quarta-feira, julho 28, 2021

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O fracasso internacional no Afeganistão

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

vinheta-clipping-forteNos últimos dias, os politicos e jornalistas alemães vem alimentando uma discussão absurda, se a presença internacional no Afeganistão é guerra ou ajuda à reconstrução. Os soviéticos precisaram de oito anos para descobrir que a guerra contra a vontade dos grupos tribais, do talibã e dos senhores da guerra (warlords) não podia ser vencida. Foram oito anos perdidos, com um saldo de muitas vitimas, uma catástrofe que apressou o fim da União Soviética.

O ex-deputado alemão Jürgen Todenhöfer, que em 1980 visitou o Afeganistão, destruido pela guerra soviética, esteve há alguns meses novamente no pais, para concluir mais uma vez: Também essa guerra não pode ser vencida. O próximo será o nono ano da presença estrangeira no pais, milhares de soldados dos Estados Unidos e de diversos paises europeus, com um grande saldo de vitimas, sem que nada melhore no que se refere ao combate do talibã.

Segundo analistas, o problema não é só o talibã. A corrupção é um problema grave e ajuda os grupos do talibã a conquistar adeptos. Um ex-soldado alemão disse recentemente que no inicio, as tropas alemãs cuidavam sobretudo da ajuda à reconstrução. Os militares construiam escolas. Quando iam embora, os professores eram assassinados e os prédios destruidos.

— Nós não lutamos no Afeganistão contra o terrorismo internacional — afirmou Todenhöfer, lembrando que a atual guerra é tão absurda quanto a da era soviética, porque leva apenas ao aumento da violência.

A atual polêmica na Alemanha foi provocada pela explosão de dois caminhões tanques, no inicio de setembro, perto de Kunduz, por ordem de um comandante alemão. Para não atrapalhar a campanha eleitoral, que estava a todo vapor, o então ministro da defesa, Franz Josef Jung, da União Democrata Cristã (CDU), o partido da chanceler Merkel, afirmou que as mais de cem vitimas eram todas talibãs. Ele negou a existência de vitimas civis. Depois foi provado o contrário. Jung foi forçado a renunciar. A chanceler Angela Merkel e o atual ministro da defesa, Karl Theodor zu Guttenberg, serão obrigados a esclarecer o caso diante de uma comissão parlamentar de inquérito.

Apesar do engajamento internacional, as forças rebeldes do Afeganistão estão crescendo. Recentemente, o ministro das relações exteriores do pais, Rangin Dadfar Spanta, que frequentou a universidade na Alemanha, disse: “a luta contra o talibã fica a cada dia mais dificil”.

FONTE: O Globo / Blog ‘No Portão de Brandemburgo’

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Felipe Cps
Felipe Cps
11 anos atrás

Política, sempre ela. Nada de novo. Ou o ocidente civiliza o Afeganistão ou é melhor que tal país deixe de existir.

Sds.

Bronco
Bronco
11 anos atrás

E o mundo vai, com o conceito de guerra assimétrica, aprendendo a derrotar a magnífica máquina de guerra americana. Na minha opinião, e essa é minha opinião mesmo, a campanha no Iraque também fracassou no que se refere à caça aos “terroristas” e à destruição de células de resistência. Logrou êxito, apenas, em deixar lá um governo alinhado com os os EUA que garantirá Petróleo e um mercado consumidor de produtos e serviços de americanos e aliados, afinal a “partilha” do Iraque foi definida antes mesmo da guerra, nas alianças e associações para a invasão. Quem colocou o seu na… Read more »

Felipe Cps
Felipe Cps
11 anos atrás

Caro Bronco: apenas para pontuar, discordo que a situação no Iraque seja a mesma do Afeganistão. Isso porque, por um lado, o Iraque é um país minimamente “civilizado”, com capacidade de se reerguer por si próprio, além de possuir os recursos econômicos para tanto. Possui uma massa crítica suficiente para renascer como nação soberana, assim que as tropas ocidentais se retirarem, ainda que a situação fique ruim nos primeiros anos. Lá realmente não havia terrorismo assimétrico, o terrorismo era proporcionado pelo próprio Estado Baathista. A invasão da coalizão e a destruição do regime de Saddam apenas forneceu um pretexto para… Read more »

R_Cordeiro
R_Cordeiro
11 anos atrás

[off topic]

Tropas iranianas invadem poços de petróleo no Iraque!

“…O governo iraquiano afirmou nesta sexta-feira que tropas do Exército iraniano atravessaram a fronteira e tomaram um campo de exploração de petróleo no sul do país, cujo controle é motivo de disputa entre os dois vizinhos…”

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u668540.shtml

Bronco
Bronco
11 anos atrás

Felipe, Discordo diametralmente. No que se refere à diferença de teatro de operações, tudo ok. Em nenhum momento eu disse que o Iraque tinha condições políticas, econômicas e uma distribuição étnica iguais ao Afeganistão. Acho, apenas, que a situação que os EUA deixam no Iraque é tão delicada quanto encontraram. Lembro que na década de 80 os EUA financiaram uma campanha parecida com a atual, só que sem a presença de tropas. Resultado? Saddam no poder. Veja bem: a situação política do Iraque me parece, e friso que essa é minha opinião, extremamente instável. Os movimentos de insurgência, embora não… Read more »

Felipe Cps
Felipe Cps
11 anos atrás

Bronco: Estamos num impasse então. Pelo que entendi, vc acha que os EUA apenas perseguem seus próprios objetivos “político-econômicos”. Entretanto eu lembro ao amigo que há uma coalizão diversa e totalmente multicultural presente no TO Afegão. Países como a França, por exemplo, que foi frontalmente contrária à invasão do Iraque e é qualquer coisa menos alinhada com a América. Salvo engano até Portugal tem tropas lá. Você acha que se os EUA estivessem ali apenas por motivos financeiros PRÓPRIOS, a França o estaria apoiando, com fundos, tropas e armas? Óbvio que não. E os outros países, Alemanha inclusive? Turquia, etc?… Read more »

Bronco
Bronco
11 anos atrás

Felipe, Não simplifique tanto assim a minha opinião, afinal não gastei 100 linhas para que você a resumisse a uma frase. Os EUA representam mais de 80% das tropa, mas tudo bem. A coalizão multinacional presente no Afeganitão esteve, em boa medida, presente no Iraque também. Exceto por alguns países que realmente defenderam a entrada no Afeganistão para fazer uma verdadeira limpeza naquele país, exterminando as células terroristas, campos de treinamento e capturar os primeiros na linha de sucessão da Al Quaeda. No Iraque, no entanto, a questão era puramente econômica. Haveria, no pós-guerra, como está ocorrendo, uma partilha do… Read more »

Felipe Cps
Felipe Cps
11 anos atrás

Bronco: Amigo, não sei a que fontes vc tem acesso, mas as minhas me dizem que a reestruturação econômica do Afeganistão vai bastante bem, apesar de todo o terror. Até lá parece que as pessoas cansam de guerra. Aliás, outro dia mesmo passou na HBO um documentário feito por mulheres do Afeganistão (coisa impensável há 10 anos) e dava pra ver que a coisa estava muito longe de ser o “tiro e ocupação do terreno” que vc menciona. É muito mais complexo e desafiador do que isso (atirar e ocupar é a parte fácil da coisa, rs). Ao menos na… Read more »

Bronco
Bronco
11 anos atrás

As minhas fontes são as publicações internacionais sobre o assunto. ONU, FMI e BANCO MUNDIAL, especialmente. Estão todas na internet, basta procurar. Nem todas são complacentes com a invasão americana, acredite. Além disso sou economista e a evolução econômica do Afeganistão é um tema interessante não só pra mim, como para a maioria dos que esperavam ver lá um novo mercado emergente. A miséria continua e você vai me perdoar, mas HBO não pode ser considerada fonte de informações idôneas. No geral está tudo a mesma coisa de antes da invasão. SE houve melhorias, elas foram pontuais. A força de… Read more »

Marine
11 anos atrás

Amigos, Tenho acompanhado o debate seus aqui nos utlimos dias. Debate alias muito bem argumentado pelo dois lados e apesar de nao querer me entrometer na conversa alheia gostaria apenas de ressaltar Bronco que respeito sua opiniao em tudo o que disse mas aponto que esta enganado quando afirma que nao ha uma unica ponte construida, escola ou posto de saude pelas forcas da colalizacao. Pelo contrario, varios membros de ONGs ja foram mortos e ate capturados nessas obras de infraestrutura financiadas pela comunidade internacional e os EUA em particular, varios soldados medicos ja prestaram milhares de consultas medicas e… Read more »

Marine
11 anos atrás

Desculpem, cliquei antes da hora,

…mas ao afirmar que la e so tiro e ocupacao o senhor comete um erro comum de todos aqueles que por hora de nao participarem do conflito ou terem opiniao adquirida por experiencia propria possuem. Tudo bem, e assim mesmo so gostaria de ressaltar que nao baseie tudo em sua opiniao por medio do que le ou ve na TV.

Abracos e Semper Fidelis!

Bronco
Bronco
11 anos atrás

Obrigado pelos esclarecimentos, Marine. Sendo assim, enxergo a força de coalizão com outros olhos, o que não significa que me coloco a favor da invasão. Só para esclarecer o meu ponto de vista, minha argumentação anterior foi baseado no último word economic outlook, do FMI, que aponta taxas de crescimento e desenvolvimento abaixos do esperado no afeganistão. Eles crescem sobre uma base irrisória se comparado aos países da região. O mesmo posso dizer dos dados da OMS, que estão lá no site da instituição, cujos dados mostram que a situação Afegã é tão ruim quanto antes da entrada das forças… Read more »

Marine
11 anos atrás

Bronco, E isso mesmo, niveis, indicadores sao numeros elaborados por economistas e outros academicos e apesar que nao discordar do que esta “no papel” principalmente no que diz a “big picture” do teatro afegao, a realidade no campo nao pode ser vista apenas pelo o que tais relatorios apontam. O Afeganistao e tao atrasado infelizmente que a coalizacao ja comecou la com 1000 anos de atraso e nao serao meros 8 anos que farao a diferenca de agua pra vinho. Indices de desenvolvimento continuarao baixissimos pelos proximos 30 anos ou mais mas nem por isso o povo pode se desencorajar,… Read more »

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