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Há 73 anos, a 148ª Divisão de Infantaria Alemã se rendia à FEB

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Soldados da 148ª Divisão de Infantaria Alemã feitos prisioneiros da FEB
Soldados da 148ª Divisão de Infantaria Alemã feitos prisioneiros da FEB

No dia 29 de abril de 1945, a 148ª Divisão de Infantaria Alemã, juntamente com remanescentes da Divisão Bersaglieri italiana, se rendiam incondicionalmente à Força Expedicionária Brasileira

O que tinha sido conseguido era notável em operações de guerra: a rendição de uma Divisão alemã a uma única Divisão aliada, a brasileira. Totalizando cerca de 14.779 homens, 4.000 cavalos, 2.500 viaturas, 80 canhões de diversos calibres e grande quantidade de munição. Aproximadamente 800 feridos aguardavam socorros urgentes.
A Força Aérea Brasileira (FAB) também deve ser lembrada! Foi responsável por 15% dos veículos inimigos destruídos, 28% das pontes atingidas, além de 36% dos depósitos de combustível e 85% dos depósitos de munição danificados.

No final do mês de Abril de 1945 o mundo já antevia a derrota das forças do Eixo, muitas de suas tropas já não combatiam, embora vários de seus comandantes se recusassem a se render aos aliados. A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária em face desta situação, estendeu suas tropas ao longos de 70 km, vigiando todos os pontos por onde os alemães tentassem passar rumo ao Norte da Itália, não com o intuito de barrar esta fuga, já que esta barreira não oferecia muita resistência devido ao seu comprimento, mas serviria como rede de alarme, pois qualquer ponto que fosse atacado seria prontamente socorrido pelas tropas que estavam prontas para se locomover rapidamente.

Informações passadas pelo IV Corpo do Exército Americano, informavam a presença de cerca de 2 mil homens e 40 blindados na região de Fornovo e era imprescindível evitar que eles atravessassem esta linha. O Coronel Nelson de Melo então, dispôs duas baterias de Artilharia, uma Companhia de Engenharia e uma Companhia de Tanques nesta posição atuando sobre Fornovo, nas direções de Montecchio-Gaiano (I/6º RI), San Michelle-Respiccio (II/6ºRI), Bosconcello-Felegara (III/6ºRI), e tendo o lado oeste protegido pelo Esquadrão de Reconhecimento, enviou mensagem ao inimigo que se rendesse, mesmo após terem tentado por 2 vezes romper a barreira, procurando alcançar o vale do Rio Taro.

Sabendo da precária condição do inimigo e não querendo derramar sangue inutilmente, seguindo a nossa tradição militar, o Comandante Brasileiro enviou através do Vigário italiano Dom Alessandro Cavalli, a seguinte intimação, a qual transcrevo:

“Ao comando da tropa sediada na região de Fornovo-Respiccio: Para poupar sacrifícios inúteis de vida, intimo-vos a render-vos incondicionalmente ao comando das tropas regulares do Exército Brasileiro, que estão prontas para vos atacar. Estais completamente cercado e impossibilitado de qualquer retirada. Quem vos intima é o comando da vanguarda da Divisão Brasileira, que vos cerca. Aguardo dentro do prazo de duas horas a resposta do presente ultimatum – Nelson de Mello, Coronel.”

Cerca de duas horas depois, o solícito Vigário de Neviano di Rossi retornou com a seguinte reposta:

“Sr. Coronel Nelson de Mello.
Depois de receber instrução do comando Superior competente, seguirá resposta”.

– Major Kuhn.

Os generais Otto Fretter-Pico e Mario Carloni entregando-se a FEB, após a Batalha de Fornovo di Taro.
Os generais Otto Fretter-Pico e Mario Carloni entregando-se à FEB, após a Batalha de Fornovo di Taro.

Por volta das 13 horas a FEB iniciou o ataque, tendo em vista que não obtiveram resposta por parte dos alemães, os quais renderam um saldo de 5 mortos e 50 feridos em nossa tropa, e que perdurou por todo a tarde e início da noite, quando por volta das 21 horas a tropa alemã tentou uma última investida, rechaçada por completo. Mais ou menos às 22 horas o Major Kuhn – Chefe do Estado-maior da 148ª Divisão Alemã, acompanhado por dois oficiais alemães cruzou as linhas brasileiras para falar com nossos chefes.

O Major Kuhn, segundo a descrição de oficiais que estavam presentes no local, era um homem magro de estatura mediana, com olhos azuis e face encovada pelo longo tempo de batalha, que pertencia ao Exército regular alemão, e mostrou-se satisfeito ao saber que os brasileiros também pertenciam ao Exército regular brasileiro.

Ele comunicou que havia sido autorizado pelo General Otto Fretter Pico a negociar a rendição da Divisão Alemã e remanescentes da Divisão Bersaglieri Itália e da 90ª Panzer Granadier, e informou possuir 800 feridos e aproximadamente 14 mil homens (e entre estes haviam inúmeros membros do famoso “Afrika Korps”), 4 mil animais e 2,5 mil viaturas, as quais mil motorizadas e sem combustível.

Admirado com o tamanho da tropa que ora se entregava, o Coronel Nelson de Mello foi ao Quartel General em Montecchio informar ao General Mascarenhas de Morais este fato e solicitou-o que retornasse a Colecchio com mais 2 oficiais, e que a rendição deveria ser incondicional, o que foi aceito.

Então, os parlamentares alemães retornaram por volta das seis da manhã, sem antes informar que foi solicitado idêntico tratamento para os Generais Fretter Pico e Mário Carloni (tropas as quais desertaram quase totalmente, permanecendo apenas aqueles cujo sentimento de dever militar era a toda prova, ou aqueles que temiam uma sanguinária vingança por parte dos seus patrícios).

Os Generais Fretter Pico e Mário Carloni foram escoltados até Florença pelos Generais Falconiére e Zenóbio, respectivamente, e as manobras da Rendição foram conduzidas pelo Coronel Floriano de Lima Brayner, Chefe do Estado-maior da FEB na noite do dia 28 para 29 de Abril de 1945, por determinação do General Mascarenhas de Morais.

O Coronel Lima Brayner comandou toda a área da rendição recebendo os 14.479 prisioneiros alemães, enquanto o General Olympio Falconiére, que comandava os órgãos da retaguarda com PC na cidade de Montecatini, foi designado para acompanhar o General Fretter Pico à cidade de Florença e o General Zenóbio foi designado para escoltar o General Mário Carloni, que foi o primeiro a se render sendo seguido pelo general alemão, esclarecendo que a rendição foi assinada na cidade de Gaiano, e não na cidade de Fornovo.

FONTE: História Animada

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Leandro Costa
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Leandro Costa

Grande feito dos nossos homens na Itália!

Augusto
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Augusto

Espetacular. Sempre bom reler sobre os detalhes da rendição da Divisão alemã à Divisão brasileira.

Victor Moraes
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Victor Moraes

Diz a lenda que a Segunda Guerra Mundial, nela só terminaram as hostilidades depois de o Brasil entrar na guerra. O pavor dos inimigos, inclusive dos aliados, foi tanto que resolveram não mais lutar, dividir a Alemanha e discretamente, mansamente, solicitar, com agradecimentos, que o a FEB voltasse para o Brasil. É sério…

Theo Gatos
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Theo Gatos

Kkkkkkkkkkk com todo respeito ao EB e à FEB, da qual meu tio avô fez parte, essa lenda não passa de lenda e nem de muito longe refletem a realidade…
.
Acho que o próprio “amadorismo” da FEB em alguns aspectos (coloco entre aspas pois serve aqui como força de expressão) torna o fato muais notável ainda e digno de ser lembrado e admirado!
.
Sds

Leandro Costa
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Leandro Costa

Nunca ouvi falar nessa lenda e não sou exatamente leigo sobre a FEB. De fato recusamos a oferta de servirmos como força de ocupação na Áustria. Um grande erro nosso, na minha humilde opinião.

Bravox
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Bravox

O ditador na epoca (Vargas) temia que a FEB temia que a FEB ganhasse poder ou força na epoca (exercito em geral)

Hawk
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Hawk

Theo Gatos 30 de Abril de 2018 at 19:26, meu avô foi da FEB também, e ele sempre dizia que justamente por terem treinados as pressas, é que suas façanhas foram gloriosas! Esses homens mereciam um filme, não um documentário, mas um filme contando esses fatos.

Theo Gatos
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Theo Gatos

Que legal Hawk! Nossos “garotos” não tiveram culpa das lambanças históricas da nossa nação… Declaramos guerra à Alemanha em agosto de 1942 e só desembarcamos na Itália 23 meses depois em julho de 1944, 9 meses antes do término da mesma e mesmo assim com treinamento aquém do ideal e tropas motivadas a levar nosso estandarte à vitória!
.
Única tristeza do meu tio avô é que no retorno, tirando as primeiras tropas que foram recebidas como heróis, quem foi chegando na sequência foi sendo esquecido e pouco valorizado/reconhecido, isso que ele me contava!
.
Forte Abraço

OSEIAS
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OSEIAS

eles mereciam vários filmes. Mas existe um bom filme “Estrada 47” veja esse.

LucianoSR71
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LucianoSR71

Tem sempre aqueles caras que p/ desmerecer dizem as tropas alemães estavam muito debilitadas, que eram fracas, etc. e que a FEB teve muita dificuldade p/ vencer um adversário desses. Para esses eu pergunto se o adversário era tão débil, porque os americanos não os derrotaram facilmente? E mais, o que seria mais fácil: chegar à Alemanha entrando pela Áustria ( então anexada e que fazia fronteira c/ a Itália ) ou ter que percorrer toda a França? E não é que o caminho mais longo acabou se tornando o menos difícil? Além das tropas alemães serem compostas por muitos… Read more »

nigo
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nigo

Quando FEB entrou em combate as melhores divisões americanas estavam em outros lugares como por exemplo sul da França, ilhas do Pacífico e norte da França. A FEB foi colocada ali na Itália justamente para liberar tropas americanas melhores na Operação Dragão em agosto de 44. Isso não é demérito nenhum, pois o contexto brasileiro dos anos 30 e 40 era completamente diferente das outras nações envolvidas na guerra. Antes de 1942 o exército brasileiro ainda utilizava a doutrina francesa defensiva da primeira guerra mundial. Ao lado da FEB nos Apeninos lutou a décima de montanha americana, era uma divisão… Read more »

Leandro Costa
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Leandro Costa

Exceto pela 10th Mountain Division, divisão de infantaria de elite, treinada especificamente para uso nos apeninos e Alpes caso fosse necessário. Eles estavam no nosso flanco. A décima só avançava quando a FEB avançava e vice-versa. O feito dos brasileiros na Itália foi impressionante e sem qualquer ufanismo mesmo, fizeram bonito e nos encheram de orgulho. Houveram problemas, claro, afinal de contas certos oficiais de carreira bastante graúdos e outros oficiais na retaguarda ainda estavam com a mentalidade do exército do início do século, o que causava certas atitudes um tanto quanto inesperadas, que nossos aliados não entendiam muito bem.… Read more »

LucianoSR71
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LucianoSR71

Acho que vc não entendeu o que coloquei. A campanha na Itália começou ainda em 1943 ( invasão da Sicília em 10/06 e ao continente em 03/09 ) se as condições de combate ( tropas e terreno ) não fossem tão adversas eles teriam se empenhado nessa frente pois como disse, a Itália fazia fronteira c/ a anexada Áustria, mas a verdade é que afora um erro de comando que não aproveitou uma clara oportunidade de avanço rápido p/ Roma ( e quase levou as tropas que desembarcaram em Anzio em 22/01/44 de volta aos navios ), os Aliados viram… Read more »

LucianoSR71
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LucianoSR71

Meu comentário é em relação ao do nigo 30 de Abril de 2018 at 22:46.

Leandro Costa
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Leandro Costa

Sim, eu havia percebido, Luciano. Comentários irretocaveis. E Kesserling tirava água de pedra em relação à defesa mesmo. Fazia o melhor uso possível do terreno.

Angelo Chaves
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Angelo Chaves

Quando você fala do “pobre nordestino” da caatinga, respondo o seguinte: talvez não houvesse em toda aquela guerra um soldado tão valoroso quanto um veterano das guerras do sertão… A 40 ou -40. Inclusive cabe citar Horácio de Mattos ” honrai seu inimigo, respeitando-o nos tempos de paz e enfrentando-o nos tempos de guerra”. 1 Cauaçu valia por 10 marines.

LucianoSR71
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LucianoSR71

Eu o citei não de maneira pejorativa, muito pelo contrário, o quis dizer é que este humilde povo tão acostumado ao sofrimento da luta diária contra adversidades da pobreza e do clima, nunca poderia imaginar o que teria que enfrentar numa terra distante, num ambiente tão diferente do que viveu toda sua vida e ainda lutar por sua vida e de seus companheiros – o que fez de maneira muito honrosa. Espero ter ficado claro, ok?

Renato de Mello Machado
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Renato de Mello Machado

No dia 29 de abril de 1945? Eu também me renderia, pois com certeza seria melhor se render as tropas brasileiras do que aos russos, e ir para a Sibéria.Mas nada que desabone a conduta de nossos militares no T.O Europeu, verdadeiros heróis.

Silas
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Silas

No teatro italiano não houve a participação de tropas russas. Eram em sua maioria americanos e ingleses.

Renato de Mello Machado
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Renato de Mello Machado

Realmente, sua observação é pertinente.Mas tem de levar em consideração que logo,logo a Alemanha seria dividida entre os aliados,o Japão é ocupado pelos EUA até hoje e a Itália?Então era melhor se render, a uma tropa com “menos sede de vingança”.Até porque ninguém sabia ao certo onde a máquina de guerra da URSS iria parar.A Europa daqueles dias,tinha muitas incertezas mas o certo era que se você não estava do lado dos EUA,você estaria do lado dos russos e vice-versa.

Roberto F Santos
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Roberto F Santos

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COMENTÁRIO APAGADO. MANTENHA O RESPEITO. NÃO ESCREVA EM MAIÚSCULAS. LEIA AS REGRAS DO BLOG. PRIMEIRO AVISO.

Leandro Costa
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Leandro Costa

Ainda na dúvida sobre se seu comentário seria digno de resposta, mas acho que você deveria se informar melhor antes de falar uma besteira desse tamanho hehehehehehe

LucianoSR71
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LucianoSR71

O nível dele está revelado já no fato de escrever em maiúsculas, que neste ambiente significa gritar, mas, como diz o filósofo, é melhor ler isto que ser cego…

Angelo Chaves
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Angelo Chaves

A Alemanha perdeu a guerra no dia que a declarou, a despeito das ilusões iniciais.

Paulo de Lima
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Parabéns ao expedicionário brasileiro que foi um verdadeiro herói , conhecido como “o louco de pisa” e erá chamado pelo Castelo Branco de “meu leão ” .

Agnelo
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Agnelo

Senhores, esta conversa de pouco treino NÃO vem de doutrina ou algum despreparo. Naquela época, o treinamento imitava muito pouco o combate em TODOS os exércitos. Por isso, nossos pracinhas diziam estar despreparados. O treinamento das tropas foi aperfeiçoado com a declaração da guerra. Castelo Branco se empenhou muito em implementar a Doutrina Americana. Conversei com muitos Of, Sgt, Cb e Sd q combateram na Itália. Uns estavam na área limite entre a 10ª Div Mth e a 1ª DIE. Eles diziam q os americanos executavam lanços enquanto nossos homens se arrastavam por dobras do terreno, como deve ser. Perguntei… Read more »

Rafael Oliveira
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Rafael Oliveira

Agnelo, mas a missão da 10ª Divisão de Montanha (tomada de Monte Belvedere) não era mais difícil que a tomada de Monte Castelo? Era um local melhor guarnecido pelos alemães, não? Tanto que conseguiam até mesmo repelir os brasileiros em Monte Castelo, partindo dessa posição privilegiada e “protegida”.
Eu entendi que eles não adotaram um procedimento correto para a tomada do local, mas, talvez, fosse a única opção viável (ir mais veloz, ainda que menos protegido). E, para o bem e para o mal, cumpriram a missão.

Riva Ridge
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Riva Ridge

Prezado Agnelo, a ação em questão realizada pela 10th não seria a incursão noturna e tomada de Riva Ridge? Me pareceu uma operação e tanto.

http://ww2today.com/18-february-1945-cliff-climb-assault-surprises-germans-on-riva-ridge

LucianoSR71
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LucianoSR71

“Por isso, nossos pracinhas diziam estar despreparados” – já vi relatos destes dizendo que o que enfrentaram era muito diferente do que haviam treinado, que muitos receberam armas que não haviam tido contato antes. Sou leigo me baseio nesses relatos, vc é militar, não? Não posso comparar meus parcos conhecimentos c/ os seus, ou seja não estou lhe contestando, apenas dizendo em que me fundamento p/ escrever. Quanto ao tempo maior de treinamento – que na verdade se não for bem feito pode até ter efeito contrário – lembrei de um documentário sobre o batalhão de tanquistas negros que treinaram… Read more »

Agnelo
Visitante
Agnelo

Bom dia Luciano
O q já ouvi sobre isso, é q tiveram frações q mudaram sua dotação de armamento muito perto da hora do emprego, pois o próprio americano o tinha feito.
Isso foi comum nos aliados.

LucianoSR71
Visitante
LucianoSR71

Leandro Costa 1 de Maio de 2018 at 2:00
Nem tanto, mestre, nem tanto, rs. Seu comentário me fez lembrar algo que já havia colocado aqui há algum tempo, o depoimento de um pracinha que disse que os negros americanos se admiravam que na FEB todos entravam em combate lado a lado, não eram segregados, enquanto que o brasileiro se admirava que na hora do rancho os oficiais americanos entravam na fila junto c/ os soldados, sem distinção, já no Exército Brasileiro os oficias se achavam superiores e não se misturavam c/ os pracinhas em suas palavras: “quanta diferença”.
Um grande abraço.

Adriano Luchiari
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Adriano Luchiari

Meu tio-avô serviu na FEB. Era tenente da Artilharia de Campanha e comandava um pelotão de obuseiro. Voltou da guerra moralmente arrasado, não podia ouvir rojões, ficava sobressaltado. Retomou suas atividades no EB, com o patente de capitão, como instrutor no CPOR-SP. Passou à reforma com a patente de major, e morreu amaldiçoando Getúlio Vargas e a existência dos malditos nazi-fascistas e comunistas.

Bravox
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Bravox

Pode nos dar um relato do que seu caro tio-avo amaldiçoava o ditador Vargas? (Nos tempos modernos quase tivemos um Vargas da era moderna “Lula”)
O brasileiro não aprende com a propria historia .

Adriano Luchiari
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Adriano Luchiari

Bravox, talvez pela mesma razão, mas por motivos diferentes, que alguns já estão amaldiçoando o quase Vargas da era moderna…Na verdade , o meu tio criticava Vargas primeiro pelo fato de ser um ditador. Ele nos contava que no início dos conflitos na Europa e até depois do ataque a Pearl Habour e a entrada dos EUA guerra em oposição aos países do Eixo (Alemanha, Itália, Japão) em 1941, o Brasil não havia tomado posição de que lado estava, porque Getúlio Vargas simpatizava com a forma de governos do Eixo. Os EUA colocaram o Brasil sob pressão para tomar posição.… Read more »

Renato de Mello Machado
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Renato de Mello Machado

Gostei muito do seu texto.

Bravox
Visitante
Bravox

Muito bom Adriano Luchiari obrigado por contar uma parte da historia do nosso pais que um ex feb viveu, poucos sabem como foi a época .

Adriano Luchiari
Visitante
Adriano Luchiari

Obrigado Bravox, como eu escrevi, era o entendimento dele. Já faz 32 anos que ele faleceu, eu já era recém-formado e gostava muito de conversar com ele, a impressão que ele deixou é que foi à guerra meio que “na marra”, mas era muito disciplinado e rígido, se resumia a comentar: era matar ou morrer! Abraço.

Saldanha da Gama
Visitante
Saldanha da Gama

Não pude deixar de sentir arrepios, as lágrimas saltarem pelo orgulho que estas façanhas nos trazem! Somos um povo diferenciado e especial e quando nos dermos conta disto, seremos realmente uma nação potência! Já foi dito aqui, mas vou repetir, as façanhas do Brasil na WWII, deveriam ser filmadas por um spielberg, um Fernando Meireles ou alguém deste nível. Como é bom sentir este arrepio de orgulho por esta pátria! st4

João Adaime
Visitante
João Adaime

Quando a gente assiste a filmes do Rambo e Braddock, saímos com a impressão de que os EUA venceram a guerra do Vietnam. Temos que admitir, eles não dão o braço a torcer. A propósito, quantas bandeiras do Brasil a gente vê pelas cidades? Os norte americanos se vangloriam até em derrotas. Idem franceses e ingleses. A FEB é mais festejada na Itália do que no Brasil. Aqui Dia da Vitória não diz nada. Triste do povo que não glorifica seus feitos do passado. Pior ainda. Os desmerece. Na verdade já deixou de existir como um povo (massa que compõe… Read more »

Adriano Luchiari
Visitante
Adriano Luchiari

João, a maior derrota dos EUA nos Vietnam foi a política. Foi uma guerra travada por uma nova geração, em um momento de grandes mudanças sociais. A maior grandeza do militares estadunidenses, que inspira o patriotismo de seu povo, é sua lealdade com seus companheiros de armas: nenhum fica para trás. Vivos ou mortos, todos são resgatados e tratados com o devido respeito e reconhecimento.

João Adaime
Visitante
João Adaime

Adriano Luchiari
Você está certo. O general Giap venceu tendo o livro do Sun Tzu embaixo do braço.
Mas o que eu quis destacar é o patriotismo deles. Como você se referiu.
Aqui no Brasil, infelizmente, nem mais a Seleção consegue unir o povo.
Pergunte a um estudante o que é Tiradentes. Ele dirá que é um feriado. Esta pergunta foi feita por um repórter de TV por ocasião do dia 21 de abril.
Lamentável, estamos morrendo como povo e país.
Abraços

Adriano Luchiari
Visitante
Adriano Luchiari

Abraço João!

RICARDO BIGLIAZZI
Visitante
RICARDO BIGLIAZZI

É engraçado o que vou afirmar: “No Vietnam os EUA venceram praticamente todas as batalhas em que se envolveram, apenas perderam a Guerra”. Era impossível vencer naquele cenário, os Russos passaram a mesma situação no Afeganistão na década de 80 e mesmo no Iraque os EUA nunca conseguiram uma situação de “paz total” no Pais dominado. São poucos os países – como Japão (dominado e humilhado com dois Cocos Atômicos pelos EUA), Alemanha (destroçada por EUA, Russia e Inglaterra) e França (mantida sob mão de ferro – mas nem tanto – pelo Exército Alemão) que se comportam dentro das regras… Read more »

Jorene
Visitante
Jorene

Oseias, vai me desculpar, mas o filme “Estrada 47” para mim é um péssimo filme, onde os soldados brasileiros são retratados como bobos, medrosos, desorganizados e imprevidentes. O filme não ressalta uma única qualidade de nossos soldados. Embora tecnicamente bem feito, sua história só serve para desmoralizar o exército brasileiro.

João Adaime
Visitante
João Adaime

Concordo.
Apenas no final aquele italiano se retrata fazendo um elogio.
Nossos pracinhas limparam o terreno e quem levou os louros foram os demais aliados na entrada triunfal na vila.
Fora isso, todas as intervenções dos nossos soldados foram retratadas como desastradas.
Se fosse o contrário, soldados norte americanos, a turma de engenharia que desativou as minas seria erguida nos braços pelas tropas que finalmente puderam passar.
Esta é a diferença entre senhor e vassalo.

Jorene
Visitante
Jorene

“Estrada 47” é uma porcaria de filme, com diálogos ridículos, roteiro insosso, direção fraca e atores péssimos. Não vale a pena nem comentar…

Nilson
Visitante
Nilson

Conforme diversos comentários acima, somos vários cinquentões, da geração dos netos e sobrinhos netos dos FEBianos. Meu tio avô era motorista, ficou também traumatizado com o barulho de aviões, mesmo na sua cidadezinha natal. E a próxima geração, que não terá tido contato com seus bisavôs e tios-bisavôs?? A história tende a se perder no passado, infelizmente. De qualquer forma, glória aos feitos dos FEBianos, o combate real por si só já é motivo de admiração, ainda mais com todas as dificuldades que enfrentaram.

Adriano Luchiari
Visitante
Adriano Luchiari

É isso aí Nilson. Foram valorosos brasileiros, dignos de respeito e admiração só por terem cumprido com esse dever! Que sua História não seja deturpada nem esquecida…

LucianoSR71
Visitante
LucianoSR71

Como vários já colocaram, esse ‘Estrada 47’ é uma porcaria. Em outro post ( ‘73 anos da Tomada de Montese’ ) há alguns dias sugeri 2 documentários:
– A Cobra Fumou
– Liberatori
Ambos podem ser encontrados no Youtube.

LucianoSR71
Visitante
LucianoSR71

Caros editores, comentário preso.

José Carlos David
Visitante
José Carlos David

Bravo Zulu para a FEB, para a FAB e para os bravos marujos que heroicamente escoltaram centenas de comboios nas águas do atlântico infestadas de submarinos alemães!

Alexandre Esteves
Visitante
Alexandre Esteves

A maior façanha da nossa FEB. O dia 29 de abril deveria ser celebrado no país inteiro, contado em livros, de maneira que sua juventude pudesse crescer admirando seu Exército, não sendo doutrinada por ideologia que o classifica quase como força de ocupação.
A COBRA FUMOU na Itália, e a prova disso foi/é o dia 29 de abril de 1945.

Roope
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Roope

Cel. Hiram Reis e Silva Foi em abril de 1945. Os alemães tinham retraído da Linha Gótica depois da nossa vitória em Montese, e provavelmente pretendiam nos esperar no vale do rio Pó, mais ao Norte. Nosso Esquadrão de Reconhecimento, comandado pelo Pitaluga, os avistou na Vila de Collechio, um pouco antes do rio. “A pedido do general fui ver pessoalmente e lá, por ser o mais antigo, coordenei a noite um pequeno ataque com o esquadrão e um pelotão de infantaria, sem intenção maior do que avaliar, pela reação, a força do inimigo. Sem defender efetivamente o local, os… Read more »

LucianoSR71
Visitante
LucianoSR71

Caro Roope, muito interessante essa matéria, c/ destaque p/ o caso da Cruz de Ferro. Obrigado por nos trazer esse relato. Abs.

Jorene
Visitante
Jorene

A verdade é o seguinte: embora nossa tropa estivesse sido treinada para lutar no norte da África e não na Itália, embora nosso armamento fosse desatualizado e nosso uniforme fosse dos anos trinta sem proteção para o inverno europeu, uma vez reequipados, uniformizados e treinados pelos norte-americanos, fomos para o campo de batalha, e lutamos bem, tendo um bom diálogo com os americanos e interagindo com os italianos libertados do jugo fascista. Não há nada que desabone nossos pracinhas e pilotos de Thunderboldt. Uma pena que uma vez terminada a guerra, nossos soldados foram apressadamente retirados do norte da Itália,… Read more »

Alan Peter
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Alan Peter

Cada um carrega dentro de si um pouco da verdade…essa é a verdade…..Nossas forças estavam mal preparadas? Não….nem preparadas estavam…foram preparar-se lá, e de cara pegaram um clima que nunca viram e nem imaginariam ver. Fomos supridos pelos americanos? Sim, nosso arsenal de guerra era pitoresco, tudo dentro dos padrões franceses, e muito antigos. A mentalidade da maioria dos comandantes era arcaica, típica de um país que não combatia desde a Guerra do Paraguai. Mas muitos, rapidamente aprenderam uma mentalidade nova. Sempre foi assim, em todos os exércitos do mundo, por que no nosso seria diferente. Os alemães estavam cansados?… Read more »

Leigo
Visitante
Leigo

Li q o Genl Mascarenhas de Morais certa vez, sob pesado bombardeio da artilharia, foi orientado pelo Genl Americano, comandante do t.o., a recuar. A resposta foi….avise aoseu comandante q ele pode ir para esquerda…para direita ou rpra trás e isso não implica no moral de sua tropa….então…daquinao recuo um passo….valeu FEB!!!!!