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Adeus a um grande brasileiro

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Faleceu no dia 27 de dezembro próximo passado, após quatro meses de internação, o Gen Bda Reformado Sérgio Augusto de Avellar Coutinho. Muito poder-se-ia falar a respeito da atuação do Gen Coutinho como militar ainda na ativa, mas o mesmo veio a se dedicar, já na reserva, ao estudo do gramscismo, sendo autor do livro A Revolução Gramscista do Ocidente. Sobre o assunto proferiu palestras para diferentes públicos civis e militares, as quais intitulava de A Revolução Invisível. Recentemente a Biblioteca do Exército lançou o seu último trabalho intitulado Cenas da Nova Ordem Mundial, livro que reedita, amplia e atualiza uma publicação anteiror, também de sua autoria Cadernos da Liberdade. O Gen Coutinho deixa órfãos muitos admiradores e, principalmente, discípulos, que sempre se deleitavam com as análises acuradas que o mesmo fazia do momento e do processo histórico pelo qual o Brasil, em especial, passa na atualidade. Um dos seus mais fiéis seguidores nos últimos anos foi Jorge Roberto Pereira, que mantém em seu site Farol da Democracia Representativa, algumas das apostilas elaboradas pelo Gen Coutinho. O Brasil perdeu um dos seus grandes nomes e vai fazer muita falta. Procurem ler a sua obra. Em anexo texto emocionado escrito pelo Jorge Roberto Pereira, logo após a cerimônia fúnebre que comparecemos. Marco Balbi

A cada um de nós, mesmo que desempenhando as tarefas humildes e rotineiras de sobrevivência, é dada a possibilidade transcendental de valorizarmos o legado de nossa passagem na Terra se, para cada iniciativa pedirmos pela inspiração divina e a Ele dedicarmos o nosso labor. É um exercício simples que, por repetição, torna-se ato reflexo para tudo o que fizermos e encherá de bênçãos as nossas ações. Este legado, podendo ser materialmente pobre, é de uma riqueza espiritual incomensurável e coloca o homem no eixo cardinal de sua responsabilidade para com o Criador, ao “amar ao próximo com Eu vos amei”.

São poucos, no entanto, os que conseguem alcançar esta disciplina de comportamento. Via de regra são incompreendidos e seus conselhos menosprezados. O “amar ao próximo como Eu vos amei” implica na compreensão de que este amor é de Deus Filho para o homem e, portanto, sagrado. É o mesmo amor que um pai deve alimentar por seu filho, para cumprir a responsabilidade que assumiu com o Eterno, de educá-lo e prepará-lo para a transitoriedade desta vida.

Quando esta capacidade de amar transcende os limites do lar e transborda para a sociedade, a atuação deste sujeito se assemelha a de um missionário. A preocupação de querer ver uma sociedade harmoniosa, próspera e justa para seus concidadãos faz com que seus esforços se apresentem segundo sua vocação.

A tarefa de missionários que dedicam suas vidas ao resgate das almas e das nações é ingrata por dificilmente serem levados a sério na exata profundidade de seus alertas e na época em que lançam seu brado. Mormente quando, ao final das contas, se trata de resgate de almas, algo intangível pela natureza mesma do objeto e quando a dimensão espiritual do homem vem sendo, há séculos, ridicularizada e desacreditada sob o pesado fogo de inimigos implacáveis e persistentes.

O homem defenderia mais a sua integridade se tivesse a percepção do divino em sua existência e encontrasse, harmonizando seu comportamento com os valores de Deus, gratificação bastante para identificar neste caminho o sentido de sua vida.

A neutralização de seus sistemas de defesa se dá pela sedução de conquistas materiais: o prazer desenfreado seja por sexo e drogas, por ostentações insustentáveis, ambições sem limites, abandono de referenciais morais e éticos espelhando-se no comportamento de autoridades que deveriam dar o exemplo de moralidade e civismo. É o apogeu da sociedade laica e suas conseqüências desastrosas.

A nação, sem voz, cumpre o papel de se chafurdar na lama que ela própria criou ao eleger políticos de triste figura, de se prostituir com a maioria cega e incapaz de definir algo de melhor para si, pois ao voltar as costas para Deus, perdeu seus referenciais de valor. Ver seus filhos morrerem assassinados por balas perdidas ou bandidos aliados com governantes, vê-los dominados pelas drogas, pelos vícios. Estes jovens, na busca por socorro, correm para casa e não encontram mais um lar: apenas famílias fragmentadas. Se ninguém os acolhe em sua própria casa, quem lhes mostrará os caminhos de Deus e da salvação? São presas fáceis das ciladas e armadilhas do demônio. E quem está no poder? Quem orquestra toda a estrutura doente que parasita a sociedade e lhe dá em troca pão e vinho? Os mesmos que há séculos, persistentemente, afastam o homem de Deus para lhe tornar escravo através de governos conquistados por meio destes artifícios.

Quando falamos no missionário que dedica sua vida ao resgate de almas e nações, é porque sua vocação pode levá-lo a pregar como um religioso ou discursar como um filósofo. Mas os poucos que lhes escutam e estudam suas recomendações chegarão à conclusão de que só se salva uma nação quando se estabelece no homem a consciência de sua alma e sua vinculação com o Criador. A construção de uma sociedade sadia está fundamentada na reconciliação do homem com Deus.

Discutimos conceitos desta natureza, o General Sérgio Coutinho e eu, ao longo destes últimos anos, às vezes por dias seguidos, ao prepararmos nossas palestras e apresentações. Tínhamos enorme cuidado em evitar um encaminhamento religioso a uma questão política, mas era inevitável a evolução das discussões neste sentido, durante as tertúlias que se seguiam aos trabalhos.

O General Coutinho se manteve sempre fiel aos seus princípios e os respeitava em seu dia a dia, dando exemplo de civismo, honradez, lealdade, tolerância e fraternidade.

Homem de enorme cultura, muitas vezes intuitiva, divulgou generosamente seus conhecimentos nas Academias e Instituições que solicitavam a sua colaboração. Despretensioso e humilde em suas colocações, disposto a ouvir mais do que falar, se fosse o caso.

Trabalhamos intensamente na elaboração de apostilas e apresentações do Farol da Democracia Representativa para diversas platéias em diversos estados do país, com o objetivo de “ajudar a salvar nação, salvando almas”. Esclarecer. Dar, a este país, jovens mais bem preparados e capazes de livrá-lo da praga que o assola na política.

Um trabalho missionário. Muitos, pelo Brasil, lembrar-se-ão dele como aquele velhinho simpático e de grande capacidade de comunicação, que magnetizava a platéia. Queira Deus lembrem-se principalmente do que lhes falou e esclareceu, já que mergulhamos cada vez mais num cenário de mentiras absurdas criadas em todas as frentes, promovidas pelo processo revolucionário socialista que flagela o país sem que a sociedade se dê conta.

O Brasil sofreu ontem, com o falecimento do General Sérgio Augusto de Avellar Coutinho, uma baixa irreparável. Para nós, que com ele ombreamos na missão, a honra e a esperança de continuarmos úteis aos jovens brasileiros.

Jorge Roberto Pereira

Presidente do FDR

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Meus sentimentos a família e a todos os amigos.