Explosão na Crimeia teria destruído mísseis de cruzeiro russos Kalibr. O Kremlin nega

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Uma explosão no norte da Crimeia anexada  destruiu mísseis russos que eram transportados por ferrovia, disse o Ministério da Defesa da Ucrânia. O chefe da cidade de Dzhankoi disse que a área foi atacada por drones. A Ucrânia anunciou as explosões, mas, como é normal, não disse explicitamente que estava por trás do ataque. Se confirmado, seria uma incursão rara dos militares da Ucrânia na Crimeia, anexada desde 2014.

A Rússia já sofreu ataques na Crimeia antes, mas, na maioria dos casos, a responsabilidade não foi reconhecida pela Ucrânia ou atribuída a algum tipo de sabotagem partidária. Este ataque, se confirmado, sugere que a capacidade da força aérea ucraniana para implantar drones aumentou.

Até agora, a Crimeia parecia em grande parte fora do alcance dos mísseis ucranianos. Mas este ataque indica que pelo menos um drone pode chegar mais fundo atrás das linhas russas do que se pensava anteriormente.

As explosões “misteriosas” destruíram mísseis de cruzeiro russos Kalibr-NK, destinados ao uso pela frota russa do Mar Negro, disse a inteligência de defesa ucraniana. Os mísseis Kailbr têm sido amplamente utilizados em ataques a cidades e infraestruturas ucranianas nos últimos meses.

Um relato não confirmado de um morador citado na TV ucraniana falou de “booms” que duraram 30 minutos, deixando parte de Dzhankoi sem eletricidade. As explosões “continuam o processo de desmilitarização da Rússia e preparam a península ucraniana da Crimeia para a desocupação”, disse o Ministério da Defesa.

Dzhankoi tem sido usado pelas forças russas como um centro ferroviário entre a Crimeia e outras áreas da Ucrânia ocupada. Reportagens da TV russa disseram que o ataque de terça-feira não causou nenhum dano à infraestrutura ferroviária.

A autoridade investigativa da Rússia disse que um prédio residencial e uma loja foram danificados, de acordo com as descobertas iniciais. Todos os alvos eram civis, afirmou.

Ihor Ivin, o administrador instalado pela Rússia, disse que um homem de 33 anos foi levado ao hospital para tratamento de um ferimento causado por estilhaços de um drone abatido. Ele não mencionou nenhum alvo militar danificado.

Vários prédios pegaram fogo e a rede elétrica foi danificada, disse Ivin segundo a mídia local. Outro funcionário nomeado pela Rússia disse que um drone foi atingido sobre uma escola técnica, entre uma área de instrução e uma residência estudantil.

O principal funcionário da Rússia na Crimeia ocupada, Sergei Aksyonov, disse que as defesas aéreas perto de Dzhankoi foram ativadas e que a situação está sob controle. Ele pediu aos moradores que não prestem atenção às “falsificações disseminadas pela propaganda ucraniana”.

Em agosto passado, um depósito de munição foi alvejado perto de Dzhankoi. Semanas depois, a Rússia culpou a Ucrânia por realizar um ataque de drones à Frota do Mar Negro na cidade portuária de Sebastopol, na Crimeia, no qual um navio de guerra foi danificado.

Este último ataque sugere que Kiev está determinada a continuar atacando as cadeias de suprimentos das forças russas, visando em particular seu estoque de mísseis, bem como as rotas pelas quais eles podem ser transportados para o sul da Ucrânia ocupada via Crimeia.

Falando na TV ucraniana, a porta-voz militar Natalia Humeniuk lembrou aos telespectadores que Dzhankoi era uma estação central para a força de ocupação e que, desde o início da invasão em grande escala dos russos, ficou claro que derrotar sua logística desempenharia um papel importante no futuro status da Crimeia.

Kiev também tem um incentivo político para manter a Crimeia nas notícias: um lembrete de que seu objetivo atual não é apenas expulsar as forças russas das áreas capturadas desde fevereiro do ano passado, mas também da península do Mar Negro anexada ilegalmente em 2014.

Em um desenvolvimento separado, as autoridades no sul da Rússia acusaram as forças ucranianas de usar um drone para atingir uma estação de bombeamento em um oleoduto ao norte da fronteira ucraniana. O governador da região de Bryansk disse que não houve vítimas.

FONTE: BBC