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Técnicas de sobrevivência na selva – orientação e navegação parte 1

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O emprego de equipamentos tipo GPS em mata densa com a acima é fortemente degradado pela copa das árvores. Outras técnicas são necessárias.

selva

Nos dias atuais o emprego de equipamentos portáteis, que funcionam como receptores de sinais enviados por satélites, permitem uma localização e uma navegação bastante precisa. Estes sistemas, conhecidos como GNSS (Global Navigation Satellite Systems), encontram-se bastante difundidos por todo o planeta e sua aquisição é possível até por civis.

No entanto, por mais que o acesso à aquisição dos receptores seja fácil (podem ser encontrados em diversas lojas), é importante notar alguns pontos negativos do uso destes sistemas.

Em primeiro lugar o GNSS mais difundido no mundo, em especial no Ocidente, é o sistema norte-americano NAVSTAR-GPS (Global Positioning System). Os norte-americanos permitem o uso do seu sistema de satélite e não cobram dos usuários dos receptores por isso. Mas por serem os “donos” de todo o sistema, eles podem bloquear o sinal quando assim for necessário e conveniente.

Satélites também são vulneráveis a ataques espaciais e colisões com objetos em órbita. A interrupção do funcionamento de um ou mais satélites degrada a qualidade do dado de localização, podendo até inviabilizar o seu emprego.

Por último, e talvez o mais importante para o tema desta série, o emprego de receptores de equipamentos GNSS possuem baixa qualidade de recepção em locais onde a mata é fechada ou possui copa das árvores bastante densa. Não é difícil de comprovar isto. Basta apenas pegar um equipamento receptor e levá-lo para um bosque ou uma praça onde há densa cobertura vegetal.

Pelas razões levantadas acima, e por outras que não cabem aqui, a localização e a navegação em ambiente de selva necessita de outros instrumentos e outras técnicas. O aprendizado e o emprego destas técnicas é um capítulo de grande relevância nos cursos de sobrevivência na selva como o CIGS (Centro de Instrução e Guerra na Selva) do Exército Brasileiro.

O site das Forças Terrestres abordará algumas técnicas genéricas e de simples aplicação que podem ser utilizadas e praticadas por qualquer pessoa. No entanto, isto não significa que um determinado indivíduo estará apto a realizar embrenhadas na mata. O texto é meramente informativo e permite ao leitor ter uma ideia de como são estas técnicas.

Orienteção com o emprego de um relógio de ponteiros

Quando a palavra orientação é mencionada, uma das primeiras palavras que surgem à nossa cabeça é “bússola”. Porém, nem sempre temos uma bússola disponível, a mesma pode quebrar ou o indivíduo pode não deter os conhecimentos necessários para operá-la corretamente (veremos em outra oportunidade o emprego correto da bússola).

Por diversas razões na nossa vida cotidiana é sempre importante utilizar um relógio de pulso. Para aqueles que vão atuar em ambiente de selva, este acessório é mais do que necessário. Veremos a seguir como utilizar um relógio para orientação.

Um bom relógio para ser utilizado na selva deve ser resistente a choques e quedas e a prova de água. Existe uma discussão quanto ao emprego de relógios com pulseira metálica. Ele pode ser útil ou agir contra o seu usuário, dependendo do objetivo da missão. Uma pulseira metálica pode ser válida no caso de sobreviventes de um acidente aeronáutico por exemplo. A pulseira pode refletir os raios do sol e facilitar a identificarão dos sobreviventes. Por outro lado, em uma missão de infiltração, a pulseira metálica poderá delatar a localização do combatente.

No entanto, a característica mais importante de um relógio de pulso na questão da orientação é que o mesmo precisa ser do tipo com ponteiros e não digital. Em relação à divisão interna não haverá diferença se a graduação é a cada hora ou a cada três horas.

orientacao-relogio

Para o emprego desta técnica de orientação, além do relógio, é importante que o Sol esteja visível (outras técnicas sem o emprego do Sol serão abordadas posteriormente). Com o Sol visível, basta segurar o relógio horizontalmente, apontado o número 12 para o mesmo (veja o desenho acima). Mantenha o relógio nesta posição e agora veja onde está o ponteiro das horas (ponteiro menor). A metade do menor ângulo (em outras palavras, a bissetriz interna) entre o 12 e o ponteiro das horas apontará para o Norte verdadeiro ou norte geográfico.

No entanto, o exemplo acima é válido somente para o Hemisfério Sul, onde está inserida a grande maioria do território brasileiro. Para o Hemisfério Norte, onde se encontra parte dos estados do Amapá, Roraima, Pará e Amazonas, vale outra regra. A metade do menor ângulo entre o 12 e o ponteiro das horas marcará a direção Sul.

Fica evidente que este método também é mais fácil de ser empregado quanto mais nos afastamos do Sol de meio-dia, quando o mesmo formará uma linha vertical (ou próximo dela) com a Terra dependendo da Latitude e da estação do ano.

Nos próximos textos abordaremos outros métodos de orientação, bem como diversas técnicas de sobrevivência na selva.

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Guilherme PoggioMarceloMeia DúziaR_Cordeiro Recent comment authors
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R_Cordeiro
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R_Cordeiro

Muito Boa Matéria!!!

Meia Dúzia
Visitante
Meia Dúzia

O GPS, além de ter o grande problema da fonte de energia, tem seu sinal muito interferido pela copa das árvores. E nem precisa ser uma mata muito fechada: uma cobertura vegetal pouco densa já interfere na qualidade do sinal. Um GPS, para fornecer dados com máxima precisão, demanda sinais limpos de, pelo menos, três satélites diferentes. Processos simples como o do relógio podem fazer a diferença na hora de sobreviver.
Excelente matéria!

Marcelo
Visitante
Marcelo

Otima materia Poggio.

Vamos aos próximos capitulos.

No final do curso on-line eu vou caçar uns bugios na Serra da Cantareira, sabe como é, churrasquinho de macaco.

Brincadeira!! (melhor explicar pois o pessoal anda meio mal humorado)

Sds