo de batalha aumentada pelo uso de drones de reconhecimento. Melhor um pássaro na mão do que dois voando. E falando em pássaros, a Força Aérea Ucraniana já esta empregando bombas guiadas de precisão de alcance estendido de… Read more »

Last edited 11 meses atrás by Marcelo
Humilde Observador
Humilde Observador
11 meses atrás

Luta-se pela sobrevivência com o que se tem, tudo é válido para continuar existindo, e se pode ser útil, por que não usá-lo para defender-se?

gari
gari
11 meses atrás

Eu acho o projeto interessante, embora obviamente antigo e desatualizado. Uma sugestão seria produzir algo no estilo, um obuseiro sobre uma carretinha com sistemas elétricos para agilizar a entrada em posição e a pontaria. Seria um passo para montar em um caminhão e fazer a versão autopropulsada. Não prego o fim dos rebocados como muita gente, mas que eles precisam acompanhar a evolução e aumentar a automatização, precisam. Muito mais baratos de preservar e manter em grandes quantidades, em tempos de paz, liberam os caminhões para usos melhores e mantêm uma disponibilidade desassociada do rebocador.

M4l4v|t4
M4l4v|t4
11 meses atrás

Esse obus soviético continuará tendo o seu valor no campo de batalha por mais uns 50 anos ou mais.
Nos anos 70 os soviéticos estavam muito bem servidos de artilharia, em todos os aspectos. Era uma artilharia superior em equipamento.