Rodolfo Laterza [1]

Ricardo Cabral [2]

1 – Introdução

Segundo estudo realizado pelo RUSI e Michael Kofman do think tank “War on the rocks “, o Battalion Tactical Group (BTG) não é uma novidade no pensamento militar russo. Durante a Guerra Civil Russa (1917–1923), os soviéticos criaram grupos de ataque, destacamentos avançados, unidades de retaguarda, guardas avançados e outros tipos de unidades móveis compostas por cavalaria hipomóvel, destacamentos de metralhadoras montados em carroças puxadas por cavalos, artilharia puxada por cavalos, tanques ou carros blindados ocasionais. O conceito geral da estrutura organizacional e operacional estava em uma série de elementos: velocidade, manobra, concentração de fogos e tropas, além da interação das diversas unidades para alcançar um poder de combate combinado maior do que as partes componentes.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os soviéticos lutaram com unidades separadas de infantaria, blindados e artilharia que apenas ocasionalmente lutavam como unidades de armas combinadas, geralmente eram integradas pouco antes da batalha e a coordenação era regular. Os soviéticos, sempre que possível, lutavam com a artilharia mais próxima. Os batalhões de infantaria eram dotados de pelotões de morteiro, canhões de tiro direto e fuzis antitanque.

Ainda segundo esse estudo, durante a Guerra Fria, os soviéticos perceberam que as unidades de armas combinadas eram mais eficazes do que as unidades integradas, ou seja, um regimento que era reforçado por elementos blindados, artilharia, engenharia e comunicações pouco antes da luta, muito parecido com as forças-tarefa norte-americanas.

Havia dificuldades para integrá-las em uma unidade de armas combinadas, dificuldades no treinamento, no comando e controle durante os exercícios e operações; além disso, as táticas precisavam ser refinadas e integradas de modo a formar um todo coerente a fim de explorar as potencialidades que aquele tipo de formação poderia oferecer. As unidades em reforço ocuparam suas próprias instalações e só se reuniam no momento da ação. Blindados, veículos de transporte de pessoal e artilharia exigiam diferentes serviços logísticos.

Os sistemas de armas, normalmente nucleados em um regimento ou batalhão de infantaria com unidades recebidas em reforço, tinham diferentes alcances e táticas de combate que precisavam ser integradas e coordenadas. Atingir um certo grau de proficiência na integração das unidades em reforço com a unidade “líder” ou “núcleo” era necessário antes de reunir diferentes soldados e equipamentos de cada ramo em exercícios ou combate.

O Exército Soviético (como todos os exércitos) treinou especialistas em cada ramo, mas quando fez exercícios de campo, lutou com unidades de armas combinadas. Os resultados nem sempre foram inspiradores. Os comandantes lutaram para integrar suas diversas unidade de armas/ramos singulares (infantaria, blindados, artilharia, engenharia e comunicações). Os analistas soviéticos observaram que as unidades que treinavam juntas de forma regular apresentavam um desempenho melhor.

Com o tempo, as divisões e regimentos soviéticos tornaram-se bastante proficientes no combate de armas combinadas. No entanto, a natureza do campo de batalha estava se transformando. Os modernos sistemas de armas forçaram as unidades a se dispersarem para sobreviver. O campo de batalha era fragmentado, com lacunas entre as unidades, flancos abertos e combate não apenas na linha de frente, mas em todo o campo de batalha.

Aliás, o próprio conceito da linha de frente estava em questão. Assim, para os analistas soviéticos, tornou-se óbvio que o batalhão era o principal componente da guerra do presente e do futuro próximo e os batalhões tinham que combater com armas combinadas para vencer. O problema era como combinar os diversas armas/ramos singulares em batalhões e lutar de forma eficaz. Qual era a combinação ideal de blindados, infantaria motorizada/mecanizada, artilharia, engenharia, comunicações, defesa aérea e com outras armas que se fizessem necessários? Como eles poderiam ser treinados simultânea e efetivamente em habilidades de armas combinadas?

Ao longo da Guerra Fria, os soviéticos tentaram diferentes combinações de ramos singular em reforço para criar o Batalhão de Armas Combinadas ideal, ou Grupo Tático de Batalhão. Tinha que ser letal, mas não muito grande, capaz de agir independentemente por um período de dias, ter mobilidade e capaz de lutar de armas combinadas de forma eficaz. Da década de 1960 até o final da década de 1980, o Batalhão de Fuzileiros Motorizados Soviético e o Batalhão de Tanques passaram por várias mudanças na Tabela de Organização e Equipamento (TO&E) para tentar melhorar a letalidade de suas armas combinadas. No mesmo período, realizaram centenas de exercícios utilizando diferentes proporções de MBTs, infantaria motorizada, defesa aérea, engenheiros e forças de apoio ao combate, buscando a solução ideal. Claramente, os soviéticos estavam tentando determinar a estrutura ideal de TO&E, treinamento e emprego de BTGs.

Após o colapso da URSS, o ímpeto para desenvolver o BTG foi fortalecido pela experiência da Rússia durante as campanhas do Afeganistão, da Chechênia, ações contraterroristas e contrainsurgência. Nesse período, os regimentos de manobra do 58º Exército de Armas Combinadas formaram BTGs baseados em batalhões de rifles (infantaria) motorizados reforçados com tanques; artilharia; defesa aérea; reconhecimento; engenharia; defesa química, biológica, radiológica e nuclear; comunicações; manutenção e unidades logísticas. Esses BTGs estavam 100% equipados e tripulados, principalmente com pessoal profissional (contratado) e estavam em um ciclo de prontidão de seis meses até que seu pessoal fosse transferido. Muitas características do BTG de hoje podem ser atribuídas diretamente a esse período.

2 – A reforma de 2008

Em 2008, Anatoly Serduykov, Ministro da Defesa da Federação Russa, promoveu uma reforma militar com transformações estruturais nas Forças Armadas da Federação Russas, dentre as quais a mudança organizacional de unidades de combate em grupos táticos de batalhão (BTGs).

O BTG é a principal unidade tática modular do Exército russo. Os BTGs se tornaram a principal unidade de manobra russa, substituindo as estruturas organizacionais baseadas em divisões e corpos de exército outrora existentes e que compunham a espinha dorsal do Exército Vermelho na antiga União Soviética.

A reforma militar de 2008 enfatizou a economia de pessoal com redução significativa de quadros de oficiais e sargentos na constituição de formações de combate compactas no escalão de batalhão. Este novo tipo de unidade tática é dotada de uma variedade de sistemas de armas que lhe permite manter a superioridade de fogo, mobilidade e controle de área compatível com o escalão de um batalhão. O grupo tático de batalhão passou a ser a principal unidade tática do Exército Russo.

As operações baseadas em BTGs refletem mobilidade e manobrabilidade para conquista rápida dos objetivos, com forte conexão com unidades locais armadas e ações subversivas, como desinformação, guerra psicológica e assassinatos seletivos, por exemplo.

Portanto, em vez de divisões pesadas lentas em prontidão e mobilidade, a reforma de Serduykov priorizou a organização de BTGs e brigadas móveis em condições de pronto emprego. A brigada nesta estrutura organizacional pode ser composta por até dois BTGs. Esta estrutura organizacional passou a ser a principal unidade de manobra do Exército Russo e da Divisão Aerotransportada, alterando a ordem de batalha baseada em divisões que existiam desde a Segunda Guerra Mundial.

Nesta reforma militar, o número de cargos de oficial foi significativamente reduzido, de 350 mil para 150 mil oficiais de todas as patentes. O quadro de aspirantes e alferes foi extinto, sendo apontada está medida como uma das perdas mais significativas para a funcionalidade logística e de apoio ao combate do Exército Russo, pois os alferes não são apenas restritos a atuar em armazéns ou ranchos, mas englobam operadores de atividades essenciais como criptógrafos, operadores de vários sistemas complexos, armeiros e técnicos de variadas esferas de atuação. Neste contexto, vale frisar que eram os subtenentes e sargentos que compunham a espinha dorsal sobre a qual repousava a parte técnica do Exército e da Marinha russos.

Este estudo irá analisar as sérias limitações dessa estrutura organizacional, como por exemplo, a vulnerabilidade crítica da dependência de brigadas e BTGs em guerras prolongadas que exijam ocupação do terreno e controle de área. Na atual conjuntura, verificamos as limitações dessas unidades no teatro de operações da Ucrânia. Tal fato nos levou a questionar o porquê de a Federação Russa no teatro de operações da Ucrânia deter um alto grau de dependência de unidade paramilitares de Donetsk e Luhansk, unidades da Rosguardia, Batalhões de Voluntários e companhias militares privadas como a PMC Wagner.

3 – Concepção, modo de operação e limitações estruturais dos BTGs russos

Um Grupo Tático do Batalhão Russo é uma unidade de manobra de armas combinadas. O BTG tem uma estrutura modular flexível com base em um batalhão de infantaria mecanizado, de duas a quatro companhias de infantaria reforçadas com defesa aérea, artilharia, engenharia e unidades de apoio logístico. Normalmente, os BTGs tem uma companhia de tanques (em torno de 10 blindados), artilharia de foguetes (cada seção com até três peças) e baterias antiaéreas (cada seção com até três peças). Os BTGs podem receber em reforço outras peças de manobra como por exemplo um Grupo de Reconhecimento, Assalto e Sabotagem (Sabotage Assault Reconnaissance Group, DSRG).

O BTG se mostrou bem sucedido em operações limitadas na Ucrânia durante o conflito de Donbass em 2014-2015, mas falhou várias vezes em batalhas contra as Forças Armadas da Ucrânia na guerra originada em 24/02/2022, apesar de sua superioridade no apoio de artilharia, meios de guerra eletrônica e sistemas de defesa aérea.

Em um BTG russo típico, um batalhão de viaturas de combate de infantaria é composto por 3 companhias de fuzileiros mecanizadas, cada qual com 3 pelotões cada, com um pelotão englobando 30 combatentes. Cada pelotão tem 3 esquadrões, cada esquadrão se move e luta em um veículo de combate de infantaria (dependendo do tipo de brigada de infantaria motorizada, pode ser em um veículo blindado tipo BMD, BTR-82 ou BMP).

O batalhão recebe um pelotão de tanques (3 tanques) ou mesmo uma companhia de tanques (composta por 3 pelotões de tanques), uma bateria de morteiros, 1 ou 2 baterias de artilharia de divisões de artilharia de uma brigada (com 2 baterias de obuses autopropulsados ou 1 bateria de artilharia autopropulsada e 1 bateria de sistema múltiplo de lançamento de foguetes MLRS “Grad” ou “Smerch”). Além disso, um BTG russo possui várias unidades de reconhecimento: um pelotão de reconhecimento militar, um pelotão de inteligência eletrônica (RER), um pelotão de guerra eletrônica (EW), um grupamento operador de veículos aéreos não tripulados (UAVs). Resumindo, o BTG é uma pequena porção de uma brigada de infantaria mecanizada com muito poder de fogo. No total, um BTG russo pode ter de 500 a 700 soldados.

Na estrutura divisionária das Forças Armadas da URSS, as divisões eram divididas em unidades regimentos (2 regimentos de infantaria motorizada, 1 regimento de tanques, 1 regimento de artilharia e unidades de reconhecimento de todos os tipos e apoio). Então, ao invés de grupos táticos de batalhão, havia grupos táticos regimentais, que tinham um número efetivo maior e maiores capacidades para apoiar todos os tipos de operações militares, inclusive em estratégias de defesa e controle de territórios.

Na reforma militar implantada em 2008 decidiu-se rebaixar as divisões ao nível de brigadas e consequentemente houve uma redução significativa de efetivo.  Isso foi feito com o objetivo de melhorar a prontidão, a mobilidade e as capacidades de combate das formações militares russas.  Os reformadores ficaram tão empolgados com a redução do corpo de oficiais (de 355.000 para 142.000 entre 2008 e 2011), que também fecharam as matrículas em escolas militares nos anos de 2009 a 2012, de modo que em 2013 e 2014, em vez de brigadas de infantaria mecanizadas totalmente prontas para o combate, foram formados BTGs apenas com poucos oficiais e soldados treinados apenas para batalhões reforçados e sem condições operativas para guerras de longa duração e alta intensidade.

A tarefa tática dos BTGs russos é conquistar e controlar um determinado território antes das negociações de paz, a fim de contribuir para a estratégia diplomática. O comandante de um BTG típico derrota o inimigo com os meios disponíveis, quando as condições mais favoráveis se apresentam, sendo o fator tempo limitado, quanto à duração das hostilidades para o êxito da missão.

Tanto os BTGs russos quanto os Equipes de Combate de Brigada de Infantaria (Infantry Brigade Combat Teams, IBCTs, que inclui unidades leves, de assalto aéreo e aerotransportadas) são unidades para guerras de alta intensidade em teatros de operações restritos contra insurgentes ou com um adversário de igual capacidade. Para saber mais sobre As brigadas de Combate Modulares consultem https://historiamilitaremdebate.com.br/as-brigadas-de-combate-modulares-do-exercito-dos-estados-unidos/ .

Tais unidades são aptas para realizarem operações em cenários de guerra assimétrica, com o inimigo empregando formações não convencionais e com baixa capacidade de mobilização dos recursos produtivos nacionais e da sociedade. Através de um BTG russo ou até mesmo um IBCTs norte-americano, a chamada projeção de força acaba tendo que operar em conjunto com formações armadas locais irregulares ou autônomas, Nesse tipo de TO, há necessidade de se empregar operadores de forças especiais, unidades de inteligência militar e de operações psicológicas para ampliar a eficácia das operações. No caso de um conflito de alta intensidade e em larga escala com um inimigo com capacidades iguais ou superiores, as unidade de manobra baseadas em BTGs não tem capacidade de sustentar posições defensivas a longo prazo ou são insuficientes para o controle de área.

Como é problemático recompletar o pessoal e o equipamento de um BTG padrão em pouco tempo, isso deve ser levado em consideração antes do planejamento operacional de um ataque. Nesse sentido, na guerra da Ucrânia o comando dos grupos táticos de batalhão das Forças Armadas Russas acabaram usando massivamente formações irregulares pró-russas na zona de conflito para poupar seu pessoal e recursos. Uma das missões desempenhadas por esses destacamentos paramilitares locais foi proteger a área de desdobramento de um BTG, fazer reconhecimento e garantir a segurança de área, o que explica o uso de unidades da Rosguardia chechena.

Importante frisar que no contexto tático-operacional os veículos blindados russos empregados em ações de BTGs obtiveram vitórias contra as tropas ucranianas e os levaram a situações de impasse, mas raramente as levaram à derrota completa. As Forças Armadas da Ucrânia (FAU) têm um histórico bem-sucedido de confrontos contra os BTGs russos, extraindo importantes lições:

  1. Devido às limitações da própria estrutura organizacional da unidade de combate formatada em grupos táticos de batalhão, a insuficiência de soldados de infantaria e o pequeno número de unidades de choque acabam limitando a capacidade dos russos em proteger seus flancos quando empreendem ofensivas. Outra limitação verificada em diversas operações foi a dificuldade das unidades de artilharia disponíveis cobrir mais de uma direção de ataque ou concentrar o fogo em mais de um grupo de alvos.
  1. Os limitados sistemas de comunicação, comando e controle entre os comandantes dos BTGs empenhados tornou necessário concentrar sistemas de reconhecimento, artilharia e guerra eletrônica. Devido ao problema explicado no ponto 1, os fogos de artilharia e UAVs geralmente substituem o ataque de um pelotão/companhia de infantaria mecanizado por tanques dispersos no terreno que são dependentes do apoio de artilharia para realizar seus avanços. As forças de cobertura e reconhecimento ficam sobrecarregadas, estendendo o dispositivo e permitindo ao adversário contra-ataques a partir de múltiplas direções.
  1. O Exército Russo não tem capacidade de recompletar em tempo hábil as perdas dos BTGs, somente com a chegada de reforços de uma outra brigada de infantaria mecanizada no ponto de implantação permanente ou alguma formação de combate aliada, prejudicando a continuidade de operações ofensivas. Longas distâncias, recursos limitados das brigadas, diferença no treinamento de soldados contratados e conscritos – tudo isso obriga os comandantes de BTG a empenhar todo potencial de combate em ação decisiva contra uma força inimiga de valor igual ou superior – no caso da guerra da Ucrânia, as FAU juntamente com a Guarda Nacional detinham superioridade de efetivo em proporção seis vezes superior.

Embora alguns tipos de armas e equipamentos sejam superiores aos ucranianos (notadamente sistemas de artilharia), um BTG padrão não tem a capacidade de realizar simultaneamente ações de reconhecimento, ataques de artilharia e infantaria ao longo de todo o perímetro operacional que lhe foi atribuído. Vale ressaltar que uma IBCT norte-americana tem capacidades superiores em efetivos e poder de fogo. Além do apoio de fogo orgânico (artilharia autopropulsada), as IBCT contam com apoio de meios aéreos (helicópteros e UAVs) e baterias de mísseis orgânicos das divisões a que estão subordinadas, da aviação (naval e/ou baseada em terra) e de sistema de mísseis baseados em meios navais que lhes permitem atuar de forma descentralizada em várias direções ao mesmo tempo. Essas capacidades estão disponíveis de forma limitada para os BTGs, que na maior parte das operações contam com o apoio das unidades paramilitares locais, da Rosgvardia chechena ou da PMC Wagner.

Diante das limitações em efetivo e capacidade operacional, conforme acima analisado, uma tática comum para BTGs é atacar de uma zona protegida por aliados a fim de infligir o máximo de dano com o mínimo de perdas, a fim de conquistar terreno e estabelecer o controle de área. Com base nessa realidade, na ofensiva ucraniana de setembro no eixo de Kharkiv, foi perceptível verificar que os assentamentos adjacentes a Balakleya (onde se iniciou a bem sucedida ofensiva ucraniana) eram considerados “grey zones”, sem qualquer controle de unidades russas, postos de observação ou linhas defensivas.

Embora um comandante de um BTG padrão tenha à sua disposição muito apoio de uma brigada de fuzileiros mecanizados e de outros ramos das forças armadas, tal unidade conta apenas com com até quatro companhias de infantaria mecanizada. Esta circunstância aumenta o papel dos aliados na guerra da Ucrânia, constituídos por unidades paramilitares locais, de voluntários russos e mercenários, que estão desdobradas ao longo da linha de contato.

Os aliados pró-russos acabam sendo um elemento que proporciona um certo grau de liberdade de manobra para um BTG, libertando-o da necessidade de proteger suas formações na marcha para o combate. Neste contexto, nas operações ofensivas, um BTG avança por uma zona segura, tem a iniciativa de escolher o local e a hora para atacar ou recuar rapidamente. Quando a oportunidade para a realização de um ataque bem sucedido é identificado, o comandante do BTG, normalmente, engaja o inimigo em uma batalha de armas combinadas.

As operações dos BTG dependem inteiramente do comandante da brigada e/ou do TO e de seu Estado-Maior (EM). É o comandante do batalhão de reforço quem atribui as missões de reconhecimento (terreno e do inimigo), analisa a inteligência recebida e decide sobre a ordem das ações.  A coordenação e controle no terreno a partir do PC (posto de comando) de um BTG são feitos utilizando equipamentos não eletrônicos, comunicações com fio e rádio. Nos PCs de unidades e no QG da brigada, divisão e TO, a movimentação dos mensageiros, o fluxo das comunicações e a concentração de viaturas são perfeitamente observados pelo reconhecimento aéreo (drones, aviões ou satélites), necessitando de cobertura A2/AD e movimentação constante.

Após tomar a decisão de permanecer na defensiva, lutar ou se retirar, os comandantes dos BTGs russos em todos os níveis se depararam muitas vezes no TO da Ucrânia com a falta de sistemas C4ISR que exibam informações atualizadas do terreno em dispositivos móveis com tablets. A largura de banda das redes de comunicação dentro do BTG, para os QGs ou com unidades vizinhas é pequena, o que reduz a possibilidade de informar oportunamente sobre mudanças na situação no campo de batalha e corrigir ordens.

A conexão entre um BTG e as unidades paramilitares se mostrou frágil, evoluindo somente com a reestruturação empreendida pelo General Surovikin quando este assumiu o comando das forças russas na Ucrânia. Neste contexto, eram comuns casos de comandantes das unidades paramilitares no leste da Ucrânia ligarem para oficiais do PC de um BTG de telefones celulares e via satélite, canais não criptografados de estações de rádio, não havendo portanto um ato nível de segurança das comunicações.

Assim, a estrutura de comando e controle de um BTG se revelou fraca diante de contra-ataques numerosos e simultâneos, uma vez que os sistemas de comunicação, comando e controle não permitem responder rapidamente a uma mudança rápida da situação tática.

A limitação em efetivo de um BTG russo torna improvável que eles forneçam proteção avançada de uma linha de contato ou cobertura suficiente de flanco e retaguardas. Neste sentido, os BTGs russos que operam na Guerra da Ucrânia foram desdobrados com cerca de 200 soldados de infantaria em 3-4 companhias, o que é menos do que a força normal de uma companhia de rifles (infantaria) mecanizada das Forças Armadas da Federação Russa.

De acordo com os regulamentos do exército russo, até 50% da infantaria pode estar envolvida no serviço de guarda e nas tarefas secundárias, o que reduz o número combatentes nas unidades de manobra. O baixo efetivo e a falta de pessoal das unidades de infantaria mecanizada dos BTGs russos reduziram sua eficácia de combate e capacidade operacional. Para os adversários, isso significa que em caso de contato com um BTG, as perdas das forças inimigas serão pequenas.

A falta de infantaria suficiente nos BTGs russos mudou a tática no combate urbano. Os russos preferiram criar bolsões defensivos isolados, infiltrando-se nas áreas povoadas, em vez de ataques em grande escala como fizeram em Grozny (1999). Os comandantes eliminaram essa deficiência envolvendo na manobra da infantaria do BTG destacamentos dos aliados das milícias separatistas ou combatentes do Grupo Wagner em áreas de operações, como viu-se em Soledar e agora em Bakhmut. Constata-se que o comando, coordenação e controle é deficiente, agravada pelo fatos dos aliados terem condutas de combate diferentes das usadas pelas forças regulares.

Por fim, a logística dos BTGs russos é realizada de forma pontual e remota durante os meses iniciais do conflito. O reabastecimento, manutenção e ressuprimento eram e ainda são realizados em bases logísticas desdobradas de forma permanente, algumas das quais a mais de 500 km do área de operações de alguns BTGs. Diversas classes de suprimento foram estocadas em armazéns do Distrito Militar Oeste, de onde eram embarcadas em comboios que se dirigiam aos BTG em linhas de suprimento por demais estendidas.  Essa situação piorou o fluxo logístico das Forças Armadas Russas, prejudicando muitas vezes a continuidade das operações ofensivas.

Considerações finais

A reforma militar de 2008-2010 empreendida pelo então Ministro da Defesa Anatoly Serduykov teve como base a redução do efetivo regular nas forças russas, a mudança das unidades de manobra de divisão para o sistema BTG, visando dar mais mobilidade, pronta resposta, capacidade expedicionária e poder de fogo. No entanto, seu legado mais importante foi a redução do potencial de combate para guerras de alta intensidade.

A nova estrutura organizacional baseada em BTGs se mostrou claramente insuficiente em uma guerra prolongada como estamos observando na Ucrânia. As FAUs já no início do conflito contava com 300 mil soldados regulares, 400 mil reservistas com experiência de combate na região de Donbass e 200 mil da Guarda Nacional (incorporados aqui as formações paramilitares, os Batalhões Nacionalistas).

Neste contexto, uma operação de conquista e manutenção do terreno abrange não apenas expulsar forças adversárias, mas promover limpeza de área, realizar operações de segurança de área, estruturar linhas defensivas, construir postos de observação, promover reconhecimento das áreas adjacentes.

Desta forma, sem efetivo suficiente, guerras de ocupação se tornam insustentáveis perante adversários organizados ou mesmo insurgentes, como se verificou na Guerra Sovietica do Afeganistão (1979-1989).

Diante da realidade vigente e perspectiva de duração prolongada da guerra da Ucrânia, o Ministério da Defesa da Federação Russa informou que as Forças Armadas Russas serão reestruturadas, com a reorganização com base na unidade de manobra de divisão.

Com relação ao processo de recrutamento para as Forças Armadas, Moscou decidiu aumentar gradualmente a idade de recrutamento dos cidadãos de 18 para 21 anos e depois até 30 anos.

Os distritos militares de Moscou e São Petersburgo serão recriados, novas divisões (incluindo duas divisões aerotransportadas) e brigadas serão organizadas. O Presidente Putin emitiu ordem para aumentar o efetivo do exército para 1.500.000 de militares, das quais 670.000 serão soldados contratados. As formações de blindados serão estruturadas com sua própria aviação do exército.

O Kremlin decidiu limitar a terceirização da logística, com a recriação das unidades de manutenção. Isso se refere ao fato de que as unidades de manutenção irão funcionar em tempo integral, com os sistemas de controle de alimentos sendo restaurados e todos os acampamentos militares serão equipados com dispositivos de controle dos recursos comunitários.

Além de vencer a guerra na Ucrânia fortemente apoiada pela OTAN, o outro grande desafio russo é fazer uma reestruturação radical das estruturas logísticas e da ordem de batalha no meio de uma guerra. O sucesso da reforma exigirá a mobilização da sociedade, o fortalecimento do complexo industrial-militar, mudanças no planejamento operacional e estratégico, combate à corrupção, a implantação de centros de treinamento qualificados e, principalmente, melhor planejamento do já comprometido orçamento estatal.

Fontes consultadas:


[1] Delegado de Polícia, historiador, pesquisador de temas ligados a conflitos armados e geopolítica, Mestre em Segurança Pública

[2]  Mestre e Doutor em História Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em História Comparada (PPGHC) da UFRJ, professor-colaborador e do Programa de Pós-Graduação em História Militar Brasileira (PPGHMB – lato sensu), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/UNIRIO e Editor-chefe do site História Militar em Debate e da Revista Brasileira de História Militar. Website: https://historiamilitaremdebate.com.br

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Elias Jabour
Elias Jabour
1 ano atrás

Esses professores são os melhores.
Sem dúvidas.
Foram direto ao ponto.
A vulnerabilidade desse tipo de organização em guerras prolongadas que exijam ocupação do terreno e controle de área. 
E como dito acima, os russos perceberam isso e estão mudando esta estrutura.
Nota 10 para esses dois.

Palpiteiro
Palpiteiro
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

Com o envio de equipamentos cada vez mais obsoletos, será necessário mudar novamente.a tatica. Quando acabarem os tanques eles ainda podem usar cavalos.

Elias Jabour
Elias Jabour
Reply to  Palpiteiro
1 ano atrás

O que é bem melhor do que ser queimado vivo em uma trincheira pelo TOS ou ficar soterrado para sempre pelas FAB500.
Taí o número de baixas ucranianas que não me deixa mentir que isso está ocorrendo.

José
José
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

Pronto. Canal do Telegram falou em FAB500 e o ser inonimado que conhecemos só fala nisso. Conta aí agora sobre as baixas russas porque das ucranianas parece que já está na casa dos bilhões…rsrs

Last edited 1 ano atrás by José
Elias Jabour
Elias Jabour
Reply to  José
1 ano atrás

Tenho 50 MB de vídeos dessas bombas explodindo.
Principalmente em Adviika.
É uma arma realmente cruel.

Pedro
Pedro
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

C vc quer dizer que tem muitos vídeos errou no chute. 50MB de vídeo é bem pouco.

Elias Jabour
Elias Jabour
Reply to  Pedro
1 ano atrás

Estão ‘zipados’.

Leandro Costa
Leandro Costa
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

Compactação de arquivo funciona maravilhosamente bem com arquivos texto. Os vídeos que você recebeu já estavam compactados, e se você ‘zipou’ e teve, digamos, 5% de compactação foi muito. Ou seja… 50Mb não é nada.

Oliveira Barros
Oliveira Barros
Reply to  Leandro Costa
1 ano atrás

Tudo bem.
Só tenho 5 MB de vídeos ucranianos.

Gplacido
Gplacido
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

Tos até agora só vimos 1. E até 2017, somente 20 tinha sido encomendados. As baixas russas vc, convenientemente omite né.

Um artigo espetacular desse, e o cidadão vem novamente propagar a “historinha” de que está tudo bem.

Se está tudo tão bem, porque esses caras estão desenterrando CC da década de 50? Os BTG não estão ganhando a guerra? É um contra senso.

José
José
Reply to  Gplacido
1 ano atrás

É o mesmo papo furado de sempre. Pro Rússia.
Ele ainda está se vangloriando de ter 50Mb de vídeos de mortes, explosões…
Isso não pode ser normal, mas dá pra compreender pelo lado que ele se ilude com unhas e dentes.

Last edited 1 ano atrás by José
Augusto
Augusto
Reply to  José
1 ano atrás

Hoje em dia qualquer videozinho do You Tube tem isso ai de 50Mb. Só se o cara ainda usa um Pentium I, ai e bastante coisa.

Oliveira Barros
Oliveira Barros
Reply to  José
1 ano atrás

Discutindo com o cara tamanho de vídeo, numa figura de linguagem que foi usada
Enquanto isso, os ucranianos tomando ferro.

Oliveira Barros
Oliveira Barros
Reply to  Palpiteiro
1 ano atrás

Reportada a destruição do primeiro Bradley.
E foi na região perto de Ugledar.
Com o selo de autenticidade do Millitary Summary.
Ele é sério.
Reportado também ataque de nacionalistas ucranianos contra 14 soldados regulares que estavam se entregando aos russos.
Mais um crime de guerra.

Gplacido
Gplacido
Reply to  Oliveira Barros
1 ano atrás

Superconfiavel. Millitary summary ,canal criado em abril de 2022, na Bielorrússia.
Uma “fonte” nadica tendenciosa.

Nuno Taboca
Nuno Taboca
Reply to  Gplacido
1 ano atrás

Depois os manipulados sou eu, que so acompanho via mídia ocidental, que é deturpada e tendenciosa. Agora olha a “fonte” dos PutinBoys.

Palpiteiro
Palpiteiro
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

O chatgpt poderia ter ajudado eles no básico.

Elias Jabour
Elias Jabour
Reply to  Palpiteiro
1 ano atrás

O que se fala é que o Chatgpt é que faz a contagem para o Oryx.

kkkkkkkkk

Guacamole
Guacamole
1 ano atrás

Acho que um dos males que aflige a Rússia é o mesmo que afligem o Brasil: oficiais de mais para soldados de menos.

Exceto que também sofremos de uma carência brutal de material.

Marcos
Marcos
Reply to  Guacamole
1 ano atrás

O maior problema dos Russos é a corrupção semeada e enraizada nas suas F.A; oficiais vendendo uniformes, equipamentos, combustíveis e tudo que conseguem pegar. Estão pagando um preço alto e se não mudarem esse comportamento serão o vexame desse novo século.

Pragmatismo
Pragmatismo
Reply to  Marcos
1 ano atrás

Igual o nosso EB?

Oráculo
Oráculo
Reply to  Pragmatismo
1 ano atrás

Sejamos justos.
Aqui os caras não fazem isso.

Eles só gostam de regalias.
Se acham os herdeiros do Duque de Caxias.
As vezes tenho impressão que se julgam membros de alguma realeza.
E que acreditam estar numa “casta superior”.

Por isso precisam de carro e motorista particular.
Usam recrutas pra cortar a grama, pintar suas casas e fazer segurança das mesmas.
E gostam de viver e comer bem.

Atualmente disputam com os Magistrados quem gasta mais dinheiro com picanha e lagosta. Isso pra não falar nos vinhos…

Ildo
Ildo
Reply to  Oráculo
1 ano atrás

O alto oficialato das FAs do Brasil vivem como classe média alta em suas “vilas” e círculos militares, n deles com clubes esquestres… Além das infinitas cerimônias (para qualquer coisa) com buffet, uísque 18 anos, etc…

Mas claro, o problama das “FAs” para ele é o baixo orçamento… Baixa orçamento pra quê?

Chevalier
Chevalier
Reply to  Ildo
1 ano atrás

Dois problemas maiores do que esses gastos bobos com uisque e algumas regalias (que passam longe da vida nababesca, de viagens e lagosta dos sinistros do 5TF) são a ideologia positivista que persiste no Alto-Comando e o acomodamento/falta de vontade de acabar com o problema do crime organizado, permitindo assim a continuidade do Estado Paralelo que existe hj. PCC, CV, etc, só continuam a existir pq o EB ñ invade tudo e retoma os territórios de direito da nação, que hj estão sob comando nos narcotraficantes/parceiros do Estado.

Augusto
Augusto
Reply to  Chevalier
1 ano atrás

Chevalier o buraco e mais embaixo nesse caso, mas não vou me aprofundar nisso pois iria fugir muito da matéria e iria deixar os editores furiosos, kkkkk.

Srs
Srs
Reply to  Augusto
1 ano atrás

Não se ilude,existem militares envolvidos com o narcotráfico,estamos se tornando um Estado em que o narcotráfico manda , outra coisa Pcc e Cv da vida são manobras para encobrir os verdadeiros barões das drogas.

Augusto
Augusto
Reply to  Srs
1 ano atrás

Não duvido disso amigo, mas não apenas nas forças armadas, infelizmente como você mesmo pontuou estamos nos tornando um pais a mercê dos narcotraficantes.

Ildo
Ildo
Reply to  Chevalier
1 ano atrás

“Ideologia positivista”?

O que domina atualmente é ideologia neoliberal e de subserviência aos EUA/OTAN…

Mustafah
Mustafah
Reply to  Chevalier
1 ano atrás

As FF AA são apenas uma sombra do que foram no passado, padecem da falta de vontade de combater, se transformaram numa paquidermjca organização burocrática destinada a gerar emprego e benefícios para a classe militar, totalmente dissociada das necessidades do país

Fabio Alberto
Fabio Alberto
Reply to  Ildo
1 ano atrás

Você tocou em um ponto extremamente importante e que ninguém costuma notar ou criticar: o gasto com cavalos.
Militares podem ter cavalos bancados pelo exército, e ficam indo para diversos campeonatos de equitação às custas do pagador de impostos.
Ser for procurar o sangue dos cavalos que o exército compra, vai ver se são dos melhores do mundo para salto, polo e etc.. Se for questionar o porque de tanto cavalo, aí eles acham um deserto para o camelo, op, cavalo: usamos para controle de distúrbios, ou então equoterapia.
Deve ir alguns milhões nesse sustento de Hobby de rico.

Ildo
Ildo
Reply to  Fabio Alberto
1 ano atrás

Quantos milhões são gastos nos clubes esquestres dos círculos militares do EB? Mais as n cerimônias por ano?

Enquanto isso a artilharia, por exemplo, é basicamente da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coreia…

E segundo certa narrativa o problema das “FAs” é orçamento…

E quando adquirem algo ou é obsoleto via FMS (= a renúncia absoluta da Soberania Nacional) ou caríssimo em quantidades ínfimas das fontes de sempre (EUA/OTAN)…

Mas segundo alguns esse é “modelo” a seguir…

Last edited 1 ano atrás by Ildo
Mustafah
Mustafah
Reply to  Ildo
1 ano atrás

Se recusam a acabar com o serviço militar obrigatório, para disporem de mão de obra barata para ser utilizada como serviçal, como cozinheiros, motoristas particulares, cortarem a grama das casas funcionais onde moram e seguranças particulares. Derrubaram a Monarquia para serem os últimos “nobres”

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
Reply to  Oráculo
1 ano atrás

Faltou a parte em que justificam qualquer velharia dos anos 60, como Cascavel, como se fosse o supra-sumo da tecnologia, porque pro nosso T.O., tá bom´´.
Ou viver em mundo imaginário do tipo se nos invadirem, vamos fazer o inferno com eles na Amazônia´´.
Ou passarem décadas fazendo grupos de estudos pra escolher cada parafuso.

Augusto
Augusto
Reply to  Willber Rodrigues
1 ano atrás

Eles nem precisam invadir a Amazônia, uma chuva de misseis já nos deixaria de joelhos.

Ildo
Ildo
Reply to  Willber Rodrigues
1 ano atrás

Vide a “modernização” do Cascavel proposta ultimamente… Chega a ser constrangedora…

Mas dentro do EB é “milistone” (marco histórico)…

Augusto
Augusto
Reply to  Oráculo
1 ano atrás

Já vi casos de tenente servir de motorista para oficial General. Realmente tem muita coerência no que você escreveu Oráculo.

Ildo
Ildo
Reply to  Augusto
1 ano atrás

É mato; muito pior ainda para suboficialato, sargentos, cabos e soldados…

General vive como classe média alta no Brasil… Muita gente olha só para o soldo… E não contabiliza o dispêndio absurdo com regalias nas vilas, círculos militares e cerimoniais…

Idem na Marinha e FAB…

Augusto
Augusto
Reply to  Ildo
1 ano atrás

Ildo, o soldo deles e ilusão, e uma mentira, se você pesquisar o soldo de um oficial general de R$ 14.000,00 que seria equivalente a um gerente de produção dentro da sociedade civil. Ai muita gente vai falar, nossa como os nossos militares ganham pouco pela responsabilidade que eles tem, mas isso e uma grande mentira, fora o soldo deles eles ganham outros salários de acordo com a sua função o duplica ou até triplica os seus ganhos mensais, isso sem contar as regalias que você mencionou. Eu não daria a mínima se um general ganha-se 30mil por mês se… Read more »

Ildo
Ildo
Reply to  Augusto
1 ano atrás

Sim. O soldo é a parte visível apenas; mas se gasta muitíssimo mais com as regalias com dinheiro público.

E no último governo milhares receberam soldo da ativa e no governo…

Last edited 1 ano atrás by Ildo
M4|4v1t4
M4|4v1t4
Reply to  Marcos
1 ano atrás

A corrupção é tão grande que no EUA existem centenas de T-72 que foram comprados peça por peça no EBay.

Tem mais T-72 da versão mais recente dentro do EUA em garagens de civis do que a soma de todos os carros de combate MBT de terceira geração de todos os exércitos da América Latina.

Oliveira Barros
Oliveira Barros
Reply to  M4|4v1t4
1 ano atrás

Centenas?
Mandem para a Ucrânia.
Estão precisando.

M4|4v1t4
M4|4v1t4
Reply to  Oliveira Barros
1 ano atrás

Já é difícil o estado mandar o que é do estado para lá, imagina o que é de propriedade privada.

Ildo
Ildo
Reply to  Marcos
1 ano atrás

Fonte? Notória é a corrupção nas FAs Ucranianas… Até paióis de munição foram explodidos para ocultar grandes roubos durante a Guerra do Donbass de 2014-fevereiro de 2022; agora, em denúncia de oficiais na própria mídia ucraniana, revelaram que comandantes de unidades ocultam baixas nas frentes para ficar com o dinheiro dos soldados… A Rússia que está passando “vexame”? É a Ucrânia que está tendo baixas catastróficas, seu arsenal de fevereiro de 2022 e a elite de suas FAs “sumiram” nos últimos meses… E está perdendo território contínuo nas principais frentes da guerra: as intensa e extensivamente fortificadas no Donbass durante… Read more »

Marcos Silva
Marcos Silva
Reply to  Marcos
1 ano atrás

Que continuem assim. Corruptos e ladrões,é a cara deles.

Augusto
Augusto
Reply to  Marcos
1 ano atrás

Mas pelo o excelente texto abordou, não e apenas a corrupção o grande problema das FA russas, a doutrina dele está totalmente equivocada. Esses BTG’s tentam fazer de tudo a ao mesmo tempo não conseguem fazer nada. Não tem infantaria suficiente, não artilharia suficiente (e olha que os russos e o pais que mais possuiu peças de artilha), não tem força área para apoia os avanços. Em termos de doutrina a Otan está bem a frente dos russos. Se os russos quiserem vencer essa guerra vão ter que reestruturar totalmente sua doutrina militar. Igual os soviéticos fizeram quando a Wermatch… Read more »

Oliveira Barros
Oliveira Barros
Reply to  Augusto
1 ano atrás

Depois das ondas humanas caminhando para a morte, agora é a corrupção.

Augusto
Augusto
Reply to  Oliveira Barros
1 ano atrás

Já escrevi em outro post Antônio, que a estratégia de usar presidiários como ondas humanas foram uma das poucas coisas geniais que os russos fizeram nessa guerra.

Pragmatismo
Pragmatismo
Reply to  Guacamole
1 ano atrás

Ao que indica o texto, a redução dos oficiais prejudica as operações no teatro da ucrânia.

Marcos Silva
Marcos Silva
Reply to  Pragmatismo
1 ano atrás

Quero que reduzam ainda mais. E quero mesmo,de verdade,que os ucranianos exterminem essa praga de seu território.

Elias Jabour
Elias Jabour
Reply to  Marcos Silva
1 ano atrás

A única coisa que está sendo reduzida, e muito, é o Exército ucraniano.
Só hoje foram 425 baixas fatais apenas na região do Donbass.
Além do mais, vários analistas estão reportando enorme escassez de oficiais ucranianos, visto que foram abatidos pelos russos.
Estão quebrando o galho promovendo Suboficiais e Sargentos.

Nuno Taboca
Nuno Taboca
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

425?
Foram 5.490.981 baixas ucranianas só hoje. E os avanços russos não param. Só hoje avançaram 30 metros e 80 cm. Em um mês , tomarão mais um quarteirão de Bahkmut. Tem 8 meses nessa, mas estão ganhando. Kkkk

Augusto
Augusto
Reply to  Nuno Taboca
1 ano atrás

Essa batalha está ridícula, Ao invés de continuarem atacando pelos flancos e tentarem cercar a cidade e criar um caldeirão lá, não estão fazendo ataque frontais altamente custosos. Os russos desaprenderam totalmente como se faz guerra.

Augusto
Augusto
Reply to  Augusto
1 ano atrás

E agora estão fazendo ataque maciços de artilharia para continuar avançando. Vergonha total.

Gplacido
Gplacido
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

“Vários Analistas”

Pravda, Telegram e Sputnik.

Guacamole
Guacamole
Reply to  Pragmatismo
1 ano atrás

Não.
O texto é claro que redução de sargentos e tenentes ( que são os que sabem usar os materiais bélicos) é que prejudicou as operações.
Leia novamente o texto.

Augusto
Augusto
Reply to  Pragmatismo
1 ano atrás

Sim, mas o texto fala mais dos suboficiais e dos oficiais intermediários. Acho que o colega deve ter se referido aos oficiais superiores e aos oficiais Generais.

Maurício.
Maurício.
Reply to  Guacamole
1 ano atrás

A Rússia é praticamente um Brasil, cheia de corrupção, mas lá, eles levam a defesa muito mais a sério, e mesmo com a corrupção dentro das próprias forças armadas, eles conseguem ter forças armadas de respeito, muito, mas muito diferente do Brasil.

Leandro Costa
Leandro Costa
Reply to  Maurício.
1 ano atrás

De respeito porque herdaram esse respeito construído durante a era Soviética que teve sim que enfrentar diversos problemas e uma invasão criminosa e altamente destrutiva e mantiveram um nível de treinamento e equipamento à altura durante a Guerra Fria. Mas muito desse respeito já voou pela janela. Ainda existe, mas é incomparável com aquele que existia durante a era Soviética.

LeoRezende
LeoRezende
Reply to  Leandro Costa
1 ano atrás

Só lembrando que essa invasão que a URSS sofreu foi perpetrada por seu antigo aliado nazista,com quem também realizou a criminosa e injustificável invasão à Polônia em ’39. Katyn manda lembranças.
Mas concordo com você.

Marcos Silva
Marcos Silva
Reply to  Guacamole
1 ano atrás

Soldados de menos??? Temos soldados de mais pra poucos meios.

Cristiano de Aquino Campos
Cristiano de Aquino Campos
Reply to  Guacamole
1 ano atrás

Então, no texto da matéria, os Russos fizeram o quê aqui no Brasil não se faz, diminuíram o tamanho das tropas e o número de oficiais, fizeram uma unidade com poder de fogo e mobilidade para ações rápidas e pontuais. E uma organização de exército ideal para o quê eles queriam, ações contra forças irregulares ou regulares nua guerra curta e a pouca distância do apoio logístico. Só que a guerra na Ucrânia, e uma guerra de alta intensidade, aparentemente só reforça a visão inicial que os Russos não esperavam esse tipo de reação da Ucrânia, não sei se por… Read more »

Jefferson Ferreira
Jefferson Ferreira
1 ano atrás

Não adianta ter só números sem equipamento e treinamento adequados…

Oliveira Barros
Oliveira Barros
Reply to  Jefferson Ferreira
1 ano atrás

O maior problema é que os russos acreditaram em uma guerra com pequenos grupos com alta mobilidade.
Os ucranianos, mostraram que a quantidade faz diferença e conseguiram enfrentar os russos, apesar de suas baixas dantescas.
Quando os russos começaram a aumentar seus efetivos, começaram a avançar e ocupar vários territórios que são extremamente fortificados.
Lembrando que a maior parte dos mobilizados ainda não entrou em ação, talvez esperando a tal ofensiva ucraniana para ir para lá.

Alfa BR
Alfa BR
Reply to  Oliveira Barros
1 ano atrás

“…começaram a avançar e ocupar vários territórios que são extremamente fortificados”

Que avanços? Os maiores ganhos de terreno pelos russos se deram no primeiro mês da guerra.

comment image

Victor Filipe
Victor Filipe
1 ano atrás

Recomendo esse vídeo: https://youtu.be/Yy1M0HC4yns

Ildo
Ildo
Reply to  Victor Filipe
1 ano atrás

Com certeza não.

Oráculo
Oráculo
1 ano atrás

Muito bom o texto. Creio que o Grupo Tático de Batalhão funciona bem como Tropa de Assalto. A soma de velocidade + armas combinadas + infantaria mecanizada é muito forte em um combate. Mas se a batalha for vencida, eles precisam de apoio para manter as posições conquistadas. E não tem. Me parece que os generais que reformaram o Exército Russo faltaram as aulas sobre “Tropas Auxiliares” nas escolas militares. Macedônios e Romanos já se utilizavam delas a 5 mil anos atrás, parar cumprir funções de apoio as “Tropa de Choque” propriamente ditas. Chega a ser engraçado ver que foi… Read more »

Last edited 1 ano atrás by Oráculo
Augusto
Augusto
Reply to  Oráculo
1 ano atrás

Perfeito seu comentário Oraculo. O pior e que o Putin encontrou um general que estava começando a resolver seus graves problemas táticos na Ucrania, o general Surovikin e optou por uma escolha politica como Gerassimov o responsável pela malfadada invasão de fevereiro.
Concordo com você, as brigadas são as unidades mais flexíveis no atual campo de batalha. Não são muito grandes como as divisões e nem muito pequenas como esses BTG’s russos.

M4|4v1t4
M4|4v1t4
1 ano atrás

Off-topic
Parte 5 da operação “T-Pattern” com o debriefing de missão com o comandante de um dos T-72 e entrevista com o único sobrevivente russo que passou 20 horas enterrado até chegar o pelotão que reocupou a trincheira.
https://www.youtube.com/watch?v=fifpgIJkxXA

Last edited 1 ano atrás by M4|4v1t4
Elias Jabour
Elias Jabour
Reply to  M4|4v1t4
1 ano atrás

Tem a parte 6, 7, 8, 9 ……
Acabei de assistir vídeo da tomada de uma trincheira ucraniana onde os soldados russos atacavam conjuntamente com pequenos drones que lançavam granadas nas tocas dos inimigos.
Não é difícil imaginar o que acontecia quando os ucranianos saíam dos buracos.

M4|4v1t4
M4|4v1t4
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

Pra cada vídeo que você postar eu coloco 10 com mais qualidade.
Vamos começar?

Elias Jabour
Elias Jabour
Reply to  M4|4v1t4
1 ano atrás

Os ucranianos não têm drones suficientes para mostrar mais vídeos que os russos.
Pode acreditar nisso.

M4|4v1t4
M4|4v1t4
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

Inverte. Você está ao contrário.

Quem fez uso massivo de drone na guerra desde o início foram os ucranianos. Os russos tiveram que aprender a fazer o que os ucranianos estavam fazendo com os drones.
O desespero russo foi tão grande que até câmera Cannon e tampinha de garrafa d`agua foi usado para fazer drone.

Não tenta inverter não que aqui você não engana ninguém.

No desespero de tentar equilibrar o uso de drones apelaram até para o Irã.

Augusto
Augusto
Reply to  M4|4v1t4
1 ano atrás

Cara você vai perder, ele já tem mais de 50MB de vídeos para poder brigar contigo, kkkkkk.

M4|4v1t4
M4|4v1t4
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

Você já viu a entrevista do agente da FSO que era segurança pessoal do Putin e que fugiu em Dezembro?

Existem sinais claros de que o regime na Rússia está se desmantelando.
O motim generalizado é uma questão de tempo.

Elias Jabour
Elias Jabour
Reply to  M4|4v1t4
1 ano atrás

Vc viu a prisão do Trump?
Existem sinais evidentes de deterioração social e divisão da sociedade americana
Falam até na possibilidade de uma nova guerra civil por lá.
Melhor acompanhar.

Ildo
Ildo
Reply to  Elias Jabour
1 ano atrás

Esse processo contra Trump é claramente lawfare para impedí-lo ou no mínimo interferir nas próximas eleições já que até o momento de longe é o candidato mais forte. O que se vê porque aqui é basicamente a narrativa da mídia mainstream democrata dos EUA… Do qual a mídia maistream do Brasil é satélite. Só que nos EUA o imenso eleitorado de Trump está ciente da operação contra ele… É óbvio que Trump deve ter uma lista enorme de esqueletos no armário; mas escolheram algo especifico que não respingue nos “hábitos” corporativos típicos dos EUA… Se ele chegar a ser preso… Read more »

ORIVALDO
1 ano atrás

Com a Guerra, a queda de oficiais continua aumentando

sub urbano
sub urbano
1 ano atrás

Como texto diz, os velhos Regimentos estão substituindo os BTGs, isso já faz alguns meses. Os BTGs são ótimos, o problema é o custo. Taticas de armas combinadas são caras. E ainda existe o problema que, para manter um território ocupado você precisa de “boots on the ground” e apoio de artilharia, independente da qualidade destas, já que necessariamente soldados de infantaria vão morrer. Aconteceu durante a ocupação americana no Iraque, depois q ja haviam perdido 4.000 homens começaram a usar os “private contractors” mercenários muito similares ao grupo Wagner russo. Detalhe que os americanos perderam menos de 500 homens… Read more »

Marcos
Marcos
1 ano atrás

Gostei da explicação de como funciona os BTGs e que lições se pode tirar disso em meio a uma guerra. Por mais textos assim.