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Forças armadas terão mais mobilidade e presença na fronteira

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Forças armadas tropas do Equador decolam da fronteira com a Colombia em 2009 - foto AFP

Forças armadas terão mais mobilidade e presença na fronteira O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, participou nesta quinta-feira (5) do programa Bom Dia Ministro. Durante a entrevista com âncoras de rádios o ministro falou sobre a Estratégia Nacional de Defesa lançada pelo governo federal no final do ano passado, que estabelece diretrizes e ações de médio longo prazo para reorganizar e reorientar as Forças Armadas. O programa é produzido e coordenado pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República e transmitido ao vivo, via satélite, para emissoras de todo o País. Leia abaixo os principais trechos.

Estratégia – A Estratégia Nacional de Defesa não tem como objetivo único a compra de material para as Forças Armadas. A Estratégia tem como base a reorganização e modernização. Precisamos ter, por exemplo, a identificação dos pontos estratégicos sensíveis e ter uma locação de forças naquele ambiente. O que é fundamental em relação as nossas diretrizes, aprovadas pelo presidente da República, é a de dissuasão. Ou seja, evitar concentração de forças hostis nas fronteiras terrestres ou nas águas jurisdicionais brasileiras. Nós temos 5.727 mil quilômetros de fronteiras terrestres e ainda as águas territoriais com 4,5 mil quilômetros quadrados. Nas diretrizes, vamos fortalecer o setor de importância estratégica que é o espacial, submerso e nuclear. Vamos unificar as operações das três forças muito além dos limites impostos pelos chamados exercícios conjuntos; vamos reposicionar o efetivo das três forças, tendo em vista a capacidade de poder estar presen te no local necessário. Em relação ao Exército, nós teremos um núcleo modular que serão as brigadas e essas brigadas de deslocamento rápido, vamos adensar a presença de unidades do Exército, da Marinha e das Forças Aéreas nas fronteiras. Observe bem: se você olhar o mapa brasileiro vai verificar que a necessidade de presença e monitoramento está a oeste nos grande centros de aquaterlamento milites próximos ao litoral. Vamos também, expandir a Marinha. Hoje a Marinha concentra-se exclusivamente no Rio de Janeiro. E vamos ter que criar um local de armadas junto a entrada do Rio Amazonas.

Fronteiras – Uma das funções subsidiárias do Exército é ter o poder de polícia em zona de fronteira para crimes transacionais. A questão do tráfico de drogas é algo da competência da Polícia Federal. E queremos ter ações comuns (com a PF) e o Exército Nacional, que também tem funções de polícia na fronteira. Temos um desejo de montar operações, como já fizemos, regidas pelo Comando Militar do Sul. Nós temos que ter muita cautela política, muita habilidade para termos um grande entendimento, como já temos com as autoridades paraguaias, para ações conjuntas de fronteira. E não só ações de barreira internas no Brasil, mas sim, ações desenvolvidas no território brasileiro, por forças brasileiras, e no território paraguaio, por forças paraguaias. Aliás, eu vou propor nas discussões que teremos no Conselho de Defesa Sul-Americano, que já foi criado em janeiro deste ano, em um encontro de presidentes da Unasul. Na reunião em março, no Chile, vou propor que os p aíses vizinhos possam ter operações conjuntas, cada um no seu território, exatamente na coibição dessas ações ilícitas em fronteiras.

Haiti – As forças brasileiras no Haiti têm demonstrado a imensa capacidade de separar o civil dos grupos armados. A nossa posição do Haiti é cômoda, mas agora pretendemos fazer uma alteração de estratégia, mantendo a situação de defesa e de permanência da ordem e paz. Nós queremos também começar o trabalho de infra-estrutura. Houve um aumento da participação de soldados do batalhão de engenharia do Exército que pretende, com recursos que poderão vir do Banco Mundial, fazer obras de infra-estrutura. Não podemos mais ficar no Haiti aguardando obras que não se realizam. E temos lá um batalhão de engenharia disposto a trabalhar aguardando recursos e projetos.

Serviço civil – O serviço civil não será obrigatório. Hoje, temos, no serviço militar obrigatório, em torno de 1,2 milhão de jovens que se escrevem, que já se qualificam aos 18 anos. Desse 1,2 milhão, a capacidade de absorção por parte das Forças Armadas é da ordem de menos de 10%, em torno de 100 mil. O serviço civil é a possibilidade daqueles jovens, que não forem aproveitados pelas Forças Armadas, serem voluntários para atender algumas necessidades do País como, por exemplo, na área da medicina. O Projeto Rondon hoje está na ordem de 2 mil estudantes que operam no período de 15 dias, nós queremos ampliar progressivamente o Projeto Rondon e, com a experiência, criar esse serviço civil. Quando falamos em serviço civil houve uma reação muito forte, e o curioso que a reação muito forte vem da alta classe média. A alta classe média, grande parte dela, não quer saber de nada de serviços sociais no País. A alta classe média, na maioria das vezes, quer serviços sociais para si no País.

Defesa Civil – Em Santa Catarina, os trabalhos que desenvolvemos, principalmente na Aeronáutica, foram excelentes, mas nós tivemos problemas de articulação e de comando. Eu propus ao presidente (Lula) que viéssemos examinar, junto à lei de mobilização nacional, uma forma de termos uma força unificada, para o atendimento dessas questões humanitárias. E eu quero dizer a você o seguinte: o Brasil tem uma capacidade imensa em ações humanitárias. A Força Aérea Brasileira, por exemplo, já atendeu problemas de enchentes na Bolívia. Outra coisa é a ação logística. Quando ocorrem esses desastres meteorológicos, principalmente, todo brasileiro se sente com uma disposição imensa de fazer doações. A solidariedade aparece, mas às vezes não tem distribuição. Nós estamos fazendo uma proposta de que essas doações sejam conduzidas de forma unificada e não como uma disputa entre autoridades municipais, estaduais e federais.

FONTE: Pantanal News

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