segunda-feira, agosto 2, 2021

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Alentos para a Verdade Sufocada – II

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva

O regime militar teria sido um dos fatores determinantes do fortalecimento da democracia no Brasil? Sim. De 1922 até 31 de março de 1964, o Brasil viveu sucessivas revoltas internas, devido à debilidade das instituições para garantir a normalidade democrática em momentos de crises políticas que, via de regra, tinham a participação das Forças Armadas.

Eram conflitos onde sempre havia chefes militares envolvidos na política partidária, que arrastavam consigo parte da tropa numa demonstração de que o País não amadurecera para a democracia. Vários chefes, ainda no serviço ativo, participavam da política partidária não só como candidatos a cargos eletivos. Havendo ou não honestidade de propósitos, ficavam prejudicados: o compromisso, que deveria ser exclusivamente com a Nação; a dedicação, que deveria estar integralmente voltada para a missão constitucional; e os princípios de hierarquia e disciplina, comprometendo a coesão militar e a própria unidade nacional.
Pode-se fazer uma longa lista para comprovar essa instabilidade institucional.

  • Em 1922, ocorreram levantes em quartéis da Vila Militar, Escola Militar do Realengo e no Forte de Copacabana, este último passando à história como o episódio dos “18 do Forte”.
  • Entre 1924 e 1927, sucessivas revoltas, principalmente nos Estados de São Paulo, Mato Grosso e no sul do Brasil, culminaram com a campanha da Coluna Miguel Costa-Prestes pelo interior do País.
  • Em 1930, a revolução que depôs o presidente Washington Luiz e colocou Getulio Vargas no poder.
  • Em 1932, a Revolução Constitucionalista de São Paulo.
  • Em 1935, a Intentona Comunista no Rio de Janeiro, Natal e Recife.
  • Em 1937, o golpe de Getulio Vargas e a implantação do “Estado Novo”, regime ditatorial que durou até 1945.
  • Em 1938, a revolta integralista de Plínio Salgado.
  • Em 1945, a deposição do ditador Getulio Vargas e a redemocratização do País.
  • Em 1954, a crise político-militar que culminou com o suicídio do presidente Vargas e sua substituição pelo vice-presidente Café Filho.
  • Em 1955, o “golpe preventivo” do Marechal Lott, Ministro da Guerra, para garantir a posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República, ameaçada pelo então presidente interino Carlos Luz, setores militares e aliados políticos.
  • Em 1956, a revolta de Jacareacanga.
  • Em 1959, a revolta de Aragarças.
  • Em 1961, a crise da posse de Jango após a renúncia de Jânio Quadros, que resultou na implantação do parlamentarismo no Brasil.
  • Em 1963, a revolta dos sargentos em Brasília.
  • Em 1964, a Contra-revolução de 1964, com a implantação do chamado regime militar.
  • Entre 1968 e 1977, o período que abrange o combate à luta armada e sua neutralização.

Em 1978, começou o processo de abertura democrática, com a revogação do AI-5 e a concessão da anistia no ano seguinte. Desde então, não houve mais nenhuma crise política com o envolvimento das Forças Armadas no Brasil.
Foi o regime militar que afastou os militares da ativa e, como consequência a tropa, da política partidária, sendo este um dos fatores determinantes do fortalecimento das instituições democráticas, junto com a neutralização dos movimentos radicais que tentavam implantar a ditadura comunista nos moldes soviético, cubano ou chinês. Podem ainda ser destacados outros indutores do regime democrático, quais sejam: a implantação de infraestruturas básicas que permitiram o desenvolvimento econômico, o crescimento da classe média, a melhoria das condições de vida e a criação de oportunidades para grande parte da população; e o amadurecimento político-social da Nação. A esses fatores, pode-se agregar o descrédito do socialismo radical, após o categórico fracasso das matrizes soviética e cubana, e a transformação da China de uma economia socialista-estatal para capitalista-estatal, porém ainda ditatorial e liberticida, portanto incompatível com a índole do povo brasileiro.
Passado um quarto de século do final do regime de 1964, não se pensa, nem se quer a volta ao passado. Portanto, a imprensa deveria facultar o acesso da sociedade a versões diferentes das há muito tempo veiculadas apenas pela esquerda sobre aquele período. Dessa forma, ela poderá tirar conclusões isentas e aproximar-se da verdade histórica, extraindo ensinamentos em prol da consolidação da democracia. A Nação brasileira será imunizada contra radicalismos de quaisquer matizes, na medida em que lhe seja aberto o acesso equânime a todas as correntes de pensamento, pois o conhecimento abrangente permite melhores avaliações, julgamentos e decisões. Por prezar tanto a própria liberdade, a Nação será o baluarte de uma imprensa livre e imparcial, qualidades ainda não alcançadas por nossa mídia, em grande parte amordaçada por interesses econômicos, pressão política e servidão ideológica.

General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva
Professor emérito e ex-comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil

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Rodrigo
Rodrigo
10 anos atrás

Muito bom texto.

Wagner
Wagner
10 anos atrás

GENERAL

E AS PESSOAS QUE VCS MATARAM E TORTURARAM ??

O QUE VC TEM A DIZER DELAS ??

E AS FAMÍLIAS DELAS ??

Vader
10 anos atrás

Ótimo texto Meu General!

Rodrigo
Rodrigo
10 anos atrás

Wagner, e as pessoas que os guerrilheiros mataram e torturaram?

Observador
Observador
10 anos atrás

Wagner disse: 7 de abril de 2011 às 9:43 Wagner, sou obrigado a copiar e colar o que escrevi outro dia. Veja abaixo: Caro Wagner: Não posso deixar de rebater os seus comentários. Sobre os tempos do governo militar, a esquerda chora muito por muito pouco. Dizer que era um regime de terror chega a ser piada de mau gosto, como muito esquerdista inveterado fala. Morreu gente. Sim. Mas não morreu como morreram em ditaduras de verdade. Vamos aos números. No Brasil durante o regime militar houve 426 mortos e desaparecidos políticos dentro e fora do país. Vamos comparar com… Read more »

Observador
Observador
10 anos atrás

Á propósito: Hoje morre muito, mas MUITO mais gente que nos tempos da “ditadura”. Antes, o Estado matava pela ação. Hoje, mata pela omissão. Se alguém hoje perde um ente querido morto por um bandido fugitivo de um presídio, recebe indenização do Estado? Devia receber. Por omissão das autoridades. A esquerda está há 16 anos no poder e não fez NADA para resolver a situação. Tem bolsa-homicídio como tem o bolsa-tortura? Não. Que eu saiba, os familiares entram com uma ação contra o Estado e são bem capazes de NÃO receber. Eu não vejo diferença entre as duas situações. Ambas… Read more »

Vader
10 anos atrás

Observador disse: 7 de abril de 2011 às 20:46 “Que eu saiba, os familiares entram com uma ação contra o Estado e são bem capazes de NÃO receber.” Na verdade meu caro Observador, quem entrar com ação contra o Estado processando este por qualquer crime cometido por um foragido da justiça irá PERDER a ação. Isso porque nossos gloriosos juízes (jurisprudência) consideram que o Estado não pode ser responsabilizado por atos de um terceiro, no caso o criminoso que deveria estar preso, não havendo então nexo causal para a condenação do Estado. Faz todo o sentido né? 😉 Num país… Read more »

Wagner
Wagner
10 anos atrás

Não estou discutindo aqui a questão de quem matou mais. Entendam o que eu quis dizer. As ditaduras de Direira foram igualmente cruéis, todas mantidas pelos cruéis norte-americanos, mas nao estou falando disso. O que estou falando EXATAMENTE É : O que o general tem a dizer dos 400 mortos ?? ahh é poquinho. Mas não é pouco para as famílias deles. Os militares dizem que a comissão da verdade deve ter os dois lados em equilibrio. Concordo. Então admitam que mataram essas 400 pessoas. Não disse que a guerrilha tambem nao matou. É claro que matou. Não disse que… Read more »

Rodrigo
Rodrigo
10 anos atrás

Você vai cobrar de quem a responsabildade dos guerrilheiros que fizeram o mesmo?

Se é para punir um lado só, qual o sentido?

Pune todo mundo ou não pune ninguém, que é algo já devidamente acertado desde a anistia.

Observador
Observador
10 anos atrás

Caro Wagner: Os militares até admitiriam tal responsabilidade, e com certeza vão admitI-la no futuro. Mas não agora. Não com governos (PSDB e PT) que instituem o bolsa-tortura e deixam as vítimas da guerrilha chapando o dedo. Não vão admitir NADA para um governo integrado por ex-terroristas, a começar pela própria Presidente da República. Também não vão admitir NADA para um governo que insiste em criar a tal da “comissão da verdade”, que só vai buscar e mostrar a verdade DELES. Eles deram uma amostra do seu descontentamento, ao não prestar continência para a presidente, na última solenidade da qual… Read more »

Wagner
Wagner
10 anos atrás

Não interessa ! Somos uma democracia funcional ( não somos ??)! Eles tem que admitir para O POVO, e não para o governo. Não neguem a realidade dos fatos. Os militares TAMBEM fizeram coisas terríveis. Os dois lados fizeram. Se o PT vai admitir ou não, ( e claro que não vai), não interessa. Os militares tem que ter honra. Ficar justificando o golpe, o golpe, o golpe, a questão não é o maldito golpe, É A TORTURA. QUEREM A RECONCILIAÇÃO NACIONAL : ESQUECER O PASSADO ? ADMITAM AS PROPRIAS CAGADAS !! Claro que a geração moderna de militares, a… Read more »

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