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Começam negociações para regular comércio global de armas

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Negociações internacionais começaram no ultimo dia 2 para criar um tratado a fim de regulamentar os 70 bilhões de dólares gerados anualmente pelo comércio global de armas. A sombra dos conflitos na Síria e do tráfico no continente africano já paira sobre os esforços de garantir um acordo.

Representantes dos 193 membros da Organização das Nações Unidas têm até o dia 27 de julho para crirar um esboço do tratado. Porém, a maioria dos diplomatas e observadores afirma que será uma tarefa gigantesca chegar a algum consenso.

Os Estados Unidos são, de longe, os maiores comerciantes, respondendo por mais de 40% das vendas de armas convencionais. Grã-Bretanha, China, França, Alemanha e Rússia vêm logo atrás. E todos os maiores produtores têm motivos para limitar o futuro tratado.

Os norte-americanos – que produzem seis bilhões de projetis por ano – querem excluir do acordo as munições, segundo diplomatas. A China não quer que o acordo abrode armas de pequeno porte, as quais o país exporta em massa para países em desenvolvimento. Tanto a China quanto a Russia e os países árabes alegam que os critérios do tratado são subjetivos e têm motivações políticas.

As nações européias dizem querer um tratado que ao menos torne o comércio internacional de armas mais transparente. Grupos ativistas como o Oxfam e a Anistia Internacional apontas que os conflitos na Síria e em novas regiões da África são mais motivos para que o tratado seja rigoroso.

À frente das negciações na sede das Nações Unidas, os ministros das Relações Internacionais da França, Grã-Bretanha, Alemanha e o ministro do Comércio da Suécia pedem um acordo compreensivo, que venha a reduzir o que eles chamam de “uma ameaça crescente para a Humanidade”.

“A cada ano, milhões de pessoas pelo mundo sofrem efeitos diretos ou indiretos de um mercado de armas mal regulamentado e do tráfico ilícito”, os ministros escreveram em declaração publicada em jornais europeus.

Os ministros europeus reconheceram que, enquanto grandes exportadores, seus respectivos países têm “uma responsabilidade especial nessa questão”. Eles declaram que o tratado deve garantir comprometimento legal, mas ser reforçado nacionalmente.

“Isso garantirá a consistência em escala global necessária para que o acordo seja eficiente, ao mesmo tempo mantendo o direito dos países signatários de decidir acerca da circulação das armas”, explicam.

Os ministros também declaram acreditar que um acordo para o comércio deve englobar todos os tipo se armas convencionais, incluindo modelos leves e de pequeno porte, todos os tipos de munição e tecnologias relacionadas.

O ativista-chefe para o controle de armas da Anistia Internacional, Brian Wood, condenou a “decisão completamente irresponsável e inconsequente do governo russo em fornecer armamentos (para a Síria) mesmo sabendo que seriam usados para violações e atrocidades terríveis”.

No entanto, a Rússia insiste que o fornecimento para a Síria – seu maior aliado no Oriente Médio – é legal e não tem impacto na guerra que, segundo os ativistas, já matou quase 16 mil pessoas. A China faz as mesmas alegações em relação às vendas feitas na África.

O ministro das Relações Internacionais australiano, Bob Carr disse que 2 mil pessoas morrem a cada dia por causa de armas de pequeno porte traficadas ilegalmente. “Nós queremos um tratado forte e preciso, que possibilite aos países monitorar e reportar as grandes vendas e transporte de armamentos”, declarou a repórteres.

“Eu acho que hoje somos capazes de ver a sensação de urgência”, disse o ministro das Relações Internacionais finlandês, Erkki Tuomijoa. “Em várias partes do mundo vemos conflitos em que armas leves e de pequeno porte, que inicialmente podem ter sido legalmente adquiridas, caem nas mãos de grupos criminosos e terroristas, ou outros atores que as usam indiscriminadamente”

Para o ministro, “essas armas devem ser vistas como as verdadeiras armas de destruição em massa”.

Caso as negociações cheguem a um consenso, o tratado pode entrar em vigor na segunda metade de 2013. Se as conversas falharem, um esboço de acordo ainda pode ser levado aos 193 membros na Assembleia Geral das Nações Unidas.

FONTE: DefenseNews

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