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Paz armada: os desafios de Duque na Colômbia

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Ivan Duque: presidente eleito da Colômbia deve brigar por mudanças nos acordos de paz com guerrilhas e lidar com a economia de maneira ortodoxa (Nacho Doce/Reuters)
Ivan Duque: presidente eleito da Colômbia deve brigar por mudanças nos acordos de paz com guerrilhas e lidar com a economia de maneira ortodoxa (Nacho Doce/Reuters)

Os colombianos foram às urnas no último domingo e elegeram Ivan Duque, ex-senador herdeiro do Uribismo (do ex-presidente Álvaro Uribe), com 54% dos votos

Não foi dessa vez que os colombianos elegeram seu primeiro governo de esquerda. Acostumados a associar candidatos de esquerda e centro-esquerda às guerrilhas que por anos levaram terror ao país, os colombianos foram às urnas no último domingo e elegeram Ivan Duque, ex-senador herdeiro do Uribismo (do ex-presidente Álvaro Uribe), com 54% dos votos. Ele irá suceder Juan Manuel Santos, que governou o país nos últimos 8 anos, assinou um acordo de paz com os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e recebeu um prêmio Nobel da Paz por isso.

A eleição de Duque era esperada, mas joga luz em um problema que deve se tornar mais latente na Colômbia a partir de agora: o sentimento de descontentamento que atingiu uma parcela de colombianos contrários ao modelo de pacificação aprovado por Santos. A reclamação principal é que o acordo é brando demais com os guerrilheiros, que conseguiram até posicionamento político partidário e representação no Congresso. Duque afirma que irá buscar punições mais severas para os crimes cometidos pelos rebeldes durante os 50 anos que duraram o conflito.

Duque é visto como uma escolha favorável ao mercado, planejando cortar impostos e reduzir o tamanho do Estado. Ele também sugere a adoção de um teto para os gastos públicos, além de uma reforma da previdência e acordos comerciais com mais países. A Colômbia foi recentemente aceita na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e novas parcerias devem entrar no radar do presidente eleito.

Essa agenda deve dar continuidade à política neoliberal na economia da Colômbia, uma pauta adotada desde os anos 1990 e que ajudou a garantir os indicadores econômicos do país: desde 1998 a Colômbia não tem uma recessão e o PIB cresceu 1.8% no ano passado.

Apesar da mudança na política, agora os colombianos devem voltar sua atenção para uma questão mais mundana, antes de Duque assumir a presidência no dia 7 de agosto: a Copa do Mundo de futebol. A Colômbia estreia no torneio nesta terça-feira às 9h.

FONTE: Exame

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CapanemaFABIO MAX MARSCHNER MAYERDaGuerraIvanhélio Recent comment authors
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Bruno w
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Na minha opinião ,Chile e Colômbia são os países mais promissores na AL…Enquanto que o resto ou é governado por uma esquerda burra ou por aqueles que se dizem direita ,mas não passam de corruptos mascarados…

HMS TIRELESS
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HMS TIRELESS

Nunca concordei contigo mas sempre há uma primeira vez

hélio
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hélio

Mas o chile além de governado pela esquerda tem uma esquerda forte e enraizada. Na Colômbia, veja o caso do Santos, ele é justamente um falso direitista e nada impede que esse duque faça o mesmo. Promissor é o Brasil, agora, ser promissor não garante nada além de possibilidades. Uma America latina liberal ou de esquerda sempre será fadada ao fracasso. O sucesso só virá com o resgate da cultura e dos valores tradicionais herdados dos ibéricos.

FABIO MAX MARSCHNER MAYER
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FABIO MAX MARSCHNER MAYER

A esquerda chilena nunca migrou para o clientelismo da esquerda brasileira, e desde a democratização do país, sempre governou com políticas econômicas muito austeras, se comparadas à festa que é por aqui. E a direita de lá, nem chega perto da coisa melancólica que se diz ser a direita brasileira, que até estatista tem.

HMS TIRELESS
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HMS TIRELESS

O resultado da eleição presidencial colombiana mandou dois recados inequívocos. O primeiro é que a população do país está insatisfeita com os termos do acordo de paz celebrado com as FARCS, que após 50 anos de agressões à sociedade local, aliança com o narcotráfico e com a narcoditadura bolivariana de Chávez/ Maduro saíram premiadas com um acordo de paz que além de anistia lhes garantiu representação política quando na verdade deveriam estar respondendo em juízo pelos crimes cometidos. O outro recado é que o Uribismo está mais vivo do que nunca afinal o povo reconhece quem os livrou do caos… Read more »

hélio
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hélio

54% é uma margem muito pequena para ser considerado um “recado”. O mal da “direita” é cantar vitória antes do tempo, na verdade eu vejo isso com extrema desconfiança. 46% dos votos nas mãos da esquerda é muita coisa e o cenário pode mudar abruptamente.

Ivan
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Ivan

HMS Tireless,
.
As vezes você escreve de forma intempestiva, mas nesse episódio sua intempestividade corresponde aos números. Observe as informações (e links) que disponibilizei logo abaixo.
.
Forte abraço,
Ivan, o Antigo.

vitor
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vitor

direita de direita ou ”direita”?

Victor Moraes
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Victor Moraes

Desejo boa sorte à Colômbia. Por crise social, guerra, eles talvez, governantes, sejam mais sérios do que os nossos.

Dan01
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Dan01

Nao sei como funciona o sistema eleitoral colombiano mas uma vitoria de 54% é uma vitoria bastante acirrada, se nao tomarem cuidado e perigoso as farcs ganharem nas proximas eleiçoes.

hélio
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hélio

Exatamente.

Ivan
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Ivan

Dan, . Menos, muito menos. . Segundo Notícias UOL: “De acordo com o Registro Nacional do Estado Civil, o órgão eleitoral do país, Duque conseguiu 53,97% do total de votos. Gustavo Petro, do movimento Colômbia Humana, por sua vez, obteve o equivalente a 41,81%. Os votos em branco ficaram em 4,2%.” – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/06/17/ivan-duque-e-eleito-o-novo-presidente-da-colombia.htm?cmpid=copiaecola . Segundo G1, de acordo com Registraduría Nacional del Estado Civil: – Iván Duque – 10.372.730, 53,98%; – Gustavo Petro – 8.034.089, 41,81%; – Votos em branco – 808.335, 4,21%. . Assim sendo, Iván Petro recebeu 2.338.671 votos (12,17% do total) a mais que… Read more »

Dan01
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Dan01

Eu pensava que ele nao conseguiria nem 15% por ter sido das farcs. Vamos esperar que o Duque faça um bom governo(ou pelo menos nao saia com baixa popularidade), pois o risco do guerrilheiro destroçar a Colombia ainda e alto.

Ivan
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Ivan
DaGuerra
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DaGuerra

Paz com bandidos terroristas que não pagaram pelos seu crimes? Que parte do grupo armado, agora com verniz de legalidade como partido, ainda está operando na clandestinidade? Ora, o Povo Colombiano quer ver esses facínoras pagando pelos seus atos. O Colombiano não quer essa defecção urdida em cuba e apelidada pelos comunistas de…”paz”…quer ver os canalhas na cadeia que é o lugar de terrorista ou na vala. Pior que essa “paz” foi a anistia aqui no Brasil que deixou os mesmos vagabundos terroristas voltarem ao país e formarem um ParTido que nos levou ao caos que vivemos hoje.

Capanema
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Capanema

O candidato derrotado na pertencia as FARCS, mas sim ao extinto M-19, tendo sido prefeito de Bogotá, o candidato das FARC não pasosu de 1% dos votos.